Cosa Nostra

35 2ª Temporada - Capítulo 6: Esme e Elizabeth


Notas iniciais
Espero que gostem...
bjos

Eu estava ansioso. Não... ansioso era pouco demais. A verdade é que eu estava nervoso para caralho.

Isabella já tinha passado todo o plano de ação sobre o resgate da minha mãe. Era um plano arriscado, mas não tinha outra saída. Era nossa chance e nós iríamos aproveitá-la. Além do mais, Isabella era foda e eu confiava nela por completo.

Rose entregou para todos o uniforme, que era uma calça preta, uma camisa preta com o símbolo das Forças Especiais, um cinto especial para guardarmos armas e munição, um colete a prova de balas e, claro, a famosa e indispensável boina verde.

Eu fui para o meu quarto e coloquei o uniforme completo. Me olhei no espelho e vi um capitão das Forças Especiais. Sorri fracamente me lembrando dos olhares orgulhosos dos meus pais na minha formatura como Boina Verde.

Ainda pelo espelho, eu vejo Isabella me olhando parada na porta do meu quarto. Eu me viro para encará-la.

- Sua arma. – ela disse entrando no quarto e me entregando uma Glock 9 mm.

Eu peguei a arma e a analisei atentamente. Caralho... era uma puta arma. Parecia ser feita sob medida e com certeza era customizada. Eu nunca tinha visto uma arma tão bem feita.

- É linda. – eu falei ainda admirando a arma – Eu não sabia que as Forças Especiais tinham armas assim.

- E não têm. – ela me respondeu e só então eu a encarei confuso. Ela completou – Essa arma era do meu pai. Foi a primeira arma que ele mandou fazer. Ele me deu quando eu entrei para as Forças Especiais. Segundo ele eu merecia essa arma porque era a única vez que eu tinha lhe dado razão para ter orgulho de mim.

Eu a olhei por alguns segundos. Cara, o pai dela era mesmo um demônio.

- Eu não posso aceitar. – eu falei estendendo a arma para ela pegar de volta.

- Não estou te perguntando nada, Cullen É uma das melhores armas com que eu já atirei. Se você quer salvar seus pais, essa é a arma para isso. – ela disse com a pose irritante de “eu sou a General dessa merda”.

Eu não sabia o que dizer. Estava surpreso com a atitude de Isabella... mas eu já deveria estar acostumado, pois ela sempre me surpreendia.

- Obrigado então. – eu falei sabendo que ela não receberia a arma de volta.

Coloquei a arma na cama e ela se virou para ir embora, mas, antes, eu a segurei pelo pulso.

- Isabella...

- Não temos mais nada para conversar, Cullen. – ela disse tentando se desvencilhar de mim.

Eu a segurei com mais força e a empurrei contra a parede, segurando-a com meu corpo. Essa era uma forma segura de segurá-la, mas no fundo eu sabia que eu sempre a prensava contra a parede simplesmente porque eu adorava ficar assim com ela.

- Eu só queria te agradecer. Acho que não agradeci o suficiente o que você está fazendo pelos meus pais. – eu falei sincero olhando no fundo dos seus olhos.

Ela ficou calada, mas sua respiração estava completamente descompassada. Seus olhos castanhos estavam presos aos meus. A corrente elétrica passava por todo meu corpo. Ela mordeu o lábio inferior como de costume e eu a prensei ainda mais.

Deus... ela era linda. Simplesmente linda. Eu passei a mão lentamente pelo seu rosto e ela fechou os olhos. Continuei a admirá-la.

- Isabella... tão linda... – eu disse em um sussurro – Eu... eu te a...

- Me solta, Cullen. – ela cortou, me empurrando e correndo para fora do quarto.

Eu consegui a segurar antes que ela chegasse à porta.

- Você não vai fugir e vai me escutar agora. – eu falei firme.

- Me solta. – ela falou – Você não acha que já fez o bastante? Não se divertiu o suficiente comigo? Você já conseguiu tudo que queria, agora me larga!

Inferno! Era isso que ela pensava de mim?

- Não. Eu não vou te soltar até você me escutar. – eu falei – Você não entende. Eu estou apai...

