Cosa Nostra

44 2ª Temporada - Capítulo 15: Prisão feita


Eu seguia os dois oficiais do exército pelo corredor escuro e estreito. O chão de cimento era velho e imundo. O cheiro de mofo era forte e a umidade tornava difícil respirar normalmente.

Ao passar pelas celas pequenas e lotadas, os presos gritavam a plenos pulmões palavrões e ofensas, me impedindo de pensar em tudo que havia acontecido sexta-feira à noite. Minha cabeça latejava e parecia que ia explodir a qualquer momento, meu estômago embrulhava e parecia que a qualquer momento eu ia vomitar.

Meus movimentos eram todos automáticos, como se eu tivesse apertado o botão “play”. Eu andava lentamente atrás dos oficias. Pé ante pé, com as mãos no bolso e a cabeça baixa. Se eles paravam, eu parava. Se eles andavam, eu andava. Se eles viravam, eu virava. Sinceramente, desde que entrei no presidio, não tive mais ideia para onde estava indo, apenas sabia que eu entrava cada vez mais para dentro do enorme complexo de prédios que abrigavam os mais perigosos dos Estados Unidos.

Eu sentia Isabella atrás de mim. Seu olhar parecia queimar em minhas costas. Eu sabia que ela queria conversar comigo sobre o que tinha acontecido, mas eu estava a evitando. Eu sabia disso e ela também, não que ela estivesse gostando de ser ignorada, mas era o melhor que eu podia fazer enquanto eu não colocasse minha cabeça no lugar.

Enquanto andávamos pelo corredor, os gritos dos presos ficavam cada vez mais distantes e eu sabia que estávamos nos afastando das celas feitas para os presos comuns.

Os oficias pararam em frente à uma porta e eu também parei. Ela foi rapidamente aberta e nós continuamos em um corredor ainda mais estreito, mais escuro e mais fétido.

Agora somente o barulho dos coturnos sob o chão frio ecoava pelo corredor. Os oficiais pararam em frente a uma porta no final do corredor, me fazendo parar também mais uma vez.

Eu levantei a cabeça e vi os dois oficiais olhando para Isabella, esperando uma ordem dela.

Eu respirei fundo e a encarei também, afinal, eu não podia fugir para sempre. Ela já estava olhando para mim. Meus olhos automaticamente se conectaram aos delas. Ela me encarava sem sequer piscar. Seus olhos castanhos sempre misteriosos hoje estavam apreensivos.

— Eu assumo daqui, senhores. – ela dispensou os dois oficiais sem tirar os olhos de mim.

Eles assentiram e um deles entregou a chave da cela para Isabella. Ela apenas pegou a chave ainda me encarando e os dispensou novamente com um gesto impaciente com a mão.

Os dois prestaram continência e saíram pelo corredor.

Eu e Isabella ficamos parados em frente a porta da cela, apenas olhando um para o outro... até que eu baixei meu olhar para o chão.

- Não. Não faça isso. – ela disse em uma ordem. Sua voz era firme, quase com raiva – Não desvie o seu olhar do meu.

Eu levantei novamente a cabeça e a olhei.

- Eu fiz o que achei que fosse certo. – ela disse.

Eu fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Ela me deu um olhar magoado pelo meu silêncio, que logo foi substituído pela sua arrogância natural.

- Eu sou a porra da General do exército. Sou a líder da equipe alfa das Forças Especiais. – ela falou aumentando seu tom de voz. – Eu fiz o que eu achava que era certo.

Eu resmunguei algo que nem eu mesmo entendi. Eu não queria ter essa conversa com ela. Não aqui. Não agora.

- Merda Edward! – ela esbravejou, fechando as mãos em punho – Isso não é hora para ter crise de consciência, caralho.

Ela respirou fundo e fechou os olhos, nitidamente tentando se acalmar. Ela então abriu os olhos e me olhou, dizendo:

- Eu protejo os meus. Você melhor do que ninguém deveria saber disso.

