Corvo do concreto (reescrevendo)
6 Bem vinda ao ninho de corvos
Notas iniciais
— Notícias, minna -san! — As portas foram abertas de repente e um som alto de algo colidindo no chão com força ecoou por toda a quadra.
— Sensei! — Sawamura-senpai exclamou.
— Take-chan! — Tanaka-senpai disse , surpreso.
— D-desculpe. — Sensei Takeda levantou, sangue escorrendo do nariz.
— O senhor está bem? — Sawamura-senpai perguntou, se aproximando.
— Uhun. — Acenou como se não fosse nada, um pouco de poeira grudou nos fios castanhos na sua cabeça, seu óculos estava um tanto torto, mas bem. — Consegui agendar um jogo-treino com a escola do ensino médio, Aoba Josai. — Faíscas figurativas saiam do seus olhos chocolates.
— Aoba Josai!? Um dos 4 mais fortes da prefeitura... ! — Alguém comentou.
Ele notou a 'dupla dinâmica' e começou a conversar com eles por um pouco em igual animação por uns momentos, enquanto os murmúrios corriam pelos senpais.
— Seijou é realmente uma escola forte, então como você conseguiu isso, Sensei... ? — Sugawara-senpai questionou.
— Beeem, já que eu fui a vários lugares perguntando diretamente por um amistoso, eu não pensei que iria terminar fazendo esse encontro depois de tudo... — Começou a divagar.
— Não me diga que você implorou novamente... ? — Sawamura-senpai perguntou e eu comecei a me preocupar um pouco .
— Não, não! Implorar é o meu ponto forte, mas não fiz isso dessa vez! — Acenou despreocupadamente.
" Isso é uma ocorrência normal!? "
— Sensei... — Suspirou, preocupado.- " Dessa vez " ele disse... — Ele murmurou.
— É que apenas... tem uma condição para a partida... — Nosso sensei coçou a nuca, em nervosismo e desconcerto.
— Condição? O que é? — Senpai perguntou.
— Kageyama-kun irá ser o levantador durante o jogo inteiro. — Repetiu o recado.
— Que!? — O grito foi grupal.
— Então eles estão dizendo que não tem interesse em Karasuno, mas agora eles querem jogar contra o Kageyama, é isso?- Tanaka perguntou, com o rosto se contorcendo numa careta cada vez mais apavorante. — Que diabo é isso? Estão zombando de nós? Que tal eu zombar deles!? — Gritou, basicamente falando sozinho.
— N-não é isso... -
Interrompendo o sensei, Sugawara-senpai disse que não se importava e que queria ver como os ataques combinados dos novatos funcionavam em uma partida real.
Ele disse que a partida seria na próxima semana.
" Parece que vai ser importante. "
Sorri para mim mesma, enquanto colocava soro fisiológico em uma bolinha de algodão e apressei-me até o professor.
— Sensei. — Estendi o algodão. — Para seu nariz. — Sorri em seguida.
— A-ah! — Ele corou em um rosa quase vermelho. Muito fofo. — O-obrigado. — Pegou a bolinha delicadamente. — Você está interessada em ser assistente de gerente ? — Inclinou-se até mim, com os olhos brilhando por detrás das lentes levemente sujas.
" Me lembra Hinata. "
Concluí, negando levemente
— Otto! Isso mesmo...! — Sawamura-senpai exclamou e sorriu, olhando para Sugawara-senpai e Ennoshita-senpai que devolveram-lhe um aceno com sorriso.
Os três ficaram ombro a ombro na minha frente ( Isso é intimidante: sua mãe ,seu pai e sua avó estão brigando com você. [Sawamura é o pai, Sugawara a mãe e Ennoshita a avó- ele só tem essa vibe sarcastica, com respostas na ponta da língua, extamente como a minha avó.] ), com olhares fortemente determinados.
— Por favor nos ajude! — Gritaram, curvando-se ao mesmo tempo.
Não pude deixar de soltar um grito e saltar um pouco longe dos adolescentes.
