Cosa Nostra
31 2ª Temporada - Capitulo 2: Eu e os "boinas verdes"
Notas iniciais
Tenho recadinhos no final...
Bjosssss e boa leitura!!!!
– Merda. – ela praguejou baixo.
E, de repente, antes que eu perguntasse o que estava acontecendo, ela acelerou o carro e entrou bruscamente em uma entrada a direita, saindo da estrada principal.
– O que aconteceu? – eu perguntei.
Ela estava com os olhos fixos no retrovisor. Dirigindo, ela abriu o porta luvas, pegou uma arma e me deu.
– O que está acontecendo? – eu insisti.
– Tem alguém nos seguindo. – ela disse pegando a sua arma em sua cintura.
– Calma Isabella. — eu falei olhando para trás e vi um carro de passeio preto colado no nosso — Não temos certeza disso. Pode ser apenas alguém passeando.
Isabella desviou o olhar da estrada e me deu um olhar rápido, mas mortal, silenciosamente me chamando de idiota.
– Você realmente acha que eu não sei distinguir quando alguém está me seguindo, Cullen? — ela perguntou sem paciência, olhando para o retrovisor.
Eu suspirei alto. É... ela tinha razão.
Novamente eu olhei para o carro atrás do nosso. Como era noite, eu não conseguia ver quem estava dentro, mas com certeza era alguém nos seguindo. O idiota só não sabia ser discreto. Só faltava uma placa luminosa dizendo “estou te seguindo”.
– Caralho... — eu resmunguei — O que nós vamos fazer agora?
– Simples. – ela disse sem tirar os olhos do retrovisor – Saía do carro assim que eu parar e atire. — ela mandou – E use a porta como proteção.
Eu assenti, engatilhando minha arma. Isabella também engatilhou sua arma rapidamente.
– Preparado? — ela perguntou.
– Sempre — eu falei.
– Então, se segure. — ela disse.
No mesmo instante, ela acelerou o carro ainda mais, chegando a quase 200 km por hora, e eu segurei no banco com a minha mão livre.
Segundos depois, ela puxou o freio de mão e virando o volante, dando um cavalo de pau.
O pneu cantou alto, em um barulho quase ensurdecedor. O nosso carro virou 180 graus, ficando de frente para o carro que nos seguia.
O carro preto freou bruscamente, parando centímetros do nosso.
A iluminação da estrada era precária e era a luz dos faróis que praticamente iluminava os carros, o que dificultava ainda mais as coisas.
Eu olhei para Isabella e ela assentiu. Era hora do show.
Imediatamente, eu e Isabella abrimos nossas respectivas portas e começamos a atirar contra o carro preto. Nós dois usávamos as portas do nosso carro como proteção.
Alguns segundos depois, eu percebi que quem estava nos seguindo não estava atirando de volta, o que era muito estranho.
Por dentro do carro, que estava com as portas totalmente abertas, eu olhei para Isabella e franzi a testa, sem saber o que estava acontecendo.
Em resposta, ela deu os ombros, também sem saber o porquê o carro não revidava.
Caralho... será que era um carro de passeio mesmo?
Ela fez um sinal com a cabeça na direção do carro estranho e eu apenas assenti.
Lentamente e em total alerta, nós nos aproximamos do carro ainda com as armas apontadas para ele.
Isabella passou na frente do carro, chegando ao meu lado.
Bem de perto, vi que tinha um homem que usava um boné com a cabeça apoiada no volante. Então, Isabella abriu a porta do carro e tirou o homem, o jogando no chão com violência.
Eu apontava minha arma para ele, esperando o momento de atirar, caso fosse preciso. Ele caiu de barriga para baixo e gemeu de dor, se virando em seguida.
E então, eu pude ver quem era. Puta que pariu!
Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo. Pelo visto, Isabella também não. Ela estava praticamente boquiaberta, olhando confusa para ele.
– Porra, Mike! O que você está fazendo nos seguindo caralho? – eu perguntei.
Ele apenas gemeu de dor mais uma vez. Ele tinha um corte na testa e na boca, que sangravam um pouco.
Eu travei minha arma, colocando-a dentro da calça e dei a mão para ajudá-lo a se levantar. Ele aceitou minha ajuda e se levantou.