Mais uma vez eu não a respondi. O silêncio incômodo durou apenas alguns segundos, porque rapidamente ela passou por mim, esbarrando rudemente em meu ombro e colocou a chave na fechadura. Ela me olhou uma última vez e abriu a porta.

— Eu estarei por aqui, se você precisar. – ela me avisou.

- Não. – eu neguei rapidamente. – Eu preciso fazer isso sozinho.

Ela assentiu sem dizer nada, mas eu conseguia ver que ela estava puta comigo. Ela destrancou a porta e a abriu.

- Você tem cinco minutos, Edward. Nem um segundo a mais. – Isabella disse rispidamente.

Eu assenti e dei dois passos, entrando na cela. Imediatamente senti a porta sendo trancada atrás de mim. Corri o olhar pela cela. Era escura e suja. A cama de alvenaria estava arrumada com um lençol que há muito tempo atrás deveria ter sido branco.

Eu respirei fundo e o cheiro forte de mofo me atingiu. Esse lugar era péssimo. Um verdadeiro inferno. Aposto que todos achavam que era digno no terrível Assassino da Cruz.

— O que você está fazendo aqui? – a voz surpresa de Elizabeth ecoou pela cela.

- Vim ver com meus próprios olhos o grande Assassino da Cruz preso. – falei sarcasticamente.

Elizabeth abaixou o livro que estava lendo sentada na cama e se levantou, vindo em minha direção. Fechei os olhos por alguns instantes. Eu ainda tinha as imagens de ontem à noite na minha mente.

Flashback On (Sexta-feira)

- Sentem-se. – o General Uley ordenou e todos fizeram – A General Swan me chamou para dar uma informação. Eu quero saber o que é de tão importante para me fazer viajar até Nova Iorque.

Isabella se levantou com toda aquela pose de general e correu os olhos por todos os presentes, parando alguns segundos em mim. Ela deixou Jasper para o final. Ela o encarou e ele assentiu disfarçadamente.

– General, eu gostaria de informar-lhes que descobrimos quem é o Assassino da Cruz. – Isabella afirmou.

Eu fiquei tenso. Apenas aguardando a hora de me entregar e acabar com isso de uma vez por todas.

– Vocês o que? – o General perguntou surpreso.

- Nós descobrimos a identidade do Assassino da Cruz. – ela repetiu.

– E quem é o desgraçado? – o General perguntou.

Isabella fechou os olhos e soltando um suspiro cansado e olhou para mim. Jasper se levantou e saiu da sala.

Em alguns segundos mais tarde, ele retornou trazendo Elizabeth. Ela estava algemada com os braços para trás e mantinha a cabeça baixa. Ela usava um uniforme prisional vermelho. Ela estava pálida e com os olhos fundos.

- Elizabeth Masen. – Isabella disse.

Elizabeth? O que Elizabeth estava fazendo ali? Ela não tinha fugido? Eu ainda estava tentando entender o que estava acontecendo quando a voz de Isabella me trouxe à realidade.

- Aqui está o depoimento dela com detalhes únicos sobre quase todos os assassinatos. – Isabella entregou uma pasta para o General Uley, me olhou rapidamente e continuou a falar – Elizabeth Mansen não era apenas a consegliere da Organização, mas também era o Assassino da Cruz.

O General Uley ficou calado, encarando Isabella com a boca aberta e os olhos arregalados. Com certeza por essa, ele não esperava. Na verdade, nem eu.

Depois disso, tudo passou por mim como um borrão.

O General Uley fez questão de que Isabella lesse o depoimento de Elizabeth em voz alta. E lá estava. Todos os meus crimes. Todos os detalhes, todos os motivos e todas as ordens de Don.

Eu ouvia a voz de Isabella descrevendo todos os meus crimes e só então caiu a ficha de que eu não iria preso. Era meu depoimento. Minha confissão, mas quem pagaria por tudo seria Elizabeth.