Respirando rápido, tentei analisar a informação de jeito lógico.
— Hmm... eu ... — Comecei, suor correndo pelo rosto de repente.
— Por favor!! — Sawamura-senpai gritou novamente, fazendo minha pele saltar.
— E-etto... — Olhei pelo sensei em busca de apoio, mas ele parecia tão surpreso quanto eu estava e deu de ombros levemente. — B-bem... não tenho experiência com isso.... mas, acho que posso ajudar. T-temporariamente. -Tentei ser firme em minhas palavras.
— Arigatogozaimasu!! — Gritaram, levantando com sorrisos radiantes.
" Não dá pra dizer ' não ' pra essas carinhas. " Pensei, quase me sentindo uma mãe no meio daquele acúmulo de testosterona.
Olhei para a menina terceira anista nomeada Shimizu que acelerou o passo e parou ao meu lado, dando tapinhas amigáveis nas minhas costas.
— Agora você é a mamãe corvo. — Comentou e sorriu.
— ... Eh?? Acho?? — Fiz, confusa, mas sorri sem jeito em troca. — B-bem... obrigada por nos conseguir o jogo, sensei. — Sorri timidamente e fiz um leve arco.
Os meninos se aproximaram e curvaram-se profusamente agradecendo-o.
Ri um pouco do rosto corado do sensei, antes de olhar em volta ,apenas para me deparar com Kageyama e Hinata com os rostos muito próximos ao meu, ao ponto de que podia sentir suas respirações oscilantes de emoção e ver meu reflexo em seus olhos.
Engasguei levemente e dei um passo para trás.
— Shi-chan! Agora vamos poder nos ver sempre! E você pode me ensinar aquele saque? Pode? Pode? — Hinata perguntou, emocionado.
Kageyama não disse nada mas, assentiu, parecendo emocionado com os eventos.
— Ohh. — Ouvi Tsukishima rir. — Parece que alguém não tem mais pra onde fugir, né, Mamãe corvo? — Soou, rindo , enquanto eu acabei rosnando, até ter uma ideia.
— Notícia nova para você, Tsukki. — Sorri maliciosamente, ele fez uma careta. — Guarde todas as bolas e limpe cada uma delas. Não queremos que fiquem cheias de suor, certo? — Cantei.
Ouvi-o fazer um som de engasgo e abri os olhos ligeiramente, vendo-o de boca aberta, pronto para dizer algo.
— Você tem qualquer reclamação, Tsu-chan?? — Perguntei em tom baixo, olhando-o com os olhos ligeiramente estreitos e um pequeno sorriso mortal.
O loiro gigante grunhiu, revirando os olhos discretamente, se afastando com passos malcriados ( como se quisesse aniquilar o chão a cada pisada), e começando a catar algumas bolas no chão.
Um silêncio pesado tomou conta da quadra.
Era meio errado usar meu 'aparente' poder assim, mas ele estava merecendo.
— U-uh... está tarde... por favor, vamos iniciar a limpeza.- Pedi suavemente, com o rosto vermelho.
— Hai! — Exclamaram, alguns em entusiasmo, outros apenas em voz neutra.
— Eu... acho que criei uma má impressão... — Olhei para o chão, cabisbaixa.
— Não acho que seja o caso. — Sensei disse, parando ao meu lado. — Eles parecem te respeitar profundamente. Até mesmo o Tsukishima-kun. — Sorriu.
— Hmmm. Desculpe por isso. Nós somos colegas de classe. Nosso... relacionamento. — Cuspi a palavra. — É assim mesmo. — Olhei para o chão em vergonha.
— Mesmo? — Sensei pos a mão no queixo, apoiando um braço no outro.- Que interessante. -Murmurou.
Inclinei a cabeça levemente para o lado, tentando entender seu pensamento.
Decidi não matutar muito aquele evento e observei os meninos na limpeza.
Kageyama e Hinata estavam competindo , enquanto a maioria conversava.
