Coroas e destinos
33 A Valsa do Céu e do Inferno
A noite do Baile de Verão de La Push trouxera uma brisa morna e estrelada sobre o litoral. O Palácio do Sol Nascente brilhava como uma joia à beira-mar: dezenas de lustres de cristal iluminavam o Grande Salão Reais, adornado com flores tropicais, tecidos de seda dourada e uma orquestra impecável que preenchia o ar com melodias envolventes.
Nobres de diversas regiões, anciãos das matilhas, diplomatas e delegados de Forks preenchiam o salão. Dos Cullen, Alice, Jasper, Rosalie e Emmett faziam presença com toda a sua elegância habitual, misturando-se alegremente com a corte. De surpresa e em visita diplomática para selar acordos comerciais do sul, uma pequena comitiva italiana marcava presença — liderada pelo refinado Conde Alec Volturi.
No andar superior, Jacob mantinha-se junto à balaustrada, conversando de forma austera com o Ancião Billy Black e Seth Clearwater. Trajava uma túnica festiva de veludo azul-noite com detalhes em prata, a postura impecável de um primeiro-conselheiro. Contudo, o seu olhar varria o salão constantemente, buscando apenas uma pessoa.
Foi quando os trompetes reais anunciaram a entrada da Grã-Duquesa de Forks.
O salão emudeteceu quase instantaneamente. Todos os olhares convergiram para a grande escadaria de mármore.
Renesmee surgira e a sua presença era pura feitiçaria. Usava um vestido deslumbrante tomara que caia de seda esmeralda profunda, que abraçava perfeitamente as curvas da sua cintura e caía numa saia fluida que parecia flutuar a cada passo. Os seus ombros e o colo descobertos brilhavam sob a luz dos lustres, adornados apenas por um delicado colar de diamantes. Os cabelos acobreados estavam parcialmente presos em cachos soltos que caíam pelas suas costas. Ela exalava a autoconfiança de uma mulher que sabia exatamente o poder que possuía.
Jacob congelou no topo da escadaria. A sua respiração trancou-se na garganta; os seus olhos arregalaram-se e o copo de hidromel na sua mão quase estilhaçou com a pressão dos seus dedos. Ela estava acachapante, proibida e absurdamente linda.
— Santo céu... — murmurou Seth, boquiaberto ao lado de Jacob. — A Renesmee decidiu incendiar o palácio hoje?
Jacob nem conseguiu responder. O seu peito subia e descia desordenadamente enquanto o sangue fervia nas suas veias.
O Cortejo do Conde
Assim que Renesmee pisou o salão principal, diversos nobres ensaiaram dar um passo à frente para cumprimentá-la. Contudo, com a elegância felina de um predador diplomático, o Conde Alec Volturi adiantou-se a todos.
Alec, vestindo um traje impecável cortado sob medida em seda preta e vinho, aproximou-se da jovem soberana com um sorriso galanteador no rosto.
— Grã-Duquesa Renesmee... — disse Alec, a voz aveludada e profunda, curvando-se numa reverência perfeita e pegando na mão delicada dela para depositar um beijo suave sobre as suas costas. — O sol de La Push é maravilhoso, mas devo confessar que a sua beleza torna qualquer estrela deste céu uma mera pálida lembrança.
Renesmee, percebendo de relance a figura de Jacob observando tudo do mezanino com o rosto escurecido, deu o seu sorriso mais radiante e encantador para o conde italiano.
— Conde Alec... que surpresa agradável vê-lo por estas terras — respondeu ela, num tom leve e charmoso. — A Itália traz sempre os melhores cavaleiros à nossa corte.
— Se me permitir a ousadia, Vossa Graça... uma visão como a sua não deveria estar sozinha num salão de dança — disse Alec, estendendo o braço com puro charme. — Dar-me-ia a honra desta valsa?
— Com todo o prazer, Conde — aceitou Renesmee sem hesitar, deslizando a mão suave sobre o braço dele.