Assim que Isabella acabou de ler a “minha” confissão, o silêncio se fez.

- Você confirma a declaração que a General Swan acabou de ler? – o General Uley perguntou à Elizabeth.

Ela assentiu afirmativamente com a cabeça, ainda olhando para o chão.

- Você confirma a declaração? – o General Uley repetiu com a voz seca e ríspida.

Elizabeth levantou a cabeça e correu os olhos pela sala até encontrar com os meus. Ela me encarou por alguns poucos segundos e depois encarou o General Uley.

- Eu confirmo. – ela disse em alto e bom tom.

Eu tinha quase certeza que era impressão minha, mas parecia que ela tinha orgulho de confirmar que ela era o Assassino da Cruz.

- Levem-na. – o General Uley ordenou.

Ela foi arrastada para fora da sala e o General Uley e os oficiais Ateara e Clearwater começaram a comemorar, ignorando o clima tenso que tinha se instaurado na sala.

Assim que fomos liberados, eu praticamente saí correndo da sede das Forças Especiais. Eu ouvi os gritos de Isabella chamando por mim, que logo foram substituídos pelo toque do meu celular.

Assim que coloquei o pé na rua, senti a ar frio da noite de Nova Iorque. Me coloquei a andar pelas ruas movimentadas sem direção.

Eu parei em frente a um bar qualquer e entrei. Assim que eu me sentei no balcão meu celular tocou mais uma vez. Eu o peguei e fiquei olhando para o nome de Isabella na tela.

Eu ignorei a chamada e desliguei o celular, o jogando no balcão do bar.

- Whisky. Puro. – eu falei para o barman, que se aproximava me olhando com certa curiosidade, provavelmente por causa do meu uniforme.

- Noite difícil companheiro? – o barman perguntou enquanto colocava o copo de whisky na minha frente e o enchia com o liquido dourado.

- Vida difícil. – eu respondi com um resmungo e bebi o whisky de uma vez só.

Senti a bebida descendo quente pela minha garganta. Coloquei o copo no balcão.

- Outra. – ordenei e ele o fez. E de novo. E de novo...

Eu tinha acabado de beber mais uma dose de uísque quando uma loira com muito peito e pouca roupa se sentou ao meu lado.

- Oi garotão. Me paga uma bebida?

Eu a olhei e ela deu um sorriso malicioso. Eu corri meu olho pelo seu corpo e ela se inclinou em minha direção me dando um melhor acesso ao seu generoso decote.

- E então, garotão? – ela perguntou passando a língua lentamente pelos lábios vermelhos.

Eu me virei para o barman.

- Mais uma. – pedi.

Ele encheu meu copo e eu o levei a minha boca. Antes de o copo chegar a minha boca, eu senti uma mão passar pelo meu braço, me impedindo de beber.

- Você tem cinco segundos para me soltar. – eu falei com a voz arrastada, mas ainda firme.

A loira riu, como se eu tivesse contado a piada mais divertida do mundo, mas não me soltou. Eu coloquei o copo ainda cheio no balcão.

- Meu nome é Cindy. E o seu garotão? – a loira insistiu e eu a ignorei.

Quem sabe assim ela ia embora? Mas não. A loira apenas riu.

- Sabia que eu adoro garotos difíceis? – ela disse passando a mão por todo meu braço.

Eu a olhei novamente e coloquei minha mão direita em cima da dela. Ela sorriu e mordeu os lábios tão igual e tão diferente de Isabella.

- E eu detesto mulheres fáceis. – respondi e apertei sua mão com força, mas nada que a machucaria muito – Saia daqui antes que eu perca minha paciência.

Os olhos dela se arregalaram de surpresa e logo ela gritou, tirando sua mão do meu aperto e começou a fazer um escândalo, gritando que eu era um idiota, filha da puta.... E eu só queria beber e esquecer da vida.

- O que esta acontecendo aqui? – perguntou um loiro com a camisa branca apertada mostrando os músculos perguntou.