Em seguida, ele olhou para o seu carro que estava cheio de marca de tiro.
– Caralho... minha mãe vai me matar. – ele choramingou passando a mão pelo corte na testa – Ela não sabe que eu peguei o carro dela emprestado.
– Mas que merda você está fazendo aqui Mike? – eu perguntei.
Ele olhou para mim e depois para Isabella.
– Mike? – eu o chamei, esperando uma resposta dele.
– É que... é... ontem... na base, eu escutei uma conversa entre a General e o Coronel Hale. – ele disse e baixou a cabeça, igual a uma criança que tinha sido pego fazendo alguma arte – Eles falavam que iam te pegar, porque sabiam onde você estava.
Ele parou de falar e me olhou.
– E... – eu insisti para ele continuar.
– Então – ele continuou e baixou a cabeça novamente – depois que fui liberado, fiquei parado na frente do prédio da General, esperando que ela fosse ao seu encontro. Eu pensei que você poderia precisar de ajuda.
Eu fiquei alguns segundos tentando assimilar o que ele me dizia. Como assim ele iria me ajudar?
– Caralho Mike... você... você não devia... eu... eu não sou... – eu tentava falar alguma coisa, mas não conseguia.
Porra... como eu falava para ele que eu era a merda de um traidor? Que eu tinha o enganado por anos?
Ele levantou a cabeça me olhando.
– Eu sei quem você é. – ele falou dando os ombros – Você é o assassino da Cruz.
Eu arregalei os olhos, surpreso por ele saber quem eu era.
– Você sabia? – eu perguntei.
– Eu meio que descobri depois que você fugiu. Eu sabia que alguma coisa estava errada e decidi mexer nas suas coisas. E descobri o fundo falso em seu armário – ele contou – E depois que eu ouvi a conversa entre a General e o Coronel, eu tive minha confirmação.
– E mesmo assim você ia ajudá-lo, Newton? – Isabella perguntou com tom de reprovação, falando pela primeira vez.
Mike ficou completamente sem graça e baixou a cabeça mais uma vez.
– É. Sabe como é... ele é meu amigo.... – ele se justificou colocando as mãos no bolso – Mas eu apenas ia ajudá-lo a sair do país.
– Apenas ajudá-lo a sair do país? – Isabella perguntou e depois resmungou –Era só o que me faltava...
Nós três ficamos em silêncio por alguns segundos até que o celular da Isabella tocou. Ela o pegou no bolso traseiro da sua calça jeans e o atendeu.
– Já estamos a caminho. Houve um pequeno contratempo. – ela disse olhando feio para o Mike – Mas já foi resolvido.
A pessoa do outro lado da linha disse alguma coisa.
– Certo. Chegaremos em 1 hora. – ela disse e desligou o celular.
Ela olhou para mim e depois para o Mike.
– Vamos embora daqui. – ela disse – Cullen, você vai com o Newton.
– Eu vou com vocês? – Mike perguntou animado.
– Já que você está aqui mesmo. – ela disse sem vontade – Agora você pode me seguir à vontade, Primeiro Tenente. – ela completou sarcasticamente.
Mike deu um sorriso vitorioso e ela revirou os olhos e me olhou depois.
– A arma. – ela disse para mim, com a mão estendida em minha direção.
– O que? – eu perguntei.
– A arma que eu te dei. – ela repetiu ainda com a mão estendida.
Eu a tirei da cintura e a entreguei.
– Melhor assim. – ela disse e se virou indo para o seu carro.
Eu e Mike nos entreolhamos e entramos no carro dele.
– Então, pronto para me contar tudo? – Mike me perguntou enquanto ligava o carro.
Eu assenti e suspirei. Então, comecei a contar toda a minha história. Mike nunca me interrompia, apenas prestava atenção em tudo que eu falava.
Eu falei sobre Don e Elizabeth. Sobre meus pais. Sobre Tanya. Sobre o sequestro dos meus pais e sobre a ajuda de Isabella.
– Caralho... – ele falou sem tirar os olhos do carro de Isabella, que estava sempre à frente do nosso – Eu nem sei o que falar, cara.
– Eu sei. – eu falei – Foi mal por ter te enganado.
– Sem problemas. – ele disse tranquilamente.
