Corpo Vazio
1 A Energia
Notas iniciais
Espero que gostem.
Eu já tentei de tudo — Disse Travis. — Mas eu não posso desistir agora. Tenho que arrumar um modo de criar uma alma e anexa-la a esse corpo.
Travis normalmente era um homem bem arrumado, mas ele estava dias sem dormir devido a esse experimento, então sua aparência estava horrível. Seus cabelos negros e usualmente arrumados estavam agora desgrenhados e cinzas, por causa da poeira que caía em sua cabeça enquanto ele estava dentro daquele porão imundo. Seu olhar sempre fora triste depois da morte de sua esposa, e agora suas íris azuis estavam transpostas pelas suas pálpebras cansadas. Sua pele branquíssima estava suja de coisas bizarras que foram utilizadas na criação daquela casca vazia, que logo se tornaria seu segundo filho.
O alquimista já estava completamente sem esperanças. Como poderia ele criar tal coisa? Mas ele não correria o risco de criar outra aberração como o seu primeiro filho, Adam. Então Travis simplesmente desistiu e se preparou para sair do seu porão.
— Não tão rápido senhor Frankenstein! — Disse alguém com uma voz dupla. Na verdade, prestando atenção, daria pra perceber umas quatro vozes.
Travis levou um susto e rapidamente olhou para onde a voz parecia surgir. Então ele se deparou com um homem alto, com o corpo definido, sem cabelo algum, negro, vestindo um terno e uma calça social, ambas inteiramente douradas.
— Quem é você? Como chegou aqui? — Perguntou Travis enquanto levava sua mão na direção de um machado velho que ficava ali guardado.
— Não se assuste Travis. Eu sou... Bem, eu sou chamado de coisas diferentes por diversas pessoas, mas nenhuma acerta quem eu sou, o que eu faço, ou as minhas características.
Travis sentia algo ruim na presença daquele estranho. Ele sentia como se ele estivesse impregnado de maldade.
— Deixe me explicar. Eu sou uma energia etérea criada a partir de específicos sentimentos humanos. O sentimento predominante é o ódio. Quando o ódio dos seres humanos estava tão, mas tão grande, eu fui criado. Desde então, eu sirvo ao ódio, e isso me deu várias histórias e nomes. Demônio, Satã, Samael... Bem, não sou nada disso, eu sou simplesmente uma força da natureza.
— Você é louco! Eu não sei como você conseguiu entrar aqui, mas você é apenas um ladrão louco. Saia agora da minha casa! — Gritava Travis apontando o machado para o estranho homem.
— Ouça minha proposta! — Nesse momento, a voz do estranho se tornou tão grave e assustadora, que Travis deu vários passos para trás, tropeçando em si mesmo e por fim caindo. — Eu já vivi muitos milênios, e acredite em mim, vida eterna cheia de ódio e agonia não é uma vida interessante. Eu decidi morrer, porém, eu só posso ser capaz disso se o ódio dos humanos não existir mais, e para isso eu quero a sua ajuda.
O estranho olhou para aquele corpo que nunca tivera vida deitado em cima de uma mesa fria. Logo após ele dirigiu seu olhar para o alquimista e deu um leve sorriso. Travis logo entendeu que aquele estranho estava ali por causa do homúnculo.
— Sabe... Não é exatamente uma alma, é na verdade uma energia etérea que todo ser humano tem dentro de si. Quer dizer, quase todo ser humano, não é? — Sua voz bizarra soava extremamente insinuante, e Travis sabia o que ele quis dizer.
— Adam não deu certo porque ele não tinha essa tal energia etérea, não é? Por isso ele ficou louco?! — Gritou Travis se recuperando do tombo e já muito mais calmo em relação à presença do visitante.
— Me chame de Zalor, por favor. E sim, o Adam, sua primeira criação, não poderia permanecer são por muito tempo sem uma energia.
— Acredito então que você possa dar uma alma para o meu novo filho, por isso veio aqui. Mas por quê? Como eu vou poder te ajudar com isso? — Indagou Travis.
O corpo de Zalor parecia estar desaparecendo. Travis olhou preocupado.
— Eu não posso ficar muito tempo nesse plano. Serei breve. — Uma luz se expeliu do corpo de Zalor, atingindo o corpo do homúnculo sob a mesa. — Nós nos veremos de novo, alquimista. — Zalor desapareceu.
Travis ficou alguns segundos encarando o nada. Esfregou os olhos e pensou:
Bom... Agora eu devo fazer o resto do trabalho.
Só faltava fazer com que poderosas descargas elétricas passassem pelo corpo do homúnculo, e torcer para que funcionasse, e, além disso, que o novo experimento realmente tivesse alma.
As descargas elétricas eram poderosas o suficiente para fazer o corpo deitado sobre a mesa se estremecer todo.
Travis olhava perplexo para o homúnculo, esperando que houvesse alguma reação. Segundos se passaram, e:
— Filho?
O homúnculo lentamente abriu os olhos.
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— Eu já disse pra você não ir muito longe, Evan! Você está no meio do mato, cuidado! — Gritou Travis.
Evan, o segundo homúnculo, agora completara 5 anos, mas Travis o tinha criado inicialmente com uma aparência de mais ou menos 6 anos, então agora ele aparentava ter uns 11 mais ou menos.
— Pai! Pai! Tem um cavalinho dodói aqui. — Evan gritava em desespero.
Travis se aproximou e viu que o cavalo estava com as patas quebradas. Provavelmente estava perdido, já que não havia nenhuma fazenda por ali perto. Então o cavalo ficaria ali sofrendo, até que por fim, morreria.
— Ele vai ficar bem, filho. Vamos embora. — Travis saiu andando na frente enquanto Evan se ajoelhou próximo do cavalo.
— Ele vai morrer, não vai? — Os olhos de Evan lacrimejavam.
Travis suspirou profundamente e fez um sinal positivo com a cabeça.
— Tem algo que a gente possa fazer Pai?
— Não...
— E ele vai sofrer muito, pai? — Evan abraçou o cavalo. — Eu não quero que ele sofra! — Repentinamente o equino deu sua ultima relinchada, morrendo em seguida.
Travis olhou assustado para a cena que estava presenciando, pois ele teve a impressão de ver algum tipo de energia luminosa saindo do animal. Mas realmente, não era somente uma impressão.
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