Coroas e destinos
42 A Luz do Trono e o Sorriso do Rei
As semanas seguintes à coroação e ao casamento transformaram completamente a atmosfera do Palácio do Sol Nascente. A sombra de severidade que pesara sobre La Push durante dois longos anos dissipara-se como a névoa da manhã diante do sol do verão.
Renesmee assumira o seu papel de Rainha com uma altivez natural, firmeza e uma dedicação incansável ao povo. Não era uma soberana distante, trancada em gabinetes de mármore; era vista frequentemente caminhando pelas vilas de pescadores, inspecionando as colheitas, organizando o fundo real de auxílio às famílias das matilhas e ouvindo as demandas de cada cidadão com uma paciência e empatia genuínas.
Contudo, a mudança mais chocante e comentada por todo o reino fora a transformação de Jacob Black.
O soberano austero, de poucas palavras e sobrancelhas franzidas, dera lugar a um homem radiante, vibrante e incorrigivelmente bem-humorado. Jacob andava pelo palácio com a postura ereta de um guerreiro, mas o seu rosto trazia quase sempre um sorriso de canto e uma disposição leve para brincadeiras.
Naquela manhã ensolarada, o Rei Taylor caminhava pelo corredor das galerias acompanhado de Sam Uley, segurando alguns relatórios de patrulha, quando o som de uma gargalhada ressonante ecoou pelo pátio interno.
Eles debruçaram-se sobre a murada de pedra e viram o Rei Jacob no centro do gramado, sem casaca, apenas de camisa de linho dobrada até aos cotovelos, ensinando um grupo de crianças e jovens iniciantes da guarda a manejar o arco e flecha.
— Veja só isso — comentou Taylor, rindo e abanando a cabeça. — Se alguém me dissesse há três meses que o Jacob estaria a rir desse jeito às nove da manhã, eu mandava prender por calúnia.
— Ele parece ter tirado um peso de dez toneladas das costas — concordou Sam Uley com um sorriso de aprovação. — O homem voltou a respirar.
Seth Clearwater, que vinha correndo pelo corredor carregando uma travessa cheia de pãezinhos quentes da cozinha, parou ao lado dos dois:
— O Rei Jacob agora até me dá bom-dia com um tapinha nas costas! Ontem ele me viu comendo na sala do conselho e, em vez de me dar uma bronca por sujar os mapas, ele pegou um pedaço da minha torta e disse que eu tinha bom gosto! A Rainha Renesmee operou um milagre divino nesta terra!
O Conselho e a Presença da Rainha
Mais tarde, na grande Sala do Conselho Real, os líderes das matilhas, anciãos e ministros estavam reunidos ao redor da grande mesa de madeira. Discutiam-se as cotas de pesca e os acordos comerciais de madeira com Forks.
Jacob presidia a mesa com autoridade impecável, mas sem a rigidez sufocante de outrora.
A porta da sala abriu-se suavemente e Renesmee entrou. Trajava um vestido estruturado em tom azul-marinho com bordados prateados nos punhos, os cabelos acobreados presos num penteado elegante de Rainha. Carregava uma pasta de pergaminhos sobre o projeto de ampliação da escola da vila.
No exato segundo em que ela pisou na sala, a postura de Jacob mudou. O olhar do Rei iluminou-se instantaneamente, e um sorriso involuntário e profundamente apaixonado surgiu em seus lábios, totalmente transparente para todos os presentes.
— Vossa Majestade — disse Renesmee com tom solene, embora os seus olhos acobreados brilhassem com uma ponta de diversão diante da reação do marido. — Peço desculpas por interromper a reunião do conselho, mas preciso da assinatura real para a liberação dos verbas da nova escola.
— Você nunca interrompe, minha Rainha — respondeu Jacob imediatamente, a voz rouca e aveludada. Ele levantou-se da sua cadeira de encosto alto sem a menor cerimônia, caminhando até ela diante de todo o conselho atento.
Seth inclinou-se para Quil e sussurrou bem alto:
— Lá vai ele... Olhe a cara de tacho apaixonado.
Quil abafou uma gargalhada com a mão.
Jacob parou diante de Renesmee, pegou na pasta de documentos e, sem se importar com os olhares dos anciãos e dos generais, segurou a mão delicada dela e depositou um beijo demorado e carinhoso na palma da sua mão.
— O documento já está aprovado — declarou Jacob, fitando-a com uma devoção que fez as bochechas de Renesmee corarem levemente. — Na verdade, qualquer coisa que você pedir neste reino já está aprovada antes mesmo de você escrever.
— Jacob... estamos em reunião oficial do conselho — murmurou ela baixo, tentando manter a postura austera de Rainha, embora o seu coração acelerasse com o carinho.
— E eu sou o Rei. Posso dar beijos na minha esposa quando eu bem entender — provocou ele baixinho, piscando para ela antes de assinar o pergaminho no balcão e devolver-lhe o documento.
O Ancião Billy Black, do seu lugar na mesa, pigarreou com uma falsa severidade, mas os seus olhos brilhavam de orgulho:
— Se o nosso Rei já terminou o seu momento de devoção conjugal, podemos voltar à pauta da pesca de salmão?
O salão inteiro caiu na risada.
— Perdoe-nos, Ancião Billy — disse Renesmee, rindo com graça e fazendo uma leve reverência ao conselho. — Deixo vocês trabalharem. Com licença, senhores.
Quando ela saiu e a porta se fechou, Jacob voltou para a sua cadeira com um suspiro satisfeito, encostando-se no assento de couro com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça.
— Onde estávamos mesmo? Ah, sim... salmão — disse Jacob com um sorriso largo.
— Você está insuportável, sabia? — brincou Taylor, jogando uma pena de escrever na direção do irmão. — Completamente perdido de amor!
— E não troco essa perda por nada neste mundo, meu irmão — respondeu Jacob sem piscar, a risada ressoando forte e clara pela sala de reuniões.
Caminhada ao Pôr do Sol
Ao final da tarde, após um dia intenso de despachos reais e deveres com o povo, Renesmee e Jacob caminhavam juntos pelos jardins superiores do palácio, onde a brisa do oceano trazia o cheiro da maresia.
Renesmee apoiava o braço no dele, observando as luzes da vila de La Push começarem a acender-se lá embaixo.
— O povo está radiante com as reformas da escola, Jake — comentou ela suavemente. — As mães das matilhas me agradeceram hoje durante a visita. É gratificante ver como o nosso trabalho está fazendo a diferença.
Jacob parou a caminhada, puxando-a para a sua frente e envolvendo a cintura dela com os dois braços fortes, trazendo-a para bem junto do seu peito.
— O trabalho é seu, Nessie — disse ele com admiração genuína, tirando uma mecha de cabelo do rosto dela. — Você é a alma deste palácio e a força deste reino. Sem a sua firmeza e a sua sabedoria, eu ainda seria aquele homem amargurado trancado nesta fortaleza.
Renesmee olhou para ele, admirando o brilho vivo nos olhos negros do marido, a pele quente e a expressão relaxada que ela tanto amava.
— E sem o seu sorriso e o seu amor, eu não teria razões para chamar este lugar de lar — respondeu ela, erguendo o queixo e tocando-lhe os lábios com um beijo doce e demorado.
Jacob abraçou-a com mais força sob a luz dourada do entardecer, sabendo que a rotina do trono agora não era um fardo, mas uma bênção vivida a dois.
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