Cosa Nostra
5 Capítulo 4: A p**** de uma promoção
Notas iniciais
Vamos descobrir porque Edward está no exército...
Espero que gostem...
Bjos
Você deve estar se perguntando: o que aconteceu para o “filho” dos chefões da Máfia trabalhar no exército, certo?
Bem, o que aconteceu? Foi uma porra de uma “promoção”. Isso que aconteceu.
Deixe-me explicar direito. Era o meu aniversário de 22 anos. Eu havia acabado de me formar em Direito na Universidade de Nova Iorque. Sabe, eu adorava leis e jurisprudência, mas não gostava daquela palhaçada toda de um julgamento.
O dia estava nublado e frio. Eu havia acordado cedo por causa dos pesadelos que me acompanhavam desde criança. Tentando não pensar nos meus pesadelos, eu vesti uma calça jeans e uma camisa preta. Peguei minha jaqueta de couro preta e sem me preocupar em pentear os cabelos, saí de casa.
Passei no Starbucks e comprei um café com leite bem quente para esquentar. As ruas de Nova Iorque estavam vazias por causa da iminente chuva. Depois, fui para o Central Park.
Eu ainda tinha aquela mania de ir ao parque para pensar na vida. Eu sempre ia para o mesmo lugar. Onde Don Edward e Elizabeth me encontraram pela primeira vez.
A vista do lago com patos nadando e a verde grama me fazia esquecer de todos os problemas que eu tinha.
Eu me sentei no banco de sempre e fiquei olhando a paisagem. Pensando na minha vida, eu podia dizer que ela até que era boa. Quero dizer, eu não tinha do que reclamar, veja só:
Eu tinha uma puta conta bancária e vários investimentos em paraísos fiscais, porque eu jamais poderia declarar para o Governo a porra do dinheiro que eu recebia das missões. Desde a última vez que eu chequei, ainda não tinha um espaço em branco para descrever atividades ilegais na declaração de renda.
Eu tinha uma noiva gostosa que não se importava de eu ter amantes. Bem, mais ou menos. No inicio, Tanya fazia escândalos quando descobria uma traição minha, mas com o tempo, ela passou a não se importar, ou pelo menos a não demonstrar.
Além do mais, a minha cama nunca estava vazia. Não que eu saísse atrás de um rabo de saia, mas as mulheres sempre davam mole e eu achava um pecado negar.
Eu também tinha os meus pais. Carlisle e Esme se preocupavam comigo e me amavam muito.
Minha vida era boa. Ignorando, claro, o fato de que eu era o assassino mais procurado dos EUA. Mas eu não me sentia satisfeito. Eu não estava infeliz com a vida que eu levava, mas pareia que alguma coisa faltava. Eu não sei dizer que merda que faltava.
Quando percebi, já estava na hora do almoço. Eu me levantei do banco e eu fui para a casa dos meus pais.
Minha mãe faria um almoço especial de aniversário para mim, como era o nosso costume. Eu não ligava para aniversario, mas minha mãe fazia questão de comemorar.
Eu cheguei à casa dos meus pais e vi a mesa posta. Minha mãe tinha feito meu prato favorito: risoto de camarão.
- Ei meu filho. – meu pai me cumprimentou colocando um vinho na mesa.
Ele veio em minha direção e me abraçou.
- Parabéns! Que todos os seus desejos de realizem. – ele falou enquanto me abraçava.
- Obrigado pai. – eu respondi.
- Edward! – minha mãe gritou e correu para me abraçar.
Ela ainda estava usando avental e luvas de cozinha. Eu a abracei, a levantando e a rodei.
- Parabéns meu filho!!! – ela disse – Que Deus te ilumine e abençoe sempre.
- Obrigado. – eu falei a colocando no chão.
- Vamos almoçar? – ela perguntou alegremente.
Eu e meu pai assentimos na mesma hora e nos sentamos à mesa.
Depois do almoço, nós três ficamos conversando por horas. Posso dizer que passei uma tarde agradável ao lado dos meus pais.
- Temos um presente para você. – minha mãe falou.
- Não precisava. – eu disse.
- Até parece que você não conhece sua mãe, Edward. – meu pai falou rindo.
Minha mãe me deu uma caixa. Eu a abri. Era um cordão com um crucifixo de ouro amarelo com ouro branco. O cordão era fino e o crucifixo era pequeno.
- É para te proteger, meu filho. – minha mãe falou emocionada – Eu agradeço a Deus todos os dias por Ele ter te colocado em minha vida.
