Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo

21 O Sol de Inverno, Sorrisos Cúmplices e o Deboche da Corte



​A manhã seguinte ao Grande Banquete de Inverno amanheceu com um céu azul cristalino e um sol radiante refletindo na neve fresca de La Push. Mas, dentro do palácio, o calor verdadeiro vinha do caminho até a Grande Sala de Desjejum.

​Jaqueline e Bernardo desceram a imensa escadaria de mármore lado a lado. O contraste com os dias anteriores era absoluto: não havia mais a distância calculada de dois metros, os passos apressados de mágoa ou as reverências gélidas de protocolo.

​Jaqueline vestia um vestido matinal de lã macia em tom verde-esmeralda, com os cabelos acobreados parcialmente soltos, caindo em ondas suaves sobre os ombros. A pele da princesa ostentava um rubor natural e radiante, e seus olhos verdes brilhavam com uma serenidade inédita. Bernardo, ao seu lado, vestia uma túnica casual de linho escuro sob um colete de couro. Sua postura continuava altiva e militar, mas o ar sombrio dos últimos dias derretera completamente; ele mantinha a mão firmemente espalmada na curva das costas de Jaqueline, guiando-a com uma posse carinhosa que não tentava esconder de ninguém.

​Ao se aproximarem das portas duplas do salão, de onde saía o aroma tentador de pães assados, café fresco e toucinho, Bernardo parou e segurou a mão da esposa, levando os nós dos dedos dela aos lábios para um beijo demorado.

​— Preparada para enfrentar o tribunal da família, minha esposa? — provocou ele, com aquele velho e irresistível sorriso de canto. — Você sabe que eles não vão deixar passar batido.

​Jaqueline deu um tapa brincalhão no peito dele, sentindo as bochechas esquentarem, mas sem desviar o olhar.

​— Deixe que falem, Duque. Depois de sobreviver à sua teimosia por semanas, piadas de mesa são um passeio nos jardins.

​Bernardo sorriu, abriu a porta e os dois entraram juntos.

​O salão de café da manhã estava movimentado. A mesa longa acomodava a família real e os convidados de honra. Carlisle e Esme liam relatórios e conversavam em tom baixo; Edward e Bella serviam frutas para as crianças; enquanto Jacob, Seth e Emmett devoravam pilhas impressionantes de panquecas e assados.

​Assim que Bernardo puxou a cadeira para Jaqueline se sentar — com um cuidado extremo e inclinando-se para sussurrar algo no ouvido dela que a fez soltar uma risada curta e corar até as orelhas —, o silêncio caiu subitamente sobre a mesa.

​Emmett Cullen foi o primeiro a congelar com o garfo no meio do caminho para a boca. Ele olhou para Bernardo, depois para Jaqueline, e de volta para Bernardo, abrindo um sorriso gigantesco e Diabólico.

​— Ora, ora, ora... — cantarolou Emmett, apoiando os cotovelos na mesa. — Bom dia aos recém-casados! Ou devo dizer... finalmente casados?

​Jaqueline quase engasgou com o primeiro gole de suco de laranja.

​— Emmett! — repreendeu Esme suavemente, embora a matriarca dos Cullen ostentasse um sorriso caloroso e conhecedor no rosto.

​— O quê, Esme? Eu só estou fazendo uma observação científica! — defendeu-se Emmett, gargalhando. — Olhe para o Bernardo! Ontem à noite ele parecia um urso rabugento pronto para morder a cabeça de um general. Hoje o homem parece que ganhou a guerra, a coroa e a província inteira!

​— Na verdade — interrompeu Edward Cullen, com a voz serena e um brilho divertido nos olhos dourados —, o ar nesta sala está consideravelmente mais leve. A tempestade que pairava sobre a Ala Leste parece ter sido substituída por uma calmaria adorável.

​— Calmaria? — debochou Seth, rindo atrás de uma xícara de chá. — O Capitão nem sequer gritou com a guarda durante a troca de turno das seis da manhã! Ele passou por nós, deu 'bom dia' e ainda elogiou o estado dos cavalos! Nós achamos que ele tinha sido substituído por um impostor!

​A mesa inteira caiu na risada. Até mesmo Carlisle balançava a cabeça com um sorriso discreto.

​Jaqueline tentou manter a postura de princesa firme, ajeitando o guardanapo no colo, mas o rubor em seu rosto a entregava completamente. Ela deu um beliscão discreto na coxa de Bernardo por debaixo da mesa, mas o Duque nem sequer piscou. Em vez disso, Bernardo cobriu a mão dela com a sua sob a mesa, segurando-a com carinho, enquanto usava a outra mão para servir uma fatia generosa de bolo de mel no prato da esposa.

​— Seth, meu caro — disse Bernardo, num tom perfeitamente calmo e cheio de ironia autoritária —, se a guarda está com tanto tempo livre para analisar meu bom humor matinal, significa que o treino de esgrima da tarde pode ser dobrado.

​— Retiro o que eu disse! O Capitão continua implacável! — resmungou Seth, fazendo todos rirem novamente.

​Bella Cullen, sentada à frente do casal, inclinou-se com um sorriso acolhedor para Jaqueline.

​— Você está radiante, Jaque. O inverno parece ter feito bem a vocês dois.

​— Muito bem — acrescentou Renesmee, trocando um olhar de cumplicidade com a filha. — É muito bom ver meus aposentos principais finalmente cheios de vida e harmonia. Nada como uma boa conversa no jardim de neve para colocar as coisas no lugar.

​Jaqueline olhou para a mãe, depois para o marido ao seu lado. Bernardo retribuiu o olhar com uma intensidade tão quente e profunda que todo o falatório ao redor pareceu desaparecer por um segundo. Ele ergueu a mão dela por cima da mesa, sem se importar com os comentários e risinhos de Emmett, e beijou a palma de sua mão.

​— A tempestade passou, Vossa Graça — sussurrou Bernardo para ela, alto o suficiente apenas para os dois.

​— Passou, meu Duque — respondeu Jaqueline, sorrindo abertamente, sem qualquer escudo ou medo, sabendo que aquele era apenas o primeiro dia de uma vida inteira juntos.