- Ele me chamou de fácil e me bateu. – a loira disse fingindo que estava chorando.

Eu bufei diante a mentira e o loiro metido a forte me encarou com raiva.

- Você bateu na minha irmãzinha? – ele me perguntou.

Eu olhei a loira da cabeça aos pés.

- Ela não me parece ser “zinha” em nada. – eu falei – E não. Eu não bati nela.

- Qual é o seu problema? – ela perguntou.

- Não é nada pessoal, mas eu não gosto de vagabunda. – eu falei.

O loiro avançou em minha direção e me agarrou pela gola do meu uniforme.

- Você acha que só porque é do exercito pode falar assim com a minha irmãzinha? – ele perguntou me olhando nos olhos.

- Eu vou falar a mesma coisa que falei para a sua “irmãzinha”, mas espero que você seja mais inteligente que ela e me obedeça. – eu falei sem fazer menção de me soltar – Você tem cinco segundos para me soltar.

- E se eu não obedecer? – ele perguntou dando um sorriso vitorioso.

- Eu vou acabar com você. – eu respondi.

- Vai mesmo? – ele me desafiou e olhou para trás.

Imediatamente mais três caras metidos a malhados igual a ele se aproximaram me encarando.

- Bem... pelo visto eu não vou acabar você. – eu falei e o cara deu uma risada sarcástica.

- Pelo visto você não é tão bom assim, soldadinho.

Eu o ignorei e continuei a falar.

- Eu vou acabar com todos vocês. – falei e antes que ele tivesse qualquer reação, eu me soltei com um movimento rápido e dei um soco no idiota.

Os gritos começaram no mesmo instante que os outros três babacas avançavam em mim.

Eu peguei o banco que eu estava sentado antes e a quebrei na cabeça de um deles. O outro me acertou um soco, mas eu revidei, lhe dando um soco no estômago e um chute no joelho. Ele caiu e eu me voltei para o terceiro, que me olhava na dúvida se me atacava ou corria.

Eu dei um pulo na direção dele.

- Buh!!!! – gritei e ele saiu correndo para bem longe de mim.

Eu ri e me virei apenas para tomar outro soco no rosto do loiro. Caralho. Eu parti para cima dele. Nós dois caímos no chão e continuamos a nos socar.

O bar agora tinha virado um ringue. Todo mundo batendo e apanhando. Até que a sirene tocou alto e todos pararam. Eu me levantei do chão e vi os policiais entrando no bar. O primeiro policial que eu vi foi o tal de Capitão Jackson, amigo da Isabella. Oh merda. Agora sim eu estava fodido.

...

Eu não sabia quanto tempo eu estava sentado no chão da cela da delegacia olhando para o teto. Eu havia ficado sozinho na cela enquanto os três babacas do bar ficaram na outra.

A porta se abriu e eu ouvi passos. Olhei para o corredor e vi o Capitão Jackson com Isabella. Eles pararam em frente a minha cela e eu me levantei do chão e me aproximei deles.

Isabella estava séria e não tinha me olhado ainda. O Capitão abriu a cela.

- Você está liberado Edward. – ele anunciou.

Eu saí da cela e os babacas do bar começaram a protestar. “Por que ele pode sair?” “Isso não é justo!”... blábláblá...

- Cala a boca ou eu vou jogar a chave da cela de vocês fora. – o Capitão Jackson rosnou e os idiotas calaram a boca.

O Capitão seguiu para longe das celas. Eu e Isabella ficamos para trás, mas começamos a segui-lo para fora daquele lugar.

- Isabella... – eu falei e segurei gentilmente seu braço.

- Aqui não. – ela me cortou secamente, se desvencilhando de mim.

Nós fomos até a recepção da delegacia. Enquanto o cabo me entregava os meus pertences, Isabella conversava baixo e perto demais com o Capitão Jackson.

Então ela sorriu para ele e colocou a mão no ombro dele.

