Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo

12 Promessas Sagradas, Risos Mudos e um Banquete Inesquecível



​O sol nasceu brilhando sobre as águas azuis da baía de La Push, anunciando o dia do casamento mais esperado da década. A Catedral Real fora decorada com milhares de rosas brancas e velas flutuantes de cristal. Todos os nobres do continente e o povo Quileute lotavam os bancos de madeira entalhada, ansiosos pelo clímax daquela disputa épica entre a Princesa e o Duque.

​No altar, Bernardo estava impecável. Usava a farda militar de gala da Alta Guarda Quileute, em tom azul-noite com detalhes em ouro puro, as medalhas de honra reluzindo no peito e a espada de cerimônia presa à cintura. Sua postura era ereta, mas seus olhos cinzentos não escondiam a expectativa impaciente.

​Quando as grandes portas de carvalho da catedral se abriram e as cornetas reais ressoaram, o templo inteiro silenciou.

​Jaqueline entrou acompanhada por Jacob. Ela estava espetacular. O vestido de noiva, em seda marfim, possuia um corpete ajustado bordado à mão com micropó de pérolas, saia fluida com uma cauda majestosa e um véu de renda de Viena que cobria suavemente seu rosto. Em suas mãos, um buquê de orquídeas brancas; em seus olhos verdes, o mesmo fogo indomável de sempre.

​Jacob caminhava a passos lentos, o peito estufado de orgulho, mas ao entregar a mão da filha para Bernardo, baixou a voz para o sobrinho:

​— Lembre-se do nosso acordo no escritório, Bernardo... Se você a fizer chorar, não haverá exército na Itália que consiga te esconder de mim.

​— Promessa de homem, tio — respondeu Bernardo, apertando a mão de Jacob antes de tomar os dedos delicados de Jaqueline.

​Ao lado do noivo, Jaqueline inclinou-se ligeiramente e sussurrou por baixo do véu, apenas para que ele ouvisse:

​— Aproveite o momento, Duque. É a última vez que você me vê de branco antes de passar a noite olhando para uma porta trancada.

​Bernardo sorriu de canto, erguendo o véu dela com extrema delicadeza para encarar os olhos da noiva.

​— Você está terrivelmente linda, minha futura esposa. E adoravelmente ameaçadora.

​O Bispo deu início à cerimônia. Durante os rituais, as trocas de olhares entre os dois eram verdadeiras batalhas silenciosas. Quando chegou o momento crucial dos votos, o silêncio na catedral tornou-se absoluto.

​— Bernardo, você aceita Jaqueline como sua legítima esposa, para amá-la, respeitá-la e honrá-la em todos os dias da sua vida? — perguntou o Bispo.

​Bernardo segurou as duas mãos de Jaqueline, encarando-a com uma intensidade que fez o peito da princesa arfar.

​— Aceito. Com toda a minha alma, com o meu respeito e com toda a minha vida — declarou ele, a voz firme e ressoando clara por toda a catedral.

​O Bispo virou-se para a noiva:

​— Jaqueline, você aceita Bernardo como seu legítimo marido, para amá-lo, respeitá-lo e honrá-lo em todos os dias da sua vida?

​Jaqueline hesitou por meio segundo, sentindo o olhar de todo o reino sobre si. Ela encarou o sorriso calmo e vitorioso de Bernardo e deu um suspiro dramático antes de responder:

​— Aceito. Mas que fique registrado que estou fazendo isso pelo bem do reino e pela paz da família!

​Risos contidos ecoaram pelos bancos, inclusive de Taylor e Renesmee.

​— Pelo poder investido em mim, eu vos declaro marido e mulher! — abençoou o Bispo. — O noivo pode beijar a noiva.

​A multidão prendeu a respiração, lembrando do beijo avassalador do baile de noivado. Jaqueline deu um passo atrás, estreitando os olhos em aviso:

​— Um selinho de protocolo, Bernardo! Nada de escândalos na frente do Bispo!

