​Os dias que se seguiram foram uma distorção temporal. Dhorwack MacKenzie, o Rei de Aethelgard, já não se importava com as aparências ou com o protocolo de sua visita diplomática. Ele passava as tardes e noites no refúgio de Elowen, vivendo uma vida que parecia mais real do que qualquer realidade que já conhecera. Entre os lençóis de seda e os diálogos que atravessavam a madrugada, ele não era um monarca, e ela não era uma cortesã; eram apenas dois náufragos que haviam encontrado terra firme um no outro.

​Mas as fronteiras de um reino não esperam pelo coração de um homem. Um mensageiro de Aethelgard chegou com urgência: questões de Estado exigiam o retorno imediato do rei. O dever, essa sombra persistente, finalmente o alcançara.

​Na última noite, o quarto de Elowen parecia mais silencioso do que o habitual. Dhorwack não levou apenas a si mesmo; levou um estojo de veludo negro. Ao abri-lo, o brilho das velas refletiu em um pingente de diamante, lapidado perfeitamente no formato de um coração, suspenso por uma corrente de ouro branco que parecia feita de luz pura.

​— Para que você nunca se esqueça que, enquanto este pingente brilhar, o meu coração pertence a este lugar — disse ele, prendendo a joia no pescoço dela. Suas mãos tremeram levemente, um gesto humano que ele raramente permitia. — Eu vou voltar, Elowen. Eu sempre voltarei. Não importa a distância, nem as coroas que nos separam.

​Elowen tocou o frio do diamante contra sua pele quente. Ela queria rir, queria dizer que reis faziam promessas como quem sopra dentes-de-leão, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Ela apenas o beijou, um beijo com gosto de despedida e de uma esperança que ela jurara nunca mais sentir.

​O Vazio Pós-Tempestade

​Quando o sol nasceu e as carruagens dos MacKenzie cruzaram os portões de Valerius, o silêncio caiu sobre a mansão de Elowen como um manto de chumbo.

​A mulher que todos conheciam como fria, calculista e inabalável, sentiu o peso da ausência de Dhorwack como uma ferida aberta. Ela caminhava pelos corredores que antes dominava com orgulho, mas agora as paredes pareciam apertá-la. A joia em seu peito era um lembrete constante de que algo nela havia mudado — ela não era mais apenas a dona da casa, era uma mulher que sentia falta do cheiro e do toque de um homem específico.

​Os nobres batiam à sua porta. Duques, condes e príncipes de terras distantes ofereciam fortunas pelo seu tempo, pela sua atenção, por um simples olhar. Mas Elowen Styles, pela primeira vez na vida, estava inacessível.

​— A senhora Styles não está recebendo ninguém — repetiam as criadas, seguindo as ordens rígidas de sua patroa.

​Ela passava as noites sentada à janela, olhando para a estrada que levava ao norte, para Aethelgard. O brilho dos diamantes em seu pescoço era a única luz em sua penumbra. Ela, que sempre soube o preço de tudo, finalmente descobrira o valor da saudade. Sem Dhorwack, a casa mais requisitada de Valerius tornara-se o lugar mais solitário do mundo, e a rainha da noite agora vivia no inverno de sua própria espera.