– Você não ficou nem um pouco chateado? – eu perguntei, o olhando.
– Um pouco... mas só no início. – ele me respondeu – Mas não importa quem você seja, você é meu amigo, certo?
– Certo. – eu respondi dando um meio sorriso.
Ele também sorriu.
Eu olhei para frente e vi que Isabella entrou em uma estrada de terra e nós a seguimos.
– Para onde estamos indo? – Mike perguntou.
– Eu não sei. – eu respondi dando os ombros.
– Como assim você não sabe? – ele perguntou me olhando rapidamente.
– Isabella não me falou para onde estamos indo. – eu disse dando os ombros, como se aquilo não me incomodasse. Mas na verdade, me incomodava para caralho. Eu só não queria dar o braço a torcer.
– E se ela estiver preparando uma armadilha para você? – ele perguntou.
Eu pensei um pouco naquela hipótese.
– Não cara. Ela sabia de todos os meus passos. Se ela quisesse, já teria me prendido desde o início. – eu falei – E mais. Que outra opção eu tenho? Se eu quiser salvar meus pais, eu tenho que confiar nela.
Mike assentiu e o assunto morreu.
A estrada de terra nos levou até uma espécie de casa de campo. Era uma casa de dois andares. O redor era todo gramado e cheio de flores. Ela ficava em cima de uma curta subida.
Isabella parou o carro em frente à casa e desceu do carro. Mike estacionou o carro atrás dela e nós dois saímos do carro, indo em sua direção.
Ela não disse nada e apenas foi em direção à casa. Sem termos outra opção, eu e Mike a seguimos até a casa.
Ela abriu a porta e entrou. Eu e Mike nos olhamos e fizemos o mesmo.
Ela foi andando pelo hall até chegar a uma sala. Chegando até lá, eu parei sem saber o que fazer.
Eu estava fudido. Só podia.
No sofá à minha frente, estavam sentados Emmett e Rose. Eles estavam abraçados carinhosamente enquanto assistiam a um filme na televisão.
No sofá ao lado, estavam Alice e Jasper. Jasper estava com a perna e o braço enfaixados e Alice lia um livro enquanto fazia carinho nele.
Assim que entramos na sala, todos me olharam. O clima era o pior possível. Todos estavam visivelmente tensos e sem saber o que fazer ou o que falar.
De todos, o olhar de raiva de Jasper era o pior. Ele me olhava como se quisesse me matar. É... minha situação com certeza não era uma das melhores não...
– O que ele está fazendo aqui? – Jasper perguntou, ou melhor, rosnou, olhando para Isabella.
Isabella olhou para Mike e depois para Jasper.
– Ele descobriu o que estava acontecendo e me seguiu até o meio do caminho. – Isabella explicou e logo olhou para a Major Brandon – Alice, conseguiu o que eu te pedi?
– Sim. Já está tudo pronto. – Alice respondeu sem desviar o olhar de mim.
Ela não me olhava com raiva, mas não parecia estar muito confortável com a minha presença.
– Ótimo. Quero saber o que vocês conseguiram até agora. – Isabella falou indo para uma porta.
Alice e Emmett se levantaram e foram até outra sala com Isabella, ficando apenas Jasper, Rose, eu e Mika na sala. Todos em completo silêncio.
– Tem um quarto separado para você, Edward. – Rose falou quebrando o silêncio desconfortável e levantando-se do sofá – Nós não sabíamos que você viria também, Mike, mas eu já arrumo um para você também. – ela falou para o Mike.
Mike sorriu e ela também.
– Vamos? – ela perguntou apontando para uma escada.
Eu e Mike assentimos e nós três subimos para o segundo andar. Rose entrou em um quarto no fundo do corredor.
– Mike, você ficará neste quarto. – ela disse – Tem roupas do Jasper no armário. Tome um banho e desça para comer alguma coisa. Eu sei que a viagem foi bem desgastante.
– Obrigado, Tenente. – Mike respondeu.
Ela sorriu.
– Apenas Rose. – ela disse – Afinal, não estamos na base, não é mesmo?
Ele sorriu e assentiu.
– Fique à vontade e tome um banho que depois eu cuido dos seus machucados. – ela falou já saindo do quarto – Agora eu vou mostrar o quarto a Edward.
