Cosa Nostra
42 2ª Temporada - Capítulo 13: Hospital
Notas iniciais
Então ele me olhou sério e perguntou.
– Podemos conversar lá fora, Cullen?
Eu não estava gostando do rumo dessa conversa. Afinal, por mais que eu quisesse, eu não podia esquecer quem eu era.
Eu assenti e me levantei da cadeira. Dei um beijo rápido na testa de Isabella e sussurrei um “volto logo”.
Saímos da sala e paramos no corredor. Eu cruzei os braços e o encarei com a cabeça erguida.
– O que você quer Jasper?
Um silêncio estranho se fez no corredor. Eu estava apreensivo. Com medo, na verdade. Medo de Jasper me prender justamente agora que Isabella precisava de cuidado.
Como para mim, o ataque sempre era sempre a melhor defesa, então perguntei mais uma vez.
- O que você quer?
Jasper me deu uma olhar raivoso e deu dois passos na minha direção, olhando fixamente para os meus olhos.
- Em primeiro lugar, preste atenção no modo de falar comigo, Cullen. Eu não sou Isabella para aceitar esse seu jeito arrogante e desrespeitoso. – ele disse de um jeito arrogante que me lembrava Isabella e toda sua pose “sou foda”.
Eu respirei fundo apertei com força meus braços contra meu peito para não quebrar a cara desse idiota. Sério... qual era o problema dele? Eu abri a boca para mandá-lo ir à merda, mas ele continuou antes que eu pudesse retrucar.
- Com Isabella impossibilitada de exercer suas funções de General, eu estou te comunicando oficialmente que, a partir deste momento, estou assumindo o comando do grupo alfa das Forças Especiais, capitão Cullen. – falou sem titubear.
Eu não sabia onde ele queria chegar com esse teatrinho de “‘capitão Cullen”, mas achei melhor cooperar para evitar mais problemas para o meu lado.
- Sim, senhor. – eu o respondi colocando as mãos no bolso da minha calça.
Eu tinha que manter minhas mãos ocupadas ou eu realmente ia quebrar a cara dele.
- Ótimo. A primeira coisa que preciso é de um relatório seu detalhando o que aconteceu depois que vocês jogaram o carro de Don para fora da estrada. O comunicador falhou e eu preciso de seu relatório. Newton já esta fazendo o dele. – ele disse sem emoção.
Isabella botava muito mais moral que ele como líder, mas, para falar a verdade, ele também parecia se dar bem nessa posição. Com certeza não era a toa que ele era o segundo em comando.
- Eu farei. – respondi.
- O mais rápido possível, Capitão Cullen, e sem muitos detalhes. – ele disse e eu o olhei confuso – Preciso apenas do básico para apresentar para Washington. Eu tenho que enviar os relatórios para o General Uley amanhã, inclusive sobre a morte de Don.
- Sim, senhor.
- E eu não quero um relatório em que Elizabeth mate Don. – ele me advertiu.
- Mas...
- Mas nada! – me cortou um tanto sem paciência – Diga apenas que você ou Isabella matou o desgraçado e pronto.
- E Elizabeth?
Ele hesitou por alguns segundos.
- Não se preocupe, Capitão. Elizabeth é um problema meu. – afirmou ele, por fim.
- Ela esteve aqui. – eu contei.
Eu tinha quase certeza que estava acontecendo alguma coisa com Elizabeth que eu não estava sabendo, então achei melhor contar para ele.
- Aqui? No hospital? – perguntou surpreso. Com certeza por essa ele não esperava.
- Sim, no hospital. Para ser mais específico, no quarto. Eu estava dormindo e acordei com ela do meu lado. Eu ainda estava com a agulha no braço então não consegui pegá-la. – falei.
Ele assentiu.
- Não tem problema, Cullen. Como eu disse, ela é um problema meu agora. – ele me respondeu meio a contra gosto.
- E eu Jasper? Eu também sou um problema seu agora? – perguntei o encarando sério.
Mais uma vez ele me encarou por alguns segundos e depois respirou fundo.
- É mais complicado que isso. – ele me respondeu, finalmente – Bem mais complicado.
- Para mim é bem simples. Eu sei que eu vou preso, Jasper. – afirmei.
- Você merece ser preso. – disse convicto – Ou você pensou que mataria meio mundo e nada aconteceria?
- Eu sei que eu mereço ir para a prisão. – respondi com sinceridade – E eu mesmo confessarei todos os meus crimes. Eu já tinha falado isso para Isabella...
