−Peraí gente. –Sinalizou Raul para que parassem de beber. Alexandre levantou as sobrancelhas sem entender oque havia acontecido. –Espera um pouco.

O vocalista afastou-se da tenda e foi em direção a André que estava parado de costas e com os braços cruzados, observando um rio que corria não muito distante de seus pés. Raul aproximou-se do amigo e se apoiou em um de seus ombros. Alguns segundos passaram em silêncio, até que Raul decidiu falar.

−Precisamos de você. –Afirmou o vocalista. O silêcio persistiu por parte de André. –Sem você não estamos completos, cara.

−Se a nossa apresentação for uma merda por causa da bebida, a culpa vai ser exclusivamente sua. –Afirmou André olhando nos olhos do amigo. − Você se responsábiliza?

−Quem sempre cobriu todas as suas cagadas?

−Até parece.

−Não vai ser uma merda, eu garanto. –Afirmou Raul com convicção, extendendo a mão para André. Os dois cumprimentaram-se e foram até a tenda.

André foi até o isopor e pegou uma garrafa de vodka. Todos iam bebendo e ficando aterados aos poucos, com exceção de Jeronimo. No meio da bebedeira, Urias ainda consumiu um pouco de pó, oque o deixou mais inquieto que o normal. André não mostrava mudanças bruscas de comportamento, devido a quantidade moderada de bebida, mas mostrava-se menos preocupado que o normal. Sophia já ausentava-se de qualquer tímidez, e ria por qualquer motivo. Alexandre e Raul estavam mais animados que o normal, mas nem eles sabiam dizer se era pela bebida ou pela ansiedade de tocar no festival.

Eram quase 16:30 quando um rapaz baixo e careca vestindo a camisa do Black fast foi até a tenda da banda, olhou para Raul e proferiu-lhe uma frase que a turma jamás esqueceria. “Agora é a vez de vocês pessoal” disse o homem sorrindo. Raul chamou todos pra um abraço coletivo, em seguida beijou o rosto de cada um. Quando eles dirigiram-se ao palco, Nicolau desehou-lhes boa sorte com um sorriso no rosto.

Uma cena chamou atenção de todos quando eles estavam atrás da estrutura do palco, esperando que os funcionários armassem seus equipamentos. Sophia sem falar nada tirou a camisa que vestia, exibindo o busto avantajado. Agora ela estava apenas com um short bem curto, uma bota longa e um sutiã preto. O sexteto estava ouvindo um funcionário do Black fast apresentar a banda, antes de subir ao paco. Assim que ouviram a famosa frase “Com vocês, Countess Widow” correram para subiram as escadas do palco.

Uma multidão os recebeu com gritos, aplausos e assobios. Cada um deles dirigiu-se a seu instrumento. Assim que a platéia se atentou para a vestimenta da ruiva logo começaram a gritar várias coisas pra garota. O primeiro soar que a platéia ouviu foi um dedilhado da guitarra de Urias, pertencente a faixa Countess Widow. Em seguida todos começaram a tocar junto a ele. Quando terminaram de tocar a primeira música ouviram vários aplausos e gritos vindo de mais de 20 mil pessoas. Era bom demais pra ser verdade, o cartão de visita foi um sucesso.

Raul inpirou-se, e antes de tocar a segunda música foi até a ponta do palco e pediu pra galera reagir a um movimento dele. Na segunda música cada vez que ele fazia um circulo com as mão um mosh pit se formava na platéia. A técnica da banda não era das melhores, mas a energia de seus membros contagiou o público. A cada mosh pit que faziam a poeira subia e uma grande nuvem se formava acima da cabeça das pessoas.

Urias e Jeronimo estão bastante sintonizados, e suas guitarras soam de maneira harmônica. Apesar de ser menos técnico, Urias é o guitarrista mais ovacionado devido a sua performance à la Jenick Gers. Jerônimo passa mais tempo estático e bangeando. O seu visual viking chama bastante atenção de todos já que o gênero autoral da banda é power metal.

Alexandre não é muito notado até o fim da segunda faixa. Ao terminar a música ele se levanta vai até Sophia bebe um gole de sua tequila e a beija. Ao fazer isso o público grita, apenas por empolgação, mas é assim que o baterista se fez notar, involuntáriamente. Antes de tocarem a música planejada para ser a terceira, Raul vai até cada um e combina de tocarem “November Rain” do Guns n’ Roses. Sophia foi aclamada assim que soaram as primeiras notas de seu teclado. O foco da platéia dividia-se entre a música e o corpo da tecladista.

A quarta e a quinta faixa foram autorais da banda, e foram bastante aceitas pelo público, porém com menos brilho que o cover apresentado. Durante a sexta balada, Urias pegou uma garrafa de cerveja que estava próximo ao pedal de sua guitarra foi até André e derramou o líquido sobre o baixista. Isto bastou para dar mais foco ao baixista durante todo o show. A partir deste momento àqueles mais instruidos na pláteia começaram a prestar mais atenção ao som preciso de André.

Após tocarem 7 faixas autorais e uma música do Guns, a banda ainda tocou “Shook me all night long” e “Rock n’ Roll Train” do ACDC. Os que estavam acima do palco estavam bastante cançados, mas a platéia pedia mais. Após alguns segundos de silêncio que Raul usou para retomar o fôlego, e os outros para molhar a garganta, mais uma vez Countess Widow sentiu o calor da pláteia. Tratava-se da resposta do público ao estímulo proporcionado pelo dedilhado de André no início da música “The number of the beast” do Iron Maiden.

A platéia cantou toda a música junto a banda, enfatizando bastante o refrão “666 the number of the beast”. Antes que a canção acabasse Raul correu até a ponta do palco, calculou o pulo e se jogou nos braços da galera. Ele quase tocou o chão mas a platéia conseguio o segurar, e começou a passa-lo pra as pessoas que estavam mais atrás. Após voltar ao palco a música acabou e a banda ouviu o melhor refrão da tarde, um brado forte e repetitivo que vinha dos espectadores que premiaram a banda com a frase “Countess Widow”.

Não havia muito tempo para agradecer ao público pois a próxima banda já esperava pra entrar em cena. Os seis desceram do palco apressados e ainda contagiados pela adrenalina. Urias correu até Jeronimo e pulou em suas costas, os dois começaram a gritar coisas que nem eles mesmos sabem decifrar. Os outros quatro abraçaram-se e assim caminharam até a tenda da banda.

Nicolau recebeu seus clientes com um enorme sorriso e com um grito. “VOCÊS SÃO FODA!!” disse o homem, pegou mais bebidas de distribuiu pra todos. Todos estavam sentados bebendo antes de ir embora até que foram surpreendidos por um repórter, de um canal de televisão voltado pra música.

−Eu quero uma entrevista com a banda, pode ser?

−Pode filmar. –Responde Raul. Após a equipe da TV ligar os equipamentos, que focam na filmagem do vacalita, o entrevistador direciona uma pergunta a ele.

−Estamos aqui com Countess Widow, uma banda estreante que mandou muito bem aqui no Black Fast. Uma das grandes bandas que tocariam num festival na Califórnia no próximo mês, não poderá comparecer e ficou um buraco na programação do festival, a informação que chegou até min é que um dos organizadores cogita a possibilidade de convida-los a tocar lá, oque vocês tem a dizer a respeito disso?

Notas finais
Deixem a opinião sincera de vocês ai galera, valeu!