- Solta ela, Cullen. – a voz de Jasper soou como um trovão no quarto.

Eu me assustei e Isabella se aproveitou disso para se desvencilhar de mim. Na porta do meu quarto estavam Jasper e Emmett, que nos encaravam seriamente.

PUTA MERDA! Será que nem quando eu quero, consigo falar com ela sozinho? Quando eu abri a boca para mandar eles para a puta que pariu, Jasper perguntou olhando somente para Isabella:

- Tudo bem por aqui?

- Na mais perfeita ordem. – ela disse indiferente se desvencilhando de mim – Eu e Cullen já falamos tudo o que tínhamos para falar um com o outro.

Eu ia retrucar, mas algo em seu olhar me fez simplesmente parar. Não era o olhar enigmático ou arrogante que eu estava tão acostumado. Era um olhar com dor. Uma dor que só eu entendia.

Isabella aproveitou a situação e saiu do quarto. Jasper me deu um olhar mortal e a seguiu para fora do quarto.

Frustrado, passei a mão pelo cabelo.

- Eu gosto de você, Edward. – Emmett disse – Mas fique longe da Bellinha. Ela não merece sofrer mais.

Então ele saiu do quarto me deixando sozinho.

Merda. Eu praguejei baixinho. Respirei fundo algumas vezes, peguei a arma que Isabella tinha me dado e a guardei no meu cinto.

Dei mais uma olhada no espelho. Eu não era mais o Assassino da Cruz. E jamais seria novamente. Agora eu era Edward Cullen, capitão da equipe alfa das Forças Especiais.

---- & ----

O mais importante para todos nós era tirar a minha mãe das mãos da maldita da Cosa Nostra com segurança.

Por isso, eu, Isabella e Emmett estávamos em um helicóptero das Forças Especiais que estava sendo pilotado por Jasper. Ele ficaria responsável apenas por pilotar o helicóptero, pois ainda não tinha se recuperado dos tiros que eu havia dado nele.

Alice e Mike estavam seguindo o comboio, mas mantinha contato o tempo todo conosco.

Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede.

Por toda a minha vida, eu fingi para todos que me cercavam. Eu era tão filho da puta que nem mesmo os meus pais sabiam quem eu realmente era.

Durante anos, eu menti... enganei... roubei... matei... mas carma é uma merda: eu enganei a todos... mas, no fim, também fui enganado.

A Cosa Nostra havia sequestrado meus pais. Eu sempre soube que não podia confiar em Don e em Elizabeth, mas não nunca imaginei que eles seriam os meus inimigos de verdade. Afinal, eles eram meus pais de sangue...

Eles queriam matar as únicas pessoas que eu amo neste mundo. Instintivamente, eu olhei para a linda morena sentada na minha frente. Não... meus pais não eram as únicas pessoas que eu amava...

Eu demorei tempo demais para reconhecer meus verdadeiros sentimentos por ela... e agora era tão claro para mim que nunca foi apenas tesão... era cumplicidade... amizade... admiração... e amor.

Só que podia ser tarde demais para nós dois.

Ela me tratava com frieza... parecia ter um oceano de distância entre nós dois... não importando quão perto estávamos um do outro.

E por mais que eu tentasse, ela não me deixava aproximar.... era difícil estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo... pois tudo me atraia a ela.

Essa distância e frieza me machucavam mais do que todos os seus socos e murros... mas eu merecia... eu fui um filho da puta e merecia sofrer.

Os ‘boinas verdes’ a vigiavam todo segundo... como se quisessem protegê-la de mim... eu queria mandar todos a merda e gritar que eu jamais a machucaria... mas era mentira.

Pois eu já a tinha machucado... e muito.

No helicóptero, ao meu lado, estão os ‘boinas verdes’. Meus supostos inimigos que agora se uniam a mim para salvar o que eu mais tinha de precioso nessa vida.

Era nítido o empenho de cada um para me ajudar... mesmo depois de eu tê-los traído da maneira mais vil.