Eu respirei fundo e passei a mão nervosamente pelo meu cabelo, sentindo as palavras engasgarem na minha garganta.
- ...mas me deixe apenas cuidar dela... só até ela melhorar. E depois, eu faço o que você quiser. Faço tudo que você quiser. – falei com a voz embargada.
Era difícil para mim. Era difícil ter que praticamente implorar para ele algum tempo a mais com Isabella. Era difícil ver Isabella tão indefesa em uma cama de hospital. Era difícil ter que pensar que eu e Isabella não ficaríamos juntos.
Então ele perdeu toda a atitude de Boina Verde e me encarou pela primeira vez desde toda a confusão sem máscara ou pose.
- Eu sei que fui um idiota nesses últimos dias. – ele falou com a voz baixa – E eu queria me desculpar por isso.
Eu o olhei surpreso. Ele realmente estava me pedindo desculpas? Ele me encarava como se esperasse uma resposta. Eu ainda não acreditava no que estava escutando, mas eu sabia que ele não ia repetir seu pedido de desculpa.
- Está tudo bem. – eu falei meio desconfiado.
Nós dois ficamos em silêncio. Eu não sabia o que estava se passando pela cabeça dele. Na verdade, eu estava completamente sem entender o que estava acontecendo.
- Uma vez você me disse que Isabella não era uma garotinha indefesa. – ele disse depois de limpar a garganta.
Eu o encarei sem saber onde ele queria chegar. Então, ele continuou:
- Talvez para você ela não seja uma garotinha indefesa mesmo... mas, para mim, ela sempre será aquela menina magrela e frágil, chorando no canto do quarto toda machucada e suja de sangue depois de apanhar do pai. – ele disse preso em pensamentos visivelmente nada agradáveis.
Eu engoli em seco imaginando a cena que Jasper descrevia com tanta intimidade. O que me fazia questionar quantas vezes ele havia a visto daquele jeito. Eu sabia que Isabella apanhava do pai, mas nunca conversamos mais profundamente sobre isso.
- Desde o dia em que ela foi espancada por Charlie por termos rompido o nosso noivado, eu prometi a ela e a mim mesmo que jamais deixaria outra pessoa machucá-la. – ele continuou com a voz embargada – Mas eu não consegui cumprir a minha promessa... porque você entrou na vida dela e simplesmente a quebrou.
Eu abaixei minha cabeça com vergonha, sabendo que eu não tinha como me defender.
- Sabe, desde a morte de Derek ela vestiu uma máscara de durona. Desde o dia que ela o encontrou morto no quarto eu não a vi chorar mais... até anteontem, quando você a expulsou do seu quarto. – fez uma pausa e senti um frio ruim na barriga só de lembrar como eu fui idiota. Então ele continuou – Você não tem ideia de como eu me senti enquanto ela chorava no meu colo por você... E de repente, ela não era mais a general das Forças Especiais que ela tanto fazia questão de ser... de repente, ela era aquela mesma menina frágil chorando no canto do quarto.
Eu ergui minha cabeça e encarei Jasper.
- Eu... eu não quis magoá-la... quer dizer, eu sei que falei merda, mas... – tentei debilmente me explicar – mas eu estava chateado com ela e...
- Eu sei. Ela me contou o que te disse no porão. – ele falou evitando com que eu tivesse que me explicar – Ela estava arrependida e foi ao seu quarto para tentar se desculpar.
Eu engoli seco. Ela tentou se desculpar e eu a tratei como um imbecil. Quando eu ia deixar de ser um babaca?
- Eu não queria... – murmurei deixando a frase morrer.
- Eu sei, Edward. Ela não te culpou por nada... na verdade, ela se culpou por ter sido uma idiota com você. – ele disse condescendente colocando a mão no meu ombro.
- Por que você está sendo legal comigo? – perguntei ainda desconfiado.
Ele deu um meio sorriso.
- Uma das vezes que eu terminei com Alice, Bella me disse que eu era um idiota e que eu deveria implorar para Alice voltar para mim. – ele contou – Eu perguntei o porquê e ela me disse, daquele jeito turrão dela, que era óbvio que eu amava Alice. E quando eu perguntei como ela sabia disso, ela apenas me disse que eu nunca havia olhado para ela ou para qualquer outra mulher do jeito que eu olhava para Alice.
Ele fez uma pausa e me encarou.
- À época, eu não entendi o que ela quis dizer com aquilo. Na verdade, eu não tinha entendido até o dia em que eu a vi olhando para você, Edward. – ele falou.
