Covarde de Nascença (Ama No Jaku)
1 Prólogo
Notas iniciais

Com sua janela do quarto fechada, lá estava Amélie, deitada com seu notebook ao seu lado, em cima de sua mesa de cabeceira, já que não tinha uma mesa para colocá-lo. Ela nunca parava quieta: não sabia se ficava meio deitada ou sentada na cama com aquela má postura que mais tarde viria a lhe causar problemas.
Enquanto o dia permanecia escuro e frio lá fora, essa garota ficava em casa, fechada em seu quarto assistindo animes, algo que começou a ver há poucos meses e ficou, digamos, viciada nisso. Depois de ficar interessada em coisas japonesas e a escrever num blog otaku, começou a procurar por jogos que lhe agradessem, e encontrou mais um vício: osu!.
A mãe de Amélie já estava “de saco cheio” por ouvir sua filha de 13 anos falar de coisas que ela não entendia, ficar cantarolando músicas japonesas e a tentar ensiná-la palavras em japonês. Era só o que faltava, uma mãe alienada em novelas e televisão e uma filha viciada em internet e “desenho chinês”, como sua própria mãe dizia. E isso tudo piorou quando ela conheceu k-pop, pelo menos disso Angélica gostou (mas claro, fez aquele seu “hmpf” e não disse nada, mas no fundo estava se matando por ouvir mais).
Sua vida escolar era a vida de uma estudante normal. Um normal do tipo de falar com todos da turma, andar com duas amigas nos intervalos, mas não conversar com nenhum de seus amigos quando não estava na escola, pois não sentia vontade, afinal, eles quase não tinham gostos em comum. E até mesmo suas amigas viram como ela vinha mudando de uns tempos para cá. Ela, seus comportamentos e suas notas escolares.
Mas Amélie não gostava de não falar com seus amigos quando estava em casa, ela amava bater um bom papo. Então passou a falar com outras pessoas através da internet, e as primeiras foram os outros três autores daquele bloguinho em que ela se candidatou como postadora e que, surpreedentemente, foi aceita. Sim, as primeiras pessoas que ela conversou pela internet foram duas garotas e um garoto. E como ela ficou maravilhada com esse acontecimento. Tudo isso foi em secreto, obviamente.
— Você sabe como é perigoso falar com pessoas desconhecidas na internet, não sabe, Amélie? Você já viu aquelas inúmeras reportagens de meninas que foram raptadas ou fugiram de casa enganadas por homens que fingiam gostar e ter a idade delas. Cuidado, hein! Ai se eu descobrir que você anda fazendo coisas assim… você sabe que eu contrato até um técnico para checar esse seu computador — dizia Angélica, com aquela voz que fazia Amélie tremer por dentro.
— Tá bom, mãe. Eu já estou farta de ouvir isso. Não se preocupe, você sabe que eu sei me virar, e eu sei que não devo falar com estranhos na internet. Eu já entendi, que saco!
E sabia, e sempre temeu que sua mãe lesse suas conversas que tinha com o pessoal. Só que para ela, o prazer de conversar com aquelas pessoas era maior do que o medo. Eos laços que iria construir com aqueles e mais amigos que conheceria seriam ainda maiores que Amélie esperava.
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