Coven

9 Capítulo 08


— ... merda. Vocês dois devem ser as pessoas mais sortudas que eu conheço! Nunca alguém curou um ferimento do porte que descreveu sem morrer instantaneamente!

Celta aos poucos recobrava a consciência, ouvindo a voz de Helena.

—Ela está acordando – Disse a amiga, fazendo com que Finn e Henri se aproximassem da cama onde Celta estava deitada.

A bruxa olhou ao redor e ficou em pânico por não reconhecer onde estava nos primeiros segundos. Então reconheceu os pôsteres e coleção de música do quarto de Helena.

Os amigos a olhavam com ar preocupado, como se ela pudesse explodir em mil pedaços a qualquer instante. Seu irmão estava com os olhos vermelhos e olheiras profundas, indicando que havia um tempo que não dormia.

— Por quanto tempo fiquei apagada?

— Um dia. – Respondeu Helena, ansiosa.

“Droga!” Pensou Celta. Aquilo significava que os Testes da Aceitação seriam no dia seguinte. Ela perdeu um dia inteiro de preparo e , provavelmente, seus amigos também.

Henri deve ter lido a preocupação em seu rosto, pois logo abriu um sorriso encantador igual ao de sua irmã.

— Não se preocupe com isso, agora que você acordou, temos tempo suficiente para discutir sobre os Testes.

Celta sabia que ele estava sendo educado. Qualquer tempo perdido podia ser fatal. Uma Aliança sem estratégia, é uma Aliança fadada ao fracassa, A jovem passou as mãos pelos cabelos, hábito que costumava fazer quando estava sob pressão.

Então ela se lembrou do motivo por ter ficado desacordada por tanto tempo.

— Finn, e o que houve com... os elfos? – Disse a ultima palavra de maneira hesitante, como se aind não acreditasse no que tinha acontecido.

O irmão , que ainda não havia falado uma palavra desde que ela acordou, sorriu levemente para a garota.

— Eles conseguiram fugir novamente para a floresta, enquanto eu conjurava uma neblina para despistar os Assassinos. A elfa estava viva, se quer saber, graças a você – Ela não pode deixar de ouvir o tom de orgulho a voz de Finn. O jovem pegou um objeto e entregou nas mãos da irmã. – A propósito, ele disse que podia pegar isso, como agradecimento.

Celta virou a adaga prateada que o irmão tinha posto em suas mãos. As armas dos Edin Al’Natur, assim como tudo associado ao seu povo, eram lendárias. A bruxa viu os intrincados símbolos que estavam entalhados na superfície que serviam para canalizar a magia para a lâmina.

— Ela estava empalada no coração daquele assassino, mas acho que consegui limpar bem direitinho. – Finn comentou. Celta rapidamente devolveu a lâmina pro irmão e limpou o sangue imaginário das mãos.

— Ridículo. – Comentou com um pequeno sorriso.

—Celta, só acreditei nessa história absurda por causa dessa adaga e do jeito como encontramos você . – Falou Helena. – Claro que tivemos o bom senso de trazê-la escondia para o meu aposento, se alguém da Guarda descobre que dois aprendizes estavam usando magia ofensiva e ainda por cima com dois – não acredito que estou falando isso – elfos, estaríamos em sérios apuros.

— Ainda bem que tenho amigos bastante inteligentes – Helena e Hneri responderam com um uníssono “nós somos mesmo.”

Finn parecia ainda estar incomodado com algo.

— o que foi, Finn? – perguntou a irmã.

— Bom, quando começamos a seguir os dois pra fora da cidade, você disse ter sentido uma espécie de calafrio quando esbarrou com eles mais cedo. Alguns relatos dizem que existem bruxos capazes de detectar ondas mágicas antigas, poderosas; e a descrição é bem parecida com a de um calafrio. Eles também dizem que é um dom hereditário. – Ele fez uma pausa. – Só que eu não senti nada. Tem certeza que não estava imaginando coisas?

— Tenho. – Respondeu com convicção. – Mas não senti quando os encontramos novamente.

— E o que isso significa? – perguntou Henri.

— Significa que o que quer que eu tenha sentido não tinha nada relacionado a eles, e sim com algo que eles carregavam. – Celta pensou um pouco. – Alguém contratou elfos para trazer um objeto de grande poder para a cidade de Lenda. Eles foram bem sucedidos ao que parece.

— Mas por que se dar tanto trabalho em identificar Edin Al’Naturs? – Perguntou Helena. – Se quiser contratar alguém para serviços assim, basta ir para o centro da cidade à noite.

— Eu não sei. – Celta falou, dando de ombros. – Só tenho certeza que não é a ultima vez que ouviremos falar disso.

