Could you live on the dark side?
1 The Beginning.
Notas iniciais
Espero que gostem.
Gotas de chuva escorriam pela janela quando o silêncio na sala foi cortado por um bater de xícara na mesa. Um homem de cabelos brancos limpa a garganta e encara o jovem de aparentemente 20 anos sentado a sua frente. O jovem, constrangido, se levanta e começa a falar.
—- Então, senhores, estou muito contente pela presença de vocês na reunião de hoje. O assunto em pauta é o experimento 82242 que irei... – O homem olha para a janela quando um estrondoso trovão o assusta, fazendo com que ele dê um pulo. – Que irei colocar em andamento em breve. Alguém tem algo a dizer antes de minha explicação?
Todos na mesa ficam inquietos e largam seus afazeres para prestar atenção na tese do rapaz, que estava extremamente excitado com sua nova pesquisa.
—- O experimento 82242 será um projeto com crianças na faixa de 5 anos, que estarão sujeitas a alterações hormonais e psicológicas. O objetivo será transforma-las em nossos novos agentes. – Ele coloca a mão atrás das costas e anda em volta da mesa, pensando em suas palavras.
—- Crianças? – Uma mulher de vestido preto e jaleco branco se pronuncia, ajeitando seus óculos nos olhos. – Me desculpe, Dr. Brontë, eu não acho que pais cederão a vida de seus filhos para seu experimento.
—- Exato, Joanne. – O doutor abre um sorriso malicioso e para, batendo seus dedos na mesa. – Nós pegaremos crianças desabrigadas, filhas de criminosos, com problemas mentais. Crianças abandonadas. Crianças que não farão falta na sociedade.
—- Isso é completamente doentio. – O homem de cabelos brancos bate a mão com força na mesa, tomando todos os olhares para si. – O que você fará com elas?
—- O experimento será o seguinte. – Brontë se senta na cadeira e a gira, ficando de frente para todos. – Dez crianças, 5 meninos e 5 meninas, nós iremos alterar geneticamente sua concepção, para se tornarem nossas maquinas de matar. Força, velocidade, resistência e inteligência. Porém, como estamos pesquisando há muito tempo, após o uso do soro que fará isso com eles, eles vão necessitar de uma droga pra sobreviver. Essa droga, em questão, os deixará digamos que... Imortais. A idade não os afetará jamais.
—- E quando começaremos a procura pelas crianças? – Joanne se remexe na cadeira, tomando o liquido de sua xicara devagar.
—- Na verdade, já estamos fazendo isso neste exato momento. – dr. Brontë sorri e olha pela janela.
AO MESMO TEMPO, EM UM ABRIGO DE CRIANÇAS ABANDONADAS.
Um homem alto, loiro e bem vestido entra no edifício, acompanhado de dois homens de óculos escuros e igualmente vestidos. O loiro para na recepção, fala breves palavras com a recepcionista e entra para as instalações, procurando crianças que satisfaçam os padrões estipulados por seu chefe.
Eles passam por todos os quartos e param num quarto de aparência sombria, onde havia uma pequena garota loira sentada aos pés da cama, brincando com um urso esfarrapado. O homem se agacha na frente dela, colocando uma mexa de seus cabelos atrás de sua orelha, sorrindo para ela amigavelmente.
—- Pequena, qual seu nome? – Ele diz com um forte sotaque aparentemente russo. O que não era estranho, já que estavam na Ucrânia, parte da união soviética.
—- Natsya, senhor. – Ela retribui o sorriso e levanta seu urso rasgado. – Este é James.
—- O que faz aqui, Nat? – Ele sinaliza para seus acompanhantes o deixarem sozinho com a menina enquanto se senta. – Você é muito bonitinha pra ser de um lugar como esse.
—- Meus pais foram deixados de castigo, eles eram maus. – A menininha sorri e volta a brincar com seu brinquedo, completamente distraída.
—- O que acha de uma nova casa? Onde você vai ter várias pessoas cuidando de você e você vai ser a mais especial entre eles? – Ele observa a garotinha atentamente, notando sua curiosidade sobre o assunto.
—- Eu adoraria! Esse lugar é ruim, eles não gostam de mim, algumas meninas tentaram até cortar meu cabelo. – Natsya abaixa a cabeça, lembrando do dia e suspira.
—- Ótimo, vou falar com a recepcionista pra guardar suas coisinhas e te levar pra nossa casa amanhã de manhã. – Diz ele, dando um ultimo sorriso pra Natsya e sai do quarto, indo em direção à recepção.
—- Nós vamos ter uma casa, James. – A garotinha passa a mão pelos olhos de botão remendados do urso e sorri animadamente.