Eu saí do quarto e a segui. Ela foi para um quarto no inicio do corredor.
– Este será o seu quarto. – ela falou – Espero que goste. Pode tomar banho, se quiser. Eu coloquei algumas roupas do Emmett no armário. Eu acho que vai servir.
– O quarto é lindo. – eu menti, porque eu sequer tinha olhado o quarto direito. Apenas tinha visto uma cama e uma escrivaninha – Obrigado por tudo, Rose.
Ela se sentou na cama e suspirou, me olhando com certa tristeza.
– Eu não esperava isso de você. – ela disse decepcionada – Não esse tipo de traição.
Eu me sentei ao seu lado, calado, porque eu não sabia o que dizer.
– Isabella sempre disse que tinha algo errado com você, mas nós nunca demos importância para o que ela falava. – ela disse olhando para chão e dando uma risada triste – Estávamos preocupados demais em jogá-la na sua cama. Se eu imaginasse...
– A culpa não foi sua. – eu falei com a consciência doendo ainda mais pelos meus atos – Vocês não tinham como saber.
– Mas agora não importa mais, não é mesmo? – ela perguntou presa em seus pensamentos.
– Não, não importa. – eu concordei e ela me olhou – Eu já fodi com tudo e Isabella já me odeia.
Eu passei a mão pelo meu cabelo nervosamente e suspirei alto. Merda de vida! Eu sabia que não ia acabar bem... mas não esperava que acabasse tão mal.
– Não... ela não te odeia. – Rose disse baixinho.
Antes que eu perguntasse qualquer coisa, ela se levantou.
– Obrigada por não ter nos matado. – ela agradeceu dando um meio sorriso – Eu sei que você poderia ter feito. Mas não fez. Matou Tanya, ao invés disso.
Sem me deixar falar novamente, ela se virou e foi em direção à porta. Quando ela saiu do quarto, ela se virou de frente para mim e sorriu. Dessa vez, sorriu de verdade.
– O quarto dela é na frente do seu. Aproveite. – ela disse dando uma piscada e fechando a porta do meu quarto.
Eu sabia que ela estava falando de Isabella, mas não sabia o porquê ela estava me falando isso. Se eu entrasse no quarto dela, era bem capaz de ela me matar de uma vez por todas.
Eu decidi não pensar nisso, pelo menos não por enquanto. Afinal, meus pais eram a minha prioridade. E eu tinha que salvá-los, custe o que custasse.
Eu tirei a roupa e entrei no banheiro. No box, liguei o chuveiro e deixei a água quente cair pelo meu corpo.
Tomei meu banho e saí do banheiro com a toalha enrolada na minha cintura. Nesse momento, a porta se abriu bruscamente. Era Isabella.
Ela não falou nada e eu também não. Apenas ficamos olhando um para o outro. Ela também tinha tomado banho e estava com os cabelos molhados. Ela vestia uma calça jeans e uma camiseta preta.
Ela parecia cansada. Tinha olheiras enormes e estava pálida. Antes que eu falasse alguma coisa, ela limpou a garganta e disse, se justificando por ter entrado no meu quarto:
– Eu bati, mas você não respondeu, então...
– Não tem problema. – eu a respondi.
– Estamos todos lá embaixo, apenas esperando você. – ela falou.
– Ok. Vou colocar uma roupa e já desço. – eu a respondi.
Ela assentiu e me encarou por mais alguns segundos, como se quisesse dizer algo, mas sua expressão era a pior possível. Seus olhos pareciam frios como sempre, mas eu já a conhecia o suficiente para saber que era apenas uma máscara vazia que ela sempre usava para esconder suas emoções.
Olhei para o chão, tomando coragem para falar alguma coisa, mas rapidamente voltei a encará-la.
– Isabella, eu...
– Não! Nós já temos problemas suficientes. – disse ela, apática, totalmente distante.
Sem me olhar nos olhos, ela saiu e fechou a porta novamente.
Eu me joguei na cama e fiquei olhando para o teto. Merda, o que eu faço para essa mulher me ouvir pelo menos por um segundo?
Mas não adiantava ficar pensando nisso. Não agora.
