Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo

20 Fogo sobre Cetim, a Entrega da Princesa e a Noite de La Push



​O vento uivava do lado de fora das janelas de carvalho da Suíte Principal, mas dentro do quarto o frio do inverno não tinha qualquer poder. A lareira estalava com uma chama alta e dourada, projetando sombras longas e quentes sobre o tapete persa e os lençóis de linho branco. O ar cheirava a madeira de carvalho, mel e ao perfume marcante que pertenceu a ambos durante aquele reencontro.

​Bernardo fechou a grande porta de carvalho com um baque surdo e, pela primeira vez em meses, girou a chave mestra na fechadura com um estalo definitivo. O som, que antes causava sobressalto a Jaqueline, agora soava como uma promessa de refúgio.

​Ele virou-se devagar. Jaqueline estava parada no centro do quarto, ao pé da imensa cama de casal. Ela já havia tirado a capa pesada de pele. O vestido de veludo azul-noite moldava seu corpo com perfeição, mas suas mãos tremiam ligeiramente. Não era mais de frio nem de medo do conflito, mas da expectativa avassaladora da primeira noite real que compartilhariam.

​Bernardo aproximou-se com a calma de um caçador que acolhe, não que ataca. Seus olhos cinzentos não carregavam mais a frieza diplomática dos últimos dias; eram brasas vivas de desejo e uma ternura que fez o peito de Jaqueline apertar.

​— Você tem certeza, Jaque? — perguntou ele, a voz baixinha e rouca, parando a um passo de distância. Suas mãos firmes subiram lentamente até encontrar o rosto dela, os polegares acariciando as maçãs de suas bochechas ainda coradas pelo frio do jardim. — Se dermos esse passo, não haverá mais recuos, nem brigas de orgulho, nem barreiras entre nós. Você será minha por inteiro, assim como eu já sou seu desde o dia em que te vi no altar.

​Jaqueline ergueu o rosto, cobrindo as mãos dele com as suas. O olhar verde, firme e repleto de amor, encarou-o sem hesitação.

​— Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida, Bernardo — murmurou ela, a voz veludosa e sincera. — Não quero mais barreiras. Quero ser sua.

​Um sorriso suave e apaixonado surgiu nos lábios do Duque. Inclinando-se devagar, ele selou os lábios dela em um beijo calmo, profundo e carregado de reverência. Não havia a pressa desesperada do jardim, mas um toque maduro e carinhoso que fez os joelhos de Jaqueline fraquejarem. A língua dele pediu passagem com doçura, explorando cada canto da boca dela enquanto seus braços fortes a puxavam para junto do seu peito aquecido.

​Com dedos ágeis e cuidadosos, Bernardo começou a desatar os laços do corpete de veludo. A peça deslizou pelos ombros de Jaqueline, caindo suavemente sobre o tapete, seguida pelas saias armadas, deixando-a apenas com uma fina camisola de cetim marfim que deixava entrever as linhas delicadas de sua silhueta.

​Jaqueline deu um leve suspiro quando as mãos quentes de Bernardo tocaram sua pele despida na cintura. Ela, por sua vez, levou as mãos aos botões da farda dele, abrindo-os um a um até expor o peito largo, esculpido e marcado por pequenas cicatrizes de treino do Duque. Ela passou as pontas dos dedos por aquele peito, sentindo o coração dele bater descontrolado contra sua palma.

​— Você é lindo, meu Duque... — sussurrou ela, admirando a virilidade do marido com uma honestidade que arrancou um gemido baixo da garganta dele.

​— E você é a minha perdão, Princesa — respondeu Bernardo, a voz tremendo de emoção.

​Ele a pegou nos braços com extrema facilidade, fazendo-a soltar uma risada curta de surpresa, e a deitou no centro da cama macia. O cetim das cobertas acolheu o corpo dela enquanto Bernardo se acomodava entre suas pernas, cobrindo-a com o peso caloroso de seu corpo, sem jamais despejar sua força total sobre ela.

