Na tarde daquele mesmo dia Urias vestiu-se exatamente como em seu primeiro dia como segurança de Rebeca, e foi fazer uma visita ao pai da garota, para agradecer a confiança depositada. Ao aproximar-se da casa, logo viu seu Luiz na janela e não fez a menor cerimônia em entrar sem bater na porta. Aproximou-se do velho e abriu os braços para abraçá-lo mas Luiz esticou o braço para manter a distancia entre os corpos.

−Me dá um abraço, Luiz.

−Oque você tem, garoto? –O homem inala o ar perto de Urias. –Como assim, você nem bebeu?

−Não é porquê eu to demonstrando afeto que significa que eu bebi, cara.

−Oque você veio fazer aqui? Preciso sair.

−Eu vim agradecer, sem você não tocariamos no Black fest.

−Bem... eu... não precisa agradecer, moleque. São só negócios.

−Mesmo assim, valeu mesmo.

−Tudo bem. Me responde uma coisa.

−Pode falar.

−Você só tem essa roupa?

Sophia chegou a casa dos Martins a pedido de Miguel, pai de seu namorado. Ao tocar a campainha, ela espera apreensiva por um momento, até ser atendida por uma morena com um sorriso no rosto. Ela se apresenta como Cecília, empregada dos Martins, e pede para a ruiva segui-la até a cozinha. Alexandre se encarrega de apresentar a garota ao pai que permanece conspícuo. Sophia evita contato visual ao apertar a mão do homem.

−Como vai moça?

−Estou bem. –O homem continua a encarando, ela mais uma vez desvia o olhar. Põe uma mecha de cabelo pra trás da orelha, e olha para Alê.

−Pai, vou mostrar a piscina pra ela. –Diz Alexandre tentando salvar a namorada.

−Porque a pressa, filho? Eu insisto que fiquem mais um pouco. Quero conhecer melhor a garota. Qual a sua idade menina?

−17, senhor.

−17. –Repete seu Miguel , mostrando-se surpreso. –Não acha que é nova demais pro meu filho?

−Eh... nunca tinha pensado nisso.

Rebeca estava em seu aposento quando escutou vozes vindas da sala. Olhou pela brecha da porta. Junto à seu pai estava Urias, próximo a porta e já de saída. A garota se apressa para impedir que seu segurança vá embora. Prende o cabelo e vai até a sala.

−Urias. –Fala Rebeca, em seguida abraça o garoto.

−Ta vendo Luiz, é assim que se recebe um amigo.

−Oque você veio fazer aqui?

−Vim agradecer teu pai. Sem ele não teriamos a oportunidade de tocar no Black fest.

−Sabe quem adoraria ir? –Perguntou Rebeca.

−Quem?

−Eu.

−Sério? Nunca imaginaria que você curte metal. Está convidada.

−E você vai pagar meu ingresso? –Perguntou a menina com um sorriso no rosto, tentando convencer Urias.

−Não. Eu não disse isso.

−Por favor, Urias.

−Olha eu tenho que ir agora, mas conheço uma pessoa que adoraria comprar um ingresso pra ti.

−Quem?

−Seu Luiz. Até mais pessoal. –Diz Urias saindo do recinto.

Na mansão dos Martins, Sophia ainda tentava esquivar-se das perguntas tendenciosas de Seu Miguel, mas agora ele não mostrava mais tanta insatisfação quanto antes. Alexandre olhou o relógio e decidiu levar a garota para casa, dessa vez o pai esteve de acordo. Alexandre abriu a porta para a garota e em seguida entrou no carro. Sophia preferiu sentar-se no banco de traz, mas não justificou-se. Alê ajustou o espelho do conversível para observar a namorada.

−Sophia! –A garota olhou para o espelho, mas nada disse. –Você ta bem? –Mais uma vez a menina continuou calada. Sinalizou que sim com a cabeça. –Você está calada.

−Eu sei. –concordou a ruiva, finalmente emitindo um som.

−Posso saber porque?

−Nada... é só... o show. Tô preocupada com isso.