Eu jamais esperava que eles fossem me ajudar, principalmente Isabella... mas aqui estava ela, à minha frente... tentando posar de forte quando eu sabia que ela estava quebrada por dentro... eu entendia sua dor, afinal, eu mesmo a sentia também.

- Chegaremos na Highway 71 em um minuto. – Jasper nos informou.

Assustado, eu abri os olhos. Um minuto. Um minuto e minha caçada pelos malditos da Cosa Nostra começaria de verdade.

- Alguém tem alguma dúvida sobre o plano? – Isabella perguntou.

Eu e Emmett negamos prontamente.

- Não se esqueçam que a prioridade é resgatar Esme com segurança. – ela completou. – E nada de tentar gracinhas. – ela advertiu, olhando para mim.

Chegamos ao local escolhido. Era uma parte da estrada mais vazia. Afinal, não seria bom abrir fogo contra o comboio no meio de civis.

Jasper aterrissou o helicóptero no meio da pista, bloqueando-a totalmente.

- Alice, já pousamos. – Isabella informou pelo radio comunicador e esperou a resposta. Depois de um tempo ela disse – Entendido.

Ela então olhou para mim.

- Eles estão a cinco minutos daqui. Alice confirmou que Esme está na van da direita e Elizabeth está na da esquerda.

O comboio andava em formação de “V”, onde na frente e no meio vinha uma van cheia de capangas. As vans com Elizabeth e minha mãe andavam mais atrás e nas laterais, uma na esquerda e outra na direita.

Nós saímos do helicóptero para prepararmos a armadilha. Rapidamente, eu e Emmett corremos até uma distancia razoável do helicóptero e colocamos duas cordas de ferro com espinhos cruzando a estrada. Assim quando o comboio passasse, os pneus furariam imediatamente.

Quando voltamos para perto do helicóptero, vi Isabella segurando com uma bazuca.

- O que você vai fazer? – eu perguntei desconfiado.

Ela não tinha explicado nada sobre atirar no comboio com uma bazuca e eu sabia que tínhamos que ter cuidado ao atirar contra as vans para não machucar minha mãe.

- Explodir a van que vem na frente. Eliminar os atiradores que estão lá e diminuir os nossos riscos. – ela explicou.

Eu assenti. Ela havia dito que cuidaria sozinha da van que levava apenas os capangas, mas eu nunca imaginei que ela ia literalmente explodir todos eles.

Assim que o comboio com as três vans entraram em nosso campo de visão, Isabella mirou com a bazuca no primeiro carro.

Ela aguardou um tempo enquanto as vans se aproximavam em alta velocidade. O tempo parecia não passar. As vans continuaram vindo em nossa direção. Então... ela atirou.

O carro simplesmente explodiu, capotando duas vezes. Os outros dois diminuíram a velocidade bruscamente e desviaram da explosão. Como eles estavam ao lado e mais atrás da van que explodiu não foi tão difícil desviar.

As duas vans continuaram vindo em nossa direção e passaram pelas cordas de ferro. Agora não havia outra opção a não ser parar.

Nesse momento, Alice e Mike já haviam parado com o carro cruzado na estrada atrás das vans, as impedindo de dar ré.

- Agora. – Isabella ordenou.

Nós começamos a ir em direção às vans. Os capangas que estavam nas duas vans saíram e começaram a atirar contra nós e o tiroteio começou.

Eu atirava tentando abrir o meu caminho até a van da direita, onde estava a minha mãe. Ela era a minha prioridade. Eu tinha que vê-la. Salvá-la. Eu devia isso a ela.

Eu olhei para os lados e não vi minha mãe em lugar nenhum. Fui continuei em direção à van.

Alice e Mike também estavam atirando contra os capangas da Cosa Nostra me ajudando a chegar até a van.

Quando eu ia entrar na van, dei de cara com um capanga com a arma em minha direção. Antes que ele atirasse, eu atirei duas vezes contra ele, que caiu no chão, provavelmente morto.

Joguei o corpo dele para fora do carro e entrei na van. Minha mãe estava amordaçada e com as mãos e pés amarrados. Ela estava sendo jogada no chão da van por dois filhos da puta.

