Counting Stars

1 Introdução


Notas iniciais
Oi, oi. Então, esse capítulo será apenas uma pequena introdução para a história, mas não menos importante que os outros.
Se puderem, leiam esse capítulo ouvindo Little Fool, do Miniature Tigers. Não tem muita coisa a ver com a história, mas a música é muito boa.

— Ok. Tudo bem. Nos encontramos lá, então. Sábado, oito da noite, né? Só pra confirmar. Tudo
bem. Tchau.

Sábado, oito da noite. Por algum motivo, me sentia ansioso pra esse dia. Antes de atender ao
telefone, que, logo pela manhã, tocava incessantemente na sala de estar, podia jurar que era minha
mãe — aquela que tinha me abandonado havia um ano para ir morar com o namorado, que vivia em
alguma cidade afastada de Paris —, mas não era. Era uma pessoa que eu mal podia me recordar, mas,
ao mesmo tempo, conseguia me lembrar de cada detalhe de seu rosto oval, de seus hábitos estranhos,
de seu corpo magro e de sua pele pálida. Um antigo vizinho, um antigo amigo. Falamos e falamos sobre
coisas não muito relevantes por um bom tempo. Ele me contou que conseguiu entrar pra uma das
universidades mais concorridas do país. Disse que agora tinha uma namorada, e que ela tinha uma
beleza inacreditável e incontestável, jamais vista por algumas pessoas. Perguntou como estava o Ensino
Médio e se eu já estava pensando em que universidade iria entrar. Acrescentou que deveríamos nos
encontrar pra discutir mais sobre algumas coisas. Eu concordei.

Só de pensar que eu iria reencontrar um amigo que eu não via desde quando eu era criança,
meu coração começou a palpitar. Me perguntava como ele estava e se ele estava bem. Senti uma
pontada no meu peito enquanto pensava nisso.


Erámos melhores amigos até alguns anos atrás, quando ele se mudou com seus pais para um
bairro bem próximo daqui. Fomos vizinhos até eu completar sete anos. Eu ainda morava com a minha
mãe. Ah, que nostálgico. Na época, ele tinha dez anos. E você sabe, né, como as crianças de dez têm
tendência a fingir que são adultas, e até agem como. Antes de partir, ele me deu um tapinha nas minhas
costas e disse que ia ficar tudo bem, com um sorriso que ia de orelha a orelha estampado na cara. Até
parecia que ele não estava nem aí para mim.

Depois que ele se mudou, minha vida também mudou (e como). Comecei a brincar sozinho com
meus inúmeros brinquedos em minha enorme casa, que agora era preenchida apenas por uma criança,
por uma jovem de 25 anos que mal sabia cuidar de um filho e por alguns empregados.

Meus pais se divorciaram quando eu tinha apenas quatro anos. Desde então, minha mãe começou a se focar no trabalho e em seus namorados. Embora nunca tenha achado algum que durasse por mais de cinco meses, estava sempre atrás de um novo amor para a vida toda. Ano passado, durante nossa viagem para a França, ela conheceu um cara de uns 30 e poucos anos, alto, musculoso e com típicas feições francesas. Eles começaram a se encontrar todos os dias, e acabou que nossa viagem foi um desperdício (pelo menos para mim), já que eu, enquanto ela saía e se divertia, ficava no hotel.

Quando voltamos para casa, ela continuou o contatando. Até que, num belo dia ensolarado, ela me
deixou para ir morar com ele. Prometeu que iria continuar me ligando semanalmente, se não
diariamente, e que iria mandar um pouco de dinheiro todo mês. Deixou uma casa inteira para mim. De
novo, eu estava sozinho. Mais sozinho do que antes estava. Não contei nada disso para os meus amigos
da escola, preferi manter tudo pra mim. Pergunto-me se, em algum momento, eles já quiseram saber da
minha vida, da minha infância e da minha família. Só falávamos de coisas como séries de TV, e eu queria poder ter conversas profundas com eles, mas sem parecer um babaca sensível.

Foi gratificante ouvir sua voz de novo. Ela estava muito mais grossa do que a que eu estava acostumado a ouvir. Senti um nó na minha garganta só de pensar que já havia se passado dez anos desde a última vez que a ouvi, e que, talvez, eu nunca mais ouviria aquela inocente voz de criança. (Ou, quem sabe, só ouviria em gravações e vídeos.)

Por outro lado, sentia inveja dele. Minha voz não tinha mudado quase nada, apenas engrossado
um pouquinho. Uma quantidade insignificante. Sim, tudo bem que eu ainda tinha chances de mudar até
os 20 anos, mas, mesmo assim, sentia inveja.

Lá perto das nove da noite, decidi enviar uma mensagem para o número que eu tinha anotado
quando o vi no identificador de chamadas do telefone.

"Para: Will

Sábado, no restaurante da esquina no qual costumávamos ir, certo?"

Não demorou muito tempo até que eu sentisse meu celular vibrando no meu colo.

"De: Will

Sim! Mal posso esperar, cara. Estou muito ansioso para te ver."

Senti minha bochechas se queimando. Eu, sem sobra de dúvidas, estava mais ansioso que ele.

Notas finais
Deixem reviews, por favor. Estava me sentindo meio insegura antes de postar, então quero saber se eu devo mudar alguma coisa ou se está bom assim. Aceito críticas (((***CONSTRUTIVAS***))), o que significa que, se você vier falando que minha fic 'tá uma merda sem argumento algum, vou simplesmente ignorar. Ah, e também me contem o que vocês acharam da música.
Até a próxima. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.