Eu beijei sua testa e coloquei o cordão e o crucifixo.
Meu pai começou a conversar comigo sobre a Lei do Toque de Recolher, que a prefeitura tinha publicado por causa do Assassino da Cruz. Ele havia lido um artigo e queria minha opinião. Nós conversamos enquanto minha mãe arrumava a cozinha.
Quando percebi, já estava anoitecendo. Então, eu me despedi dos meus pais e fui para a casa andando.
No caminho, parei em uma banca de jornal e vi a notícia: Assassino da Cruz: 02 anos espalhando o medo em Nova Iorque em nome da máfia!
Eu não agüentei e comprei o jornal. Eles listavam todos os assassinatos e seqüestros que eu havia cometido ao longo desses dois anos. Caralho! Eu tinha trabalhado demais!
Na matéria, eles faziam suposições sobre a identidade do Assassino da Cruz. A tese da vez era que o Assassino da Cruz era um homem traído pela esposa e frustrado sexualmente.
Eu tive que rir. Era hilário.
Por alguma loucura, eu lia tudo o que era escrito sobre Assassino da Cruz. Os jornais chamavam vários psicólogos para tentar traçar o perfil do destemido assassino.
Eu cheguei em casa, joguei o jornal fora e liguei o meu computador. Eu falaria com Don Edward ou Tanya sobre meu próximo alvo. Normalmente, eles se comunicavam comigo por videoconferência, através de uma linha segura.
Eu me sentei em frente ao computador no meu quarto e minutos depois, eu recebi o convite para integrar a conversa. A tela se abriu e estavam Don Edward, Elizabeth e Tanya.
Estranho. Geralmente, quem me passava às missões era Tanya ou Don Edward, mas nunca todos juntos, principalmente Elizabeth.
- Querido! Como está? – Elizabeth perguntou.
- Estou bem Elizabeth! – eu disse dando um meio sorriso – Mas por que estão todos aí? É uma festa e ninguém me convidou?
- Estamos aqui por dois motivos. – Don Edward falou – Primeiro para te parabenizar pelo seu aniversário.
- Obrigado. – eu respondi sorrindo ironicamente. Eu sabia que eles nem deviam lembrar direito que era meu aniversário – E o outro motivo?
- Bem, amorzinho, acontece que sua “missão” será mais complicada desta vez. – Tanya disse mais séria que de costume.
Eu estranhei, mas os deixei continuar.
- Edward, como você sabe, o exército está cada vez mais próximo de nós, por causa dos ataques terroristas e dos seqüestros. Eles estão atrapalhando os nossos negócios e prendendo nossos homens. Nós não podemos deixar isso acontecer! –Don Edward disse revoltado.
- Sim, eu sei. – eu disse.
O exército estava apertando o cerco contra a Organização. Ainda mais por causa do fiasco que eram as operações para prender o Assassino da Cruz, ou seja, eu.
- Amorzinho, você não é conhecido por nenhum ‘soldati’ ou ‘capo’. Não tem como ninguém te vincular à Família. Por isso, precisamos que você se infiltre no exército. – Tanya falou.
- Que merda é essa? – eu perguntei aumentando meu tom de voz.
Eu vou ter que entrar na porra do exército? Virar um soldadinho de merda? Eles só podiam estar brincando comigo! Não precisava ser um gênio para saber que nem fudendo que isso ia dar certo.
- Lá dentro, você nos dará informações que eles possuem sobre nós. Inclusive sobre um possível traidor entre nós. – Don Edward continuou calmamente.
- Já temos um homem no FBI e precisamos agora de você no exército. – Tanya completou.
- Pense nisso com uma promoção. – Elizabeth falou – Você será o nosso espião no exército.
- Vocês estão de brincadeira comigo? – eu perguntei.
- Claro que não, amorzinho. – Tanya falou daquela forma carinhosa que me dava ânsia de vômito.
Eu bufei.
- Você já está preparado. Nós temos certeza. A única coisa que você tem que fazer é se recrutar na sede do exército. – disse Elizabeth.
- Então, vocês estão querendo me fuder? É isso? Eu nunca fiz nada parecido. Eu não tenho experiência nenhuma nisso, porra. Eu sou bom somente em mirar e atirar, caralho! – eu disse com raiva.
- Edward, a única coisa que você vai ter que fazer, por agora, é se alistar. Não tem nada demais. Tenho certeza que você conseguirá. – Don Edward disse sorrindo.
O miserável estava sorrindo porque não era com ele.