Atirei em um, que caiu ao lado da minha mãe. Imediatamente, o outro se virou e começou a atirar em minha direção. Eu atirei também.

Senti uma ardência no braço esquerdo, mas nem me importei. Continuei atirando até matar o capanga. Ele caiu em cima da minha mãe, que gritou desesperada.

Rapidamente, eu fui até ela e tirei o corpo do capanga de cima dela.

- Mãe... você está bem? – eu perguntei tirando a mordaça de sua boca e olhando para ver se não tinha nenhum ferimento em seu corpo.

- Edward! Graças a Deus. – ela disse chorando.

Eu tirei as cordas que estavam em seus pés e mãos e ela me abraçou imediatamente.

- Você está machucada? – eu perguntei meio em pânico.

Ela negou sem me soltar. De repente, ela gritou, olhando para a porta da van.

Eu me virei a tempo de ver um capanga da Cosa Nostra com a arma apontada para mim. Só que ao invés de atirar, ele caiu morto.

Alice logo apareceu com a arma em punho. Ela havia nos salvado.

- Vamos, Edward. Não podemos ficar mais aqui. – Alice falou.

Eu olhei para a minha mãe que mais parecia um animal assustado encolhida no fundo da van.

- Vamos sair daqui, mãe. – eu falei e estendi a minha mão para ela. – Está tudo bem, agora.

Ela sorriu fracamente e pegou a minha mão. Eu a ajudei a ficar de pé, mas ela estava muito fraca e quase caiu.

Sem pensar, eu coloquei meu rifle dependurado nas costas e peguei minha mãe no colo.

- Alice, eu vou precisar da sua ajuda. – eu falei.

- Eu te dou cobertura. Pode ir. – Alice disse e saiu atirando e abrindo caminho para mim.

Nós corremos até o carro. Alice abriu a porta de trás, eu coloquei minha mãe no banco e fechei a porta.

- Vamos, Edward. – ela disse entrando no banco do motorista.

Eu olhei para trás e vi que Isabella, Mike e Emmett ainda estavam no tiroteio contra os capangas.

- Mas eles ainda est...

- São ordens expressas de Isabella. – ela me cortou.

Eu corri o olho mais uma vez na estrada e de longe vi Isabella atirando contra a van onde estava Elizabeth.

- Edward, vamos embora... pense na sua mãe. – Alice falou.

Eu olhei para minha mãe, que ainda parecia estar apavorada. Eu suspirei e entrei no banco do passageiro.

Alice dirigia como uma louca e uma hora depois já estávamos chegando na base. Minha mãe tinha cochilado por alguns minutos, mas ficou calada, olhando pelo vidro o tempo todo.

Assim que paramos em frente a base, eu saí do carro rapidamente e abri a porta para a minha mãe. Ela saiu e eu fiz menção de carregá-la no colo novamente, mas ela me impediu.

- Não estou inválida, Edward. – ela disse me repreendendo como se eu fosse uma criança ainda – Eu posso andar perfeitamente com as minhas pernas... mas aceito sua mão, querido.

Ela me deu a mão e entramos na casa seguidos por Alice e fomos recebidos por uma sorridente Rosalie.

- Prazer, eu sou Rosalie Hale, mas pode me chamar de Rose. Nós já nos vimos uma vez no apartamento da Bella. – ela disse sorrindo para a minha mãe.

Minha mãe retribuiu o sorriso.

- Eu me lembro querida... como vai?

- Bem, obrigada. Eu arrumei seu quarto, Esme. – Rose falou e se virou para mim – É o quarto ao lado do seu, Edward. Tem roupas no armário e toalha no banheiro.

Agradeci e levei minha mãe até o seu quarto. Fomos em silêncio durante todo o caminho. No quarto, ela se sentou na cama e fechou os olhos.

- Tem certeza que você está bem mãe? – eu perguntei me sentando na cama ao seu lado.

- Tenho. – ela respondeu abrindo os olhos e me encarando – E o seu pai?

- Ainda não temos noticia dele. Mas nós vamos resgatá-lo, mãe. Eu te prometo isso! – eu falei tentando passar o máximo de segurança para ela.

