Cortes no pulso
2 Começo
Notas iniciais
Eu tinha 14 anos na época
20 de Fevereiro de 2010
Eu estou confusa,me sentido idiota e usada.E sim,todo esse drama por causa do Allan,que raiva!Ele basicamente me trocou por uma patricinha idiota,magra e linda.Eu queria ser como ela.Mas,não,eu sou gorda,feia e inútil.Cheguei em casa,e como sempre minha mãe (Cristina) não estava em casa,nem meu irmão ( Daniel ). Subi direto para o meu quarto e larguei minha mochila perto da cama,e fui direto para o computador.
Parece que a mãe de alguém,tinha sido encontrado morto no consutório do marido,..e acham que foi suicídio. Mas que gente idiota,de tirar a própria vida, pensei.Saio da página onde lia o conteúdo,e antes de sair pesquiso sobre anorexia e bulimia,o mais provável para mim seria forçar o vômito,desligo o notebook,e desço a cozinha para comer alguma coisa,como um miojo e rapidamente acabo com o prato,subo ao meu quarto e me olho no espelho,vejo uma menina gorda.Corro para o banheiro,e enfio o dedo na garganta,vomito o que comi,e sorrio saindo do banheiro. Vou ser magra,e bonita.
Volto ao meu quarto,e começo a ler o livro Garotas de Vidro ,então eu apago e acordo com o barulho da gritaria que vem lá de baixo.Vou descendo devagar,e corro quando vejo minha mãe chorando e meu pai visivelmente bêbado.Ele estava com os olhos vermelhos,onde deveria ser branco,e falava tudo enrolado,parecido com a noite do .Entrei no meio,para defender minha mãe,e obviamente como esperado,gritei com o senhor bêbado na sala,que no momento não era meu pai.
– O que você está fazendo ???????– gritei o máximo que pude,e como era de se esperar,levei um tapa no meio da cara,onde ficaria vermelho.
– Quem você pensa que é para gritar como desse jeito ??– ele fala,apertando meus braços e me jogando no chão,onde bato a cabeça.
Sem forças para falar,me levanto do chão cambaleando,chorando e corro o mais rápido que posso,tropeçando nos meus próprios pés,e entro no meu quarto,trancando a porta.
Minha cabeça parece que vai explodir,e meu olho vai sair de tanto que choro,preciso aliviar,preciso...Então que cometo o erro de começar , lembro — me do que vi mais cedo na internet,sobre se automutilar e quis testar a teoria,de que alivia. Vou ao banheiro e me olho no espelho,a garota que vejo,não parece a que eu era algumas horas atrás.Agora a garota tem olheiras roxas,os olhos vermelhos e a pele pálida. Do lado do espelho tem um pequeno armário,onde guardo coisas de hijiene pessoal, acho laminas soltas,aquelas que você pode trocar,quando você vai se depilar.Peguei uma e apoiei no braço,sentindo involutariamente as lágrimas caindo.Arrasto uma vez,e outra e mais uma,quando vejo o sangue,está escorrendo,mas não sinto pânico,sinto alívio.Vou dormir nessa noite alíviada.
26 de Fevereiro de 2010
O despertador toca,que é basicamente meu celular,e o desligo esperando dormir mais.Só que os cortes de ontem a noite,por insistencia ficam ardendo,e sinto uma vontade louca de coçar,mas sei que só vai piorar a aparencia.
Como está um calor do caralho — desculpe a linguagem — todos vão ter ainda mais motivos para me chamar de louca,passo base,corretivo e pó para sumir com as cicatrizes ainda vermelhas.
Boto uma calça jeans,o uniforme,meus all- star e saio é claro depois de me maquiar,por que meu rosto parece a de um zumbi.
Na escola foi o de sempre,alguns na hora da entrada me chamaram de esquisita,como : " olha a esquisita"...esses tipos.
Ana se sentou comigo,no fundo da sala,quando o professor não olhava,ouviamos música,escondendo nossos fones,que se misturavam em nossos cabelos pretos.
O intervalo foi o de "sempre" ,nós sentavamos no refeitorio com aquela merda que eles chamam de comida,eu fui deixada de lado como sempre,os outros amigos resitados no prólogo,estão na nossa mesa,mas não dão atenção quando eu falo ou só dão de ombros,não que eu precise de atenção.Eu precisava de um corte,só um,então decidida,levanto do refeitório e vou ao banheiro,me tranco em uma das cabines,e faço um,que logo começa a sangrar,sinto a nessecidade de fazer mais,então abaixo minha calça,e faço no quadril,varios,muitos e logo começam a sangrar muito.Pego papel e coloco sobre eles,(sem saber que iriam grudar nos cortes),e deixo lá.Boto a calça de novo,paço mais maquiagem no meu recente corte no pulso,e ele logo fica invisível aos outros.
O resto do dia tanto na escola,quanto em casa passam rápido.Em casa,Daniel aparece drogando e bebendo e me pergunto se é bom.Por que se vicia tem que ser muiiito bom.
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