Correntes

1 Correntes


A eternidade lentamente falecendo

Mil grãos de areia parecendo nunca cair

A noção de tempo desaparecendo

Um cadeado desprovido de chave para se abrir

Preso para sempre nas celas da vida

Correntes tingidas em vermelho na pele enroscando

O anjo desobediente, de honra ferida

Céus o punindo, assassinando, torturando

O inútil que não cumpriu seu dever

Fracassado na única coisa que tinha de fazer

Sem perdão todos o esmagam com pedras

"Não fazes nada que presta"

Punição por imperfeição

Torturas à criatura defeituosa e pura

Facas atiradas em suas asas

Penas flutuando ao serem arrancadas

Como esperam que volte a voar

O anjo agora por palavras e feridas destroçado?

Inútil, ridículo, reduzido a um incapaz

Pelos que um dia julgaram terem o amado

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