Cosa Nostra
20 Capítulo 19: Oh Merda.
Notas iniciais
Então, fui para a casa dormir... mas de uma coisa eu tinha certeza: o Assassino da Cruz estava de volta e com força total.
No outro dia, eu acordei atrasado. Bem... na verdade, à noite, ao invés de dormir, eu fiquei rolando na cama pensando, claro, na maldita da Swan.
A desgraçada conseguia me fazer perder totalmente o controle. Eu matei aquele imbecil do policial daquela forma descuidada somente por raiva. Raiva dela... e raiva de mim.
Quando eu consegui dormir, o sol já estava nascendo.
Na manhã seguinte, eu não acordei com o despertador. Apenas despertei o suficiente para jogá-lo brutalmente contra a parede quando ele começou a apitar irritantemente e quase instantaneamente voltei a dormir.
O que me acordou de verdade foi o celular descartável que eu tinha recebido pelo Don e que eu quase quebrei em um acesso de raiva uns dias atrás.
Eu o peguei no meu criado mudo e atendi ainda sonolento, sem nem me dar ao trabalho de abrir os olhos.
- Alô. – eu falei com a voz rouca de quem acabou de ser acordado.
- Porra Edward! Que loucura foi essa com o idiota do Peter Benson? – a voz dou Don soou como uma trovoada.
- Quem é Peter Benson? – eu perguntei desorientado.
Eu me sentei na cama e abri os olhos.
- O filho da puta do policial que você deveria matar. – ele esbravejou.
- Ele não morreu? – eu perguntei.
- E alguém sobrevive a um tiro à queima roupa na nuca, caralho? – ele devolveu a pergunta.
- Então, por que estamos tendo essa conversa? – eu perguntei irritado sem ver o sentido da ligação.
- Seu irresponsável de uma figa! O que deu em você em você para se arriscar desse jeito? – Don me perguntou indignado.
Foi o bastante para eu perder o resto de paciência que me restava e meu sangue ferveu.
- Ora, Don, você o queria morto e ele está! – eu falei exaltado me levantando da cama – Agora não enche o raio do meu saco, caralho!
- Não fale comigo desse jeito, seu moleque irresponsável! – Don falou puto.
- Irresponsável eu? Pelo menos não deixei filho meu ser espancado por anos a fio. – eu retruquei imediatamente.
Um silêncio pesado se fez entre nós dois. Só o barulho das nossas respirações exaltadas era escutado.
- Eu sou pago para fazer o serviço, Don. – eu disse – E eu o faço muito bem feito. Eu não preciso dos seus sermões de como agir ou como matar, principalmente agora... depois de tanto tempo sendo o Assassino da Cruz.
- Foi arriscado demais Edward. – ele falou claramente tentando se controlar – Você não tem noção do perigo que você correu? Por acaso, você está querendo ser pego?
- Claro que eu tenho noção do perigo, mas eu tive a oportunidade de matá-lo e a aproveitei. – eu o respondi e olhei para o relógio – Agora eu tenho que ir. Eu tinha que estar na base das Forças Especiais cinco minutos atrás.
Eu nem esperei Don falar mais nada e desliguei a porra do celular, o jogando novamente na gaveta do criado mudo.
Eu troquei de roupa rapidamente e fui para a cozinha, onde Mike estava me esperando já impaciente, andando de um lado para o outro.
- Vamos logo Edward. – ele falou irritado – Ou nós vamos chegar atrasados.
- Nós já estamos atrasados. – eu respondi e ele revirou os olhos.
- Vamos rápido! – ele falou.
Eu assenti e nós vamos para a base. Eu avancei não sei quantos sinais para chegar o mais rápido possível. Não que eu importasse em chegar atrasado, mas ninguém merecia o Mike reclamando igual uma mulherzinha do meu lado.
Chegando lá, fomos diretamente para a cozinha, onde a Major Weber, a Major Brandon e Royce estavam conversando e tomando café da manhã.
Eu e Mike cumprimentamos todo mundo e nos sentamos para tomar um rápido café da manhã. Eu estava morto de fome, então, eu coloquei café em uma xícara e peguei um croissant de queijo.
Mike conversava qualquer assunto chato com Royce e a Major Weber e a Major Brandon conversavam sobre moda, eu acho.
Para variar, eu fiquei sozinho no meu canto, tomando meu café da manhã em paz.