- Se é a decisão de vocês, tudo bem. – eu disse dando os ombros – Mas se não der certo, vocês vão arcar com as conseqüências.
- O pagamento extra por essa promoção já foi depositada na sua conta. Para sua segurança, não iremos mais entrar em contato com você até que você esteja lá dentro. – Elizabeth disse.
- Tudo bem! Sem contatos! – eu disse dando os ombros.
Eu já estava acostumado a ficar semanas sem ter contato com eles, inclusive Tanya. Nós ainda estávamos noivos e nos víamos quando dava, mas não era muito freqüente. Até mesmo por isso eu me divertia com outras mulheres.
- Sentiremos sua falta, querido! – Elizabeth falou.
- Também sentirei a de vocês! – eu menti, sabendo que era aquilo que ela queria escutar.
- Amor, não esqueça que eu te amo! Se cuide, está bem? – disse Tanya.
- Temos que ir... se cuide. – disse Don Edward encerrando a videoconferência.
Eu desliguei o computar e fui assistir televisão. Eu me sentei no sofá e tentei prestar atenção no filme que estava passando. Já tinha se passado mais de cinco minutos e eu não conseguia me concentrar. Na verdade eu nem sabia que filme estava passando.
Eu? Soldado da porra do exército? Isso não ia dar certo. Não dava para arrumar outra pessoa para ser espião?
Fiquei pensando nessa palhaçada até dormir no sofá.
No dia seguinte, eu fui até a base do exército em Nova Iorque e me alistei. Foi fácil. Muito fácil. Por isso que o exército estava cheio de imbecil. Qualquer um pode se alistar. Eu apenas preenchi um formulário básico com os meus dados pessoais.
Algumas semanas depois, eu recebi um telegrama, me convocando para me apresentar na base para um treinamento de dez semanas, chamado “Basic Combat Training” (BCT). Somente no término do treinamento que eu entraria efetivamente no exército.
....
No dia marcado para o inicio do treinamento, eu acordei com o despertador tocando. Eu o desliguei sem abrir os olhos. Eu tive uma péssima noite de sono. Eu me senti incomodado a noite inteira. Até que abri os olhos e descobri a razão do meu desconforto: havia uma mulher na minha cama.
Acordei a ruiva que estava dormindo do meu lado sem muita paciência. Eu a sacudi com um pouco mais de força que o necessário.
Eu odiava quando a mulher dormia na minha casa e, mais particularmente, na minha cama. Meu sono que já era agitado, se tornava ainda mais agitado quando outra pessoa dormia na mesma cama que a minha. Nem mesmo com Tanya, eu gostava. Eu sempre dormia sozinho. Sempre.
Caroline? Carmem? Charlotte? Camile? Merda. Eu não sabia o nome dela.
- Ei! Acorda. – eu cutuquei novamente a mulher deitada ao meu lado na cama – Eu tenho um compromisso agora.
A ruiva acordou um pouco assustada com meu jeito nada carinhoso. Foda-se! Quer carinho? Compre um cachorro.
Eu me levantei da cama e fui para o banheiro. Tomei um banho rápido e quando saí do banheiro, vi a mulher sentada nua na cama. Que saco! Ela ainda não tinha colocado roupa?
Eu bufei já irritado.
- Tem certeza que tem um compromisso? – ela disse sedutoramente abrindo as pernas.
Eu bufei de novo. Eu detestava quando isso acontecia. Qual a parte de “foi somente uma noite de sexo” elas não entendiam? Por que as mulheres sempre tentavam ter algo mais?
- Sim. Eu tenho um compromisso importantíssimo. Com a minha noiva. – eu disse secamente.
Era a melhor forma de descartar mulher depois do sexo, era citar a existência de Tanya. Como esperado, a ruiva arregalou os olhos assustada e vestiu a roupa em tempo recorde sem nunca me olhar. Ela foi embora, batendo a porta com uma força desnecessária, devo acrescentar.
Vesti uma calça jeans e uma camisa preta e separei uma pequena mala para levar para o treinamento. Peguei meu Volvo e fui até a base de treinamento, que fica a 20 km de Nova York.
Chegando à base, vi centenas de homens e mulheres que haviam sido recrutados, assim como eu. Todos pareciam ansiosos, como se estivessem fazendo a coisa mais importante da vida miserável deles. Mas na verdade, eram um bando de otários que não tinham nada mais para fazer.
Agora essa merda ia começar. Eu seria um espião no exército. Eu só não sabia o quanto a minha vida ia mudar. Tudo por causa de uma porra de uma promoção.
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