Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo
7 Pactos de Homens e Promessas de Fogo
O café da manhã finalmente havia terminado, mas a tensão na atmosfera do palácio ainda vibrava. No escritório real — uma sala ampla revestida de carvalho escuro, repleta de mapas do território Quileute e relatórios militares —, o Rei Jacob analisava alguns papéis ao lado de Taylor.
Três batidas firmes soaram na porta de madeira pesada.
— Entre — ordenou Jacob, sem erguer os olhos da mesa.
Bernardo passou pela porta, fechando-a com cuidado. Ele havia mudado sua postura; o tom debochado da mesa de jantar dera lugar à seriedade de um militar e à determinação de um homem que sabia exatamente o que queria.
— Tio Jacob. Pai. Precisamos conversar a sós — disse Bernardo, caminhando até o centro da sala e parando em posição firme diante deles.
Taylor franziu o cenho, largando o cachimbo que acendia, enquanto Jacob reclinava-se na grande poltrona de couro, encarando o sobrinho com curiosidade.
— O que houve, meu filho? Algum problema nas patrulhas da fronteira? — perguntou Taylor.
— Não, pai. É um assunto pessoal. E envolve o futuro da família real — Bernardo respirou fundo, sustentando o olhar direto do Rei. — Vim pedir a mão de Jaqueline em casamento.
O silêncio no escritório tornou-se absoluto por alguns segundos. Taylor quase derrubou o cachimbo sobre o mapa, e Jacob piscou, pego completamente de surpresa. O Rei ergueu uma sobrancelha, examinando a expressão inabalável do jovem Duque.
— Você está falando sério, Bernardo? — perguntou Jacob, a voz descendo uma oitava, carregada de um peso sutil. — Vocês dois passaram a infância inteira se arranhando como gato e cachorro. Até uma hora atrás, estavam trocando farpas que poderiam cortar pedras na mesa do café.
— A rivalidade sempre foi o nosso disfarce, tio — admitiu Bernardo, com a voz firme e sincera. — Eu conheço a Jaqueline melhor do que qualquer um nesta península. Eu sei da teimosia dela, do fogo que ela tem no peito e do orgulho inabalável. Nenhuma mulher nesta terra jamais me despertou o que ela desperta. E eu sei que, sob esse deboche todo, ela também sente o mesmo. Quero saber se o senhor e o meu pai se opõem a esta união.
Taylor olhou para Jacob e depois para o próprio filho, um sorriso orgulhoso e surpreso começando a transparecer em seu rosto.
— Ora... isso explica muita coisa — murmurou Taylor, soltando uma risada baixa. — As brigas diárias, a raiva quando você partiu para a Itália...
Jacob levantou-se devagar, contornando a mesa de carvalho até parar a poucos passos de Bernardo. O Rei Quileute olhou bem nos olhos do sobrinho, a fisionomia séria demonstrando toda a sua dimensão como pai.
— Bernardo, a Jaqueline é a minha menina, o meu maior tesouro — disse Jacob, a voz embargada de proteção. — Ela é forte e rebelde, mas por dentro tem um coração de ouro. Eu aceito o seu pedido e abençoo esse casamento, porque sei que você é um homem de honra, criado pelo meu irmão Taylor. Mas escute bem: se você fizer a minha filha chorar, se tratar a Jaqueline mal ou faltar com o respeito a ela uma única vez... o fato de ser meu sobrinho não vai te salvar da minha ira. Entendeu?
Bernardo deu um passo à frente e estendeu a mão para o Rei, selando o pacto com um aperto firme e inquebrável.
— Eu prometo diante dos espíritos dos nossos ancestrais, tio Jacob. Eu vou respeitá-la, protegê-la e honrá-la com a minha própria vida. Ela nunca será tratada com nada menos do que o respeito que uma rainha merece.
— Então temos um acordo, meu filho — sorriu Taylor, dando um abraço forte no Duque. — Prepare-se, porque convencer a noiva vai ser a batalha mais difícil da sua vida.
À noite, o Salão de Jantar de Gala brilhava sob a luz suave de dezenas de velas de cera de abelha. A mesa estava posta com pratos de porcelana e cálices de cristal. Todos estavam reunidos: Jacob, Renesmee, Carlie, Taylor, Seth, Quil, Jaqueline e Bernardo.
A refeição transcorreu de forma leve, com risadas e conversas sobre a rotina da guarda real. No entanto, no momento em que os servos retiraram os pratos principais para servir as sobremesas, Jacob limpou a garganta e bateu levemente a colher de prata em seu cálice.