NO DIA SEGUINTE
Natsya sai do edifício escuro pulando alegremente, por finalmente ter arranjado alguém que a queria. Ela carregava seu urso, que era a única coisa que tinha, e o homem velho que trabalhava no abrigo carregava sua mala, com um rosto sério e carrancudo.
Eles param em frente a um edifício de cor cinza escuro, cercado por guardas e cercas elétricas. Estavam acompanhados de mais 9 crianças e 9 acompanhantes, que pareciam igualmente felizes por encontrar um lar. Um homem moreno de jaleco, com um rosto juvenil, aparece dos portões e manda os guardas trazerem as crianças até ele, quando deu uma saudação para cada uma e encarou a pequena Natsya por alguns segundos, pegando a mão dela e deixando as outras crianças serem acompanhadas por guardas armados.
As crianças entram na construção e a menina olha pela última vez para fora do portão, quando se depara com a cena de todos os 10 acompanhantes sendo ajoelhados na neve com uma arma em suas têmporas. Quando os portões se fecham ela escuta um “Bum” estrondoso e acompanhado por vários outros. Ela levanta o olhar para o homem e sorri, segurando seu urso por um braço.
—- Você vai ser meu novo papai? – Ela diz sem tirar o sorriso do rosto, ignorando a presença de olhos observando-os.
—- Quase isso. – Ele retribui o sorriso e pega a menina no colo.
Eles seguem para um corredor estreito e longo, com várias portas. Ele deixa a garota na última porta do corredor, e volta para a sala principal acompanhado dos guardas que estavam com as crianças.
Natsya entra na sala, onde é despida e colocada em uma banheira com um liquido roxo e viscoso, que parecia queimar sua pele. Após sair do “banho”, pentearam seus cabelos e a colocaram em um vestido liso branco. Ela pega seu urso no canto da sala e o arrasta por um braço até a porta, onde um guarda a leva para uma sala completamente branca com 10 cadeiras, que continham uma seringa com um liquido azul em uma mesinha e diversas cadeiras em volta, que estavam cheias de homens e mulheres com jalecos brancos.
A menina é sentada na última cadeira, onde o homem do começo do dia estava a sua espera. Ele passa a mão em suas madeixas loiras e sorri, ajeitando seu urso em seu colo. Logo após esse movimento, as cadeiras giram uma espécie de algema envolta dos braços finos da menina. O homem se aproxima e se inclina em direção ao ouvido dela, onde sussurra baixinho.
—- Eu preciso que você feche seus olhinhos e não abra até eu mandar, tudo bem? Você vai ouvir algumas coisas mas precisa me prometer não chorar e não abrir os olhos até eu vir, ok?
A garota assente com a cabeça e fecha os olhos, sentindo uma picada em seu braço direito, que logo começa a queimar. Não era uma sensação ruim, era uma sensação de relaxante de um banho quente. Ela se assusta com berros infantis vindo de seu lado, mas somente aperta os olhos com força. Os gritos duram por volta de três horas, quando cada vez mais eles se silenciavam. Ouvia as pessoas conversarem enquanto o procedimento ocorria.
—- Você acha que algum irá sobreviver?
—- Isso é completamente insano.
—- Se algum sobreviver será um completo sucesso para nós.
—- Eles não vão sobreviver.
—- Não aguento mais ouvir eles berrando.
—- O que esse soro faz com eles?
—- Queima aqueles que não são aptos à experiência.
Após muitas horas de gritos e conversas, Natsya sente alguém cutucar seu braço, dizendo devagar e calmamente:
—- Ei, sou eu, pode abrir os olhos agora.
A menina abre os olhos e olha para seu braço direito, que continha o número 10 no pulso, voltando o olhar para as cadeiras ao seu lado, que só havia um menino ruivo tão assustado quanto ela. Ela finalmente olha para o homem e aperta seu urso de pelúcia, pulando da cadeira e pegando sua mão.
—- O que houve com os outros, quase-papai? – Ela pergunta curiosa, olhando ao redor. Logo percebe uma incrível diferença em sua visão, que parecia muito mais aguçada agora. Conseguia escutar conversas que não eram na sala e sorriu, olhando para o doutor. – O que você fez comigo?
—- Os outros, pequena, foram para outras famílias agora. Só você e o garoto vão ficar com a gente agora. E quanto ao que eu fiz? – Ele se ajoelha a sua frente e aperta seus ombros. – Eu te fiz especial, Natsya.
—- Especial? – O garotinho ruivo, que era um pouco maior que ela, pega a outra mão do doutor, ficando os três lado a lado.
—- Especiais. – Ele sorri e aperta a mão de ambas as crianças. – Bem vindos ao projeto 82242, crianças.
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