Costume Party
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
— Você fica ridícula nesse vestido, O. — Will disse, ele estava sentado em minha cama e fitava-me com escárnio.
— E você com lápis de olho — retruquei.
O garoto tombou a cabeça para trás e deixou uma risada escapar.
— Eu estou sexy — ele rebateu, ainda sorrindo para mim. — Na verdade estou pensando em usar todos os dias, realça meus olhos. Você não acha?
Apertei meus lábios para evitar sorrir, o que era uma tarefa quase impossível quando eu e Will nos juntávamos.
Olhei-me no espelho outra vez, apenas para confirmar que William tinha total razão, eu ficava um terror com vestido vitoriano. De alguma forma, o corpete e todo aquele babado parecia um show de horrores em meu corpo e eu, apostava 10 dólares que tropeçaria na saia do vestido antes que aquela noite chegasse ao fim.
Apesar dos pesares, a culpa do desastre ambulante que eu estava, e da minha fantasia não se adequar a mim, era do garoto jogado em minha cama.
Bom, não 100%. Eu tinha uns 20% de culpa também.
Faltava poucos dias para a festa de Garry Vause e eu ainda não tinha nada para vestir, então o moreno sugeriu que eu usasse o vestido pré-histórico que havia comprado no bazar que minha vizinha havia feito éons atrás. Ele também sugeriu que eu podia ser seu par, ele seria Jack Sparrow, e eu uma versão mal feita de Elizabeth. Os meus 20% de culpa estão na parte em que concordei.
— Devia ter alugado a fantasia da Sininho — resmunguei. — Estava uma pechincha.
— Aquela fantasia era muito vulgar — Will murmurou, me fazendo revirar os olhos.
Arqueei minhas sobrancelhas e me virei em sua direção.
— E qual o problema disso?
Ele fez uma careta e revirou os olhos.
— Iria ter vários garotos dando em cima de você — respondeu. Alguns instantes mais tarde, depois do meu silêncio, ele acrescentou: — Você não iria gostar disso. É melhor ser a Elizabeth do lendário Capitão Sparrow.
Resolvi não retrucar dizendo que Elizabeth nunca foi de Jack.
...
Will resolveu me largar na companhia de Lacey no meio da festa e ir atrás de Milena Campbell, a única garota que nunca lhe daria uma chance. Babaca.
Havia começado a tocar Work e eu quis ir gritar com quem estava escolhendo as músicas, pois essa música tinha algum tipo de hipnose em sua letra que fazia com que meu corpo criasse vida própria.
— Você quer dançar? — Lacey perguntou. A loira sorria, mostrando suas covinhas.
— Não — gritei para que ela pudesse ouvir. — Acho que vou continuar aqui, sendo anti-social.
Ela deu de ombros.
— Eu vou ir, ok?
Afirmei com minha cabeça e observei a loira me deixar sozinha em um canto isolado da festa. Antes que pudesse pensar no que iria fazer em seguida, Will se manifestou em minha frente.
...
Sempre gostei de deixar William irritado, ele costumava ficar uma graça. As bochechas pálidas tornavam-se rosadas, o fazendo parecer-se com uma criança mimada, e as grossas sobrancelhas se franziam formando aquela expressão meiga e engraçada.
Eu gostava de ver Will irritado e gostava de como seus cabelos negros caíam sobre a testa lhe fazendo parecer com um jovem delinquente.
Droga, William tinha o dom de conseguir ser bonito até mesmo quando eu repousava a cabeça em seu colo e o olhava por baixo.
Resolvi parar de pensar em quão bonito era Will e lhe perguntar o motivo dele estar irritado. Ao ser questionado, sua expressão se tornou ainda mais irritada, ele também não me respondeu, apenas continuou a me encarar.
— Nada — respondeu enfim. As linhas do rosto suavizando e dando lugar para a irritante indiferença. — Só achei que devia ficar contigo, já que vim como seu par.
Troquei o peso de perna e passei a observá-lo com mais atenção, havia algo em sua desculpa que não me convencia.
— Will, você pode ir atrás dela — afirmei, tentando soar indiferente.
O garoto deu um passo para frente, ficando mais próximo a mim.
— Esquece a Milena, ok? — ele passou a mão pelo cabelo negro, deixando os fios ainda mais bagunçados. Um típico ato de nervosismo. — Aliás, e se eu quiser ficar aqui?
Senti meus lábios se curvarem em um sorriso nervoso. A voz mais baixa e intensa de Will estava criando um clima tenso entre nós e fazendo minhas pernas tremerem.
— Então fique — murmurei, sabendo que ele não podia me ouvir.
Resolvi obedecer meu corpo e ir dançar, não apenas porque eu queria dançar, mas porque a situação toda em meu ponto de vista estava se tornando estranha demais. Agarrei o braço do garoto e tentei tirá-lo do lugar, para me seguir rumo a pista de dança, mas foi Will quem me puxou. Direito para seu peito.
Eu pude sentir seu peito descendo e subindo, e o movimento se tornando mais frenético a cada segundo.
— Eu menti — disse ele. — Você não está feia, na verdade, está muito bonita — Will deu um riso nervoso e olhou para cima por alguns segundos antes de voltar a me fitar. — Quando é que você fica feia, Olívia?
Não consegui responder. Meu cérebro pareceu incapaz de formar alguma frase que fizesse sentido. Todos os pelos do meu corpo estavam arrepiados e eu comecei a ofegar.
Estávamos tão próximos um do outro, e lentamente, nossas faces foram se aproximando, a tensão ante-beijo aumentando a cada segundo. E enfim, William cortou a distância que ainda nos separava.
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