Correr com tesouras
1 único
Era notável que Sanji estava mais bonito, na verdade, ele nunca foi, mas passou a ficar à medida que crescia. E Zoro acompanhou de perto vendo, não só o seu corpo mudar, como o dele também. Apesar de ter crescido, era menor que o seu quando tinha ombros estreitos e estranhamente pontudos por ter um corpo seco.
E, naquele momento, observava o corpo dele, enquanto fingia estar lendo um gibi idiota, sentado no chão, mexendo no ventilador. Sua coluna vertebral ficava aparente sob a pele alva quando se inclinava, e Zoro achava estranho, mas era bom.
Estava muito quente, os dois estavam apenas de bermudas no quarto de Zoro, que estava deitado na cama, enquanto Sanji tentava fazer o ventilador girar e poder se juntar ao outro.
— Que inferno! Essa porra não pega!!
Zoro arqueou a sobrancelha, não foi só suas mãos que mudaram, mas Sanji ganhou o hábito de xingar e se lembrou que na infância costumava ser chorão, agora mandava até o seu tio a merda. Era estranho, mas era bom. Ele se levantou e se agachou atrás de seu amigo.
— Ficou burro? Esse modelo o botão fica atrás.
Os pelos da nuca de Sanji se arrepiaram, a voz de Zoro estava muito perto de seu ouvido e aquelas pernas fortes lhe envolviam, apesar de não estarem esticadas.
— Oh, é verdade.
Estava constrangido, por isso sua voz saiu baixa, quase num sussurro. Droga! Quando estar perto de Zoro ficou tão estranho? Mas de alguma forma era bom.
— Marimo, sai de perto, o troço já tá girando.
De repente, sentiu um toque nas costas.
— Mas que porra?!
— Você pode ficar corcunda se continuar andando retraído, com os ombros pra frente.
Era da palma da mão de Zoro sobre suas costas. Sanji sentia que seu amigo estava cada vez mais estranho, falando coisas vagas e aleatórias quando tinha seu corpo forte e atlético envolvendo o dele.
— Ok. Levanta pra eu ajustar minha coluna, então.
Zoro piscou os olhos, só compreendeu que estava praticamente abraçando Sanji quando ouviu o seu pedido, no qual o rapaz se esforçou para não sair desesperado de sua boca. Imediatamente se afastou, ficou de pé novamente e Sanji fez o mesmo.
Ambos estavam constrangidos, não se lembravam de como tudo ficou tão estranho, e Sanji estava certo quando pensou que seria uma péssima ideia ir na casa do marimo, porque esse constrangimento acontecia com certa frequência estando a sós, ainda mais com torsos despidos e pingando a suor. Mas as coisas podiam piorar.
— Desse jeito?
Perguntou Sanji, com a coluna mais reta, mas na verdade só queria quebrar o gelo.
— Não, na verdade...
Zoro se aproximou e de novo tocou suas costas com as pontas dos polegares, instantaneamente Sanji reagiu aos dois toques que pareciam ter vindo pesado, mas era estranhamente bom. Seu amigo já havia compreendido como deveria manter a postura, mas Zoro, de novo, não se afastou. Observava o suor escorrendo de seus cabelos loiros para morrer na sua nuca alva, assim como também notou suas orelhas mudarem de cor. E o ombro pontudo estava ali de novo. Gostava de como a clavícula atravessava seu peito deixando pra trás ossos nas pontas dos ombros, assim como gostava do seu esterno nítido abaixo do seu pescoço longo.
Sanji acabou se virando antes dele se afastar e os dois se encaravam, isso até Sanji fechar os olhos e Zoro finalmente avançar para beijá-lo.
E a sensação era como se o céu teria sido dividido ao meio por tesouras gigantes. Estranho, mas era bom.
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