Eu simplesmente parei de respirar com essa declaração de Jasper. Ela me amava e todos sabiam. Então me peguei sorrindo sem nem perceber.
- Eu também a amo. – eu falei na defensiva.
Eu tinha feito muita merda no passado e, por isso, tinha a necessidade de provar a todos meu amor por ela.
- Eu sei. – ele disse sorrindo fracamente – E o mais importante: ela também sabe. Eu percebi que vocês se acertaram.
- Sim. – eu confirmei e ele sorriu mais.
- Fico feliz por isso.
Eu o olhei duvidando. Estava tudo indo bem demais para ser verdade. Um pedaço de mim ainda esperava pelo momento em que ele sacasse suas algemas e me prendesse.
- Eu fico feliz mesmo. De verdade. – ele disse de um jeito que me pareceu bem sincero.
Eu sorri mais aliviado. Era bom estar bem com todos, inclusive Jasper. Nesse momento, o médico que eu nem lembrava o nome parou perto de nós dois.
- Como está Isabella? – ele perguntou profissionalmente.
- Ainda dormindo. – respondi.
- Vou examiná-la agora. – ele informou já entrando no quarto.
Eu e Jasper o seguimos quase que imediatamente. Quando entramos no quarto, o médico já estava perto da cama, enquanto Isabella ainda dormia.
O médico auscultou seu coração, mediu sua pressão e sua temperatura e fez mais alguns exames que eu não sabia o que eram.
- Então, doutor? – Jasper perguntou ansioso e apreensivo.
- Ela está estável, mas ainda é cedo demais para afirmar qualquer coisa. – ele respondeu.
- Ela já pode ser transferida? – Jasper quis saber.
- Acredito que sim. – o médico respondeu – O diretor do hospital de Nova Iorque já entrou em contato comigo e estamos acertando os últimos detalhes da transferência dela.
Jasper assentiu. O médico se despediu e saiu do quarto.
- Você vai transferi-la? – eu perguntei o óbvio.
- Vai ser melhor para ela. Lá teremos mais recursos. – ele disse e eu concordei – Eu deveria ter te avisado antes, mas estou com muita coisa na cabeça.
- Sem problema. – eu falei.
- Bem, eu acho que você vai querer passar a noite aqui. – ele disse.
Eu apenas assenti com a cabeça.
- Amanhã de manhã eu volto. – ele disse – Mas se precisar de qualquer coisa, me ligue.
- Ok. – eu me espreguicei.
- Vê se descansa, você está um caco. – ele disse.
- E você está lindo. – eu disse com sarcasmo e ele riu divertido.
Ele deu um beijo na testa da Isabella e saiu do quarto, mas logo voltou.
- Ah... ligue para o seu pai. Ele e sua mãe estão preocupados com você. – Jasper falou e foi embora antes que eu pudesse falar qualquer coisa.
Ligar para o meu pai. Eu sabia que era o certo a se fazer, mas eu tinha que comer antes. Na verdade, eu estava fugindo dessa ligação, mas tentei me enganar.
Então eu dei uma ida rápida para a lanchonete só para espairecer um pouco. Tomei uma xícara de café e comi um muffin no refeitório. Minutos depois eu voltei para o quarto mais disposto.
Fiquei olhando Isabella, que ainda dormia, por um longo tempo. Ela se remexia toda hora na cama e eu tive que ajeitá-la algumas vezes para que ela não corresse o risco de perder o cateter em seu braço.
- Nem dormindo você fica quieta... – brinquei, admirando-a dormir.
Mesmo agora com o suposto fim da Cosa Nostra, eu sabia que minha vida não seria fácil e eu não podia me colocar em um final feliz com Isabella, porque eu teria que pagar por todos os meus crimes.
Isabella tinha me pedido para confiar nela, mas por enquanto, com ela fora de combate, eu só podia esperar e rezar para que de alguma maneira eu pudesse ficar junto dela.
Eu sabia que Jasper não seria mais um problema, mas teríamos problemas ainda maiores pela frente.
Eu me sentei na poltrona perto da maca e acabei cochilando. Acordei com um barulho. Olhei para o quarto assustado e vi Isabella sentada na cama, tentando tirar o cateter do braço.
- O que você pensa que está fazendo? – esbravejei.
Ela parou de mexer no cateter e me olhou. Ela ainda estava pálida, mas já não parecia um cadáver, como antes.
- Essa merda está me incomodando. – ela falou com a voz rouca.