Yamaguchi notou-me e acenou alegremente. Acenei para ele e olhei em volta para seu amigo loiro que estava sentado no chão, calmamente limpando uma bola com um pano.
Revirei os olhos e fui até ele, com os braços cruzados.
— Pelo visto, quer ficar aqui a noite toda não é? — Perguntei.
O menino loiro ollhou-me nos olhos, parecendo cansado, usando uma expressão aborrecida muito fofa. ( Claro que eu nunca falaria isso em voz alta. )
Agachei-me com ele, esperando que ele falasse alguma coisa.
— Então? — Questionei.
Antes que eu reagisse, algo tocou minha bochecha.
— Me ajude por favor, Okasan.- Pediu, cutucando minha bochecha, uma e outra vez.
Encarei-o com um olhar irritado, mas cedi (Depois de dar um tapa na sua mão), sentando confortavelmente, peguei um pano e uma bola que estava levemente suja, começando a limpar.
[...]
Conseguimos acabar junto com os outros, surpreendentemente, e liberei-os para o vestiário.
Shimizu-senpai levou-me ao vestiário feminino onde pude ter uma ducha rápida, colocando uma muda de roupas que ela me deu.
Uma blusa branca escrita: 'clube de volêi karasuno high' em pequenos kanjis pretos, de manga até o cotovelo e um short preto. Era claramente de um dos meninos, mas resolvi não questionar muito.
Penteei meu cabelo mais ou menos usando os dedos e parei na entrada. A equipe me esperava e Shimizu-senpai estava em minha frente, segurando a grande jaqueta e calça pretas (A calça parecia ser de um dos meninos, mas parecia ter sido feita para um bem pequeno. ) na minha direção.
As costas da jaqueta diziam: Assistente da Karasuno.
Sorrindo, agradeci-a e nos despedimos.
— Bom trabalho! -
Os senpais, e 'primeiro anistas' me acompanharam pelo morro em uma conversa confortável.
Daichi-san ( Como ele pediu que eu o chamasse, já que eu não queria abrir mão do uso de honofóricos. ) disse que iria nos levar ao Nikuman.
Não muito depois ( minutos de uma conversa desnecessária e eu censurando Tsukishima com os olhos e sendo ignorada), ele apareceu com bolinhos fresquinhos, timing perfeito ( porque eu estava quase estrangulando o menino). No meio da conversa motivadora, notamos uma certa demora do menino cenoura responder e olhamos para Hinata que já estava comendo um enorme bolinho e respondeu um : — Fhim! — com a boca cheia, que foi quando Tsukki resolveu ir embora com um rosto de desgosto, Yamaguchi ao reboque.
A visão devia ser muito pra ele.
— Que diabos você está fazendo comendo antes de nós!? — Tanaka-senpai gritou, agarrando-o pela blusa.
— Não brinque conosco! — Kageyama gritou, agarrando um pouco de sua blusa também.
— Ei! Vocês todos são do clube de voleibol, não são!? Não façam escândalo na frente da minha loja!! — Keishin saiu, ranzinzamente berrando , enquanto apontava um espanador para eles de forma ameaçadora.
" Nikuman... não pensei que seria como chama isso aqui. Sou mais ignorante que pensei. " Concluí.
*gota de suor anime.*
— Ah, So-chan! — Seu rosto ficou radiante ao me notar do lado dos senpais. — Irashai! — Sorriu, enquanto apenas acenei de volta. — São seus amigos? — Olhou para os meninos.
— O time de vôlei. — Respondi. — Fizeram a gentileza de me acompanhar. Seja gentil. — Pedi suavemente, com um sorriso ao parar do seu lado.
— Ohh! Obrigado por cuidarem da So-chan por mim! — Ele pos a mão na minha cabeça.
— Nan'notameni! — Exclamaram, Hinata, Tanaka e Kageyama corando.
Daichi-san e Sugawara-san pediram para conversarem com Kageyama e comigo .
Acenei para os demais, indo buscar um pouco de chá.
[...]