A orquestra iniciou uma valsa vibrante e envolvente. Alec conduziu Renesmee pelo centro do salão com uma maestria impecável. A saia esmeralda dela rodopiava pelo salão enquanto os dois trocavam risos baixos e olhares que transpareciam um jogo de puro charme diplomático.
O Rosnado do Rei sem Coroa
No andar superior, a cena desenrolava-se como um pesadelo particular para Jacob.
Ao ver Alec colocar a mão na cintura descoberta de Renesmee e conduzi-la pela pista, o queixo de Jacob travou com tanta força que os dentes estalaram. Um rosnado baixo, grave e gutural escapou-lhe da garganta — um som tão primitivo que fez os copos de cristal da mesa próxima vibrarem.
— Calma, leão... o tecido da túnica vai rasgar se você continuar a inflar assim — debochou o Rei Taylor, surgindo ao lado do irmão com uma taça de vinho na mão e um sorriso extremamente divertido no rosto.
Jacob nem piscou, os seus olhos fixos no conde italiano que sussurrava algo no ouvido de Renesmee, fazendo-a soltar uma risada melodiosa.
— Aquele maldito italiano está com a mão na cintura dela... — rosnou Jacob, a voz no tom mais grave e perigoso possível. — Eu vou descer lá e vou arrancar o braço dele.
— Tente fazer isso e a Carlie arranca a sua cabeça na frente de toda a diplomacia da Europa — gargalhou Taylor, dando um gole no vinho com total descontraimento. — Veja pelo lado positivo: o Conde Alec tem um excelente gosto. Além disso, a Itália é linda nesta época do ano. Florence, Roma... quem sabe ele não decide levá-la para um passeio permanente pelo Mediterrâneo?
Jacob virou o rosto para o irmão, os olhos faiscando em pura fúria.
— Você está a achar graça, Taylor?!
— Estou a achar divertidíssimo! — admitiu Taylor sem qualquer pudor. — Dois anos, Jacob! Dois anos você fingiu que não se importava, que era apenas um conselheiro focado nos papéis e na honra! E bastou a Renesmee colocar um vestido descentemente decotado e dar uma volta com um diplomata simpático para você esquecer toda a sua 'prudência'!
— Não é a mesma coisa! — rosnou Jacob, virando-se novamente para a pista, onde Alec girava Renesmee e a segurava pela mão com intimidade. — Ele está a cortejá-la abertamente!
— E o que você esperava? Que uma mulher como a Renesmee passasse o resto da vida a suspirar por um fantasma trancado na sala de mapas? — provocation Taylor, o tom ficando levemente mais sério, embora ainda divertido. — Escute o que eu estou a te dizer, irmão: se você não agir, se não engolir esse seu orgulho idiota e não for buscar o que é seu, vai acabar perdendo a sua Nessie para a Itália. E quando ela estiver em Volterra a comer uvas no terraço de um palácio italiano, não venha chorar no meu ombro.
Emmett Cullen, que passava por ali com uma taça enorme de hidromel, parou ao lado dos dois e deu uma gargalhada alta:
— O Taylor tem razão, Jacob! Aquele garoto italiano dança muito bem. Se você não for lá interromper, acho que ele pede a mão dela antes do banquete!
As palavras de Taylor e a provocação de Emmett caíram como faíscas num barril de pólvora.
Jacob olhou para a pista. Alec acabara de fazer uma reverência charmosa enquanto a música terminava, e levava novamente a mão de Renesmee aos lábios para beijá-la. Renesmee sorria, mantendo o jogo de sedução provocativo.
— Chega — murmurou Jacob, a voz cortante.
Ele ajustou os ombros da sua túnica, ajeitou a postura com a imponência de um verdadeiro rei e desceu as escadarias de mármore com passos largos e decididos, parecendo uma tempestade em forma de homem.
No topo da escada, Taylor e Emmett bateram as taças num brinde divertido.
— Isso vai ser maravilhoso — comentou Emmett, rindo.
— Eu disse que a festa de verão seria inesquecível — respondeu Taylor com um sorriso vitorioso. O jogo estava oficialmente iniciado, e o leão de La Push finalmente saíra da sua toca.
Fale com o autor