Coroas e destinos

37 A Noite de Juramentos e a Rendição do Amor



​A última noite de Renesmee em La Push chegou envolta no aroma do oceano e na calidez do fogo das grandes tochas do pátio real. A Rainha Carlie organizara um banquete de despedida e gratidão à irmã, reunindo a nobreza e toda a liderança do litoral.

​A grande mesa do salão de banquetes estava lotada. O Ancião Billy Black presidia um dos lados da mesa ao lado de Sue Clearwater, enquanto a família de Seth, as matilhas de Sam Uley, Quil Ateara e Embry Call preenchiam o salão com gargalhadas, brindes fartos e histórias de caça.

​Renesmee trajava um vestido de seda azul-cobalto que contrastava de forma avassaladora com a sua pele alva e os cabelos acobreados soltos sobre os ombros. Ela ria e conversava levemente com Carlie e Taylor, demonstrando a serenidade de quem se preparava para retornar a Forks na manhã seguinte.

​Do outro lado da mesa, contudo, a atmosfera era eletrizada. Jacob mantinha o olhar fixo em Renesmee durante todo o jantar. Não era o olhar frio e contido do Primeiro-Conselheiro dos últimos dois anos, mas o olhar esfaimado, quente e absoluto do homem que a amava sem reservas. A cada gesto dela, a cada gole de vinho que ela levava aos lábios, a mandíbula de Jacob travava com um desejo incontrolável.

​— Se o Jacob continuar a olhar para a Renesmee desse jeito, a comida dele vai assar no prato só com o calor dos olhos — comentou Embry baixo para Quil, caindo na risada.

​— Pelo menos o leão acordou — respondeu Sam Uley, dando um gole em seu hidromel e sorrindo com aprovação. — Já era sem tempo.

​A conversa fluía de forma viva na mesa, recheada de indiretas sutis.

​— A comunidade de La Push agradece imensamente a sua estadia, Grã-Duquesa — disse o Ancião Billy Black, erguendo a sua taça de madeira. — A sua presença trouxe vida e renovação a este palácio. Apenas lamentamos que a sua partida seja tão prematura.

​— Eu fiz apenas o meu dever como irmã e tia, Ancião Billy — respondeu Renesmee, dando um sorriso encantador, mas lançando um olhar provocativo na direção de Jacob. — Além disso, há lugares onde o ar se torna demasiado pesado quando certos conselheiros insistem em manter a rigidez e a falta de diálogo. Em Forks, o silêncio é pelo menos mais respeitoso.

​A alfinetada arrancou risos abafados de Seth e Taylor.

​Jacob inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, o tom de voz baixo, aveludado e carregado de uma intenção velada:

​— A rigidez, Grã-Duquesa, é apenas a defesa de quem tenta manter a ordem onde há tempestades imprevisíveis. Mas nem mesmo a maior das retidões resiste quando o inevitável bate à porta.

​— Uma pena que o inevitável demore tanto tempo para tomar uma atitude, Príncipe Jacob — devolveu Renesmee sem piscar, a voz doce envolta em veneno. — Algumas oportunidades simplesmente não esperam para sempre.

​O clima na mesa estalou como lenha seca no fogo. Carlie e Taylor trocaram olhares de puro triunfo; todos ali sabiam que a noite não terminaria no banquete.

​O Confronto e a Invasão

​Horas mais tarde, o palácio adormeceu sob o murmúrio suave das ondas. Nos seus aposentos, Renesmee já havia desfeito o penteado e vestia uma camisola leve de seda negra. Ela arrumava as últimas jóias na caixa de veludo sobre a penteadeira quando o som firme da tranca da porta ecoou pelo quarto.

​Ela virou-se devagar, encontrando Jacob encostado à porta recém-fechada. Ele despira a túnica oficial de conselheiro, vestindo apenas uma camisa de linho branco levemente entreaberta no peito e calças escuras. A postura dele não era de hesitação, mas de um homem que tomara uma decisão irrevogável.

​— Esqueceu-se de como se bate à porta de uma senhora, Jacob? — provocou ela, cruzando os braços e erguendo o queixo com frieza calculada. — Ou o Primeiro-Conselheiro acredita que tem passe livre nos meus aposentos a qualquer hora da noite?

​— Chega de máscaras, Nessie — disse ele, a voz grave e rouca, dando passos lentos e calculados na direção dela. — Chega de farpas, de indiretas e desta comédia que encenamos diante da corte.

​— Comédia? — ironizou ela, soltando um riso sem humor. — Você passou dois anos me ignorando, me tratando como uma estranha, escondendo-se atrás de papéis e da sua própria vergonha, e agora quer exigir sinceridade?! Você me deixou ir embora, Jacob!

​Jacob parou a um passo dela. O calor que emanava do corpo dele era uma presença física sufocante.

​— Eu fui um tolo, Nessie — declarou ele, os olhos negros fixos nos dela com uma vulnerabilidade crua e dolorosa. — Eu fui o maior tolo que já pisou nesta terra. Aceitei a anulação porque achei que era o meu castigo por ter falhado com você. Achei que, longe de mim, você seria feliz e livre de toda a dor que causamos um ao outro. Mas esses dois anos foram um inferno. Eu morri a cada segundo longe de você.