Eu me levantei e a peguei a sua mão que teimava em apertar o cateter. Ela bufou, mas não forçou para soltar a mão. Eu a segurei delicadamente pelo ombro e a deitei.
- Acho melhor você ficar quietinha. – falei.
Com certeza ela não estava satisfeita, mas não reclamou. É... ela ainda não estava bem, porque ela nunca me obedeceria sem uma boa discussão.
- Como você está? – ela me perguntou.
- Não era eu que devia te fazer essa pergunta? – devolvi.
Ela revirou os olhos.
- Não é como se eu tivesse morrendo. – ela desdenhou.
- Não... mas você quase morreu. – falei ainda angustiado com tudo que tinha acontecido.
- Exagerado. – murmurou contrariada – E seu pai?
Eu passei a mão pelo meu cabelo e fiquei sem saber o que responder.
- Seu pai, Edward. Como ele está? – ela perguntou de novo meio sem paciência.
- Eu não sei... – respondi.
- Por que você não sabe?
- Porque eu não falei com ele ainda. – eu dei os ombros tentando não dar importância.
Ela me encarou com um olhar assassino.
- “Porque eu não falei com ele ainda” – ela me imitou com desdém – Então pega a porra do telefone e liga para ele. Agora!
- Isabella...
- Agora, Cullen. – ela repetiu a ordem.
Eu respirei fundo e peguei o telefone. Ela me olhava atentamente, me impedindo de dar para trás.
Eu disquei o número da sede, torcendo para estar ocupado. É claro que não estava. No primeiro toque meu coração já batia acelerado.
- Alô. – a voz de Rose soou.
- Rose? É Edward.
- Algum problema com a Bella? – me perguntou preocupada.
- Não. Ela está bem e acordada. – eu a acalmei – Eu queria falar com meu pai.
- Oh! – ela disse surpresa – Eu vou chamá-lo. Espere um pouco.
Ouvi alguns barulhos do outro lado da linha. Meu coração acelerou ainda mais. Eu olhei para Isabella, que me encarava como se estivesse prestes a me bater se eu desligasse o telefone.
Enquanto eu ainda esperava, Isabella bateu com a mão no colchão ao seu lado, indicando que queria que eu me sentasse ao seu lado. Imediatamente me sentei ao seu lado. Era muito confortante saber que ela estava ao meu lado.
- Edward? – a voz grossa e familiar do meu pai soou.
- Oi, pai. – eu falei com a voz baixa.
- Como você está, meu filho? Eu e sua mãe estávamos preocupados com você. – ele disse.
- Eu estou bem pai.... e você? – perguntei hesitante.
- Eu estou ótimo. Pronto para outra. – ele brincou e riu. Naquele momento, eu soube que estávamos bem. Eu também ri escutando minha mãe reclamar ao fundo. – Mas não pense que você irá fugir de uma conversa séria comigo e com sua mãe. – ele disse sério.
Imediatamente eu parei de rir.
- Eu sei pai. Me perdoa... eu não queria que você ou minha mãe se machucassem. – eu falei.
- Eu sei que não era sua intenção filho, mas vamos esperar sua namorada melhorar e depois nós conversaremos.
Namorada? Não sei por que, mas era muito estranho pensar em Isabella como minha namorada. Eu e ela já tínhamos passado por tanta coisa que parecia que estávamos juntos uma vida inteira.
- Tudo bem. – eu falei e escutei minha mãe falar alguma coisa com meu pai.
- Sua mãe está mandando um beijo para você e para Isabella. – ele repassou o recado.
- Ok.
- E filho.... eu te amo.
Eu engoli seco.
- Eu também, pai. – respondi e desliguei o telefone.
Olhei para Isabella que claramente esperava que eu contasse como tinha sido. Eu me ajeitei meio que me deitando ao lado dela na cama e comecei a contar minha conversa com Jasper e depois com meu pai.
Mais tarde, quando Isabella estava dormindo, eu me sentei ao lado da cama e fiz o relatório que Jasper havia pedido.
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No dia seguinte, a transferência de Isabella para Nova Iorque saiu. Ela foi transferida em um helicóptero todo equipado enquanto eu e os outros fomos em um avião particular fretado pelas Forças Especiais.
Só no aeroporto que eu vi meu pai novamente. Realmente ele estava mais magro e os machucados começavam a cicatrizar.
Nós não falamos nada. Ele apenas me abraçou... eu não sei o que deu em mim, mas foi o suficiente para eu chorar como uma criança em seu ombro.
