Counting Stars
3 02 - Um Bom Desafio
Notas iniciais
02 — Um Bom Desafio
Passos ecoaram pelo piso de mármore, e apesar do medo que lhe corroía por dentro, Celine permaneceu de olhos fechados. No momento a menina não contava com nenhuma vantagem, pois apenas Deus saberia onde e com quem estava.
Apesar da dor de cabeça absurda e da confusão de flashbacks em sua cabeça, Celine concentrou-se no clique dos passos até eles cessarem por completo.
— A garota ainda está dormindo? – um homem falou – Achei que o efeito já tinha passado.
Celine conteve a vontade de abrir os olhos e gritar a plenos pulmões. Respirou fundo de uma maneira silenciosa, para que as pessoas não percebessem, e tentou ao máximo se controlar. Ela precisava ter calma – o que era algo considerado extremamente difícil, estando ela naquela situação.
— Na verdade, o efeito já deveria ter passado faz tempo – a tom deste demonstrava impaciência – Acho que a garota de Richard é bem fraca. Vai ser fácil, aposto.
Richard? Que Richard? E como assim a garota de Richard? Em sua vida inteira apenas conhecera um Richard, e este se encontrava morto!
Celine engoliu em seco e pôde ouvir alguns murmúrios distintos.
“Vamos Celine, acalme-se. Não se desespere. Estes devem estar querendo algo. Tudo vai dar certo, basta acalmar-se...” – pensou.
Foi então que ouviu a voz. A voz dele.
— Não sejam tolos – o jovem riu secamente – Está claro que a menina está acordada. Olhe sua respiração desregulada e sua testa levemente franzida.
Em um ato de desespero, Celine prendeu a respiração e forçou-se a parar de franzir a testa. Infelizmente, sempre quando estava nervosa tendia a franzir a testa.
Silêncio, e então sentiu, uma mão tocar seu rosto.
— Celine, Celine – o homem aproximou-se de seu rosto e a menina pôde sentir seu halito de hortelã – Não iremos machucá-la Celine Wellsh, mas acho que você já sabe disso.
Ela sabia. Caso estes homens quisessem machucá-la, de certo já o teriam feito há tempos.
Mas então o que eles queriam?
Com um movimento rápido (até demais) a jovem empurrou o homem, dando um salto ao levantar-se. Tudo ao seu redor rodava, e ela teve que se apoiar na parede para não sofrer uma queda.
Celine tentou respirar e inspirar cinco vezes, tal como seu pai a ensinara quando ainda era apenas uma criança. Um para parar, dois para acalmar, três para se recuperar, quatro para pensar, cinco para encarar.
Infelizmente, ela apenas tentara. A jovem quase enfartou ao ver os cinco jovens não muito mais velhos que si a encararem com sobrancelhas erguidas e sorrisos sarcásticos.
Por impulso, Celine arregalou os olhos e sentiu um grito de horror formar-se em sua garganta, porém conseguiu – por um milagre – se conter.
Gritar não adiantaria de nada, disso ela tinha certeza. A melhor opção, de fato era manter a cabeça no lugar, observar e ver o que estes homens queriam.
Na verdade, era uma péssima opção, mas a única decente no momento.
— Quem são vocês – perguntou em um sopro de voz, imediatamente se arrependendo da pergunta. O que raios ela estava pensando? Agora com toda certeza achariam que Celine era uma espécie de jumento falante – Digo, hum... Quer dizer... O que faço aqui, exatamente?
“Outra pergunta, no mínimo, retardada de sua parte Celine” – pensou.
Um dos garotos encarou-lhe com uma sobrancelha erguida e um sorriso sarcástico estampado no rosto.
– Acho que estas são duas perguntas distintas demais, Celine Wellsh. Deseja saber quem somos nós ou o que faz aqui?
Por um momento, a expressão de Celine mudou medo e nervosismo para irritação, levando-lhe a franzir a testa e sustentar o olhar provocador do tal garoto, dono de olhos azuis brilhantes e cabelos loiros meio rebeldes.
– Se fosse tão bom como sua postura superior e seu sorriso sarcástico dizem, saberia que as perguntas não são distintas – sua expressão era séria e calma, mas ela se arrependera até demais de ter aberto a boca para respondê-lo. Não que fosse orgulhosa, pelo contrário, mas também nunca deixara ninguém lhe humilhar.
