Coroas de Ferro e Veludo
6 O Silêncio da Joia
Os dias que se seguiram foram uma distorção temporal. Dhorwack MacKenzie, o Rei de Aethelgard, já não se importava com as aparências ou com o protocolo de sua visita diplomática. Ele passava as tardes e noites no refúgio de Elowen, vivendo uma vida que parecia mais real do que qualquer realidade que já conhecera. Entre os lençóis de seda e os diálogos que atravessavam a madrugada, ele não era um monarca, e ela não era uma cortesã; eram apenas dois náufragos que haviam encontrado terra firme um no outro.
Mas as fronteiras de um reino não esperam pelo coração de um homem. Um mensageiro de Aethelgard chegou com urgência: questões de Estado exigiam o retorno imediato do rei. O dever, essa sombra persistente, finalmente o alcançara.
Na última noite, o quarto de Elowen parecia mais silencioso do que o habitual. Dhorwack não levou apenas a si mesmo; levou um estojo de veludo negro. Ao abri-lo, o brilho das velas refletiu em um pingente de diamante, lapidado perfeitamente no formato de um coração, suspenso por uma corrente de ouro branco que parecia feita de luz pura.
— Para que você nunca se esqueça que, enquanto este pingente brilhar, o meu coração pertence a este lugar — disse ele, prendendo a joia no pescoço dela. Suas mãos tremeram levemente, um gesto humano que ele raramente permitia. — Eu vou voltar, Elowen. Eu sempre voltarei. Não importa a distância, nem as coroas que nos separam.
Elowen tocou o frio do diamante contra sua pele quente. Ela queria rir, queria dizer que reis faziam promessas como quem sopra dentes-de-leão, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Ela apenas o beijou, um beijo com gosto de despedida e de uma esperança que ela jurara nunca mais sentir.
O Vazio Pós-Tempestade
Quando o sol nasceu e as carruagens dos MacKenzie cruzaram os portões de Valerius, o silêncio caiu sobre a mansão de Elowen como um manto de chumbo.
A mulher que todos conheciam como fria, calculista e inabalável, sentiu o peso da ausência de Dhorwack como uma ferida aberta. Ela caminhava pelos corredores que antes dominava com orgulho, mas agora as paredes pareciam apertá-la. A joia em seu peito era um lembrete constante de que algo nela havia mudado — ela não era mais apenas a dona da casa, era uma mulher que sentia falta do cheiro e do toque de um homem específico.
Os nobres batiam à sua porta. Duques, condes e príncipes de terras distantes ofereciam fortunas pelo seu tempo, pela sua atenção, por um simples olhar. Mas Elowen Styles, pela primeira vez na vida, estava inacessível.
— A senhora Styles não está recebendo ninguém — repetiam as criadas, seguindo as ordens rígidas de sua patroa.
Ela passava as noites sentada à janela, olhando para a estrada que levava ao norte, para Aethelgard. O brilho dos diamantes em seu pescoço era a única luz em sua penumbra. Ela, que sempre soube o preço de tudo, finalmente descobrira o valor da saudade. Sem Dhorwack, a casa mais requisitada de Valerius tornara-se o lugar mais solitário do mundo, e a rainha da noite agora vivia no inverno de sua própria espera.
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