Então, eu me levantei e fui até o armário. Vesti uma calça jeans e uma camisa preta, depois eu desci e encontrei todos sentados em volta da mesa. Todos pareciam ter tomado banho e Mike estava com curativos nos machucados.
Na mesa, havia várias fotos de James e dos meus pais. Eu me sentei ao lado de Isabella, pois era o único lugar livre.
– Podemos começar. – Isabella falou e todos assentiram.
– Carlisle e Esme Cullen. Desaparecidos há sete horas. – Alice falou mostrando fotos dos meus pais – Sabemos apenas que eles foram sequestrados pela Cosa Nostra.
– Temos alguma evidência para nos ajudar? – Jasper perguntou.
– Somente a ligação de Esme para Edward às oito a noite. – Alice respondeu e ligou o gravador.
– Edward?
A voz da minha mãe ecoou pela sala. E de repente, tudo que eu senti quando ela me ligou veio à tona novamente. Eu fechei os olhos tentando me controlar.
– Mãe? O que está acontecendo?
Minha voz nitidamente indicava preocupação.
– Tem uns homens aqui em casa. Eles pegaram seu pai e estão atrás de mim... meu filho, nos ajude pelo amor de Deus.
– Onde você está?
– Trancada no banheiro do meu quarto.
A voz dela agora não passava de um murmuro.
– Mãe, faça exatamente como eu mandar, ok?
A gravação ficou em silêncio por alguns segundos.
– Mãe?
– Eu vo... vou fazer... po... pode falar...
– Vá para baixo da sua cama. Agora, mãe! Vai!
Escutei alguns barulhos de passos e algumas batidas.
– Pronto.
– Mãe, eu quero que você fique calma, ok?
– Ok.
– Eu preciso que você fique calma porque vai dar tudo certo... mas eles vão te pegar. Fique calma, mãe, por favor. Eu preciso que quando eles te pegarem, você deixe o telefone no chão e grite para mim como eles são. Tatuagens, cicatrizes, cor de cabelo, cor dos olhos. Eu preciso que você o descreva para mim com o máximo de detalhes possível.
– Edward...
– Mãe, está tudo bem. Eu vou atrás de vocês. Nada vai acontecer... nem com você nem com meu pai. Eu te prometo.
De repente, escutamos um barulho de arrombamento e um grito de pavor da minha mãe.
– Meu Deus, Edward, me ajuda! Eles estão arrombando a porta.
– Mãe, eu preciso que você os descreva para mim. Eu te amo! Nada vai acontecer com você ou com meu pai. Confie em mim.
– Eu confio.
Mais barulhos de arrombamento e outro grito da minha mãe. Senti um mal estar e percebi que tinha prendido minha respiração.
– Loiro, rabo de cavalo, cicatriz, rosto, esquerdo, tatuagem, CN, ombro.
A voz da minha mãe estava longe, mas era audível.
A gravação acabou e Alice desligou o gravador.
– A descrição é a de James. Um cappo da Cosa Nostra. Já foi preso duas vezes, mas apenas por bater em algumas prostitutas. – Alice continuou.
– Certo. Então temos nosso suspeito. – Isabella falou – O que sabemos sobre o paradeiro de James?
– Sabemos que James não foi visto desde ontem. – Emmett falou.
– E a última vez que ele foi visto? – Isabella perguntou.
– Ele estava com uma prostituta chamada Victória. – Alice falou nos entregando a foto de uma mulher ruiva.
Pela pouca roupa e pelas tatuagens, com certeza era uma das putas da Cosa Nostra.
– Podemos procurá-la para verificar se ela não sabe de nada. – Rose falou.
– Não. Primeiramente, temos que ir até à casa dos pais de Edward. – Isabella falou – E só depois procurar pela Victória.
– Podemos nos dividir. – Jasper falou – É mais rápido e, pelo jeito, não temos tempo a perder.
– Você não vai, Jazz. – Isabella disse – Você está machucado demais para ir a algum lugar.
– Eu não sou um inválido. – ele contestou.
– Mas pode nos atrasar. – ela retrucou.
Jasper resmungou alguma coisa, mas aceitou os argumentos de Isabella.
– A ideia de Jasper é excelente. Podemos nos separar e coletar mais informações – Emmett argumentou – Nós sabemos que depois de 72 horas será praticamente impossível encontrá-los.