​Renesmee sentiu o peito arfar, a sua armadura de orgulho começando a rachar diante da verdade nos olhos dele.

​— Eu não queria liberdade, Jacob... eu só queria você — confessou ela, com a voz embargada por lágrimas contidas.

​— Eu sou seu, Nessie — jurou ele, segurando-lhe o rosto com as duas mãos grandes e quentes, os polegares acariciando-lhe as bochechas. — Eu sempre fui e sempre serei seu. Não há coroa, não há conselho, não há nada neste mundo que importe mais do que você. Eu amo você mais do que a minha própria vida. E eu não vou deixar você cruzar aquele portão amanhã sem saber que a minha alma pertence a você.

​A Intensa Rendição

​As palavras de Jacob foram o estopim para a tempestade contida por anos. Renesmee não respondeu com palavras; puxou-o pelo colarinho da camisa e cravou os seus lábios nos dele num beijo desesperado, faminto e absoluto.

​Jacob soltou um gemido grave e visceral contra a boca dela, envolvendo-lhe a cintura e erguendo-a do chão. Ela enlaçou as pernas ao redor do quadril dele enquanto os lábios se devoravam com uma urgência quase selvagem. O desejo retido por dois anos de separação explodiu numa chama avassaladora.

​Ele caminhou com ela até à grande cama de dossel, deitando-a sobre os lençóis de linho macio. A camisa de Jacob foi rasgada e atirada ao chão, revelando o seu peito largo e musculoso. As mãos quentes dele rasgaram a seda fina da camisola de Renesmee, deixando a sua pele alva e perfeita exposta à luz suave das velas.

​A boca de Jacob percorreu cada centímetro do corpo dela — da curva do pescoço, passando pelos seios rijos que subiam e desciam aceleradamente, até ao ventre macio. Renesmee arqueou as costas, cravando as unhas nos ombros largos dele, soltando gemidos entrecortados e ardentes que preenchiam o silêncio do quarto.

​— Jacob... meu Deus, Jacob... — sussurrou ela, cega de puro prazer e saudade.

​Quando ele se uniu a ela num impulso firme e profundo, o mundo lá fora deixou de existir. Foi uma entrega física e espiritual devastadora. Cada movimento era ritmado pela paixão, pela dor da saudade e pelo amor incondicional que nunca deixara de queimar. Os corpos suados chocavam-se com uma intensidade urgente, o calor de Jacob queimando-a por dentro enquanto ela se entregava completamente, sussurrando juras de amor entre gemidos e beijos famintos.

​Ressurgiram juntos no clímax de uma onda avassaladora, abraçados e arfando, os corações batendo no mesmo ritmo acelerado sobre os lençóis desarrumados.

​A Manhã do Novo Começo

​A luz dourada do amanhecer começou a invadir o quarto através das cortinas de linho, tingindo a cama com tons quentes.

​Jacob estava deitado de costas, nu, com a cabeça de Renesmee descansando sobre o seu peito largo. Ela também estava completamente nua, coberta apenas parcialmente pelo lençol fino, com uma das pernas cruzadas sobre o quadril dele e os cabelos acobreados espalhados pelo peito dele.

​Ele acariciava-lhe as costas suaves com dedos leves, sentindo a respiração tranquila dela. Renesmee abriu os olhos devagar, sorrindo ao sentir o calor dele e o perfume da pele dele que impregnara o quarto.

​— Você não vai para Forks hoje — murmurou Jacob suavemente, a voz rouca de sono e satisfação.

​Renesmee ergueu o rosto, apoiando o queixo no peito dele, um brilho brincalhão nos olhos acobreados:

​— Ah, é? E quem vai me impedir, Príncipe Conselheiro?

​Jacob virou-se de lado, ficando sobre ela, apoiando o peso nos cotovelos e encarando-a com uma intensidade plena e radiante. Ele pegou na mão delicada dela e levou-a aos seus lábios, beijando cada nó dos dedos com extrema devoção.

​— Eu vou te impedir — declarou Jacob, o tom sério, firme e transbordando de amor. — Renesmee Carlie Cullen... eu fui um idiota por ter deixado você escapar uma vez. Não cometerei esse erro nunca mais. Eu não quero ser apenas o seu ex-marido ou o conselheiro deste palácio. Eu quero ser o seu homem, o seu protetor, o seu parceiro em cada segundo desta vida.

​Ele olhou bem no fundo dos olhos dela e fez a pergunta que reescreveria a história de ambos:

​— Casa comigo? De verdade desta vez. Sem prazos, sem medos e sem que nada neste mundo possa nos separar.

​Renesmee sentiu lágrimas de pura felicidade transbordarem e escorrerem pelas suas bochechas. O seu sorriso iluminou o quarto inteiro. Ela puxou o rosto dele para o seu, beijando-o com doçura e paixão:

​— Sim... Mil vezes sim, meu amor. Eu me caso com você hoje, amanhã e por toda a minha vida.

​Jacob sorriu contra os lábios dela, abraçando-a com força e puxando o lençol sobre os dois. A carruagem para Forks podia esperar; ali, nos braços um do outro, o Rei e a Rainha de La Push haviam finalmente voltado para casa.