Corridors De Deversorium
5 Capítulo 04 - Dominus Falcem Rubrum, Maledictionem
Notas iniciais
Quarto capítulo :D
Após ver a cena de Leandro sendo estraçalhado, não sabia mais se chorava ou ria. Realmente, se eu risse, seria um gesto de muito desgosto, mas toda essa ironia, que está mais para uma maldição, não me faziam parar de pensar o por quê disso tudo. O elevador parou novamente no corredor 13, a porta se abre e eu continuei andando. Voltei para o corredor de Merubruclaflum. Só que desta vez, fui para a quarta porta. Uma floresta com um cheiro forte de enxofre que percorria todo o lugar. Agora eu sabia o porquê da sala com as caixas estar com esse cheiro.
– Não posso ficar aqui por muito tempo... — disse para mim mesma. Se eu continuasse respirando isso, poderia acabar desmaiando. De repente minhas chaves saem de dentro do meu bolso e vão para a parede esquerda do quarto. De repente olhei para o chão. Haviam quadrados que piscavam em certa parte do chão. Em um deles estava escrito "H", e no outro "He". Decidi voltar, só que acabei pisando em um desses quadrados. Pisei no "He", e de repente todo o cheiro na floresta voltou ao normal.– Nossa... — minha voz ficou fina como a de um pato. Dei-me por conta de que o motivo disso era o mesmo motivo do "He", que na tabela periódica, é Hélio. Quando inalamos esse gás, que é bem mais leve que o ar, o som que produzimos ecoa mais rápido, e ficamos com essa voz. O problema é que se eu ficar respirando muito isso... meu oxigênio vai acabar sumindo do meu pulmão, e vou desmaiar. Então voltei para a porta. Se o "He" é Hélio, não posso pisar de jeito nenhum no "H", que é hidrogênio. Se reagisse com a minha respiração, eu iria explodir. Abri a porta e saí de lá. No último passo eu pisei no "H", mas já estava fora de perigo. Eu estava decidida a descobrir o por quê disso tudo. Nem que eu tenha que suportar tanta praga.– Não irá vingar o seu amigo? — uma voz diz. Viro-me, mas não tem ninguém. A voz agora só chia. Chia, chia. Eu já estava ficando assustada.– Não se preocupe. Eu já limpei a bagunça no elevador. Seu amigo está em outro lugar. — a mesma voz.– QUEM ESTÁ AÍ?! — gritei. — Sua idiota. Por que você não se vira e olha para cima? — e foi o que eu fiz. Meus olhos arregalaram quando eu vi Gustavo saindo do teto do 13° andar, de cabeça para baixo, segurando na mão algo que parecia ser um braço esmigalhado, o que ele jogou em cima de mim. O sangue espirrou em todo o lugar. – AAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!!!! — não havia outra reação. Decidi sair correndo, porém me dei conta que os potes com as cabeças não estavam do lado das portas. Quando me virei, estavam lá, os quatro potes, na minha frente, destampados. Com formol. Gustavo deu um estalo e todos os objetos caíram, espalhando seus líquidos. Eu já ia começar a correr, quando o líquido do pote começou a corroer o chão. Não era mais formol.– É ácido clorídrico com paradiclorobenzeno e anticongelante. Nem tente encostar. — Gustavo diz. Viro-me, agora ele está no chão, com a roupa ensanguentada. — PARA QUÊ TUDO ISSO?! POR QUE EU?! — grito. — Você... já se deu conta do que significa "Merubruclaflum" ? — ele diz. Tentei imaginar. Não sabia se aquilo era russo ou holandês. — Sente-se. — nova frase. Ambos sentamos. Eu já não sabia mais por quê eu estava obecedendo a ele. Não tinha mais destino, mesmo.– Eu dividi... essa palavra em sílabas. E... — ele ia escrevendo com o sangue do braço no chão. — Consegui fazer uma outra ordem com duas palavras... — ele continuava. — Você sabe que nome se dá a um rearranjo de palavras onde cada letra é usada apenas uma vez...? — Gustavo pergunta. Eu ia tentando decifrar o que significava aquilo. Mas eu já imaginava, com tantas dicas.– É um... anagrama. — digo. — Exatamente, Letícia. É um anagrama. — ele ia colocando novas ordens no chão, escritas em sangue. Até que ele coloca uma que eu consegui entender." Falcem Rubrum Lu "– Falcem rubrum... é latim... — digo. — Isso... — Gustavo responde. Eu já tinha feito curso de latim. Mas estava tentando pensar o que era "falcem". Rubrum era vermelho. Até que percebi que "falcem" parecia "foice". Então arrisquei. — Foice... vermelha...? — pergunto.Gustavo começou a rir.– Muito bem. — ele diz. — Mas para quê... esse "Lu"? — pergunto. — Com certeza não irá saber. L de Letícia ou MaLedictionem. U de GUstavo... Ou RUbrum. — ele responde. Eu volto a tremer. Minhas mãos começam a suar. Maledictionem é maldição em latim. Se Foice Vermelha representa algo em relação a morte e Gustavo relacionou seu nome a isso... — Você... — gaguejo.– Sim. Sou o Senhor da Foice Vermelha. — Gustavo diz.
Notas finais
Quinto capítulo, em breve:
Capítulo 05 - Revelationes Praeteriti et Familia
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