– Mike e Alice. – Isabella disse – Vão atrás da Victória. Quero que vocês tirem informações dela. Por bem ou por mal.
Os dois assentiram.
– Edward, Emmett e Rose, nós vamos à casa dos Cullen. – Isabella continuou.
Emmett, Rose, Alice e Isabella se levantaram da mesa.
– Agora? – Perguntou Mike confuso – Nós vamos agora?
– Não. Que tal semana que vem? – Alice perguntou sarcasticamente.
– Mas está de madrugada. – Mike falou.
– Com medinho, Newton? – Emmett zoou.
– É claro que não! – disse todo valente.
– Chega dessa palhaçada, vamos logo! – o comando da General foi incisivo.
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Estava um clima tenso no carro, enquanto nos movíamos e eu já estava nervoso pra caralho de imaginar onde meus pais poderiam estar.
A voz da minha mãe na gravação só piorou o meu estado já caótico. Problemas demais na cabeça nos fazem ter vontade de explodir, mas nem isso eu podia me dar ao luxo neste momento.
Isabella estacionou o carro da porta da casa dos meus pais. Do lado de fora, ninguém podia imaginar o que tinha acontecido.
Eu abri o portão e entramos na casa. Quando chegamos na sala, eu simplesmente parei. Estava tudo bagunçado. Sinais de luta em todos os lugares. Vasos quebrados. Moveis revirados. Quadros no chão.
Eu sabia que meu pai não seria pego sem reagir para tentar proteger minha mãe.
Isabella agachou no meio da sala e pegou duas cápsulas de bala. Eu ainda estava parado olhando para aquela zona toda.
– Cullen, ou você nos ajuda, ou saia daqui. – Isabella disse sem sequer me olhar.
Ela então se virou e foi para o segundo andar. Rose foi atrás dela.
– Lembre-se que nós ainda não sabemos o que aconteceu aqui, Edward. – Emmett falou solidário.
– Como não? Olha só para o estado dessa sala... – eu disse.
– Acho que Bella tem razão. Você só vai nos atrapalhar, cara. Espere por nós no carro. – Emmett falou.
– Não... eu não vou atrapalhar. – eu balbuciei.
– Então me ajuda a vasculhar toda sala para ver se não achamos algo de útil. – ele disse.
– Ok. – eu respondi automaticamente.
– Então, procura do lado esquerdo que eu procuro do direito. – ele sugeriu.
Eu assenti e comecei a procurar por alguma coisa. Eu olhava atentamente pelo chão, esperando encontrar alguma pista.
– Edward, olha só o que achei. – Emmett chamou minha atenção.
Ele estava com a câmera do meu pai em mãos.
– Acho que seu pai gravou alguma coisa. – ele disse.
Eu me aproximei dele ansioso, mas também com medo de saber o que meu pai tinha gravado.
Emmett ligou a câmera e a primeira imagem que apareceu foi parte do chão, os pés da poltrona e as pernas da minha mãe, que vestia uma calça jeans.
– Porcaria de câmera. – a voz do meu pai soou levemente irritada.
Ele tinha problemas com tecnologia, como ele mesmo dizia.
– A luzinha vermelha está acessa querido. – minha mãe disse tranquilamente, mas com tom de divertimento na voz – Acho que a câmera já está ligada.
A câmera focalizou a minha mãe, que sorriu docemente, como sempre.
– Consegui fazer a câmera funcionar! – meu pai falou satisfeito – Agora, querida, pode falar o quanto você me ama.
Minha mãe deu uma gargalhada.
– Convencido. – ela disse ainda rindo.
– Convencido não. Apenas realista. – meu pai a respondeu alegre.
De repente, um barulho alto assustou meu pai e minha mãe, que gritou. Imediatamente o alarme da casa começou a tocar incessantemente.
Então, a imagem sumiu por alguns segundos e a que apareceu logo em seguida estava toda tremida, como se quem a segurasse estivesse em pânico ou em fuga. As imagens passavam rápido demais para vermos qualquer coisa nitidamente.
Havia uma respiração ofegante e de repente a imagem desceu bruscamente. Estava claro que meu pai tinha deixado a câmera cair.