Eu coloquei minha carteira no bolso, peguei o saco com meu uniforme e fui na direção dos dois. Assim que eu cheguei, eles pararam de conversar e Isabella fechou a cara.

- Obrigada por tudo, Bill. – Isabella falou me ignorando – Estou te devendo uma.

- Você sabe como me pagar. – ele disse sorrindo.

Imediatamente, eu passei o braço pela cintura dela. Ela ficou nitidamente tensa, mas pelo menos não me afastou.

- Eu te ligo semana que vem. – ela falou.

- Eu espero. – ele respondeu e me olhou – E vê se não se mete mais em problemas, Capitão Cullen.

Eu dei um sorriso forçado e o agradeci por não ter me fichado. Eu e Isabella saímos da delegacia e entramos no carro dela.

- Isabella...

- Que merda você estava pensando, Edward? Brigar em um bar? – ela gritava enquanto acelerava tanto o carro, que até cantou pneu.

- Eu não estava pensando. Na verdade, eu estava com a cabeça cheia de merda e você sabe muito bem o porquê. – me defendi.

- Ah! E isso te dá o direito de ser um idiota. – ela retrucou ironicamente.

Ela fez uma curva em alta velocidade e meu estômago embrulhou.

- Porra! – resmunguei – Não dá pra ir mais devagar não, caralho?

- Não. – ela respondeu pisando ainda mais fundo no acelerador.

Por ser madrugada, as ruas estavam vazias, o que facilitava Isabella dirigir em alta velocidade.

Depois disso, ficamos em silêncio. Eu fechei os olhos e tentei manter todo aquele whisky dentro do meu estômago.

Assim que chegamos à garagem do apartamento, ela desceu do carro, sem esperar por mim.Eu a segui e entramos no elevador ainda em silêncio.

- Seu imbecil! – ela gritou assim que entramos em casa – O que te deu para agir como um idiota? Você podia ter arruinado com o nosso plano!

- Nosso plano? Nosso plano? – eu gritei de volta – Pelo que eu saiba, eu nunca fiquei sabendo de nada sobre esse plano!

- Você não aceitaria se soubesse! – ela retrucou.

- Claro que eu não aceitaria!!! – eu passei as mãos pelos meus cabelos nervosamente – O que você fez foi absurdo! Como você pôde se colocar na mão de Elizabeth? Eu não acredito que você seja tão burra assim em confiar naquela mulher!

- Burra é a puta que te pariu, seu desgraçado! Eu só estava livrando a sua barra!

- Eu não te pedi para fazer nada disso, Isabella! Você não devia se meter onde não era chamada! Isso não era assunto seu!

- Não era assunto meu? – ela berrou – Claro que era assunto meu! Nós estamos juntos! Juntos, Edward! Você sabe o que isso significa?

- Mas ainda sim não significa que você tem o direito de se intrometer na minha vida desse jeito.

Ela deu uma risada sarcástica, mas que no fundo tinha um tom magoado.

- Não se preocupe, Cullen. A partir de agora, eu não vou mais intrometer na sua vida. Faça o que você quiser com os seus problemas!

Quando eu abri a boca para me desculpar, ela deu meia volta e saiu de casa, batendo a porta do apartamento.

Caralho!!! Eu não tive nem tempo de correr atrás dela, porque tive que correr para o banheiro e vomitar tudo o que eu tinha bebido.

Depois de alguns bons minutos ajoelhado em frente ao vaso sanitário, eu consegui parar de vomitar e fui tomar um banho quente e escovar os dentes.

Exausto, deitei na cama apenas usando uma cueca boxer preta. Peguei meu celular e liguei para Isabella, mas ela não me atendeu.

Eu fechei os olhos e simplesmente apaguei.

...

- Acorda! – a voz de Isabella retumbou dentro da minha cabeça, que latejou, fazendo meu estômago embrulhar na mesma hora.

Eu abri os olhos e logo fechei, por causa da claridade.

