Corpos Celestes
1 Capítulo Único
Eu orbitei seu complexo planeta sem hesitar, fui seu satélite natural. Sua incrível orbita irregular me enfeitiçou desde o primeiro momento. Assiti-la sempre foi incrível. Um baile hipnotizante.
Lembro-me do dia em que estávamos observando as estrelas, e você me confessou sobre seu gosto exacerbado pela rotação, mas naquele momento, em minha dimensão particular, não vi o egocentrismo que envolvia tal afirmação.
Mas assim como fizeram com Plutão, você fez comigo: me rebaixou. A diferença é que ele se tornou um planeta anão e eu apenas lixo espacial.
Lixo. É tudo o que eu sou para você, não é?
Mas, baby, não se esqueça que pode existir outros Galileu Galilei, e aí você pode me considerar Rigel, que não, eu não irei voltar para você.
Sabe o porquê? Porque você teve a oportunidade de desfrutar da minha beleza única e de todos os processos sísmicos, físicos e biológicos que eu te ofereci, mas você achou que não era bom o suficiente.
É bem verdade que nunca fui nenhum Ganimedes, muito menos Titã, mas eu era a sua Lua. Sua. E isso deveria ter sido o suficiente.
Mas para ser justa, não te culpo completamente, eu também tenho minha parcela. Encontrava-me em um buraco negro e o racionalismo encontrava-se a milhares de anos luz de distância. Naquela época, mesmo que fosse Carl Sagan a me dizer a sua real e odiosa composição, eu não acreditaria.
Eu pensava ser o seu único corpo celeste, mas não, era um em trilhões. E nunca foi necessário nenhum dos anéis de Saturno para selar nosso amor, era preciso apenas que fosse recíproco.
E depois de muito refletir, cheguei a conclusão que é minha hora de partir. Minha passagem para outra galáxia já foi efetuada e o buraco de minhoca me espera. Estou indo atrás do meu radiante e, sinceramente, espero que um dia você possa encontrar o seu.
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