- Vamos anunciar. – O médico diz na sala de cirurgias do hospital local.

- Hora de morte 00h26min. – A enfermeira diz após olhar para o pequeno relógio de pulso.

O barulho de um zíper soou pelo local e o corpo de Helena Martin estava sendo embalado por uma bolsa após sua morte. Os médicos já tinham certeza de que a mulher não iria durar mais do que vinte e quatro horas, mas valeu a tentativa de salvar a mulher apesar de já ter chegado ao hospital com muito pouco sangue e seu cérebro entrando em falência.

O médico chamado Ozires que havia tentando salvara vida de Helena, acabava de tirar suas luvas encharcadas de sangue da mulher. Lavou suas mãos e respirou fundo para anunciar para a família a morte.

O barulho da porta dupla da sala de cirurgia soou no corredor gelado e vazio do hospital. O médico de apenas 26 anos havia acabado de se formar andou calmamente até a porta que dava para a recepção. Era a primeira morte que anunciava e a segunda cirurgia que realizava em toda sua carreira. Ele tremia. Havia chegado à porta e então parou a frente dela. Respirou fundo. Abriu-a e caminhou até a família que estava sentada em um canto, havia um homem e dois filhos pequenos de provavelmente três ou quatro anos. Quando o homem, o pai das crianças, trocou olhares com o médico não precisou palavras o homem desatou a chorar e seus pequenos filhos confusos perguntavam:

- Papai porque está chorando? O que aconteceu? Vamos sair desse lugar e ir para casa com a mamãe!

- Meu filho, não há mais mamãe ela se foi não voltara mais. – Respondeu o pai com a voz rouca e enxugando as lagrimas dos olhos e do rosto.

- Como assim papai? É claro que temos a mamãe! Ela não pode ter ido embora, para onde ela iria?

- Para junto do vovô e da vovó, lá no céu junto com eles. – A frase parecia boba dita por um adulto, mas foi compreendida pelas crianças.

O homem pai das crianças que se chamava Jonathan questionou ao jovem médico:

- Meu caro, quanto tempo de carreira o senhor possui? Quantas cirurgias o senhor já realizou?

- Não muitas, senhor. Apenas duas, e a minha primeira foi algo simples. – Respondeu o jovem medico sentindo seu corpo ficar gelado.

- E como colocou você para fazer algo complexo como salvar a vida da minha esposa? – O pai dos garotos levantou do banco da recepção e encarou o medico.

- Devido ao plantão senhor, não há outro cirurgião aqui no hospital hoje.

- E você não salvou a vida da minha esposa, colocaram você para salvar ela e você não salvou. Hospital de merda!

- Desculpe senhor, não havia o que fazer ela já estava morte nos tentamos de tudo.

Após a última resposta do médico Jonathan grudou no colarinho da camisa do médico e o segurança que estava na porta preparou para separar os dois, o segurança pegou nas costas de Jonathan e o levaram para fora do hospital o arrastando às crianças foram juntas para fora, assustadas. Jonathan gritava:

- VOCÊ VAI MORRER COMO ELA MORREU SEU DESGRAÇADO, VOCÊ VAI MORRER!

O segurança o jogou contra o carro.

- Entrem crianças vamos para a casa.

As duas pequenas crianças abriram as portas de trás do carro, entraram e colocaram o cinto. Logo após o pai entrou passando a mão no lábio que havia cortado com a batida no carro, colocou a chave no contato do carro, ligou e dirigiu para casa. Durante o trajeto as crianças ficaram quietas com os olhos arregalados pensando na mãe, o pai chorou o caminho inteiro.

Chegando em casa o pai mandou as crianças para o banho enquanto ele arrumava a suas malas, elas iriam passar um tempo na casa de seu tio enquanto o pai resolvia a sua vida.

Após o banho as crianças foram para a cama e o pai desceu até a sala. A sala da casa era um local bem moderno com uma TV grande, lareira, três sofás e varias decorações, no canto esquerdo da sala havia uma mesinha com uma cadeira ao lado e um telefone, o pai se dirigiu ao telefone, teria de ligar para alguns familiares anunciar a morte. Não seria tarefa fácil. Embaixo do telefone havia uma pequena agenda que Jonathan pegou abriu e começou a procurar o número de familiares e amigos íntimos. Iria primeiro ligar para os irmãos dela, tirou o telefone do gancho e encarou os números sua visão começou a ficar turva os números começaram a dançar nas teclas, resolveu deixar essa tarefa para mais tarde. Apagou todas as luzes da casa, deixou apenas a do corredor do segundo andar ligada. Quando se dirigia para o seu quarto ouvia um tec-tec vindo do quarto dos garotos, abriu a porta bem devagar para ver o que era mais não havia nada, esfregou o olho e continuou o caminho para o seu quarto, deitou com a mesma roupa que estava e logo adormeceu esperando um dia melhor.