Corrente de Cristal
13 Parem
'Agora estou sozinha... Credo! Odeio esse lugar!' Laýla franziu o nariz, enquanto estava agachada aos pés da porta preta pela qual acabara de passar. Laýla se encontrava em uma passarela de aço escuro cheia de furinhos, que não fazia barulho nenhum quando se anda por cima. 'Ainda não consigo acreditar que esses caras fizeram a prisão assim. Depois de passar pela parede de vidro, vai ser moleza sair daqui!'
Dos dois lados da passarela do sexto andar, os cubos-quartos dos prisioneiros estavam dispostos de forma que nenhum detido possa ver o outro. Da parede de vidro, quem esta dentro do quarto só vê escuridão do outro lado da passarela de aço.
Laýla levantou-se. Achar o quarto certo sem passar pelos errados vai dar trabalho. Se for vista por algum detido escandaloso, ela vai ter problemas. Além disso, como poderia achar um cara que ela nunca viu na vida?
'Esruel? Você pode me escutar?' Laýla sorriu, indo para a beirada da passarela e se sentando, com as pernas penduradas. 'Como se isso funcionasse! Eu devo ser maluca!'
Laýla se pendurou pelas mãos e saltou para a passarela do sétimo andar. Aquela também não fazia barulho, por isso Laýla não se preocupou quando caiu de mau jeito e bateu o joelho no chão.
No sétimo andar, dois guardas estavam conversando no fim do corredor. Laýla precisaria chegar à guarita e ler a relação de celas e prisioneiros, achar a cela de Esruel e abri-la sem dar pistas aos Mágicos.
'Esruel, amigo, onde você está?' Laýla não conseguia captar uma resposta, mas sabia que o garoto estava ouvindo. Sentia a confusão mental dele. Respirou fundo e prendeu a respiração antes de se jogar para o outro lado da passarela, na direção da guarita, um quadrado com uma janela e uma mesa bagunçada.
Isso! Laýla conseguiu entrar no quarto. Pela porta, ela precisaria de um código, mas a janela era tão grande que a menina passou facilmente por ela e aterrissou no chão de cimento da guarita. 'oh não! Aqui faz barulho!' Laýla teria que ter cuidado dobrado para fazer o que tinha de fazer.
Sem sair do lugar, Laýla inspecionou a mesa. Canetas, três cadernos, papeis, armas de fogo... 'Para que eles precisariam de armas de fogo? São mágicos, podem usar magia!' Laýla pegou um dos cadernos e abriu a primeira pagina.
"Lucylle, minha amada,
Só Deus sabe o quanto sinto sua falta. Queria estar com você. Só agora percebi que nunca serei nada sem você. Lembra-se de quando, em nossa viagem para Paris, eu te agarrei e..."
Laýla fechou o caderno, com o cuidado de fazê-lo em silencio. Não é esse Laýla o colocou de volta na mesinha e puxou outro livro. Este estava cheio de recortes de revistas.
"Justin mata seu irmão com um poder desconhecido"
"Elliot viajou para a Alemanha e trouxe de lá um PRT"
Também não era esse. Frustrada, Laýla tentou o terceiro. Uma agenda empoeirada.
Yuri Canden (Mágico) cela 4d
por Roubo ao patrão 22/05/02
Jéssica Ellow (Lutadora) cela 8e
por Agressão ao Ministro Tuttavc 30/09/87
'Isso! Agora só preciso achar o tal Esruel' Laýla folheou a agenda. 'Vai demorar um pouquinho. Está totalmente sem ordem!'
– Esruel. — Laýla sussurrou para a agenda.
Por trás dela, um papel amassado levantou. o que...? Laýla leu o conteúdo e sorriu. 'Que presentinho maravilhoso esse! Cela 1d: a primeira da direita. Vizinha à guarita! Vai ser fácil!'
Laýla guardou o papel dentro da agenda, a qual foi colocada em cima da mesa. Fazendo uma revisão para se certificar que sua presença não poderia ser notada ali dentro, Laýla pulou a janela. E lá fora, os dois guardas a esperavam, cada um de um lado da janela.