Agora a câmera gravava somente o chão, mas o áudio ainda era claro.
– Quem é você? – a voz do meu pai era autoritária, mas eu pude reconhecer o tom de surpresa com um misto de medo junto.
Eu ouvi sons de objetos sendo lançados no chão e dois tiros ecoaram por toda sala. Escutei gemidos agoniados, provavelmente do meu pai, e, como eu havia previsto, barulho de luta.
O agressor não dizia nada, obviamente treinado para não ser reconhecido. Era foda reconhecer, mas a Cosa Nostra os treinava muito bem.
– É dinheiro que você quer?! – o rosto do meu pai apareceu na câmera, deitado para o chão, coberto de sangue e inchaço. Sua voz era de puro desespero.
Meu estômago embrulhou e eu me senti pior do que na noite do “tratamento de choque” que os boinas verdes deram a Royce.
Um som alto de chute foi ouvido em seguida e meu pai soltou um gemido de dor, depois tossiu e cuspiu sangue.
Nesse instante a imagem foi cortada.
Mal percebi que minhas mãos estavam em punhos e que novamente eu havia prendido minha respiração.
– James deve ter chutado a câmera e ela desligou. Estava debaixo do sofá quando eu encontrei. – Emmett disse de repente.
– Desgraçado filho da puta. – meus olhos estavam injetados e as imagens não saiam da minha mente.
– O que aconteceu? – Isabella disse entrando na sala de repente.
– Encontramos uma pequena gravação, mas temos que analisar as imagens na sede. – Emmett a informou.
– Deixe-me ver. – disse ela, autoritária.
Puta merda, ver essa porra de novo não ia rolar. Ela se aproximou de nós e eu me sentei no sofá e fechei os olhos tentando até não ouvir mais uma vez a merda da gravação.
Emmet começou a passar a gravação novamente. Eu abri meus olhos e fiquei observando as feições da Isabella. No meio da gravação, ela fez uma careta.
– Espera um pouco, volte uns segundos. – ela ordenou.
Emmett cumpriu sua ordem e logo a General estava próxima à escada com um tubo de luz negra. Eu a segui, curioso para saber o que ela havia descoberto.
– Sangue. – disse ela e gritou por Rose, enquanto colhia uma amostra na parede.
– Você acha mesmo que isso vai ajudar? – eu a perguntei.
– Você tem ideia melhor? Ou encontrou alguma coisa que preste nesse tempo produtivo em que você não fez nada? – ela cuspiu as palavras rispidamente.
Reprimi minha raiva e fiquei quieto, apenas a observando.
– Tem mais sangue no andar de cima. – disse Rosalie ao descer. – Pode ser da senhora Cullen, porque está bem visível. – ela olhou para mim como se lamentasse ter de dizer isso.
– Ok, vamos levar o que temos de volta para a casa. Está claro que isso vai dar mais trabalho do que eu pensei. – Isabella disse revirando os olhos.
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A volta foi tão tensa quanto a ida. O silencio era mortal, mas eu sentia os olhares de pena de Rose e Emmett em mim.
Depois que voltamos para a nova “base”, Isabella bateu a porta do carro e andou rápido para dentro da casa. Eu apenas segui com Emmett e Rose. Jasper continuava no sofá e me lançou outro olhar mortal.
Porra, eu já estava farto de olhares assassinos para o meu lado.
Sustentei seu olhar pelo tempo todo em que subia as escadas. Entrei e bati a porta do meu quarto, frustrado por não conseguir quase nada.
Tentei dormir, mas as imagens que vi, os sons, tudo relacionado aos meus pais, assombrava minha mente e eu só tinha um pensamento na cabeça: vingança.
Rose ainda bateu algumas vezes na minha porta, me chamando para comer alguma coisa, mas eu apenas a ignorei. E, depois de um tempo, ela desistiu.
Depois de horas sem conseguir dormir, resolvi descer para comer alguma coisa. Meu estômago doía por não ter nada dentro, enquanto meu nervosismo excessivo o queimava.
O dia já estava amanhecendo, mas a casa estava em silencio. Pelo visto, todos estavam dormindo.
Somente quando cheguei à cozinha, eu percebi que não estava sozinho. Isabella estava sentada na pia, tomando um copo de leite.