— Atenção a todos — pediu o Rei, ostentando um sorriso radiante. — A noite de hoje é muito especial. Como bem conversamos esta manhã, o futuro de La Push depende da união da nossa família e da estabilidade das nossas alianças. Por isso, temos um grande anúncio a fazer.
Jaqueline, que levava uma colher de pudim de baunilha à boca, parou o movimento, olhando para o pai com desconfiança. Bernardo mantinha a postura impecável ao seu lado, bebendo um gole de vinho com a expressão misteriosa.
— Um novo casal será formado para honrar a história do nosso clã — continuou Jacob, com o peito cheio de orgulho. — É com grande alegria que anuncio o noivado da minha filha, Princesa Jaqueline, com o Duque Bernardo!
Um segundo de silêncio mortal caiu sobre a mesa.
No segundo seguinte, Carlie e Renesmee soltaram exclamações de alegria, enquanto Seth dava uma gargalhada e começava a aplaudir. Mas a reação da noiva foi devastadora.
A colher de Jaqueline caiu sobre a porcelana com um estalo agudo. O rosto da princesa perdeu a cor por um instante, apenas para ser tomado por uma onda fulminante de raiva. Ela se levantou da cadeira de golpe, fazendo o móvel arranhar o chão de mármore com violência.
— O QUÊ?! — gritou Jaqueline, a voz ecoando pelas paredes do salão. — Vocês enlouqueceram?! Ficaram malucos de pedra?!
— Jaqueline, por favor, acalme-se... — tentou intervir Renesmee, surpresa com a intensidade da reação.
— Acalmar, mãe?! — disparou a princesa, os olhos verdes cuspindo fogo enquanto olhava de Jacob para Taylor. — O papai simplesmente decidiu rifar a própria filha sem me consultar?! Vocês planejaram isso pelas minhas costas como se eu fosse um pedaço de terra a ser negociado num tratado de paz?!
— Minha filha, o Bernardo veio ao meu escritório hoje e... — começou Jacob, mas foi interrompido brutalmente.
— Eu não me importo para onde ele foi ou o que ele disse! — Jaqueline bateu as duas mãos na mesa, fazendo as taças de cristal tremerem. Ela virou o rosto devagar, direcionando todo o seu ódio acumulado para Bernardo.
O Duque continuava sentado, calmo, encarando-a com aquele olhar cinzento que não demonstrava um pingo de arrependimento.
— Você... — sibilou ela, dando a volta na mesa e parando bem diante dele, o peito arfando de fúria e indignação. — Você acha que é muito esperto, não acha, Bernardo? Acha que pode brincar de mestre do destino e me prender a você com um anel de noivado?
Bernardo levantou-se devagar, ficando no topo de sua altura e olhando-a bem nos olhos, sem recuar um milímetro.
— Eu não estou brincando, Jaque. E você sabe muito bem disso — disse ele, a voz grave e contida.
— Pois escute bem o que vou te dizer, Duque de meia-pataca — disparou Jaqueline, o tom carregado de uma promessa venenosa enquanto apontava o indicador contra o peito dele. — Nós vamos nos casar, sim! Já que o meu pai e o seu pai fazem tanta questão desse circo, eu vou subir ao altar, vou vestir a droga do vestido branco e vou dizer 'sim' na frente de todo o reino!
Ela se aproximou mais, ficando a milímetros do rosto dele, e sussurrou com uma intensidade dramática que fez toda a mesa prender a respiração:
— Mas grave bem esta promessa, Bernardo: nós seremos marido e mulher no papel, perante a lei e perante o povo... mas eu NUNCA serei sua no leito conjugal! Você vai dormir sozinho todas as noites da sua vida, olhando para a porta trancada do meu quarto! É isso o que você ganhou!
Sem esperar por qualquer resposta, Jaqueline virou as costas de forma triunfante e dramática, segurando a barra do vestido enquanto saía pisando fundo pelo salão principal. O baque da porta dupla se fechando com força fez poeira subir dos arcos de pedra.
Na sala de jantar, o silêncio era absoluto. Seth encarava o prato de sobremesa com os olhos arregalados, enquanto Jacob passava a mão pelo rosto, soltando um longo suspiro.
Bernardo, no entanto, não parecia nem um pouco abalado. Ele ajustou os punhos da camisa, pegou sua taça de vinho e deu um longo gole, enquanto um sorriso lento, debochado e perigosamente fascinado surgia em seus lábios.
— Ela fica incrível quando faz promessas — murmurou o Duque para si mesmo, aceitando o desafio que acabara de ser lançado.
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