Coroas e destinos
46 A Chegada da Princesa e a Coroa de Pétalas
A tempestade que caiu sobre a costa de La Push naquela madrugada parecia anunciar que o novo herdeiro não viria ao mundo de forma silenciosa. O vento uivava nas frestas das janelas de pedra do palácio, enquanto os aposentos reais viravam o centro do universo.
Desde os primeiros sinais de trabalho de parto, ao alvorecer, o Rei Jacob entrara num estado de pane absoluta. O soberano destemido, capaz de enfrentar exércitos sem piscar, andava de um lado para o outro no corredor com as mãos na cabeça, bufando como um touro enraivecido cada vez que ouvia um gemido de Renesmee vindo do quarto.
— Doutor Thorne! Abra essa porta! Ela está sentindo dor! Eu preciso entrar! — esmurrava Jacob a pesada folha de carvalho.
— Vossa Majestade, fique calmo! — pedia Seth Clearwater, tentando segurar o braço gigante do Rei junto com Sam Uley. — A Rainha Bella, a Rainha Carlie e as parteiras estão lá dentro! O senhor vai quebrar a porta!
— Que se dane a porta, Seth! É a minha esposa! — bradava Jacob, o rosto vermelho de nervosismo e os olhos arregalados.
Do outro lado do corredor, o Rei Taylor trazia o pequeno Bernardo nos ombros. O garotinho ria da agitação do tio:
— Tio Jake bravo! Tio Jake doido! — apontava Bernardo com a mãozinha cheia de farelos de biscoito.
— Bernardo tem razão, Jacob — provocou Taylor, rindo da desgraça do irmão. — Você parece um urso preso numa gaiola! Quando a Carlie teve o Bernardo, eu mantive a compostura!
— Você desmaiou três vezes no corredor, Taylor! Não venha dar uma de corajoso agora! — rebateu Jacob sem paciência, fazendo o conselho inteiro cair na gargalhada.
O Revelar da Menina
Após longas horas de expectativa, um choro forte, agudo e cristalino cortou o som da chuva que caía lá fora.
O silêncio caiu instantaneamente no corredor. Jacob congelou no lugar, a respiração presa na garganta. Antes mesmo que ele pudesse avançar, a porta abriu-se e Bella surgiu com os olhos brilhando de emoção, segurando um embrulho de mantas de seda azul-marinho e rendas brancas.
— Jacob... — chamou Bella, a voz embargada. — Venha conhecer a sua filha.
Jacob piscou, paralisado:
— F-Filha?... Uma... uma menina?
— Sim, meu Rei! — disse o Doutor Thorne com um sorriso enorme, aparecendo ao lado de Bella. — Uma princesa forte, linda e perfeitamente saudável!
Jacob deu passos lentos e trêmulos, como se pisasse em ovos. Quando olhou para o embrulho nos braços da sogra, viu um rostinho corado com pequenas bochechas gordinhas e tufos de cabelos acobreados e cacheados, idênticos aos da mãe. A menininha abriu os olhos cinzentos e brilhantes, soltando um pequeno espirro que fez o coração do Rei derreter-se por completo.
— Minha... minha garotinha... — murmurou Jacob, as lágrimas escorrendo abertamente pelo seu rosto forte. Ele pegou a bebê nos braços com um cuidado quase cômico, como se carregasse uma peça de cristal caríssima.
— O nome dela, Jake... — disse Renesmee fraca, mas com um sorriso radiante do topo da grande cama de dossel. — Nós tínhamos combinado...
Jacob aproximou-se da cama, ajoelhando-se ao lado de Renesmee e encostando a testa na dela, mantendo a pequena recém-nascida segura no seu peito:
— Princesa Jaqueline... — pronunciou Jacob com um orgulho imensurável. — A nossa pequena Jaqueline.
A Paparicação da Corte e o Papai Bobo
Nos dias que se seguiram, o palácio de La Push virou o cenário da maior bajulação da história dos dois reinos. Se Jacob já era superprotetor durante a gravidez, como pai de uma menininha ele tornou-se completamente incorrigível e babão.
O Rei não permitia que quase ninguém segurasse a bebê sem antes lavar as mãos três vezes com sabão de alfazema.
Na Sala do Trono, Edward e Bella observavam o genro sentado no assento real, usando a sua imponente coroa de rei, mas mantendo a pequena Jaqueline dormindo pacificamente no seu colo, enquanto ele tentava assinar decretos com apenas uma das mãos para não acordar a filha.
— Ele não solta essa menina nem para despachar os negócios da corte — riu Edward, captando os pensamentos de Jacob que eram puramente dedicados a ninar a filha.
— Olhe para isso, Bella! — comentou Rosalie, surgindo com uma caixinha de veludo cheia de sapatinhos de crochê rosa e coroas de flores em miniatura. — Eu fiz questão de desenhar os vestidos de passeios da Jaqueline. Ela vai ser a princesa mais estilosa de toda a península!
Alice, por sua vez, já preparava um ensaio fotográfico real:
— Eu encomendei asas de anjo de penas de cisne para colocar nela amanhã!
Nisso, o pequeno Bernardo veio correndo pelo salão, puxando a túnica de Jacob e tentando subir no trono para ver a priminha:
— Bebê Jaque! Deixa eu ver!
— Devagar, Bernardo! Não chegue muito perto do rostitinho dela! — advertiu Jacob com falsa severidade, mas acabou rindo e baixando o braço para que o sobrinho desse um beijinho carinhoso na testa da bebê.
Renesmee entrou no salão trajando um vestido fluido e elegante, visivelmente recuperada e com o rosto radiante de maternidade. Ao ver a cena do marido sentado no trono com a filha no colo e o sobrinho ao lado, ela encostou-se na pilastra com os braços cruzados, divertindo-se:
— Meu Rei... você sabia que existe uma manjedoura e um berço esculpido no nosso quarto justamente para a bebê dormir?
— O berço é muito longe da minha vista, Nessie — respondeu Jacob com a maior cara de pau do mundo, fazendo os olhos brilharem ao ver a esposa. — O lugar da Princesa Jaqueline é aqui, com o pai dela.
— Você está completamente perdido, Jacob Black — riu Renesmee, aproximando-se e selando os lábios do marido num beijo doce, enquanto a pequena Jaqueline soltava um bocejo gostoso no colo do Rei de La Push.
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