Coven
10 Capítulo 09
Notas iniciais
— Acho que vou vomitar – Disse Helena pela quarta vez.
— O que você vomitaria? Já fez isso duas vezes há nem dois minutos. – Comentou Henri, mas ; apesar de suas palavras; o irmão da bruxa também estava pálido como um morto.
Os quatro bruxos estavam reunidos na antecâmera da Arena, esperando com os outros aprovados pelo início da cerimônia dos Testes. Naquele momento, todos carregavam os símbolos de sua linhagem Sanguínea, perguntando-se se conseguiriam entrar nos respectivos Covens ou descobririam o que acontece com aqueles que falham.
Celta lembrou-se das palavras do homem que havia sido o mais próximo de um pai que ela e Finn conheceram na vida.
— Sabem que não uso com muita frequência elogios para meus alunos, essas palavras servem apenas para fazê-los pensarem que não precisam mais melhorar em nada, se querem minha opinião... – Disse Irving, professor de encantamentos de Castel, e tutor dos dois. – Mas em meus cento e vinte anos, nunca lecionei para bruxos tão talentosos quanto vocês dois. Confiem em sua magia, em sua inteligência! Elas não irão deixá-los na mão.
Apesar de suas palavras encorajadoras, Celta temia que os outros aprovados fariam com os dois. Há duas semanas, os irmãos carregavam o peso do amaldiçoado título “Lilith” que geralmente é a condenação para os campos de servidão. Então, de repente, eles foram elevados ao seleto grupo dos Dracul e aliaram-se a dois poderosos aprendizes para realizar os Testes. Celta não podia deixar de perceber os olhares furiosos que dirigiam ao seu quarteto reunido mais afastado da multidão de mantos negros.
— Nós discutimos a estratégia, treinamos feito loucos e temos excelentes amuletos graças a ideia da minha irmã de usar o sangue de gigante de gelo. – Falou Finn, que escondia seu nervosismo atrás de seu sorriso encantador. – Nós conseguiremos, sei disso. – Ele olhou para Celta preocupado. – Você tem certeza que está...
— Estou bem, não se preocupe. Os tônicos e a comida me fizeram muito bem.
Celta trocou um olhar apressado com Helena. Na noite anterior, quando Henri e Finn haviam ido dormir após o treino, Celta revelou para Helena que a misteriosa marca em sua mão ardia como se estivesse em brasas. Após algumas tentativas, as duas tinham conseguido aliviar a dor com algumas poções.
“Nós temos que pesquisar sobre essa misteriosa marca, antes que...”
— Aprovados, sigam-me – Disse o homem que havia levado Cellta para a prova da Linhagem, que ela havia descoberto se tratar de Nathaniel Villad, o novo assistente do diretor de Castel.
A multidão de negro, seguiu obedientemente o homem através das grandes portas. Apesar de todos estarem vestindo a mesma cor, não poderiam estar mais diferentes uns dos outros. Alguns alunos estavam exultantes de tanta empolgação, outros seguiam com completa indiferença, não se preocupando mais com os Testes do que com qualquer outra prova, e haviam aqueles que – como Celta. – sentiam-se como animais indo para o abate.
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— Está ansiosa para ver os dois jovens bruxos em ação, não é mesmo? – Perguntou a Bruxa do Sangue enquanto se abanava com um leque vermelho, que combinava com seu manto, seu vestido e sua faixa de seda sobre os olhos. – Mas que porcaria de dia arranjaram pra fazer a porra desses Testes! Aqui está mais quente que a droga do Sol!
— Seu linguajar encantador nunca deixa de me impressionar. – Comentou Ártemis que, apesar de também compartilhar do sentimento da amiga, não lhe dava tanta importância. Agora a bruxa procurava na multidão de adolescentes vestidos de negro, as duas cabeças ruivas como pelo de raposa.
Ela agora estava vestida como seu cargo pedia. O vestido negro como penas de um covo, o manto tecido em um material que transitava entre as cores azul, vermelho, verde e amarelo – as cores dos quatro elementos – e sua máscara de dragão trabalhada em pedras da lua. Era algo extremamente desconfortável, mas servia bem ao seu propósito de impressionar e proteger.
Ali em cima, no camarote destinado aos Conselheiros, à direção da escola de Castel e aos representantes dos Covens tudo ficava irritantemente diminuto, tornando difícil a tarefa de localizar quem quer que seja.
A Bruxa do Sangue deu uma pequena risada.
— terceira da última fileira, esquerda pra direita.
Ártemis às vezes se esquecia das habilidades incomuns da amiga.
Lá estavam os dois. Ansiosos com os Testes, temerosos por seu Destino.
“Vocês fazem bem em temer. Apesar de o fazerem pelo motivo errado.”
Alguns segundos depois, a Conselheira Vanessa sussurrou para a Líder que estava na hora de começar a cerimônia.
Ártemis ergueu-se de seu assento, acompanhada pela Bruxa de Sangue e os líderes dos Covens.
— Aprovados, vocês provaram através de seu sangue serem dignos de passar pelos Testes e ingressarem em seus respectivos Covens. Ao todo temos cem Covens no Império, cada um com aproximadamente cem bruxos e bruxas. Vocês serão dignos de fazerem parte de suas fileiras? Serão dignos de fazerem parte da parte mais nobre e poderosa de nosso povo? Serão capazes de sobreviver aos Testes?
Ao dizer essas ultimas palavras, murmúrios se alastraram pela multidão de mantos pretos como fogo em capim seco. Esse era um dos motivos dos detalhes acerca do Teste serem secretos; nem todos eu passariam por eles sairiam vivos. Essa era uma prática abominável e um completo desperdício, pensava a Líder do Conselho, mas ela já tinha feito mudanças e inimigos suficientes na política do Império sem tentar mudar abruptamente essa tradição milenar.
“ De gota em gota, o oceano foi formado.” Repetia a bruxa para si como um mantra ao enfrentar tais desafios. Um dia aquilo iria mudar, ela esperava. Mas, por enquanto...
— Vocês serão avaliados pelos líderes dos Covens e, se conseguirem se provar dignos aos olhos dos deuses, irão ser encaminhados para uma das cinco castas: Sumo Sacerdotes, Guerreiros, Curandeiros, Feiticeiros ou Invocadores. – Os aprendizes a olhavam, ansiosos. – Os Testes são compostos por quatro desafios: o do Fogo, o da Água, o da Terra e o do Ar. Passem por todos eles com sucesso, e terão motivos para celebrar no Banquete dos Covens.
Nesse momento, A Bruxa de Sangue pegou o enorme cajado de madeira da Floresta Sombria e apontou a enorme pedra de sangue para o espaço vazio acima dos aprendizes de Castel.
— Que Helene os guie e aconselhe, que Hécate e Vallik fortaleçam sua Magia e Undal os proteja!
Os animais sagrados de cada deus e deusa citados irromperam do punho do cajado da Bruxa como figuras de fogo: O dragão, a coruja , o corvo e a raposa se perseguiam em círculo, rodeando a multidão de jovens.
Todos os bruxos dos camarotes se ergueram e apontaram seus amuletos para os aprendizes e gritaram em uma só voz um feitiço.
— Motus!
Então, os alunos desapareceram. Ártemis sabia que eles agora estavam na Ilha.
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