Minutos depois, a Swan chegou. Todos deram bom dia e ela se limitou a assentir com a cabeça.
Eu acompanhei atentamente todos os seus passos, mas ela apenas pegou uma xícara, colocou café e saiu da cozinha, sem sequer olhar para mim.
Porra... a mulher era louca mesmo. Vai para a cama comigo e depois nem me olha nos olhos?
— Vocês viram os jornais hoje de manhã? – Mike perguntou me tirando dos meus pensamentos na Swan.
- Sobre o Assassino da Cruz? – Royce indagou tomando um gole de suco.
- É... um policial foi achado em um beco com um tiro na nuca. – Mike respondeu.
- Essa morte me preocupou muito. – a Major Weber falou pensativa.
- Por quê? – Royce perguntou.
- Nós estamos acompanhando os passos dele desde o primeiro assassinato e, bem, todos possuem um mesmo padrão. – a Major Weber explicou tranquilamente – Todas as mortes foram causadas por fuzis em tiros de pelo menos dez metros de distância. Tudo sempre foi muito bem calculado... e sempre à distância.
- E dessa vez, o assassinato foi à queima roupa... o que indica que pode ser um imitador ou apenas que o Assassino pela primeira vez agiu por impulso. – a Major Brandon completou.
- E o que vocês acham? – Mike perguntou.
Eu ouvia com atenção, pois estava extremamente interessado no rumo da conversa.
- Eu acho que foi a segunda hipótese. – a Major Brandon respondeu.
- Por que você acha isso? – eu perguntei, falando pela primeira vez.
- Sexto sentido, talvez. – ela disse dando os ombros – Eu acho que ele matou o policial por impulso, mas eu também acredito que ele tinha consciência do perigo de ser pego e quis correr o risco.
Eu suspirei baixinho e tomei um gole de café.
Ela tinha razão. Eu tinha agido por impulso. Eu sabia que eu poderia ter sido pego, mas na hora, eu não estava nem me fudendo para isso. A minha mente estava nublada demais por Isabella.
Eu acabei meu café com uma golada só, coloquei o resto do croissant na boca e fui para o banheiro trocar de roupa para treinar.
Já com a roupa trocada, eu fui até a academia. Eu treinei normalmente pela manhã junto com Mike, Royce, a Major Brandon e a Major Weber.
No meio da manhã, eu tirei minha camiseta por causa do calor e coloquei em cima de uma cadeira perto dos aparelhos. O treinamento era pesado, mas meu condicionamento físico estava cada vez melhor.
Depois de treinarmos toda a manhã, fomos almoçar. E à tarde, fizemos uma simulação de missão.
Nós fomos para uma sala, onde cada um recebeu uma arma de laser e um macacão preto e pesado. Lá, a Major Weber nos mostrou o programa utilizado para as simulações.
O software era do caralho. Era um XBox mil vezes melhor. As imagens passavam em 3D na minha frente como se fossem reais.
- O programa é elaborado pela Major Weber, que mudará o rumo dos acontecimentos conforme vocês avançam na missão. – a Major Brandon explicou – Nesse exercício, avaliaremos o tempo, a precisão dos tiros e a atitude dos senhores. Entendido?
Eu, Mike e Royce assentimos.
Eu fui o primeiro a fazer a simulação. Eu coloquei os óculos especiais, o fone de ouvido, que me deixava ouvir o que acontecia na simulação e o macacão que permitia o programa saber todos os meus movimentos.
- Pronto, Capitão? – a Major Weber me perguntou através do fone.
- Sim senhora. – eu respondi.
- Sua missão é resgatar uma criança seqüestrada. Boa sorte. – ela falou.
Imediatamente, a luz da sala se apagou e na minha frente se formou a imagem de um estacionamento. Eu estava aparentemente dentro de uma blazer.
À medida que eu avançava a paisagem mudava diante dos meus olhos. A blazer parou em frente a uma rua deserta e eu desci do carro.
Agora, o cenário era o seguinte: era uma casa suja e velha. A porta estava aberta e as paredes estavam todas pichadas.
Eu entrei na casa e dei de cara um homem com uma arma. Em menos de um segundo, eu mirei e atirei no peito. Ele caiu e eu continuei. Fui andando calmamente pela casa, atirando em todos.
À medida que eu avançava, os bandidos tentavam me acertar, mas eu sempre me escondia atrás das paredes antes de avançar completamente por um cômodo.
