Countess Widow. Sex, drugs and Rock n' roll.
1 Correria matinal.
Notas iniciais
Raul dá um salto da cama ao olhar o relógio −Por que essa porcaria não despertou? Ou será que não ouvi− se perguntou mentalmente enquanto corria para o banheiro. Depois de tomar um banho gelado pegou a mochila e saiu correndo com ela apoiada somente em um dos ombros. Ele já estava na metade do trajeto até à escola quando viu algo numa vitrine que possivelmente poderia interessar a um amigo. Ao entrar numa loja de instrumentos é atendido imediatamente por um careca negro de meia idade atraz de um balcão.
−Bom dia parceiro, ta interessado em algun vinil?
−Pra falar a verdade, não. Eu só quero saber quanto tá custando aquele baixo na vitrine?
−Está custando 459 reais, parceiro. Ele já foi usado, mas está em boas condições, nós podemos até negociar o preço dele, qual vai ser?
−Não sou eu quem vai comprar, é um amigo, você acha que consegue segurar ele aqui por quanto tempo?
−Já tem mais dois caras interessados nele, acho que seu amigo vai ter que ser rápido, vou vender pra o primeiro que aparecer com a grana.
−Tranquilo, vou falar com ele.
De longe ele vê os portões da escola fechando, corre até lá e passa pela entrada ofegante, olhando pra o porteiro e os dois começam a rir da situação que costumeiramente acontecia. Mesmo chegando atrazado na sala de aula Raul cumprimenta dois amigos sem se importar com o barulho produzido, são eles André e Urias, o primeiro é o baixista e o segundo é um cara mais alto, com quase 1,90 cm e mais novo que o restante da turma, com apenas 15 anos. Os três cochicham sobre o instrumento visto anteriormente e decidem fugir da escola durante o intervalo para adquiri-lo.
−Preciso de um favorzão teu, Geraldo.− O porteiro encarou Urias com um ar de deseprovação prévia e indagou em seguida.
−Oque vocês querem de min agora? –Disse ele olhando para os outros dois garotos que estavam atrás do caçula do trio. – Vocês não costumam pedir coisa fácil. –Completou.
−Agente precisa sair um pouco mais cedo hoje, e queremos contar com sua ajuda.
−Me recuso a deixar vocês sairem escondidos denovo. Já é a terceira vez esse mês, se algun dia desses um professor der pela falta de vocês, vai sobrar pra min.
−Dessa vez agente realmente precisa cara, faz esse favorzão...
−Não, não vão a lugar algun hoje.
−Deixa pra lá, cara. –André disse.
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