Chorei por ele. Pela minha mãe. Chorei pelas palavras de Don. Por Isabella... por mim. Era tudo tão malditamente confuso e cruel.
Mas meu pai não disse nada. Apenas ficou ali, me abraçando, até eu conseguir me controlar novamente.
No aeroporto em Nova Iorque eu quis ir direto ao hospital, mas minha mãe não deixou. Ela me obrigou a ir para a casa com ela e meu pai e tomar um banho.
Eu não tive escolha a não ser obedecê-la. Eu ainda tentei argumentar, mas me dei por vencido quando Jasper e Alice me comunicaram que ficariam no hospital com Isabella.
Na minha casa, eu tomei um banho quente e me deitei na cama, para cochilar um pouco. Mais uma ordem na minha mãe. Eu nem tentei argumentar dessa vez. Eu estava exausto e precisava estar bem se queria ficar com Isabella no hospital.
Assim que encostei a cabeça no travesseiro, eu apaguei.
Acordei com a voz longínqua da minha mãe em chamando. Abri os olhos com dificuldade por causa da claridade.
- É hora de acordar, meu filho. Você está dormindo a mais de vinte e quatro horas. – ela disse e eu dei um pulo da cama.
- Um dia? Eu dormi um dia? Por que você não me acordou, mãe? Isabella precisa...
- Foi Isabella que proibiu que alguém te acordasse. – minha mãe disse me interrompendo gentilmente.
Eu me sentei na cama esfregando os olhos.
- Eu não queria ter dormido tanto. – reclamei como uma criança.
- Eu sei, mas você precisava. Vá tomar um banho e venha que o almoço está pronto. – ela disse delicadamente e depois saiu do meu quarto.
Tomei um banho rápido, vesti a primeira roupa que encontrei no armário e fui para a cozinha.
Minha mãe tinha colocado a mesa e ela e meu pai estavam sentados esperando por mim. Eu me sentei à mesa e minha mãe começou a me servir.
- Como está, filho? – meu pai perguntou.
- Bem. Só querendo ver Isabella o mais rápido possível. – falei e ele assentiu sorrindo.
Eu praticamente engoli a comida sob os protestos da minha mãe e o olhar carinhoso do meu pai. Então eu fui voando para o hospital.
Eu cheguei ao quarto de Isabella no Hospital de Nova Iorque no momento em que uma enfermeira saia do quarto aos prantos.
Eu entrei em sua frente rapidamente.
- Aconteceu alguma coisa? – eu a perguntei preocupado, a segurando pelos ombros.
Ela apenas negou, mas ela chorava de soluçar e não conseguia falar uma palavra. Desesperado, eu nem esperei mais um segundo e entrei no quarto. Isabella estava sentada de costas para a porta.
- Já falei para você sumir desse quarto ou eu juro que vou te matar e esconder o corpo onde ninguém possa encontrar. – Isabella esbravejou sem sequer se dignar a olhar para a porta.
- Então é assim que você trata as enfermeiras? – eu perguntei e ela se virou me encarando.
- Só as sorridentes demais. – ela retrucou sem nenhuma gota de remorso.
- A coitada saiu chorando daqui. – falei e ela deu os ombros.
Eu me aproximei dela e dei um selinho.
- Acho que nem preciso perguntar como você está? Porque vejo que você já está bem melhor. – eu disse.
- E com fome. – ela resmungou.
Eu olhei para a mesinha no canto e vi uma bandeja com o almoço.
- Quer comer? – perguntei indo em direção à bandeja.
- Não ouse pegar essa porcaria que eles chamam de comida, Edward, ou eu enfio a bandeja no meio do seu...
- Mas você tem que se alimentar. – eu a interrompi.
- Não. – falou simplesmente.
- Isabella, por favor. Você tem que comer. – eu insisti.
- Eu já disse que não, caralho. – ela já estava perdendo a paciência e eu sabia disso.
- Se você não comer, eu vou chamar o médico. – ameacei.
Ela me encarou por alguns segundos e eu realmente não gostei da forma que ela me encarava.
- Eu como se você comer comigo. – ela disse me desafiando.
- Quantos anos você tem por acaso? Nove? – perguntei.
- Então, Cullen? Vai comer comigo ou não? – ela perguntou ignorando a minha pergunta anterior.
Eu tinha acabado de almoçar, mas Isabella tinha que comer, então nem pensei em negar.
- Ok. Eu como. – eu falei e peguei a bandeja, colocando-a na cama.