- Abra os olhos, Cullen. – Isabella ordenou.

Ainda de olhos fechados, eu me sentei na cama e só então abri meus olhos devagar para me acostumar com a claridade. Isabella estava parada na minha frente, usando o uniforme dos Boinas Verdes.

- Você tem cinco minutos para ficar pronto. – ela disse já saindo do quarto – Estou te esperando na sala.

Eu nem a questionei. Minha cabeça latejava demais e eu decidi que era melhor só obedecer. Eu definitivamente não estava no clima de mais um briga.

Coloquei uma calça jeans e uma blusa preta dos Boinas Verdes. Eu não sabia onde estávamos indo, mas certamente não precisava de uma roupa especial ou Isabella teria me dito.

Fui ao banheiro, escovei os dentes e passei uma água pelo rosto e cabelos.

Na sala, Isabella me aguardava em pé. Ela segurava dois copos grandes e pelo cheiro era café. O cheiro me deu água na boca, mas meu estômago não parecia concordar muito.

Ela me entregou um copo e eu o peguei. Dei um gole e imediatamente fiz uma careta.

- Essa porra está sem açúcar. – eu reclamei.

- É bom para ressaca. – ela disse e abriu a porta do apartamento, fazendo um gesto com a cabeça para que eu a seguisse.

Assim que entramos no carro, ela assumiu o volante.

- Para onde estamos indo? – perguntei ao sairmos da garagem.

- Ver Elizabeth.

Flashback Off

Abri os meus olhos e vi Elizabeth com os olhos fechados e algumas lágrimas correndo pelo seu rosto. Ela não era mais a mulher bonita e bem vestida que me encontrou no parque quando eu tinha 13 anos. Ela parecia velha e cansada, muito cansada.

- Por quê? – perguntei.

Ela abriu os olhos e respirou fundo, em um suspiro esgotado.

- Querido... se você soubesse o quanto eu me arrependo de ter aberto mão de você quando ainda era um bebê. Você é meu filho e eu jamais deveria ter te abandonado... independente dos argumentos de Don. Seu lugar era ao meu lado. Eu gosto de acreditar que teríamos sido felizes juntos... – ela disse com um sorriso melancólico sem responder minha pergunta.

Percebi quanto aquela fala de Elizabeth havia mexido comigo e eu me recusei a sentir pena ou qualquer sentimento por ela. Ela não merecia. Não merecia.

- Isabella te obrigou a fazer isso? – minha voz era ríspida e dura.

- Não. – ela respondeu sem hesitar – A ideia foi totalmente minha. Quando eu fui capturada por vocês, eu fiquei à sós com ela e então fiz a proposta: ela não me mataria e eu assumiria todos os seus crimes.

- Isso é loucura! – eu exclamei.

Mas ela continuou, me ignorando:

- Eu gostaria de voltar o tempo e fazer as escolhas certas... mas infelizmente eu não posso. Então, pense nessa “loucura” como um presente meu para você. – ela me olhou com carinho e sorriu – Eu estou lhe dando a chance de ter uma nova vida. Uma vida honesta. Sem segredos. Sem crimes... ao lado da mulher que ama. Aproveite.

- Eu... eu não sei... – balbuciei, balançado pela confissão dela.

- No passado, eu não fiz por você o que deveria ter feito e levarei essa culpa para o resto da minha vida. Mas agora eu tenho a oportunidade de te ajudar. De ser uma mãe de verdade... por favor, não tire isso de mim. Eu perdi meu filho, perdi meu marido. Te dar uma nova vida é a única coisa que ainda me resta. – ela pediu com sinceridade.

Eu me sentei na cama dura e coloquei o rosto entre as minhas mãos. Senti Elizabeth se sentar ao meu lado e passar a mão pelas minhas costas, carinhosamente.

- Qual é o problema, querido? – ela me perguntou.

- Nenhum. – respondi imediatamente.