​Bernardo deu uma risada baixa, segurou o queixo dela com firmeza e depositou um beijo suave, porém demorado e incrivelmente carinhoso nos lábios dela, terminando com uma leve mordidinha no lábio inferior que fez Jaqueline arregalar os olhos e ficar vermelha como um pimentão.

​— A festa está apenas começando, Duquesa — murmurou ele perto do ouvido dela, oferecendo o braço.

​Os sinos da catedral dobraram festivos enquanto o novo casal caminhava sob uma chuva de pétalas de roseiras jogadas pelos convidados.

​O Banquete de Casamento

​A recepção no Grande Salão dos Espelhos era um espetáculo de luzes, música e fartura. Mesas repletas do famoso caviar e das suculentas carnes assadas Quileutes atendiam aos gostos de todos. O vinho fluía livremente e a orquestra real embalava os nobres.

​Na mesa de honra, os recém-casados recebiam os cumprimentos.

​— Meus parabéns ao novo casal! — exclamou Taylor, erguendo sua taça de cristal ao lado de Carlie. — Bernardo, meu filho, você finalmente conseguiu prender essa tempestade num anel de casamento!

​— Não me provocou tanto, tio Taylor, que eu posso pedir o divórcio antes da sobremesa! — rebateu Jaqueline, servindo-se de uma taça alta de champanhe.

​— O contrato já foi assinado e selado pelo Rei, Jaque — provocou Bernardo, recostando-se na cadeira ao lado dela e passando o braço pelo encosto da cadeira da esposa com extrema casualidade. — Não há devolução. Agora você é oficialmente a Duquesa de La Push.

​— Uma Duquesa com plenos direitos territoriais e um quarto só para mim — lembrou ela, dando um gole no champanhe e olhando para ele de soslaio.

​Nisso, Seth e Quil aproximaram-se da mesa com canecas cheias de cerveja preta, rindo e fazendo reverências exageradas.

​— Vossa Alteza, Vossa Graça! — brincou Seth. — Viemos saudar o noivo mais corajoso da história de La Push! Bernardo, nós fizemos uma aposta na guarda sobre quanto tempo a tranca do quarto da Jaque vai aguentar hoje à noite.

​Jaqueline quase cuspiu o champanhe, enquanto Carlie e Renesmee caíam na gargalhada.

​— Seth! Seu moleque atrevido! — ralhou a princesa, pegando um pãozinho da mesa e jogando na cabeça do jovem.

​— O que foi, Jaque? É uma curiosidade científica! — riu Quil, desviando de outro pãozinho. — Eu apostei dez moedas de ouro que o Bernardo arromba a porta antes da meia-noite!

​Bernardo deu um sorriso misterioso, ajeitando a gola da farda e olhando para Jaqueline, que encarava o marido com uma mistura de indignação e um rubor incontrolável nas bochechas.

​— Podem guardar as suas moedas, rapazes — disse Bernardo com extrema serenidade e charme. — Um bom estrategista não arromba portas. Ele faz com que a fortaleza abra os portões voluntariamente.

​— Em seus sonhos mais loucos, Duque! — disparou Jaqueline, levantando-se da mesa com elegância e ajeitando a cauda do vestido. — A recepção está ótima, a comida está excelente, mas eu vou para os meus aposentos descansar da sua arrogância. Tenha uma boa noite sozinho no quarto de hóspedes, meu marido!

​Ela deu uma piscadela desafiadora para a mesa, segurou a barra do vestido e caminhou triunfante em direção aos aposentos reais.

​Na mesa, Jacob encarou o genro com uma sobrancelha erguida.

​— E agora, Bernardo?

​Bernardo pegou sua taça de vinho, deu um gole tranquilo e observou a silhueta da esposa desaparecer pelo corredor.

​— Agora, meu Rei... a noite de núpcias finalmente vai começar.