Isabella me olhava com um sorriso muito estranho no rosto.
- Você primeiro. – ela disse.
Eu tirei o papel que tampava o prato de comida. A comida não parecia estar uma delícia. Na verdade, estava sem cor e sem cheiro. Eu peguei um pouco de comida no garfo e levei a boca. Imediatamente eu cuspi.
- Que merda é essa? – perguntei puto.
Isabella começou a rir. Filha de uma puta.
A comida era horrível para caralho. Eu corri até a mini geladeira e peguei uma garrafa de água e tomei tentando tirar o gosto de merda da boca.
Nesse momento, Jasper e Alice entraram no quarto. Alice tinha um saco de papel marrom na mão.
- Finalmente. – Isabella falou animada.
Jasper riu e Alice entregou o saco para Isabella. Ela abriu o saco e tirou um sanduíche de lá. Ela deu uma mordida com muita vontade.
- Tem certeza que não vai te fazer mal não? – perguntei apreensivo.
Isabella revirou os olhos e continuou comendo o sanduiche como se não houvesse mais comida no mundo.
Depois de Isabella devorar o sanduíche em apenas alguns minutos, Alice a levou até o banheiro.
Eu me sentei na poltrona e Jasper se sentou ao meu lado. Nós ficamos conversando sobre assuntos aleatórios. Desde a nossa conversa, o clima entre nós dois melhorou consideravelmente.
A porta do banheiro se abriu e Isabella saiu de lá amparada por Alice. Eu me levantei e a segurei também.
- Dá para vocês pararem de me tratar como se eu fosse uma inválida? – ela esbravejou.
- Você é uma inválida. – Jasper retrucou.
- Vá à merda. – ela respondeu.
Eu e Alice apenas a ignoramos e a levamos até a cama. Isabella se acomodou na cama. Ela e Jasper trocaram um olhar e um silêncio se instaurou no quarto.
- É melhor eu fazer. – ela disse.
Ele apenas assentiu.
- Vamos, Alice. Já está na nossa hora. – ele chamou sua namorada.
Os dois se despediram de mim e de Isabella e saíram.
- Edward, eu não posso mais enrolar. – ela disse séria e eu senti um frio ruim na barriga. – Eu apenas assenti e me sentei na cama, perto dela, esperando ela continuar a falar. –Eu preciso que você faça uma confissão de todos os seus crimes.
Eu levei alguns segundos para me recuperar. Definitivamente eu não estava esperando por isso.
- Claro. – eu falei sem jeito – Eu te disse que faria e farei Isabella.
- Não podemos esperar mais. – ela disse se justificando.
Mas ela não precisava se justificar. O errado da história era eu.
- Eu farei hoje mesmo. – eu disse tentando demonstrar que eu não estava me importando com seu pedido.
Ela me encarou e eu mudei o assunto antes que ela falasse mais alguma coisa. Nós conversamos por algum tempo sobre meus pais e ela acabou adormecendo.
Eu beijei sua testa e me sentei à mesinha que tinha no quarto do hospital.
Com papel e caneta já em minhas mãos, eu comecei a escrever detalhadamente cada assassinato, cada crime do Assassino da Cruz.
Depois de algum tempo, com pesar, eu percebi que não escrevia uma confissão, mas sim a minha própria história.
Notas finais
Oi pessoas, esse capítulo foi bem tranquilo comparado ao outro, ufa, enfim, graças a Deus que o Jasper não fez nada do que estávamos pensando.
Vixe, mas esse esse relatório que ele quer do Edward. E a Isabella no final falando da confissão... ai ai ai ai ai, isso não me parece muito bom para o nosso Capitão...
Enfim, queria convidar vocês a darem uma olhadinha nas minhas fics lá no blog. Vou deixar o endereço, muito obrigada pelo apoio.
fanficsdagohans2videl.blogspot.com
Beijos, até a próxima!
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Recado da Su:
Em primeiro lugar, obrigada Escritora Fantasma 3 e Loisllene pelas recomendações!!!! Eu adorei!!!!
Espero que vcs tenham gostado do cap! E Jasper? Achyo que agora vcs possam entende-lo um pouquinho melhor...
FELIZ NATAL!!!! E UM EXCELENTE 2013!!!!! Se der, nos veremos antes até do reveillon... queria escrever mais sobre natal e etc, mas to digitando com uma mão só pq minha filhota ta no meu colo querendo brincar com o teclado...
Bjos a todos!!!!!
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