Entrei em um quarto e vi a criança. Era uma menina loira de olhos azuis. Ela chorava e atrás dela tinha uma mulher segurando uma faca em seu pescoço.
- Solte a arma ou eu mato a criança. – ela disse.
Por alguns segundos eu fiquei pensando em que fazer. Então, coloquei uma mão para cima, sinalizando minha rendição e a mulher sorriu.
Eu me inclinei para jogar a arma no chão, mas ao invés de deixar a arma cair no chão, eu atirei na mulher.
O tiro pegou no ombro do braço que ela segurava a faca. Instintivamente, ela largou a faca e eu dei mais dois tiros. Um pegou em cheio no seu peito e o outro de raspão no pescoço.
Na mesma hora, o cenário desapareceu. Eu tirei os óculos e vi a Major Weber e a Major Brandon.
- Parabéns Capitão. Bom treinamento. – a Weber falou.
- Obrigado. – eu agradeci sem jeito.
Depois foi a vez do Mike, que estava empolgado igual a uma criança que acabara de ganhar um vídeo game.
...
Já era noite e todos já tinham ido embora, exceto eu.
Mike conseguiu convencer Jéssica a sair com ele e os dois foram para um bar qualquer perto da base.
Eu tomei meu banho e troquei de roupa, colocando uma calça jeans e uma camisa preta. Antes de ir embora, eu passei pela sala de treinamento para pegar minha camisa que eu tinha esquecido lá de manhã.
Assim que eu cheguei, eu vi que a General estava correndo na esteira. Ela tinha os olhos fechado, como se quisesse esquecer de alguma coisa. Sem nem perceber, eu fui me aproximando dela.
Ela percebeu que alguém estava na sala e abriu os olhos. Ela me olhou de uma maneira indiferente. Depois desviou o olhar e foi diminuindo a velocidade da corrida até parar.
Quando eu cheguei ainda mais perto, ela simplesmente se virou e foi fazer um exercício para as pernas. Eu apenas a segui com o olhar.
Mas que merda era essa? A maluca dessa mulher estava me ignorando por completo? Ela já tinha feito isso de manhã, mas eu pensei que era apenas mau humor.
Ela se sentou no aparelho e começou a se exercitar, como se eu não estivesse ali, olhando para ela.
- Isabella... – eu a chamei.
- Para o senhor é General Swan, Capitão. – ela disse secamente sem sequer me olhar.
Eu parei em frente ao aparelho dela, entrando em seu campo de visão e fiquei a encarando sério, esperando uma porra de uma explicação.
Ela, então, parou de fazer o exercício que mal tinha começado e saiu do aparelho, se afastando rapidamente de mim.
Eu a segui com passos largos e rápidos e quando a alcancei, a segurei pelo braço, a virando violentamente de frente para mim.
- O que aconteceu? – eu perguntei.
Ela fez uma careta e eu percebi que eu tinha apertado o braço que ela tinha sido baleada. Imediatamente eu a soltei. Eu não tinha nenhuma intenção de machucá-la.
No mesmo instante, ela passou a mão no lugar. Nervoso, eu passei a mão pelo cabelo. Eu puxei o ar com força e o soltando em seguida.
- O que aconteceu? – eu a perguntei novamente.
- O que aconteceu? – ela repetiu a minha pergunta com raiva e deu uma risada sarcástica – Se você não sabe, Capitão, não sou eu quem vou te contar.
Ela fez menção de se virar para ir embora. Eu a segurei pela mão dessa vez, para não correr o risco de machucá-la novamente.
- Deixa de palhaçada, Isabella. – eu falei exasperado – Me fala o que aconteceu, caralho!
Ela se desvencilhou com brutalidade.
- Deixa de palhaçada? – ela repetiu miha pergunta mais uma vez – Vá para a puta que te pariu e não me chame mais de Isabella. Eu já falei que é General Swan para o senhor, Capitão Cullen.
Mais uma vez eu a segurei.
- Eu não vou te deixar ir enquanto você não me contar o que aconteceu? Por que você está agindo assim? – eu perguntei sem entender.
Ela deu uma risada cheia de ironia.
- Você não vai deixar? – ela perguntou.
Em um movimento rápido, ela se desvencilhou do meu aperto e me deu um chute no estômago. Eu dei alguns passos para trás e gemi de dor.