Ela sorriu obviamente sem acreditar na minha resposta.

- Vamos tentar novamente. – ela falou como uma verdadeira mãe – Qual é o problema de verdade Edward?

- Eu não sei como eu posso fazer isso. – falei desabafando – Não sei como posso continuar com Isabella depois de tudo isso.

- Tudo que ela fez foi pensando em você, Edward. – Elizabeth disse claramente defendendo Isabella.

Eu me sentia como estivesse numa merda de um mundo paralelo... só assim para conseguir acreditar que Isabella e Elizabeth não eram mais inimigas mortais, mas parceiras.

Eu balancei a cabeça negativamente.

- Não é por ela. Nunca seria por causa dela. Eu sei que ela fez tudo isso por mim e isso só me faz amá-la mais. – eu falei me levantando e andando para um lado e para o outro da minúscula cela – Só que ela não poderia ter se arriscado tanto só por minha causa. Você sabe o que aconteceria se alguém descobrisse o que ela fez? Ela fraudou documento oficial, mentiu para seu superior... Ela cometeu mais crimes que eu em toda a minha vida.... e por alguém como eu.

- Alguém como você? – ela também se levantou e parou na minha frente, me obrigando a encará-la – Deixe-me te falar uma coisa, Edward. Você é um homem maravilhoso. Um filho carinhoso e atencioso. Um oficial competente e dedicado.

- E um criminoso com a mira perfeita. – completei sarcasticamente.

- Se você não deixar seu passado para trás, ele ficará sempre entre você e Isabella. – Elizabeth falou.

Uma forte batida na porta soou. Os cinco minutos tinham passado.

- Eu acho que é isso então. – falei deixando as palavras de Elizabeth fazerem efeito.

- Posso te pedir uma única coisa? – Elizabeth pediu com receio.

- O que? – perguntei desconfiado.

- Me dá um abraço... filho?

Eu hesitei por alguns segundos, mas depois me aproximei lentamente dela. Ela levantou os braços e os passou em volta de mim. Eu a abracei meio sem jeito e ela se agarrou a mim com força, como se precisasse disso para viver.

- Obrigado. – eu agradeci.

Ela negou com a cabeça.

- Obrigada você querido... e nunca se esqueça: eu te amo.

Eu sorri sem graça. Eu não amava Elizabeth e não podia retribuir suas palavras. Na verdade, eu não sabia mais nem o que eu estava sentindo.

Eu me afastei dela e bati na porta, pedindo para sair. Imediatamente a porta se abriu e eu saí, sem olhar para trás.

O oficial olhou para Elizabeth dentro da cela e fechou a porta, a trancando. O outro oficial nos esperava no corredor.

- Que ela morra o mais rápido possível, não? – o idiota número um comentou comigo enquanto andávamos pelo corredor, quebrando o silêncio.

- Morrer? – perguntei.

- Por tudo que ela já fez, com certeza será condenada a pena de morte. – ele respondeu – E já vai tarde, se me você me perguntar.

- Menos um maldito bandido no mundo. – o idiota número dois falou.

Eu fechei minhas mãos em punho, mas ignorei os idiotas.

Elizabeth ia morrer? Eu não tinha pensado nisso... se fosse eu, eu iria ser condenado ao corredor da morte? Caralho... um calafrio ruim passou por mim.

- Cadê a General Swan? – perguntei ao chegarmos à sala dos oficiais tentando não pensar mais no assunto “morte”

- Ela já foi embora, Capitão. Mas ela deixou um recado para você. – o idiota número um me respondeu prontamente, me entregando um papel dobrado.

Fui para casa. A chave do carro está na ignição. I. Swan.

Eu despedi dos idiotas, que prestaram continência para mim, e fui para a casa. O caminho de casa nunca foi tão longo. Acho que peguei todos os sinais vermelhos.

Assim que entrei em casa, vi Isabella sentada à mesa, limpando sua pistola, como se nada tivesse acontecido. Ela já não usava seu uniforme, mas uma calça jeans e uma blusa branca.