Todos ficaram calados por alguns instantes, até que Helena quebrou o silêncio.

— Bom, tentativas de assassinatos, artefatos misteriosos e lendas à parte, nós temos uma estratégia para preparar! – Todos concordaram. – Mas antes, por favor garotos, nos deem licença, minha amiga aqui precisa de um banho e de uma tonelada de bebida quente.

Dito isso, Helena pôs os dois para fora. El se virou, então, para Celta com um ar bastante ansioso.

— Tenho algo a lhe contar. – Falou enquanto se sentava ao lado da amiga.

— O que? – Disse Celta preocupada.

— Quando você chegou aqui, tomei a liberdade de trocar sua roupa e limpar toda aquela sujeira em você; de nada, á propósito; enquanto os meninos iam pegar algumas ervas que poderiam ser úteis em sua recuperação, e achei isto.

Helena pegou a mão de Celta e retirou o prórpio amuleto do se cinto, que era uma varinha e entoou um feitiço.

— Ostendeum.

Um símbolo aos poucos começou a tomar forma na palma da mão direita de Celta. Tratava-se de olho com a íris fendida como a de uma serpente e logo acima uma meia lua, ambos pareciam ter sido marcados a ferro na pele pálida da bruxa.

— Mas o que é isto? – Perguntou a bruxa de cabelos ruivos atônita.

— Não sei. – Disse Helena frustrada. – Tomei a liberdade de ir à biblioteca procurar o que significava, mas não achei uma referência sequer. Não sei como seu irmão e Henri não o perceberam. Mas resolvi ocultá-lo com magia. – Fez uma pausa. – Seu irmão já estava ansioso demais sem se preocupar com símbolos macabros.

— Tem razão e obrigada por fazer isso.

Celta olhou outra vez para o misterioso símbolo. Mais uma droga de problema que ela teria que resolver.

— Mas não nos preocuparemos com isso agora. – Falou para amiga. – Os Testes já são complicações suficientes por enquanto.

Helena concordou e as duas prometeram que aquilo seria o segredo delas.

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Lancel observou enquanto Elendria engolia a mistura que a humana havia dito para ele preparar. O gosto devia ser horrível, pois ela sempre fazia uma careta grotesca toda vez que o tomava. Pelo menos, estava ajudando a amiga a ganhar mais rapidamente a cor saudável das faces.

— Que Oblin Verel se vista com os ossos daquele maldito humano! – xingou Elendria pela centésima vez naquela manhã.

— Como voltaremos para o clã , depois de ter desaparecido por uma semana, com nada além de vergonha para justificar nossa ausência? – Perguntou laconicamente.

— Nós temos mais que apenas vergonha, Elendria. – Comentou Lancel. A Edin Al’Natur ficou pensativa.

— Aqueles dois jovens bruxos. Nunca vi tanto poder mágico em um só lugar. – Ao dizer isso, colocou a mão sobre onde o tecido de sua túnica escondia a grotesca cicatriz. – Não é preciso ser um Aderan Sindah para saber disso.

— Nunca senti nada parecido em toda minha vida, glitah.— Comentou Lancel. – Quando encontrei a garota mais cedo, já havia uma força avassaladora, mas quando aquele outro bruxo apareceu... foi como se duplicasse. – O elfo pegou um pedaço de um dos galhos que haviam servido de lareira no acampamento improvisado dói dois e desenhou algo em uma rocha com sua superfície carbonizada.

— Nos últimos segundos antes da humana desacordar, ela gritou. Esse símbolo brilhava na palma da mão dela.

Elendria se posicionou ao lado do amigo para poder olhar o símbolo.

— Nunca vi tal coisa em nenhuma das escrituras Edin. – Falou intrigada. – Mesmo assim, não posso deixar de pensar que já o vi em algum lugar. – De repente, a pouca cor que o rosto de Elendria havia recuperado desapareceu.

— O que foi? – Perguntou o Elfo preocupado.

— Se eu estiver certa... Essa menina não é uma sindah. – Respondeu lentamente. – Mas algo mais.

Elendria pegou seus pertences e os entregou a Lancel.

— Temos que chegar ao Clã o mais rapidamente possível. Elin Avel precisa convocar o Conclave dos Clãs.

Lancel prendeu a respiração e depois soltou um xingamento.

— Você não está querendo dizer....

— Sim. – interrompeu Elendria. – Se esse símbolo for o que estou pensando, começou. Temos que nos preparar imediatamente.

Mesmo ferida e sentindo muita dor, Elendria começou a andar rapidamente, fazendo com que Lancel apertasse o passo para acompanhá-la. Se a amiga estivesse certa, então ele temia.

Temia pela vida de cada criatura que respirava.