Ela sorriu, mas o sorriso não atingiu os olhos.

- Tome um banho que Rose já vem te examinar. – eu disse pegando a sua mão e dando um beijo.

- Eu estou bem, querido! Só cansada e com um pouco de fome.

- Enquanto você toma seu banho, eu vou fazer alguma coisa para você comer. – eu falei me levantando.

Ela também se levantou.

- Posso pedir uma coisa antes? – ela perguntou e eu assenti – Me dá um abraço, filho?

Eu sorri e a abracei. Eu a abracei apertado e ela retribuiu. Mal ela sabia que eu precisava do seu abraço tanto quanto ela precisava do meu.

Não falamos nada... afinal, não precisava.

Depois de um tempo, deixei minha mãe e fui procurar por Isabella, mas Mike me falou que ela ainda não tinha chegado. Isso era estranho e eu sabia que alguma coisa estava errada. Ela estava de helicóptero e deveria chegar bem antes que Mike e Emmett, pois eles saíram de lá juntos.

Então fui até a cozinha e fiz um sanduíche para a minha mãe, ou melhor, Alice fez e eu apenas peguei os ingredientes para ela.

Eu saí da cozinha com a bandeja de lanche nas mãos. Fui até o quarto da minha mãe. Bati na porta e ouvi um “entra”.

Entrei e vi Rose medindo a pressão da minha mãe.

- Está tudo bem. – Rose disse para mim – Esme está um pouco desidratada e estressada, mas nada que uma boa noite de sono e muita água não resolvam.

- Obrigado, Rose. – eu agradeci.

- Se precisarem de qualquer coisa, é só me chamar. – ela disse, se despedindo e saindo do quarto.

Eu me sentei ao lado da minha mãe e coloquei a bandeja no colo dela.

- Coma. – eu mandei.

Ela comeu todo o lanche em silêncio. Ela não me olhava com raiva ou acusação, mas mesmo assim era difícil encará-la porque eu era o responsável por tudo que tinha acontecido com ela e meu pai.

- Me perdoa, mãe. – eu falei com a cabeça baixa.

Ela levantou meu rosto, me obrigando a encará-la.

- Conte-me tudo querido. – ela disse com o tom carinhoso que só uma mãe tem.

- Acho melhor você descansar primeiro. Você está muito cansada e eu...

- Edward Anthony Cullen! Você não vai me enrolar, mocinho. Eu quero saber de tudo. Agora.

Eu respirei fundo tomando coragem e comecei a contar toda a minha historia... aquela parte de mim que eu sempre mantive longe dela e do meu pai. A parte de mim que hoje eu tinha vergonha.

- Bem... é isso. – eu falei.

Esperei minha mãe falar alguma coisa, mas ela se mantinha em silêncio... para o meu desespero.

- Fala alguma coisa, mãe... por favor. – eu pedi um tanto desesperado para saber o que minha mãe achava de tudo que eu havia contado.

- Eu... não é... bem... – ela respirou fundo e me olhou nos olhos – Meu filho.... por que?

- Eu não sei, mãe.

Eu não sabia mais o que dizer a ela, não queria que ela conhecesse essa parte de mim sendo que ela sempre pensava o meu melhor.

- Vem cá, meu filho. – pediu ela, me colocando deitado com a cabeça em seu colo e começou a fazer carinho na minha cabeça.

Ela sempre fazia isso comigo quando eu estava triste. Meu peito começou a doer.

- Você sofreu muito antes de eu e seu pai o adotarmos. Seus... hum... pais... – referiu-se a Don e Elizabeth.

- Eles não são meus pais. – eu falei me sentando de novo.

Ela sorriu maternalmente e prosseguiu.

- Eles, querendo ou não, tiveram uma grande influencia sobre você, que te levou a isso... Essas coisas que você me disse vão além do que eu posso compreender, mas...

Nós nos olhamos e ela segurou minhas mãos.

- Mas você é meu filho... – algumas lágrimas escorreram dos seus olhos. – E tudo isso, tudo o que aconteceu comigo, não muda o fato de que eu te amo mais do que tudo. Você é minha vida.

