Corpóreos

2 Lembranças


Notas iniciais
Gente, fiz esse capitulo um pouco resumido e demorei para postar, pois meu modem queimou :( Sinto pela demora, mas aqui está.

Da casa de tio Bernardo era possível ver os bombeiros e toda a movimentação ao redor da casa. Era algo que eu preferia evitar acompanhar, então apenas me dirigi até o jardim atrás da casa e sentei em um dos balanços.

− Está tudo bem... – Clarice falava com sua voz fina e suave, quebrara o silêncio como de forma tão doce que mal me importava. – Você vai ficar bem. – Clarice deu um leve empurrão no balanço me fazendo ir e voltar. Eu que nunca gostara daqueles olhos negros e daquele cabelo ainda mais escuro, agora olhava minha prima como se fosse a última pessoa que me restasse, afinal, tio Bernardo não era lá a melhor opção.

− Como sabe? – Indaguei olhando-a de soslaio. Esperava que realmente soubesse, esperava apenas uma resposta lógica que fizesse o caos ter um pouco de sentido.

− Conheço sua capacidade melhor que ninguém. Acredite em mim, vai ficar tudo bem, e no mais... Você tem a mim sempre que precisar. – Ela sorriu. Lembro-me daquele dia como se fosse sempre o ultimo dia que vivera... Talvez nunca pudesse esquecer.

* * *

O sol ainda acordava e pintava o céu, antes de um azul profundo, em laranja e vermelho. O cheiro de flores silvestres tomava o ambiente, aquele jardim parecia tão vivo quanto eu mesmo, com anos e anos pela frente. Recordava agora que despertara completamente de meu mau sonho, naquele dia faziam exatos 5 anos desde aquele dia. Não estava triste, pelo contrário, cada dia estava mais animado. Tudo estava indo melhor que o planejado.

[6 meses atrás]

− Podemos conversar? – Clarice perguntava da porta de meu novo quarto. Fiz um gesto para que entrasse, porém não tirava os olhos das anotações que fazia. Ouvi seus passos até a cama e quando ela se jogou na cama que protestara um pouco. – Esses dias eu notei que está estudando algo um tanto... – Ela fez uma pausa, apenas para notar que agora tinha minha total atenção, olhos e ouvidos apenas para ela.

− Um tanto? – Perguntei tentando fazê-la abrir a boca ao invés dos olhos que já estavam arregalados o bastante.

− Incomum – Soava mais como uma pergunta que como afirmação. Cocei o queixo e fiz um gesto para que prosseguisse.

− Bem, já faz quatro anos... Você já tem 17 anos Arthur! Não acha que... – Ela olhava para o chão, para a parede, e sempre evitava olhar em meus olhos. Só agora notava que seu cabelo já passava da cintura e seu corpo já estava bem mais desenvolvido que naquele dia no balanço. Sacudi a cabeça, é claro que não teria visto o tempo passar, estava focado demais, e não iria jogar tudo aquilo fora agora.

− Acho que o que? Devo parar? Jogar toda essa minha porra de pesquisa fora? Jogar anos fora? – Levantei da cadeira de súbito apontando para todas as folhas de anotações espalhadas na mesa, queria jogar tudo para o alto, me irritar era fácil, bastava citar minha obsessão.

− Não! Sente-se e apenas escute! – Ela levantou e falou ainda mais alto que eu, encarava-me olhando no fundo de meus olhos. Seus olhos me passavam uma firmeza que jamais havia notado antes. Apenas obedeci. – Você parece uma criança obcecada e doente procurando formigas para queimar com uma lupa que ainda nem tem! – Ela falava em um tom acima do seu tom normal, sua voz era fina e esganiçada, porém mantinha-me quieto e perplexo – Já que não tem como fazer com que pare, porque você simplesmente surta! – Ela suspirou e jogou-se novamente na cama, apoiando as mãos entre as pernas – Estou aqui para oferecer ajuda.

Agora estava ainda mais perplexo, não entendia exatamente, porém se queria me ajudar, eu não negaria.

− E como você poderia me ajudar? – Mantinha meus olhos olhando diretamente em seus olhos.

− Precisa vir comigo e confiar em mim. – Ela dizia sem expressão alguma. Esticou a mão em minha direção e apenas a segurei.

Pedalamos até um pequeno morro onde descemos de nossas bicicletas e seguimos à pé. O vento levava os cabelos de Clarice de um lado ao outro, suas pontas enroladas e bagunçadas, parecia outra pessoa. Sentamos onde ela dissera estar bom e foi então que tudo começou.

− Quero apenas que ouça o vento e esvazie a mente. Concentre-se em você mesmo. – Ela dizia logo se jogando na grama e fechando os olhos. Abriu um olho para me espiar e estendeu a mão em minha direção novamente. Deitei ao seu lado e segurei sua mão.

Prestava atenção apenas no vento, no som das folhas das árvores em volta, o barulho de minha mente e suas idéias loucas agora se esvaía. Ouvi uma leve risada. Não era como se realmente a ouvisse, era como se ecoasse em meus ouvidos, em minha mente. Então abri os olhos. Para minha surpresa o lugar não era o mesmo. O lugar onde estava era escuro e tinha cheiro de água misturado a ferrugem. Tateei até uma parede onde pude sentir a textura de pedras. Sim, aquilo parecia uma caverna.

− Olá? – Perguntava-me agora se não tinha pegado no sono. Então ouvi uma nova risada, dessa vez mais alta. Era uma risada feminina. Seria Clarice brincando comigo? Aquilo não fazia muito sentido.

"Você é uma pessoa interessante Arthur..." O som de uma voz feminina vinha de todos os lados. "Não consegue me achar?" A voz instigava "Não sabe onde está?" Novas risadas vinham ora da direita, ora da esquerda... As vezes pareciam vir de mim próprio.

"Viveu os últimos anos me estudando e ainda assim não me reconhece ao estar de frente para mim?" A voz agora ganhava um rosto, um rosto que surgia a centímetros do meu. Sua pele era pálida, seus olhos verdes vibrantes e sua boca sem cor e ressecada. Sim, era aquilo. Eu também tinha uma. Uma Insider.

[...]

− Já acordado? – Clarice surgia se esticando como gato da porta dos fundos para o jardim. Cruzou os braços e apenas me observou.

− Ela não me deixa dormir... – Deixei escapar um pequeno sorriso no canto dos lábios.

− Então ainda não consegue controlá-la? Ainda não entraram em acordo? – Clarice tossia um sorriso. Era como se cantasse sua superioridade sobre mim. Porém ela não sabia que minha intenção jamais fora entrar em um acordo.

Por um segundo desliguei, lembrava e relembrava de cada momento dentro de minha própria mente. Quem diria que a mente abrigasse tantos labirintos?

Clarice me encarava de perto, sacudia as mãos em frente aos meus olhos.

Dei meu sorriso torto e me estiquei.

− Apenas relembrando momentos... – Virei-me em direção à cozinha de onde o cheiro de café vinha suave.

− Tente entrar em acordo com ela! – Clarice ordenava de trás, vinha acompanhando meu passo. Mas eu apenas assentia... Acordos? Sim, todos já estavam feitos. E a vantagem agora seria apenas minha.

Notas finais
Então galera, próximo capitulo tudo começa a clarear! Prometo! Só não reclamem que querem tapar os olhos :D #brinks Sugestões? Previsões? Críticas construtivas? Ideias? To aceitando tudo ^^ Até reclamações pela demora -q Até o próximo capitulo que sairá muito em breve pra compensar a demora desse.