Correr não resolve nada

1 Correr não é mais solução


Notas iniciais
Faz tempo que não apareço por aqui, acho que é uma lance de anos na verdade, fazer o que né? Boa leitura

Há momentos na vida em que o tempo congela e os barulhos somem, quem dera eu soubesse disso lendo em algum canto, mas nada nessa vida é fácil principalmente quando parece que tem alguém apertando seu coração e o esmigalhando em pedaços, é isso que dá acreditar nas pessoas e eu aqui achando que a tinha aprendido a lição no colégio, tem que ser muito burra para continuar caindo nas mesmas armadilhas

— Hey Isabel você chegou pensamos que não vinha e já pedimos, tem algum problema? Porque ta com essa cara? – Que cara? Não tenho cara nenhuma depois de ouvir tudo que escutei

— A partir de agora podem esquecer completamente da minha existência, considerem que sou uma completa estranha avisa isso para o resto do seu grupo – me virei em direção a porta sem me importar com os gritos atrás de mim ando mais rápido e acabo esbarrando em alguém, peço desculpas sem nem olhar e saindo de lá começo a correr no momento em que meus pés encostaram na calçada, e daí que me achem louca? E daí que sou chata? E daí que sou uma aberração? E daí que não tenho amigos? E daí que eles acham que só me faço de boazinha? O que eles sabem de mim? Porque achei que se saísse da minha cidadezinha tudo ia ficar melhor? Porque achei que as pessoas daqui seriam melhores? Não importa o quanto eu corra de um lugar para o outro a verdade é que nunca vou me encaixar em lugar nenhum, foda-se não aguento mais e é aí que decido gritar a raiva e a tristeza que estão entaladas no meu coração.

— Você só vai ficar aí gritando no meio da chuva e deixando eles falarem aquilo de você? – Ótimo nem enlouquecer posso mais, me viro e dou de cara com o Davi segurando um guarda-chuva florido sobre a cabeça que por acaso acho que é o meu, acho que soltei enquanto ouvia aquele ninho de cobras

— Eu deveria fazer o que? Bater neles com a minha sombrinha, que a propósito quero de volta porque só agora notei que ta chovendo – isso mesmo chutei porra do balde, Davi aponta para cima e só agora me dei conta que ele dividiu sombrinha para nos dois ficarmos longe da chuva, o que seria ótimo se eu já não estivesse ensopada

— Podia voltar e agir como você ta agindo agora, tenho certeza que eles vão ficar aterrorizado – aterrorizados com o que? Minha falta de educação? – Iai vai encarar ou a percebeu que se continuar a fugir das batalhas não vai vencer a guerra?

Então tudo que tenho que fazer é voltar completamente encharcada para a pizzaria e encara aqueles imbecis com classe do jeito que a minha vozinha fazia? Bem não há como negar o sangue, começo a caminhar e recebo mais chuva

— Vai começar a andar ou vou ter que pegar a sombrinha e te deixar ai na chuva? – Davi continua lá parado com um sorriso sinistro no rosto, sempre suspeitei que esse cara é da mesma índole do meu vozinho, ele gosta de ver o circo pegando fogo – estou profundamente me arrependendo de ouvir você

— Porque? – Ele anda ao meu lado com um sorrisinho

— Você só quer ver um show – o sorrisinho aumenta

— Bem eu estava entediado, você pode me culpar por querer ver um espetáculo? – Depois de hoje é melhor ficar longe dele, sinto que Davi fica entediado com muita facilidade e o que os animes me ensinaram é que o tedio nunca resulta em coisas boas

Acontece que não corri muito longe da pizzaria, tenho que começar a fazer exercício, Davi me devolve a sombrinha e caminhamos em direção a mesa onde a maioria da turma está reunida, todos agrupados nas cadeiras sem deixar qualquer espaço vazio, afasto o ombro de um e pego uma fatia de pizza

— E então suas compotas de estrume vão ficar me encarando ou vão dizer mais alguma merda sobre mim? – Mordo a pizza e tenho que admitir, por mais venenosos que sejam sabem pedir uma boa pizza.

Notas finais
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