Cosa Nostra

3 Capítulo 2: Minha História


Notas iniciais
Espero que gostem...
Nos vemos lá em baixo!

Já que você sabe um pouco mais sobre o mundo em que eu vivo, agora eu vou contar a minha história para você saber quem eu sou de verdade.

Você vai conhecer quem eu sou de verdade. O “eu” sem aquela máscara que eu uso para enganar toda a sociedade.

A minha história começou assim: eu fui abandonado na porta de uma porra de um orfanato assim que eu nasci. Na verdade, eu nem me lembro do orfanato, porque antes de completar dois anos de idade, eu fui adotado por Harry e Sue Clearwater.

Nessa parte da história, eu deveria dizer que sou grato a eles por terem me adotado e me criado como um filho, certo?

Errado.

Pode-se dizer que meus pais adotivos nunca foram pais exemplares. Aqueles dois desgraçados nunca gostaram de mim. Pelo contrário, pareciam me odiar. E, depois de um tempo, a recíproca se tornou verdadeira.

Ainda criança, eu os odiava com todas as minhas forças. Acho que esse foi o primeiro sentimento que eu tive por alguém. Viver naquela casa com aqueles dois era o inferno. Eu não entendia o porquê eles me adotaram. Claramente eles não gostavam de crianças.

Bem, na verdade, o filho da puta do Harry gostava demais de menininhas, se você me entende.

No dia em que estava completando 13 anos, eu saí escondido para o Central Park. Estranho que o verde da grama sempre me acalmava. Eu me sentei em um banco e fiquei por horas olhando para um pato que nadava no lago que estava a minha frente.

Eu estava pensando em fugir de casa. A rua não poderia ser pior que a vida que eu levava com Harry e Sue. Na verdade, o inferno deveria ser melhor que morar com eles.

Sem que eu percebesse, um casal se aproximou de mim. Eles pareciam ser muito ricos. Usavam roupas caras e bonitas. O homem usava um terno preto, uma camisa social branca e uma gravata listrada de prata e preta. A mulher usava um vestido verde muito bonito. Eles pararam na minha frente e ficaram me olhando de um jeito que me incomodou profundamente.

Eu olhei para eles desconfiado, mas os ignorei. Na verdade, eu queria que eles saíssem de perto de mim, pois eu detestava quando as pessoas ficavam me encarando.

- Edward? – a mulher me perguntou.

Eu a olhei confuso. Como ela sabia a porra do meu nome?

- Quem quer saber? – eu devolvi a pergunta.

Eu estava muito desconfiado deles. Será que eles me conheciam? Eles não pareciam ser pessoas más, mas nunca se sabe. Harry e Sue também não pareciam ser maus.

- Meu nome é Elizabeth e esse é meu marido Edward Masen. – a mulher falou sorrindo.

O cara tinha o meu nome. Isso sim era esquisito. Ninguém mais se chamava Edward.

- Podemos nos sentar com você, querido? – ela perguntou.

- Não. – eu respondi rispidamente.

Eles se entreolharam assustados com a minha rispidez. Afinal, para eles, eu era apenas uma criança de 13 anos.

- Meu bem, não sei como fazer isso da forma correta. – Elizabeth disse carinhosamente – Mas você foi adotado por Harry e Sue, certo?

Eu congelei e eles perceberam a minha reação.

- Como... como vocês sabem disso? – eu gaguejei.

Eles se entreolharam mais uma vez. Só que dessa vez, eles pareciam estar em dúvida ou com medo de algo.

- Como vocês sabem disso? – eu insisti com a voz mais firme.

- Nos dê uma chance de explicar o que está acontecendo. – a mulher pediu.

- Fala logo! – eu disse curioso para saber o que eles queriam comigo.

Um silêncio mortal se formou. Os dois se olhavam com dúvida e apreensão.

- Bem, acontece que nós somos seus pais biológicos. – o tal de Edward disse de uma vez só.

Era a primeira vez que ele falava alguma coisa e ele parecia estar nervoso.

- Vocês são os meus pais? – eu perguntei cético, os olhando da cabeça aos pés – Meus pais de verdade?

Eu percebi que eu me parecia com a mulher. Os cabelos cobres dela eram iguais aos meus. Mas meus olhos eram verdes iguais ao do homem. Eles seriam os meus pais de verdade?

- Somos sim, querido. – Elizabeth disse visivelmente emocionada.

Um turbilhão de sentimentos veio à tona, mas o que sobressaiu foi a raiva.

- Por que vocês me abandonaram? – eu perguntei com raiva me levantando do banco.

Raiva não. Ódio. Era isso que eu sentia por eles. Por que eles me abandonaram? Essa era a pergunta que eu me fazia todos os dias. Teve época de eu imaginar se minha vida não seria diferente se meus pais não tivessem me abandonado e eu não tivesse sido adotado por Harry e Sue.