- Seu idiota! – ela falou, me dando um soco no rosto – O senhor não tem que deixar merda nenhuma.
Ela desferiu um soco no queixo e outro nas minhas costelas. Porra... doía para caralho! Ela foi me dar outro soco no rosto, mas eu desviei.
- Você é louca? – eu perguntei.
Em resposta, tomei um chute no joelho. Eu caí de joelhos, mas rapidamente, me levantei.
- Louca? – ela repetiu – Não. Eu não sou louca. A única loucura que eu fiz foi ter ido para a cama com você.
As palavras dela vieram com mais força que qualquer soco ou chute.
Ela estava arrependida? O plano dela não envolvia ir para a cama comigo? Talvez ela apenas se deixou levar pelo calor do momento e agora estava arrependida.
- Eu não estou entendendo. – eu falei.
- Não é para você entender. – ela falou com raiva – Apenas saiba que eu não sei o que a gente tinha, mas acabou.
- Acabou? Por que acabou? – eu perguntei ainda mais confuso.
- Eu não te devo satisfação da minha vida. – ela respondeu de uma maneira fria – Apenas acabou.
- Claro que você de deve uma explicação! – eu praticamente gritei dando um passo em direção a ela.
- O que te faz achar que tem algum poder sobre a minha vida? – ela perguntou petulante.
- O fato de você ter gritado meu nome ontem à noite, enquanto eu te comia de jeito. – eu respondi.
Ela arregalou os olhos e como resposta imediata, ela me deu um tapa no rosto. Eu senti meu rosto arder e coloquei minha mão no local que provavelmente estava vermelho.
Merda.
Em todas as nossas brigas, ela nunca havia me batido na cara. Todos nossos socos e chutes eram apenas parte do treinamento. Nunca houve a intenção real de nos machucarmos.
Mas esse tapa... porra... era pessoal... carregado de raiva. Era como se ela apenas tivesse tido uma reação ao ouvir minhas palavras... sei lá... era difícil explicar.
Ela deu um passo na minha direção com o olhar mortal e carregado de raiva.
- Você não foi e nem será o único a me fazer gritar na cama. – ela disse friamente – E para a sua informação, eu não sou como as vadias que você está acostumado a levar para a cama.
- Eu nunca disse isso! – eu me defendi.
- Me deixar sozinha no meio da noite sem ao menos um bilhete foi bem explicativo, Capitão. – ela falou.
Era isso então? Ela estava puta porque eu tinha a deixado à noite? Não era porque ela estava arrependida?
- Tire esse sorriso do rosto, antes que eu mesma o tire. – ela me ameaçou e só então eu percebi que estava sorrindo.
Eu dei dois passos em sua direção e a agarrei pela cintura, colando nossas cinturas. Ela estava sem reação com minha atitude. Aproveitando disso, eu a beijei.
Eu invadi sua boca sem nenhuma delicadeza. Ela tentou se desvencilhar, mas eu a segurei mais firmemente. Eu não ia desistir e ela sabia disso. Ela, então, me retribuiu. Eu gemi em sua boca ao sentir sua língua explorar a minha.
Ela passou o braço pelo meu pescoço e segurou meu cabelo com uma mão, me puxando para mais perto. O cheiro de morango me deixava tonto.
O gosto dela era viciante. Era errado... era perigoso... era louco demais... mas era o que eu precisava naquele momento.
Eu terminei o beijo e dei um selinho demorado em seus lábios. Eu abri os olhos e vi os olhos castanhos me encarando.
- Não foi minha intenção te deixar lá. – eu falei a verdade sem ao menos perceber – Eu apenas acordei com a ligação de Jasper e fiquei puto com a situação.
Era a verdade... apesar de eu ter ficado puto com o fato dela estar me enganando e não por ciúmes do Coronel Hale.
Ela se soltou, dando um passo para trás, mas continuou me olhando nos olhos.
- Você estava acordado? – ela perguntou.
- Estava. – eu respondi – E escutei sua rápida conversa com ele.
Ela suspirou cansada e ficou em silêncio por alguns segundos.
- Eu já te disse que não tenho mais nada com Jasper. – ela falou, por fim.
- Mas então por que ele estava te ligando no meio da madrugada? – eu perguntei.
- Ele só está preocupado comigo. – ela disse querendo se explicar.
- E por que ele está tão preocupado com você? – eu insisti.