Sentamos na soleira da loja, tomando o chá restante quando os meninos se foram depois da conversa.
— Assistente... ? — Perguntou Keishin, abismado.
— É temporário. Eles são bons e tem potencial, mas estão um pouco desorganizados e seu conselheiro quase se mata para conseguir as coisas. Além disso... eles fizeram carinhas assim. — Imitei os olhares pidões. — E não consegui negar. — Cruzei os braços, com ar de sabedoria.
— Ohh. Entendo o que quer dizer, Yawaraka Sora. — Provocou.
— Que!? — Exclamei, apenas para vê-lo entrar correndo e rindo.
— Molenga! — Riu-se, subindo as escadas.
— Ele é o pior de todos. — Disse para mim mesma, entrando com um suspiro. — Pare de cacarejar, galo barulhento! — Ralhei, fechando a porta.
[...]Extra____
— So-chan! O poste de luz está querendo falar com você. — Keishin chamou-me da entrada da loja.
Eu fui ao depósito para contar os mantimentos antes de ir para a escola .
— Quem? — Perguntei, andando até ele, enquanto tirava poeira do meu avental vermelho com um desenho de um gato correndo na ponta direita e um corvo em pleno voo no peito.
Muito conveniente, não?
— Ohayo, kawai kochi. — A sedosa voz irritante saudou alegremente.
— Tsukishima. Ohayo. O que precisa? — Pus as mãos nos bolsos do avental.
— Eu vim apenas comprar algumas coisas e pensei em parar por aqui um pouco. — Explicou, entregando os iens para Keishin . — Também, o capitão pediu para que eu lhe desse nossos números, já que ele não pode anotar todos ontem. — Me entregou uma folha com garranchos bonitos.
— Hm. Arigato. — Repliquei, enquanto lia os números. Dois nomes estranhos apareceram.
Nishinoya Yuu e Azamune Asahi.
— Hee. Que avental mais fofo. — Zombou ligeiramente e senti-me corar um pouco.
— Keishin comprou para mim quando cheguei. — Estufei uma bochecha ligeiramente, olhando para longe. — Acho ele bonito. — Defendi.
— Claro. Lhe cai bem. O vermelho. — Elogiou, um tom de provocação, mas resolvi ignorar. — Ne? Ainda tem doces sobrando? — Perguntou de repente.
Ao encara-lo, pude ver que , se pudesse, estaria babando so pensar na sobremesa.
— Está na geladeira. — Falei depois de uns instantes. — Vou te dar , mas tem que ir correndo para a escola. Vai acabar acumulando calorias. — Murmurei, dando-lhe as costas.
— Hai, hai. — Respondeu alegremente, me seguindo. — Com licença. — Pediu a Keishin.
Abri a geladeira cantarolando baixinho e tirei três embalagens da pequena torta de morango.
"Como alguém gosta tanto de morango? "
Ri internamente.
Fechei a porta , ainda rindo internamente, dando um sorriso de olhos fechados para o nada.
— Vamos , pegue suas tortas e vá logo, seu estranho. — Acenei uma no ar, colocando numa sacola junto com as outras.
— Ouch! Estranho? — Ele fingiu um beicinho. — Que maldade, chibi-chan. — Falsamente me repreendeu.
— Como se você ligasse. — Revirei os olhos. — Continue com suas piadículas e veremos se vou continuar fazendo para você. — Ameacei, com um sorriso em triunfo.
Ele alcançou-as sem dificuldade, ainda usando seu sorriso de assinatura.
— Quer comê-las comigo? Podemos partilhar, sabe? — Seu rosto se aproximou do meu, mas empurrei-o com a mão.
— Só em seus sonhos, Stupidshima! — Exclamei, ligeiramente aborrecida e divertida.
— Aw.- Ele riu. — Um cara pode sonhar, não? — Perguntou, desembrulhando uma torta. — Ainda mais quando a menina além de bonita sabe fazer sua comida favorita. — Falou de boca cheia, farelos caindo no chão.
— Cala a boca, seu esquisito. -
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