Corona Radiata
1 Prólogo
O Departamento de Seleção ficou agitado com a chegada súbita da Rainha Nastia. Todos os detetives e arquivólogos se perguntavam o motivo da visita, até que a Rainha levantou o indicador, o simples gesto que tem o poder de fazer com que todos os subalveks voltem para suas mesas. A Rainha levantou-se e andou-desfilou até a mesa da Supervisora Geral de Maltchiks, Pardis Entezami.
— Pardis! — govoretou ela. — Finalmente encontrei um maltchik adequado para Katherine!
— Tenho permissão para perguntá-la quem é, Majestade?
— Ainda não terminei.
— …
— Você se lembra do nome do Bolshi General da Independência?
— Claro, Majestade. Foi o Bolshi General Bellamy.
— Então vá atrás de Matthew Arthur Bellamy, Pardis.
— Se eu não for, o que acontece?
— Você vai, porque o Departamento de Seleção não permite relacionamentos entre colegas de trabalho.
A pobre Pardis se despediu cordialmente da Rainha e chamou o supervisor dos detetives (coincidentemente seu marido), Adam.
— Mas por que tão skorre? A Majestade quer ver seu króvi não-azul escorrendo pelo chão do Departamento?
— Preciso de uma árvore genealógica que comece com o Bolshi General Bellamy.
— Mas ele não tinha sangue azul!
— Vai entender. Lembra da Princesa Chelsea, que o Supervisor Tsoy teve que procurar por dois anos?
— E mesmo depois de voltar com a Chelsea, o króvi dele ainda escorreu no salão principal da Algematória. Andei pesquisando sobre os Bellamy só por diversão, então vai ser moleza.
— Mas por que diabos um inglês descendente do Bolshi General?
— A Princesinha Katherine nasceu exatamente duzentos anos depois do Dia da Independência. A Rainha Nastia não é tão maluca quanto parece. Ela quer comemorar a data ou então arquitetou um plano muito bom.
— Você vem comigo, Adam?
Após se certificar de que não havia ninguém nos arredores do escritório, ele viu sua esposa se sentar na mesa. Ele correu até ela e a beijou apaixonadamente.
— Nós podemos adiar alguns dias na busca pelo marido da Princesinha e dar uma passada em Paris. Há anos que não temos tempo pra viajar.
Ela se separa do abraço apertado e govoreta:
— Se sobrar um tempinho, é claro que podemos.
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