- Eu não queria. – Elizabeth disse chorando – Eu não queria largar o meu bebê.

Ela começou a chorar cada vez mais. Ela deu um passo para frente e abriu os braços, para me abraçar, mas eu dei um passo para trás batendo com a perna no banco. Eu não ia deixa que ela me abraçasse.

Ela chorava e soluçava até que o tal Edward a abraçou. Eu fiquei parado apenas observando aquela cena.

- Mas era necessário. Para a segurança dele, se lembra querida? – ele disse tentando acalmá-la.

- Minha segurança? – eu perguntei confuso – Que papo estranho é esse?

- É uma longa história. Vamos almoçar em um restaurante aqui perto e nós te contaremos tudo. – o Edward sugeriu.

Eu os olhei desconfiado. Eu ia dizer não, mas Elizabeth me pediu aos prantos para ir com eles. Então, eu fui. Não por eles, mas pela comida. Eu havia saído cedo de casa e não tinha comido nada até àquela hora.

Edward e Elizabeth me levaram para um restaurante caro e chique perto do parque. Um lugar que eu jamais sonhei entrar em toda minha vida.

No almoço, eles me contaram que tiveram que me deixar para minha “própria proteção”. Eles me explicaram que eram chefes da máfia. Edward era o Don, ou seja, o chefão, e Elizabeth era a ‘consegliere’ da Organização.

Eu já havia ouvido falar sobre a Cosa Nostra. Muitas vezes, eu escutava Harry reclamar sobre os “filhos da puta da Cosa Nostra”, como ele dizia.

Eles me perguntaram como era a minha vida com Harry e Sue e eu contei como era a minha vida. Eles pareciam estar tristes e revoltados por tudo que Harry e Sue faziam comigo, mas eu não me importava mais.

Eles me falaram que eu não poderia morar com eles, pois seria perigoso demais para mim. Mas eles prometeram que me ajudariam e estariam sempre por perto.

No dia seguinte àquele encontro, Harry e Sue faziam foram misteriosamente assassinados. O que devo confessar me fez muito feliz. Elizabeth e Edward apenas disseram que foi um presente para mim.

Então, eu fui morar com um casal calmo e tranquilo. Esme e Carlisle Cullen.

Demorei algumas semanas para acreditar que eles não abusariam de mim. Eu não acreditava que existiam pessoas boas no mundo como eles.

Esme era sempre carinhosa comigo e vivia me abraçando. Ela me contou que queria muito ter um bebe, mas não podia, em virtude de um aborto que ela teve.

Carlisle também me tratava muito bem. Ele desde o inicio percebeu a minha desconfiança quanto aos dois e, por isso, evitava me tocar, mas estava sempre sorrindo para mim.

Eu comecei a ir ao psicólogo para “tentar curar meus traumas”. Eu só fui porque Esme e Carlisle faziam questão de que eu fosse. Na verdade, eu não falava sobre nada com meu psicólogo. Isso mesmo. Eu ficava os cinqüenta minutos calado. Eu não confiava nele. Na verdade, eu não confiava em ninguém, apenas em Esme e Carlisle.

Eu ainda me lembro do dia que eu chamei Esme de mãe pela primeira vez. Ela até chorou de tanta emoção. Carlisle ficava orgulhoso toda vez que eu o chamava de pai. Eles se importavam sinceramente comigo.

Eu não chamava Don Edward de pai, nem Elizabeth de mãe, pois eu não me sentia filho deles. Eu sabia que Elizabeth não gostava do meu relacionamento com meus pais e eu ela tinha ciúmes da minha mãe, mas eu não me importava. Se quisesse ser minha mãe não deveria ter me abandonado na porta de uma merda de orfanato qualquer.

Com Carlisle e Esme, eu fui feliz pela primeira vez na minha vida. Eles eram meus pais. Meus pais verdadeiros. Não me importava se não eram biológicos, pois eles me consideravam como um filho de coração, o que era muito mais importante.

Aos 14 anos, eles me adotaram legalmente. Foi então que eu me tornei Edward Anthony Cullen. Com muito orgulho, devo acrescentar.

Don Edward e Elizabeth passaram a manter contato comigo desde o dia que nos encontramos pela primeira vez. Apesar de nossos encontros tinham que ser escondidos e periódicos.

Eu não confiava totalmente neles, como eu confiava nos meus pais, Esme e Carlisle, mas eu gostava dos dois. Elizabeth sempre era carinhosa e Don Edward sempre me dava presentes. Era a forma dele de falar que gostava de mim. Mas ainda assim eles nunca seriam os meus pais.