Suas palavras me atingiram fundo, tanto que eu também senti vontade de chorar, pensando em todas as merdas que eu tinha passado.

- Eu também amo você, mãe.

Ela sorriu.

- Você é um ótimo filho e, apesar de tudo, eu sei que você é um bom homem. Eu sinto isso aqui. – ela colocou a mão sobre seu coração.

Foi minha vez de sorrir, sem acreditar muito no que ela dizia, mas feliz mesmo assim.

Ficamos em silêncio por um tempo e depois, com um suspiro, eu me levantei da cama.

- Acho que agora você precisa descansar um pouco, mãe. – beijei sua mão. – Qualquer coisa eu vou estar lá embaixo.

- Está certo, mas... Edward?

Virei-me da porta para ela.

- Sim?

- Não deixe de me avisar se souber algo sobre seu pai. – ela pediu – Qualquer coisa, eu preciso saber. Eu estou muito preocupada com ele.

- Certo, não fique assim. O importante é que você está a salvo agora e eu não vou desistir, papai vai ficar bem e eu vou trazê-lo de volta para nós em segurança.

Ela assentiu.

- Agora descanse, mãe. – saí do quarto, apagando a luz e fechando a porta.

Desci, preocupado com Isabella. Ela tinha “dado ordens expressas” só para tomar conta da situação, mas eu não sabia se ela tinha voltado em segurança.

Fui para a sala e lá estavam Emmett e Mike.

- Emmett, Isabella já chegou? – eu perguntei.

- Já sim. Ela e Elizabeth estão na prisão provisória que fizemos no porão, mas Isabella disse que não quer ser incomodada.

Com certeza tinha algo de errado. O que a Elizabeth fazia aqui?

- O que será que está acontecendo? – eu perguntei.

- Eu não sei, Edward, mas eu confio na Isabella. Ela sabe o que está fazendo. – Emmett me respondeu.

- Eu vou até lá. – eu falei decidido. Precisava saber as intenções de Isabella.

- Eu acho melhor você não ir. – preveniu.

Mas nada ia me fazer mudar de ideia. Eu saí e deixei Emmett praticamente falando sozinho. Que se foda se a Isabella disse que não quer se incomodada, estou cansado dela sempre me escondendo coisas em que eu estou envolvido até o último dos fios de cabelo.

Fui até o porão e abri a porta.

Vi Elizabeth toda suja e amarrada a uma cadeira e Isabella sentada em outra frente a ela. As duas pareciam estar conversando.

Ao perceberem a minha presença, Isabella se levantou e veio em minha direção, mas minha atenção estava na puta que me pariu... literalmente.

- O que está fazendo aqui, Cullen? – pelo tom de voz, a Swan estava puta comigo.

- Eu quero conversar com ela. – eu falei tirando os olhos de Elizabeth.

Percebi que Isabella hesitou. Então, a encarei. Ela deu uma olhada rápida para Elizabeth como se pedisse autorização. Elizabeth assentiu despistadamente.

Mas que merda era essa??? Agora Isabella pedia autorização para essa filha da puta????

- Seja rápido, Cullen. – Isabella avisou e saiu do porão.

Meus olhos não deixavam os de Elizabeth, eu sentia ódio e nojo dela naquele momento. Fechei minhas mãos em punho, tentando me controlar.

- Filho, eu...

- Não me chame de filho, você não é e nunca foi minha mãe. – eu falei rispidamente.

Ela engoliu seco e começou de novo:

- Edward, eu posso explicar...

- É bom mesmo que você faça isso. – eu falei secamente – Como você e Don foram capazes de fazer isso comigo??? Foi por causa da porra da Cosa Nostra, não foi?

- Eu não fiz isso pela Cosa Nostra, eu... Eu fiz isso por amor. – lágrimas estranhas brotaram em seus olhos.

- Por amor? – eu ri de escárnio – Bela maneira de demonstrar seu amor.

- É, meu filh... — ela parou por um segundo e continuou – Edward, por favor, me perdoa... Eu... eu só fiz isso porque eu queria ser sua mãe... Eu tive ciúmes. Ciúme de Esme. Do seu amor por ela. Da sua relação com ela. Eu queria que você esquecesse os Cullen e voltasse a ver quem você realmente é: um de nós, um Masen, meu menino.