Ela usava apenas um blusão branco com as escritas “I Love NY”. As pernas nuas balançavam para frente e para trás.
– Eu não sabia que estava aqui. – eu falei quando percebi que ela me encarava.
– Sem sono. – ela me respondeu com má vontade dando um gole no leite.
– Então somos dois. – eu disse.
Sem saber o que fazer, eu abri a geladeira e peguei alguns ingredientes. Tentei fazer um sanduíche, enquanto ela terminava seu leite, só como uma desculpa para ficarmos no mesmo ambiente.
Eu precisava falar com ela. Tentar pelo menos fazer com que ela acreditasse que eu me arrependi da traição. Fazê-la entender que há tempos o que tínhamos não fazia parte do plano, porque a porra do plano do Don tinha se perdido no meio daquilo tudo.
Ela soltou uma respiração forte e colocou o copo na cuba da pia.
– Isabella, eu queria falar com você...
– Nós não temos nada para conversar, Cullen. – ela me cortou bruscamente e desceu da bancada.
Ela passou por mim, para sair da cozinha, mas eu a segurei pelo braço.
– Porra, só por um minuto. – pedi.
– Não. Eu já disse que não temos nada pra falar.
– Escuta. – meu aperto em seu braço aumentou e ela me olhava com ódio, mas tinha outra coisa em seu olhar que eu não pude identificar. – Eu sei que você me odeia, mas você tem que confiar em mim.
– Não me venha com essa merda... – Isabella deu um puxão para se soltar, mas eu a detive, segurando-a com mais força.
– O que a gente... tinha... não... não fazia parte do plano. – eu tentei explicar.
Ela me olhou incrédula
– Vai se foder, Cullen. Nós não tínhamos nada. – ela cuspiu – Eu só usei você. Agora, Me. Solta. – ela puxou seu braço e me empurrou com violência contra a pia.
– Isabella... – tentei falar.
– Alguma coisa errada, Bella? – Jasper entrou na cozinha me interrompendo, visivelmente irritado.
Mas que porra!
– Não, não há nada errado. Eu só preciso dormir um pouco. – ela disse se desvencilhando de mim, mas alguma coisa mudou em seu tom de voz... seria tristeza?
Mas aquele momento não durou nada, pois ela me encarou com raiva, compondo sua expressão fria de sempre, enquanto saía da cozinha.
Virei-me para a pia, irritado. Não! Ela não tinha me usado, isso era o caralho de uma mentira dela para se esconder.
– Cullen. – Jasper me chamou me tirando dos meus devaneios.
– O que você quer? – eu me virei para encará-lo.
– Fique longe dela. – falou friamente – Você já a machucou demais.
– Eu...
– Eu não quero saber dos seus motivos. Não quero saber da merda da sua história. – ele me interrompeu com ódio – Mas fique longe da Bella. Ou eu vou esquecer o que você já fez por nós.
Ele se virou e saiu da cozinha, me deixando sozinho com os meus pensamentos.
– Merda! – bati o punho no balcão.
As coisas pareciam cada vez mais difíceis para mim. O sequestro dos meus pais, que me tirava o sono, a situação com o Don e a Cosa Nostra, o ódio de traição da Isabella e agora a porra das ameaças do Jasper.
Isso tinha como piorar?
Ouvi uma batida alta de porta no andar de cima.
Se dependesse da Isabella com certeza piorariam.
Notas finais
Esse capitulo não teria sido postado hoje se não fosse pela super ajuda de maravilhosa Ju (Gohans2Videl)... ela vai me ajudar daqui pra frente, pq eu ando muito sem tempo.
Ela é uma das minhas autoras favoritas e CN vai ser muito melhor agora com suas ideias brilhantes...
Ela deixou um recadinho pra vcs... ok?
Bjos
SuCullen
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Oi, pessoas, tudo bem??
A Su estava procurando quem ajudasse com a nossa CN, então eu me ofereci e aqui estou.
Essa foi minha primeira participação e eu espero que vocês gostem do capítulo, que eu particularmente AMEI.
As coisas estão meio tensas para o lado do Edward, como será que ele vai sair desses problemas todos?
Beijos. Até a próxima =D
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