​A luz da lareira desenhava contornos dourados na pele alva de Jaqueline. Bernardo desceu os beijos do queixo dela para o pescoço, encontrando o ponto sensível logo abaixo da orelha que fez a princesa arquear as costas e entrelaçar os dedos nos cabelos escuros dele. Cada beijo dele era um hino de devoção; cada carícia nas coxas e na cintura dela eliminava qualquer resquício de timidez.

​Devagar, com uma delicadeza tocante, ele removeu a última camada de cetim. Jaqueline sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha ao ver os olhos dele devorarem seu corpo com puro deslumbre e respeito. Bernardo a tratava como um tesouro precioso que esperara a vida inteira para possuir.

​— Bernardo... — chamou ela, a respiração entrecortada quando ele começou a acariciar a parte interna de suas coxas, preparando-a com calma, sem pressa, garantindo que ela estivesse pronta para o momento da entrega.

​— Estou aqui, meu amor. Sempre aqui — respondeu ele, subindo de volta para selar seus lábios, abafando o suspiro de surpresa de Jaqueline quando seus corpos finalmente se uniram pela primeira vez.

​Houve um breve instante de tensão, um pequeno sobressalto de dor pela perda de sua inocência, mas Bernardo parou imediatamente. Ele manteve o corpo firme, selando a testa dela com beijos carinhosos e sussurrando palavras de conforto em seu ouvido:

​— Respire, Jaque... Olhe para mim. É apenas você e eu.

​Jaqueline abriu os olhos verdes, encontrando a imensidão cinzenta e amorosa do marido. A dor inicial dissolveu-se rapidamente, substituída por uma onda profunda de calor e pertencimento. Ela abraçou-o pelo pescoço, puxando-o para mais perto.

​— Não pare... — pediu ela num sopro, selando os lábios dele.

​Bernardo iniciou um movimento lento, ritmado e incrivelmente carinhoso. A cada investida macia, o prazer cobria a memória de qualquer receio. O quarto foi preenchido por sussurros apaixonados, o som suave da respiração de ambos e o estalar acolhedor da madeira na lareira. A entrega de Jaqueline foi completa, despida de qualquer orgulho ou defesa, enquanto Bernardo a guiava por sensações que ela jamais imaginara existir.

​O ritmo aumentou gradativamente, não por violência, mas pela paixão avassaladora que se acumulara ao longo de meses de distância e desejos contidos. Quando o ápice do prazer os atingiu juntos, Jaqueline soltou um gemido agudo de pura extasia, agarrando-se aos ombros largos dele enquanto Bernardo encontrava seu próprio alívio, pronunciando o nome dela como uma prece final.

​Minutos depois, o silêncio reconfortante voltou a dominar a suíte.

​Jaqueline repousava a cabeça no peito nu de Bernardo, ouvindo o ritmo calmo das batidas do coração dele. A coberta de veludo cobria os dois até a cintura. O braço forte do Duque envolvia os ombros dela, mantendo-a colada ao seu corpo, enquanto com a outra mão ele brincava com uma mecha dos cabelos acobreados da esposa.

​— No que você está pensando? — perguntou Bernardo suavemente, beijando o topo da cabeça dela.

​Jaqueline sorriu no escuro, traçando círculos imaginários no peito dele com a ponta do indicador.

​— Estou pensando no tempo que perdi tentando lutar contra você — confessou ela, a voz serena e cheia de paz. — E em como a sensação de estar nos seus braços é o único lugar no reino onde eu me sinto verdadeiramente livre.

​Bernardo soltou uma risada baixa e melodiosa, apertando-a um pouco mais forte contra si.

​— O orgulho cobrou um preço alto, Princesa... mas a recompensa desta noite valeu cada segundo de espera.

​Jaqueline ergueu o queixo, encarando o marido com um brilho maroto nos olhos verdes, a antiga cumplicidade finalmente restabelecida, mas agora banhada por um amor indestrutível.

​— Não se acostume, Duque. Eu ainda sou a Princesa de La Push.

​— E eu sou o seu eterno servo, Vossa Graça — brincou ele, antes de puxá-la para mais um beijo demorado e apaixonado, selando o início de uma nova história para o casal sob o luar de inverno.