Notas iniciais
bem vindos ♥♥♥♥

Eu estava sentada mordendo a tampa da caneta distraidamente, o volume do fone estourava meus tímpanos enquanto tocava minha música favorita do Thirty Seconds To Mars – Bright Lights. As ritmadas do meu coração acompanhavam a batida da música, era algo que sempre me acalmou em dias que a minha paciência estava esgotada. Direcionei então meus olhos até a professora Suzana de artes e pela expressão da mesma, deduzi que esse seria só mais um ano em que ela tentaria harmonizar as coisas.

Todo início de primeiro semestre é assim, a classe inteira fica agitada por rever seus amigos que surpreendentemente conseguiram pontuação para passar de série mesmo sem frequentar as aulas. O lado bom do dinheiro é que com ele você move o mundo.

Apesar da minha nada boa fama, eu era uma pessoa com grandes traços de popularidade. Aonde eu chegava rapidamente era notada, as pessoas costumavam me respeitar por algum motivo que eu ainda não descobri. Talvez para puxar saco ou ter algum reconhecimento nos corredores e no pátio. Talvez tenha ficado dúvidas sobre a minha boa fama, acho que isso se deve ao meu bom costume de não ser flor que se cheire.

Desde os quatorze anos tenho o hábito de ser contra reprimir vontades, por isso fiz muitas coisas das quais não me arrependo, talvez tivesse feito pouca coisa diferente. Faço o que me dá na telha com certo limite que meu pai impõe. Sobre a minha mãe? Ela morreu quando eu tinha cinco anos. Causa da morte? Infarto. Os cigarros que ela fumava elevaram a pressão arterial e a frequência cardíaca, aumentando 30% durante cada tragada. Ela era jovem, toda vez que meu pai olha para mim se lembra dela. Talvez seja por isso que ele se afastou tanto, faz doze anos desde o ocorrido e ainda assim ele não gosta de lembrar. Não me lembro de muito mais de seu rosto além do que vejo nas fotos, mas me lembro bem de sua voz me ninando todas as noites antes de dormir. Depois de tudo isso as coisas pareciam ser fáceis, até eu crescer e entender que quando meu pai não estava em casa, era porque não queria estar. E o seu trabalho? Era só uma desculpa.

A ausência dele no meu dia a dia me provocou danos irreparáveis, eu tive que aprender a me virar sozinha. Eu não tinha ninguém em quem confiar além de mim mesma. No dia do meu primeiro beijo, aos treze anos, quis muito contar para a minha mãe e dizer o quanto eu havia gostado. Mas ela não estava lá. Eu gostei tanto que quando dei por mim, somando até o dia de hoje, eu já havia beijado todos os caras do time de futebol na escola. Ainda que com um grande intervalo de tempo entre todos eles, no meio das rodinhas meu nome sempre era pronunciado. A parte boa é que todos eles são bem bonitos, a parte ruim é que quando as pessoas comentam, uns dizem que sou sortuda e outros dizem que eu não sou pra namorar. Ainda bem que eu nunca me liguei em estereótipos, não sou pra namorar e não quero. E quando eu quiser alguém vai me querer também.

A escola e minhas saídas é uma espécie de refúgio onde eu posso encontrar algumas colegas e minha melhor amiga, Júlia, que está sempre comigo. Ela é minha cabeça e meu coração quando se trata do meu instinto impulsivo. Ela se aproximou sem pedir nada em troca, ela me estendeu a mão, ela me enxergou no meio de toda aquela gente chata e eu me senti abraçada, me senti com uma sorte grande, totalmente agradecida.

A maioria das pessoas que se aproximam de mim é porque querem saber se a fama é verídica, os meninos então estão sempre tentando se esgueirar através das redes sociais e bilhetinhos em sala de aula. Mas o sortudo da vez é o Gustavo.

Gustavo é do ensino médio e qualquer garota no mínimo sã teria vontade de ficar com ele, isso se deve também ao seu gosto bem seletivo. Ele escolhe as meninas que vai ficar, é o riquinho do colégio, por muitas vezes me irrita alguém ser tão egocêntrico. Eu não sei por que estou com ele, talvez porque seja melhor do que ficar sozinha. Júlia diz que não, que estar sozinha é melhor do que estar mal acompanhada, falei para ela: “diga isso para a minha carência” e ela respondeu “sua carência está claramente surda”, mas eu supero. Dizer que não sinto nada seria mentir, mas não é amor, nem paixão, é passa tempo. Faz bem para o ego e para a boca. Sendo assim, está tudo ótimo.

Notei que a música acabou de repente me dando conta de que a professora batia sua mão com força na mesa chamando a atenção da turma. Desconectei o fone do celular e guardei os mesmos, na tentativa inútil de tentar acompanhar o que estava sendo explicado.

— Como eu estava dizendo, esse ano temos mais três alunos que foram transferidos da nossa instituição Elite College de outro estado para a instituição de ensino daqui. – A professora disse enquanto remexia alguns papéis. – Os nomes são Pedro Albuquerque, Luiza Leal e Guilherme Fonseca. Peço que os três se coloquem de pé para que sejam apresentados aos seus presentes e atuais colegas de classe.

Os nomes eram comuns, mas ao olhar para os três prestes a se levantar, eu tive duas certezas. A primeira:

Esse ano tudo vai mudar.

A segunda:

Vou me meter em muita encrenca.

Notas finais
deêm um alô se gostarem beijos xau
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.