Aos 16 anos, eu comecei a aprender a lidar com armas e também a atirar. Escondido dos meus pais, é claro. Eles achavam que eu fazia aula de teatro.

Na verdade, Edward e Elizabeth faziam questão que eu fizesse as aulas de tiro. Eles diziam que era importante para mim.

Nas aulas de tiro, eu conheci Tanya. Ela tinha 15 anos e o pai dela era Eleazar, um cappo da Organização. Don Edward sempre dizia que ela tinha talento, o que era verdade. Nós dois acabamos ficando amigos.

Eu também comecei a ter aulas de defesa pessoal. Meu pai gostou da ideia. Don Edward também. Os dois queriam que eu soubesse me proteger.

Eu me matriculei nas aulas de espanhol e italiano, por causa dos contatos internacionais da Organização. Meus pais sempre me incentivaram, apesar deles terem estranhado o fato de um adolescente de 16 anos ter vontade de aprender línguas estrangeiras ao invés de querer jogar futebol, como os demais meninos.

Aos 17 anos eu já sabia atirar melhor que muito policial. Tanya sempre elogiava a minha mira. Modéstia a parte, eu realmente sabia atirar muito bem. Eu sabia também limpar, montar e desmontar qualquer arma com uma rapidez impressionante.

Meu presente de 18 anos de Don Edward e Elizabeth foi uma pistola Glock 9 mm, feita especialmente para mim. As balas que eu usava nela eram gravadas com uma cruz e o símbolo da Cosa Nostra. Foi quando entrei oficialmente para a Organização, apesar de ninguém saber da minha existência.

Tanya também entrou na Organização na mesma época que eu. Ela tinha 17 anos e ficou no lugar do pai, que havia sido promovido para sotocappo. Agora, ela era um cappo e cuidava da área mais perigosa e mais lucrativa.

Comecei fazendo missões fáceis, como roubar ou ameaçar algum soldatti metido a engraçadinho. Sempre, claro, sem mostrar a minha verdadeira identidade. Eu usava uma máscara que impedia que alguém me reconhecesse.

Logo depois, eu comecei a namorar Tanya. Um dia, nós fomos ao cinema e ela me beijou. Nesse dia, ela disse que sempre gostou de mim e me queria como namorado. A partir de então começamos a namorar.

Don Edward ficou feliz em saber que eu e Tanya estávamos juntos. “Bom que fica tudo em família” ele disse.

Meus pais, Carlisle e Esme, não sabiam de Tanya, porque nosso namoro era secreto. Essa foi a única exigência de Eleazar e de Don Edward: discrição.

Eu não poderia me expor e estar com Tanya seria uma exposição enorme. Eu me tornaria alvo dos inimigos.

Como eu tinha me formado na escola, eu decidi fazer faculdade. Fui aceito na Universidade de Nova Iorque (NYU) em Direito. Meus pais ficaram muito felizes e orgulhosos pela minha escolha. Já Elizabeth e Don Edward disseram que eu deveria me inteirar mais da Organização ao invés de perder meu tempo com faculdade, mas eu os ignorei.

A minha rotina era: faculdade de manhã, aula de defesa pessoal e malhação todos os dias à tarde, para ter condicionamento físico, e aulas de conversação das 02 línguas estrangeiras que eu falo. E à noite, eu descansava ou saía para cumprir as minhas missões.

No dia que completei 21 anos, me mudei da casa dos meus pais. Eu fui morar em um apartamento sozinho. Eu estava feliz, porque teria minha independência, mas triste por deixar a casa dos meus pais. Minha mãe chorou muito, mas me ajudou com a mudança. Meu pai me apoiou, mas eu sabia que ele também sentiria a minha falta.

Aos 22 anos, eu me formei com honras na Universidade de Nova Iorque, para o orgulho total dos meus pais. Eles não pararam de chorar durante toda formatura.

Don Edward, Elizabeth e Tanya também foram à minha formatura. Eles ficaram em um canto da quadra e logo que a cerimônia acabou, eles foram embora.

Decidi então pedir Tanya em casamento. Não porque eu a amava incondicionalmente. Nada disso. Eu apenas achei que seria conveniente.

Ela aceitou. Ficamos noivos assim, em segredo e sem nenhuma comemoração. Ela usava um anel simples, que nem parecia de noivado e eu não usava nada.

Eu sempre a traía com outras mulheres e ela sabia, mas não se importava. Eu gostava muito de Tanya, mas não a amava. E ela também sabia disso.

Mas essa era a porra da verdade: eu era incapaz de amar outras pessoas, exceto meus pais: Esme e Carlisle.

Notas finais
Ei pessoas!!!
Bella vai aparecer no proximo cap... ok???
Bjosssssssssss