O jovem ficou em silêncio, e apenas assentiu com a cabeça, inclinando-a levemente para o lado direito como se dissesse “prossiga”. Seus olhos azuis penetrantes estavam cravados nos cinzas tempestuosos de Celine.
Bem, a besteira já estava feita mesmo.
– “Quem são vocês”, foi minha primeira pergunta. A segunda foi “o que faço aqui”. Foram vocês que supostamente me sequestraram e obviamente me trouxeram para cá. Alegam não querer me machucar, mas obviamente querem algo, que eu sinceramente não tenho a mínima ideia do que seja – ela deu de ombros, rezando para que eles não percebessem a tremedeira em suas mãos e que estava apenas tentando ganhar tempo para pensar no que fazer – Eu não tenho dinheiro de sobra e não tenho família, portanto sinto muito. Também acho que vocês não iriam querer me violentar, pois perto do teatro tem uma boate com strippers a esbanjar, e acreditem, todas são bem melhores que eu.
Os cinco ficaram em silêncio, apenas a encarar Celine. Foi então que o loiro abriu um sorriso, porém fora outro que respondera.
– Você é uma garota esperta – sorriu com arrogância, olhando-lhe dos pés a cabeça com seus olhos verdes – E além do mais é bem sexy. Richard fez um bom trabalho com a escolha de sua herdeira.
Celine ergueu uma sobrancelha, e passou o olhar pelos jovens. Todos eram atraentes, o que era extremamente insuportável em sua atual situação. Este que acabara de lhe dirigir a palavra era de fato o mais belo de todos, com um jeito meio cafajeste, cabelos escuros e bagunçados e seu corpo era claramente definido. .Além disso, seus olhos verdes impressionantemente belos não paravam de percorrer seu corpo.
Decidiu ignorá-lo, pois caso contrário provavelmente gaguejaria e mostraria o quanto estava nervosa.
– Agora – Celine encarou o loiro – vai me dizer quem são vocês e o que estou fazendo aqui?
– Meu bem – ele sorriu – isso, você resolve com Zachary.
Celine olhou para o lado e deparou-se com um par de olhos verdes opacos, que a encaravam com um misto de curiosidade e ironia.
– Celine Wellsh – ele sorriu, aproximando-se. Ela recuou, porém um dos estranhos a segurou. Este tinha uma postura mais séria e não pronunciara nem sequer uma palavra desde o início da conversa. Seus olhos eram de um castanho escuro que poderiam ser facilmente confundidos com pretos. Seus cabelos eram da mesma cor escura e misteriosa. Ele não a segurava forte, e claramente não estava com o intuito de machucá-la.
— Quem são vocês? – Celine perguntou novamente, soltando seu braço do garoto, porém permanecendo imóvel.
Zachary ergueu uma sobrancelha e aproximou-se de Celine até seu rosto ficar a centímetros do dela.
– Celine – falou baixo, logo se distanciando um pouco e elevando a voz – Deve estar confusa, não? Não queremos mesmo lhe machucar, e não o faremos... Apenas se for uma menina comportada. Você está aqui por algo importante, que infelizmente, é algo que você sabe.
– Mas eu não sei...
– Sabe – ele a cortou – provavelmente não sabe o que estamos falando agora, mas você sabe. Richard escolheu você, mas desconhecemos o motivo – ele fez uma pausa, encarando os olhos confusos de Celine – Agora tome um banho e descanse. Logo Clarissa aparecerá aqui e lhe mostrará a casa.
Zachary fez um sinal com a cabeça para os outros, que levantaram-se, logo se dirigindo a porta.
– Mas... Espera – chamou – Vocês ainda não responderam a minha pergunta. Vocês sabem meu nome, mas eu não tenho a mínima ideia dos seus... Bem, a não ser do Zachary. Não acham que devem pelo menos me dizer seus nomes, já que me sequestraram?
O garoto loiro virou-se, sorrindo para Celine.
– Justo – deu de ombros – mas não agora.
E bateu a porta.
***
– Acha mesmo que Celine é um alvo fácil? – Christopher, o loiro jogou-se no sofá – A impressão que tive é que ela tem coragem e é bem inteligente. Ninguém nunca me deu uma resposta como a dela.
Zachary apoiou-se na parede. Um sorriso sarcástico estava estampado em seu rosto.
– Richard nunca deixaria uma pessoa burra e fácil como herdeira – hesitou – mas eu sempre apreciei um desafio.

Fale com o autor