- Assunto meu. – ela respondeu evasiva como sempre.
- Que segredo é esse? – eu perguntei – Você fica apreensiva toda vez que eu te pergunto isso. Eu sei que tem a ver com seu irmão. O que você sabe? O que você esconde?
Aquela porra estava confusa demais. Nem mesmo eu sabia o que eu estava fazendo. Por que eu queria explicações dela?
- E você, Cullen? – ela me devolveu a pergunta.
- Eu o que? – eu perguntei sem saber onde ela queria chegar.
- O que você esconde? – ela perguntou.
Ela me olhava como se pudesse ver a minha alma, o que me incomodou. Eu não queria que ela lesse minha alma.
- Não estou te entendendo. – eu menti incomodado com seu olhar.
- Claro que sabe. – ela disse – Eu sei que você esconde alguma coisa, mas não quer me contar... assim como eu não vou te contar meu segredo. Aprenda que existem coisas que não lhe interessam.
Ela se virou e saiu da sala de treinamento, me deixando ali sozinho.
Eu suspirei derrotado e passei minhas mãos pelo meu cabelo. O que eu estava fazendo? Por que eu simplesmente não deixei as coisas terminarem entre nós dois? Por que eu queria tanto dar murro em ponta de faca? Por que a necessidade de tê-la ao meu lado?
Eu fui para casa para mais uma noite mal dormida.
Sem conseguir dormir, eu fui até o bar no meu apartamento e coloquei uma dose de whisky para mim.
Eu tinha pensado no que fazer. Eu precisava dar um jeito na minha vida.
Eu me sentei no sofá e fiquei olhando para o nada, apenas pensando. Não dava mais para fingir que não estava acontecendo nada. Eles sabiam de mim e eu não podia dar mole.
Por outro lado, eu não pensava direito quando estava ao lado de Isabella... mas eu sabia que não tínhamos como dar certo. Eu era o inimigo... e sempre seria. Não dava para mudar quem eu era.
Eu já estava decidido. Eu ia fugir. Ir embora dos Estados Unidos. Fugir dos ‘boinas verdes’ e, principalmente, de Isabella.
Foda-se a Cosa Nostra. Eu tinha avisado a eles que eu fugiria se alguma coisa desse errado.
Eu tinha muito dinheiro nas minhas contas em paraísos fiscais e eu poderia viver o resto da minha vida sem trabalhar.
Eu havia demorado demais para tomar essa decisão, mas eu não ia esperar mais. No outro dia à noite, eu compraria uma passagem para qualquer lugar do mundo e recomeçaria minha vida ali.
...
Eu e Mike chegamos de manhã na base e Jéssica nos informou que todos estavam reunidos na sala de reunião.
Nós fomos imediatamente para o 13º andar. Lá, fomos para a sala de reunião. Todos já estavam sentados e muito sério. Alguma merda tinha acontecido.
- O que aconteceu? – Royce perguntou lendo meus pensamentos.
- Nós já sabemos onde está o cônsul italiano. – a Swan falou séria.
Todos se mantiveram sérios, mas era claro a surpresa de todos. Ninguém esperava que eles conseguissem em tão pouco tempo.
A General apertou um botão e desceu o telão atrás dela. Logo apareceu a foto de uma casa que parecia estar abandonada de tão suja.
- O cônsul está nessa casa. – ela disse e apertou novamente um botão.
A imagem mudou. Ela uma foto tirada de longe, mas dava para ver pela janela, o cônsul amarrado a uma cadeira.
- Como vocês sabem que nessa altura do campeonato eles não o tiraram de lá? – a Major Weber perguntou.
- Essa foto foi tirada há menos de dez minutos. – o Coronel Hale informou – Alec nos disse o primeiro esconderijo onde estava o cônsul. Assim, passamos a vigiá-lo imediatamente. Depois da nossa missão, eles o mudaram para esta casa, onde agora acreditam estar seguros.
- Nós vamos nos dividir em quatro grupos. – a Swan nos comunicou – Eu e o Coronel Hale. McCarty e King. Cullen e Newton. E Brandon, você estará sozinha.
A Major Brandon assentiu tranquilamente.
- Atenção ‘boinas verdes’. – a Swan falou olhando cada um de nós – Nós verificamos que a casa possui um aparelho que impossibilita a comunicação via rádio. Então, a partir do momento que entrarmos na casa, nós não teremos como nos comunicar.
