Corrente de Cristal
6 Sob asas
Ryan lutava diferente, com movimentos mais grosseiros, sem realmente pertencerem a um estilo de luta. Quando aceitou o desafio de Aaron, Lucille o emprestou sua espada. Ele não achava a arma equilibrada com seu corpo, mas teve que se contentar e lutar com ela mesmo assim. Já Aaron, tinha um estilo próprio e trabalhado. Parecia saber de onde viriam os próximos golpes e tinha uma defesa forte, tanto era que Ryan tinha que apará-la com as duas mãos.
Lucille assistia indignada ao pequeno show que era a competição dos meninos. Ela achava que Aaron venceria em menos de uma hora e já estava quase se completando a segunda. Laýla, por sua vez, não aparentava surpresa. Nem sequer olhava na direção da luta e se distraia vendo os cãezinhos brincarem.
Já havia alguns minutos que céu escurecera quando os garotos resolveram parar. Ofegantes e encharcados de suor, dizimaram, juntos, dez garrafas de água ao chegarem à casa de Aaron. A mãe de Aaron, Dora, chegaria logo e queria ver o jantar pronto, por isso, quando entraram na casa, os rapazes foram se banhar e as garotas ficaram com a tarefa de cozinhar algo bom pra todo mundo. Os cachorrinhos tiveram que ficar amarrados na varanda, para que não sujassem a casa.
– Ufa! Finalmente acabamos! Hoje foi um dia puxado, né? — Falou Lucille, tentando quebrar o silencio que reinava na cozinha. Infelizmente, não obteve sucesso.
– Sim, foi. — Laýla nem sequer levantou o olhar. Estava esfregando com uma esponja o mesmo prato, tentando lavar uma mancha de molho.
– Olha, sei que não somos muito próximas, mas você bem que podia falar comigo, né? — Rebateu Lucille, ríspida.
– O problema não está em você, Lucy, não se exalte. Eu só... Não gosto de falar, OK? — Laýla falou, com uma expressão cansada.
Os meninos desceram as escadas, interrompendo o diálogo. Aaron tinha emprestado uma camisa e uma calça jeans para Ryan. Os dois estavam agindo como velhos amigos desde que lutaram naquela tarde. Quando os quatro jovens se encontram juntos na cozinha, alguém abre a porta.
– Aaron! — Uma voz chamou da sala de estar. Dora entrou saltando em um pé só para dentro da cozinha enquanto tirava seus tênis de forma muito hábil. — Como passou o...? — Interrompeu-se quando percebeu as visitas. — Ah, olá! Aaron não me avisou que teríamos visitas. — Disse com um leve tom de reprovação.
– Oi, mãe! — Aaron se apressou em fazer as apresentações. — Esses são Ryan e Laýla, uns... amigos que fiz na internet que vieram passar um tempo em Clayton.
– É! — Ryan pegou o fio da meada. — Soubemos que a cidade é encantadora essa época do ano.
Dora riu. — Sim, quando não passamos por vazamentos químicos ou "ataques nucleares".
Lucille, por alguma razão, achou aquilo muito engraçado. Já Aaron foi rápido em pegá-la pela mão e guiá-la para fora. — Puxa vida! Lucy esqueceu as ferramentas de jardinagem dela lá fora, vamos guardá-las antes que enferrujem. — Saiu e bateu a porta. — Não assuste muito eles, mãe!
Dora olhou para o dois que haviam sobrado ali. — Então, Ryan e Laýla. Eu não sabia que vinham, senão teria preparado algo. Mas não tem problema, podemos pedir uma pizza, o que acham? — O estômago de Laýla roncou. Dora sorriu e a garotinha corou, desviando o olhar para os próprios pés. — Eu insisto que fiquem para o jantar. — Acrescentou acolhedora.
– Não precisa, Sra. Swift. – Ryan começou a empurrar a garota para a saída com delicadeza. — Nós já estamos de indo, muito obrigado. — Quando estava para pegar na maçaneta, Dora os interrompeu.
– Espera um segundo. O que é isso no seu braço? — Um fio de sangue escorria pela manga de Ryan, um dos ferimentos feitos durante a luta dos garotos. A mulher levantou a manga e viu que era um corte superficial, mas o braço todo estava coberto de hematomas. — Temos de cuidar disso! — Disse com um semblante de preocupação, arrastando-o para a direção contrária à da porta. — Eu tenho um kit de primeiros socorros aqui na sala, não imagina o quanto isso é comum por aqui.
Ryan se desvencilhou dela e se afastou um pouco. — Não é necessário, Sra. Trelaware. Nós cuidaremos disso na casa do meu tio. — Mentiu.
– Em que rua ele mora? — Inquiriu cruzando os braços.
O garoto hesitou e Dora tirou suas conclusões.
– Vocês vão passar a noite aqui, está decidido. Temos alguns futons por aqui, Aaron pode dormir no sofá. — Olhou para Laýla e sorriu um sorriso capaz de iluminar a casa toda. — Tudo bem?
Ela concordou lentamente, contrariando Ryan. Dora decidiu ignorá-lo. — Certo, agora vamos cuidar desses machucados. Vou pedir para o Aaron pedir uma pizza.
– Na verdade, Sra. Swift. — Laýla começou baixinho. — Eu e a Lucille já preparamos o jantar.
Dora sorriu novamente. — Além de bonita, é prestativa também.
Laýla sentiu suas defesas rachando sob a simpatia de Doralice Trelaware. Ela, aparentemente gostava de ter todos em sob sua asa. A presença dela era reconfortante, mesmo ela não tendo nenhum os três dons...
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