- Oi. – eu falei meio sem graça.

Ela deixou a arma em cima da mesa e se levantou. Ela me olhava com cautela. Ela andava devagar em minha direção, e sua postura me lembrava da forma que os policiais se aproximavam das vítimas traumatizadas.

E eu me odiei por isso. Ela abriu a boca, mas eu a impedi. Nós não precisávamos de palavras... ainda não.

- Não fale nada. – falei rispidamente.

Ela apertou os olhos em minha direção e a vi respirar fundo para não me mandar ir à merda.

Antes que ela tivesse qualquer outra reação, eu dei um passo largo e a agarrei, a puxando contra meu corpo.

Eu ataquei sua boca. Minha língua deslizou em seus lábios lentamente e depois forcei minha passagem explorando sua boca. Céus... ela tinha um gosto delicioso.

Ela não me retribuía. Ainda estava hesitante.

Eu capturei sua língua, chupando enquanto minhas mãos passavam pelo seu corpo, a apertando contra mim com força até que ela gemeu e se rendeu... finalmente.

Eu a beijava como se não tivesse feito isso há anos... décadas. Ela se mexeu contra mim, fazendo com que seu abdômen pressionasse mais a minha dolorosa ereção.

Sem parar de nos beijar, fomos andando, ou melhor, tropeçando pelo apartamento a fora, em direção ao quarto, enquanto tirávamos desajeitadamente as nossas roupas pelo caminho.

Nos joguei na cama e só então paramos de nos beijar. Eu estava deitado em cima dela. Ela me olhava com olhos gulosos, sua respiração descompassada.

Caralho... eu a amava tanto.

- Te amo. – as palavras saíram da minha boca sem autorização.

Ela deu um sorriso e eu capturei seus lábios mais uma vez e a penetrei de uma vez.

...

Eu caí exausto na cama e puxei Isabella para ficar em cima de mim. Ficamos em silêncio por um bom tempo, apenas curtindo um ao outro.

- Eu fiquei confuso. – falei olhando para o teto – Ver Elizabeth entrando naquela sala e assumindo todos os meus... erros. Foi confuso para porra e eu precisava de um tempo sozinho para me situar.

- Eu entendo. – ela respondeu e eu a olhei.

- E fiquei com medo por você. O tanto que você se arriscou por mim. – completei e sorri para ela, que me retribuiu o sorriso – Eu sou um idiota. – eu afirmei.

- Sim, você é. – ela disse sorrindo – Mas é meu idiota.

E então, ela me puxou para mais um beijo.

Notas finais
Recado da Ju:

NOSSA, só eu achei que o Edward tava sendo preso? Fiquei tensa, ai a coisa tomou outra dimensão de repente. Sei lá, fiquei com dó da Elizabeth... me julguem.
Esse Edward, sempre aprontando todas... Pobre Swan, vai ter que buscar muito esse homem no bar KKKKKKKKKKKKKK brincadeira.
Mas agora que tá tudo em paz, tudo na maior delícia do sorvete de baunilha o que vai acontecer com o nosso casal boina verde?
Fiquem ligados nos próximos capítulos.
Beijoss

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Recado da Su:

Oi galera... desculpa a demora, mas finalmente postei!!!! Eu fiz e refiz esse capítulo algumas várias vezes, e, por isso, essa grande demora. O cap não tinha ficado do jeito que eu queria e eu jamais postaria qualquer coisa apenas para postar rápido.

Espero que vocês tenham gostado! Elizabeth conseguiu se redimir ne????

Eu queria agradecer muito à:
Patricia Cullen, PimentaCullen, raylokka, Liz Marie, NINHA, Jaiza Nunes, Redhead winchester e Jéssica Coelho

Eu amei as recomendações!!!! Obrigada pelas palavras lindas e carinhosas para com a minha história.... =)

Voltarei em breve... prometo!
Bjos