Antes que pudesse reagir, Laýla foi atingida por chamas.
Não eram exatamente chamas. Eram pequenas explosões de poder. Quando elas encostavam na pele, criavam feridas, hematomas ou dores intensas. Laýla demorou dois segundos para entender o que estava acontecendo. Ela deveria ser rápida, do contrario, os guardas mágicos iriam chamar reforços e ela ficaria presa ali. De novo.
Laýla tentou falar. Mas nada dava certo, os mágicos não a obedeciam. Os braços dela já estavam quase em carne viva, as pernas não muito melhor. 'vamos, Laýla!' mas não conseguia se concentrar.
Ela caiu no chão. Tentou amparar a queda com um braço, mas gritou em agonia, pois doía demais. Agora, os dois guardas estavam em vantagem. Um deles pegou um comunicador cor de rosa do bolso. Era agora ou nunca.
– Hans para a Corte. O guarda falou, e esperou.
'Laýla! Fale!'
– Hans para a Corte. — O guarda repetiu.
Do outro lado, uma voz gravada anunciou cinco segundos para o contato com o diretor do presidio.
Um.
'agora, Laýla!'
Dois. Três.
'respira e FALA!'
Quatro.
Laýla tomou folego. Ela tinha que se apressar.
Cinco.
– Hans, desligue o comunicador! — Laýla gritou.
'Oh, não!' Laýla foi atingida por uma explosão de dor, na testa. 'não, não, não!'
Rindo, Hans falou:
– Capturamos uma invasora, senhor... 7º negativo... Sim, senhor. — E, virando-se para o acompanhante, guardou o comunicador no bolso. — Dave, coloque a garota na 4e. Vão interroga-la depois.
'Como foi que não deu certo? Eu fiz tudo certo. Tudo.' Laýla pensou, enquanto Dave, o magico, arrastava-a pelo corredor.
Ela pôde ver Esruel, quando passou pela cela dele. Ele estava sentado na cama de aço, olhando para a parede de vidro. Os olhos deles se cruzaram, mas Laýla não pode ver nenhuma emoção nos olhos dele.
Então, Laýla sentiu algo dentro dela. E foi crescendo. E crescendo. Não aguentou o espaço limitado do corpo dela e saiu. E Laýla falou.
– Parem.
Uma palavra. Os mágicos estancaram.
Laýla continuou, tentando soltar seus braços das mãos de Dave.
– Me soltem. — Os braços ficaram livres. Ela correu até a cela de Esruel. — Libertem-no.
Mas os guardas hesitaram. Hans andou até ela, com um braço estendido. Quando Laýla achou que ele iria enforca-la, o magico mudou de rumo e apertou seu dedo médio contra a porta de vidro.
Laýla viu Esruel livre. Mas ainda não estava tudo bem.
– Hans e Dave, sentem-se no chão. — os guardas sentaram. — Deem as mãos e... Não soltem.
Diante deles, os guardas amarraram as próprias mãos.
Laýla virou-se arfando para Esruel, que observava a cena tranquilamente.
– Corre. — Laýla andou de costas, depois, começou a correr — Corre! CORRE!
Esruel a seguiu. Também a imitou quando Laýla pulou para a passarela do 6º andar. Correu junto com ela até a porta preta. Foi atrás dela até o elevador, do lado oposto à escada.
Laýla agarrou o braço dele.
– Ei.
Esruel apenas olhou para ela. Laýla continuou:
– Me espere aqui. Vou trazer meus amigos. — Ela não acrescentou se eles estiverem vivos porque era sinistro demais. — Ok?
O menino assentiu. Ele era muuuuito serio. Tinha um olhar duro. Os olhos eram verdes escuros, a pele morena e os cabelos lisos e pretos, escorrendo até os ombros. Era forte. E tinha um colar...
Laýla correu para a escada.
Esruel não a seguiu. Ele sentou no chão do elevador, tirou um pedacinho de madeira do bolço e o esfregou com os dedos. Sorriu.
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