- Não me venha com essa agora. Se você quisesse mesmo ser minha mãe não me envolveria nessa merda toda e nem teria me abandonado com os porcos dos Clearwater. – eu ainda não tinha engolido o fato deles me deixarem com aquela gente nojenta.

- Eu já te disse que não queria fazer isso... Você é tudo para mim, sempre foi. – ela se remexeu na cadeira.

- Você não vai me convencer com toda essa merda.

- Por favor, filho, você tem que acreditar em mim. Eu queria ser sua mãe, só isso... Eu disse isso ao seu pai.

- Não chame aquele desgraçado de meu pai. – eu falei puto.

- Don... – fungou – Bem, ele queria que você não tivesse mais em que se apegar...

Eu queria mandá-la ir ao inferno com essa história de mamãezinha arrependida, mas eu estagnei, ouvindo-a sem desviar meus olhos dela.

- Ele achou que os Cullen estavam impedindo você de voltar para nós. Meu amor, ele queria que você tomasse seu lugar e assumisse a Cosa Nostra.

Quanto mais ela falava, mais eu me sentia enojado. Mas ela continuou:

- Mas eu não ligava mais para a organização. Eu estava com raiva, na verdade, pois foi por causa dela que nós nos separamos.

- Eu sabia que isso era coisa do Don...

- Então... Isso quer dizer que você me perdoa?

- Perdoar? – eu sorri irônico para ela. – Você surtou, não é? Acha que depois de tudo o que você fez eu seria capaz de te perdoar? – soltei outro riso de escárnio.

Eu estava fervendo de nervoso, tentando absorver como essa louca na minha frente queria me convencer, me fazendo engolir essa história de que sempre me amou.

- Edward... por favor...

- Poupe-me disso. Eu já disse, mas se você quer ouvir de novo, eu digo: VOCÊ NUNCA VAI SER MINHA MÃE. – eu gritei e ela se encolheu na cadeira. – Você e o Don não passam de uns filhos da puta que só se importam com a porra de uma organização. Não venha me passar essa história de amor incondicional, porque você não sabe o que é isso.

Soltei de uma vez, cansado de olhar para a cara de choro dela. De repente, Isabella voltou, provavelmente ouvindo meus gritos.

- Já chega, Cullen. – ela ordenou.

- Eu que o diga! – sem pensar muito, peguei a Glock que Isabella tinha me dado e apontei na direção de Elizabeth, que me olhou em pânico – Já chega! Você não merece viver.

- Cullen. Abaixa. A. Porra. Dessa. Arma. – Isabella disse, tentando conter sua irritação.

Eu não conseguia pensar, minha mão tremia na arma.

- Edward, por favor, eu sou sua mãe...

- CALA A PORRA DA SUA BOCA! – gritei.

- Cullen, abaixe essa merda de arma. – Isabella mandou.

- Não. Eu não vou obedecer mais porra de ordem nenhuma! Cansei! Eu vou matar essa desgraçada e vai ser agora.

Isabella então entrou na minha frente e, me desafiando, disse:

- Você vai ter que passar por cima de mim primeiro Cullen.

Notas finais
Recado da Ju:
Gente, que capítulo! Até agora estou sem fôlego! Tivemos uma quase declaração de amor do Edward, minha nossa, como o Jasper é um empata foda kkkk.
Enfim... Poupando vocês do meu comentário... Será que o Edward vai ser capaz de matar a Elizabeth e desafiar a Isabella desse jeito? E essa "relação" repentina entre a Swan e a Elizabeth? Humm, não sei, mas estou louca para descobrir.
Beijos, pessoas, até o próximo capítulo ; )
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Recado da Su:
Ei galera... eu queria agradecer a todos pelos comentários... apesar de não conseguir responde-los, eu os leio com todo carinho!!!
Muito obrigada pelo carinho com a minha filhota!!!
Espero que tenham gostado do cap... e dessa vez nem demorou muito ne????
bjos a todos e até a prox...