- Pelas nossas observações, a casa conta com aproximadamente vinte e cinco pessoas altamente armadas. – o Coronel Hale falou enquanto varias fotos da casa passavam no telão atrás dele.
- Não há necessidade em deixar ninguém vivo a não ser o cônsul, é claro. Não hesitem em atirar para matar. – a General ordenou e todos assentiram.
Ela continuou a nos instruir. Mostrou o mapa da casa e onde cada equipe deveria se localizar.
- Estejam prontos em dez minutos. – o Coronel Hale comandou – Nos encontramos no estacionamento.
Nós fomos para o banheiro e colocamos as roupas próprias para as missões. A Major Brandon nos deu as armas e as balas. E fomos para o estacionamento.
Eu entrei na blazer junto com Mike e a Major Brandon. Essa seria minha última missão como um boina verde. Era uma pena, porque eu realmente gostava dessa vida.
Os carros pararam perto da casa e todos desceram.
- A ordem é não se separar do grupo. Não deixem seu parceiro sozinho. Eu repito. Não teremos comunicação. Deixar o parceiro sozinho, pode significar a morte dele. – a Swan deu as ultimas coordenadas – Nos vemos no final, boinas verdes.
Todos assentiram e os grupos foram para os lugares indicados.
Eu e Mike entramos pela porta dos fundos. Assim que entramos, eu vi três homens altos, gordos e provavelmente bêbados.
Eu e Mike atiramos neles imediatamente. Foi tudo tão rápido que eles sequer revidaram. Nós dois continuamos seguindo. Mike na frente e eu dando cobertura a ele.
Chegamos até o segundo piso e demos de cara com um grandalhão. Ele tinha a arma apontada em nossa direção. Atrás dele, tinham mais quarto homens.
Mike atirou e acertou em um dos caras atrás.
O grandalhão mirou em Mike. Eu atirei nele, mas o desgraçado atirou também atingindo a perna do Mike, que gritou de dor e caiu no chão.
Caralho! A coisa estava feia por aqui. Sem pensar, eu atirei loucamente contra todos. Eles também atiravam, mas por sorte minha ou falta de mira deles, nenhum tiro me acertou.
Quando vi que todos estavam mortos, eu peguei Mike e o levei até uma sala. Eu o sentei no chão e olhei para sua perna. Sangrava muito. Eu rasguei um pedaço da minha camisa e coloquei ao redor da perna dela, para tentar estancar o sangue. Ele gemeu de dor.
- Está doendo muito? – eu perguntei.
- Um pouco. – ele respondeu colocando a cabeça para trás, encostada na parede.
Continuar ali sem a ajuda de ninguém era inviável.
- Eu vou atrás da General para pedir ajuda. – eu falei para Mike.
- Mas a ordem dela foi de não nos separarmos. – ele tentou argumentar.
Sua voz estava fraca pela dor.
- Não adianta ficarmos aqui esperando alguém aparecer, porra! – eu esbravejei.
Eu o deixei com uma das minhas armas e com quase todas as minhas balas.
- Se alguém entrar, atire sem pensar. – eu falei.
Eu saí da sala, com minha arma em mãos. Eu olhei para os dois lados e fui para o norte, onde eu sabia que estariam o Coronel Hale e o McCarty.
Minutos depois, eu ainda estava procurando pelo Coronel McCarty e pelo Coronel Hale, mas eu não os encontrei em lugar nenhum.
Estranho. Eles não estavam na posição que a Swan ordenou. Eu tinha a sensação de que alguma coisa estava muito errada.
Eu continuei procurando por eles pela casa abandonada. Eu andava cuidadosamente pelos corredores, com a arma em mãos. Mas tudo estava silencioso demais.
Eu já estava no lado noroeste da casa e não tinha visto mais ninguém... nem um ladrão... nem um ‘boina verde’.
Escutei um barulho e depois um grito desesperado vindo de uma sala. Cuidadosamente, eu abri a porta e não acreditei nos meus próprios olhos.
Meu único pensamento foi: eu estava na merda! Eu deveria ter fugido daquela merda enquanto era tempo.
Agora era tarde demais.
Meu olhar encontrou com os da Swan. Ela me encarava com um olhar frio e ausente de qualquer sentimento e eu tive certeza que eu morreria naquele momento.
Fale com o autor