Coroas e destinos

11 O Despertar da Rainha e a Fúria de Seda



​A alvorada na ala oeste do castelo não foi anunciada pelo suave cantar dos pássaros da floresta de Forks, mas sim pelo estrondo ensurdecedor de um travesseiro de penas atingindo com força total o peito descoberto do Rei de La Push.

​Jacob abriu os olhos abruptamente, sobressaltado, apenas para deparar-se com a visão de sua recém-casada esposa de pé sobre a grande cama de dossel. Renesmee trajava um roupão de seda vermelha amarrado às pressas, os cabelos acobreados formando uma auréola desordenada e selvagem ao redor do rosto. Seus olhos faiscavam com uma mistura incandescente de indignação, vergonha e a pura teimosia da dinastia Cullen.

​— Seu... seu aproveitador! Seu bárbaro sem modos do litoral! — esbravejou Renesmee, agarrando um segundo travesseiro e arremessando-o com pontaria certeira na cara de Jacob. — O que foi que você fez comigo, Jacob Black?!

​Jacob bloqueou a almofada com o braço, soltando uma gargalhada rouca de quem acabara de acordar. Ele ajeitou-se contra os lençóis de linho, ostentando um sorriso preguiçoso e descaradamente satisfeito.

​— Bom dia para você também, minha rainha — debochou Jacob, a voz ainda grave pelo sono. — Posso saber por que estou sendo atacado pela cavalaria logo aos primeiros raios de sol?

​— Não se faça de inocente! — protestou a princesa, descendo da cama de um salto e pisando no tapete com força. Ela cruzou os braços, ajeitando a seda do roupão enquanto a pele de seu pescoço corava em um tom vivo. — Você usou de artimanhas! Usou esse seu charme barato de libertino, a sua conversa fiada e... e me tirou a pureza! Eu era uma princesa intocada da Casa Cullen até ontem à noite! E agora... agora você me deflorou!

​Jacob curvou os lábios em um sorriso de canto, cruzando os braços atrás da cabeça e acompanhando cada passo furioso da esposa pelo quarto.

​— "Deflorou"? — repetiu ele, saboreando a palavra com puro divertimento. — Minha cara Renesmee, até onde a minha memória me serve — e ela está extremamente afiada sobre cada segundo da noite passada —, eu me lembro de você derrubando a própria barricada de móveis que construiu e me puxando pelo colarinho.

​— Mentira! Slander! Calúnia da pior espécie! — rebateu ela imediatamente, apontando o indicador para ele. — Eu fui vítima de uma manipulação estratégica! Você se aproveitou da minha guarda baixa! O meu pai confiou em você, o reino confiou em você, e o que você fez? Agiu como o selvagem que sempre foi!

​— Ah, então agora a culpa é minha por termos consumado o nosso matrimônio? — Jacob sentou-se na borda da cama, vestindo a calça de linho com tranquilidade enquanto sustentava o olhar chispante dela. — Devo lembrá-la de que o arcebispo abençoou a nossa união e a corte inteira estava esperando por isso? Nós somos marido e mulher, Renesmee. E, se a memória não me falha novamente, você não parecia nem um pouco incomodada enquanto implorava para eu não parar...

​— Jacob Black! — gritou Renesmee, pegando um vaso de flores de porcelana da mesa de cabeceira e fazendo menção de arremessá-lo. — Mais uma palavra sobre isso e eu testo a resistência da sua cabeça com a louça da minha mãe!

​— Calma com a porcelana! — riu Jacob, levantando as mãos em sinal de trégua fictícia, embora os olhos brilhassem de deboche. — O vaso é presente da Rainha Isabella!

​Nesse momento, batidas rápidas e hesitantes ecoaram na grande porta de carvalho. A voz de Seth, o jovem ajudante que trazia a bandeja do café da manhã real, veio Abafada do corredor:

​— Vossa Majestade? Princesa Renesmee? O café da manhã da manhã de núpcias está... er... servido? Está tudo bem aí dentro? Ouvimos gritos até no pátio dos guardas...

​Renesmee fuzilou Jacob com o olhar antes de se virar para a porta, ajustando a postura com a elegância de uma verdadeira monarca, embora a voz ainda tremesse de raiva contida:

​— Está tudo perfeitamente excelente, Seth! O Rei de La Push apenas estava me explicando como pretende pedir desculpas públicas por sua existência! Deixe a bandeja na antecâmara e retire-se!

​— Sim, minha senhora! — ouviu-se o som rápido dos passos de Seth em disparada pelo corredor, temendo por sua vida.

​Jacob levantou-se e caminhou de devagar até a esposa. Renesmee manteve a postura ereta, o queixo erguido, disposta a sustentar a sua fúria. No entanto, quando ele parou a poucos centímetros dela, o olhar do rei perdeu a provocação debochada, tornando-se surpreendentemente quente e sincero.

​Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza que contradizia sua fama de selvagem, ajeitou uma mecha rebelde do cabelo acobreado de Renesmee atrás da orelha dela.

​— Você pode brigar, esbravejar e me atirar todos os travesseiros do castelo, Renesmee... — disse Jacob baixinho, a voz rouca fazendo o peito dela arfar. — Mas não pode mudar o fato de que agora você é a minha rainha. Por inteiro. E eu não me arrependo de um único segundo da noite passada.

​Renesmee piscou, pega de surpresa pela intensidade daquelas palavras. As bochechas arderam ainda mais, mas ela recusou-se a dar o braço a torcer.

​— Você é um insuportável — murmurou ela, empurrando o peito dele de leve, embora sem a força de antes. — E eu ainda vou fazer você pagar por cada detalhe deste dia.

​— Terei o maior prazer em pagar a conta, minha rainha — piscou Jacob, dando um beijo estalado na testa dela antes de se virar para a bandeja de café. — Agora, se me dá licença, o "selvagem do litoral" precisa comer algumas frutas para aguentar o seu temperamento durante o resto da manhã.

​Renesmee olhou para as costas do marido, cruzando os braços e soltando um bufado indignado, embora um pequeno e incontrolável sorriso de canto começasse a surgir em seus lábios. A guerra matrimonial de La Push e Forks estava longe de terminar, mas a vitória, sem dúvida, pertencera aos dois naquela noite.