Trovões inundavam os céus, raios os cortavam como se fossem a última coisa que precisavam fazer, a chuva caia incansavelmente pela grande Arcadia, Morgareth inspirou o pouco de oxigênio que conseguiu e o soltou pesadamente, seus cabelos castanhos claro estavam grudados em sua face, invadida pelo suor.

-Minha rainha... — disse Holga a serva e braço direito de Morgareth, Holga olhou espantada para ela, estava debruçada entre vários lençóis espalhados pelo chão, Holga olhou para sua rainha derrotada pela dor, fechou os punhos, para conter o nervosismo, estava na hora...De primeira ela não entendeu o por que daquilo, uma vez que a cama estava disponível, olhou para Morgareth em busca de respostas, a verdade, era que ela nunca tinha feito um parto antes...

-Ele não pode saber ...- disse segurando o grito que insistia em sair, respirou fundo várias vezes para que de alguma forma, a dor pudesse desaparecer. – Ninguém pode...Por favor, me ajude...- disse implorando.

-Vou buscar água quente ...- disse se virando.

-Não! Holga....Faça o parto agora...- Holga olhou os olhos suplicantes da mulher a sua frente, sabia que aquilo não era um pedido, mas sim uma ordem.

Rapidamente Holga colocou um pedaço de pano em sua boca, para conter os gemidos que a cada minuto, ficavam mais altos, a colocou em um pequeno banco de madeira, agradeceu os céus, pelo teto baixo, aquele cômodo, era o único do castelo que o teto não era alto, pegou cordas grossas e amarrou no lustre de metal escuro, e com a outra ponta, amarrou suas mãos, as deixando pendurada, abriu suas pernas e dobrou o vestido para que sua visão periférica pudesse ser melhorada.

-Esta na hora...Puxe..- disse já vendo a cabeça do bebe.

Morgareth pegou nas cordas, sentindo cada músculo de seu corpo enrijecer-se com a dor, puxou com todas as suas forças, queria acabar com tudo de uma vez, mordeu o pano já úmido pela saliva, contorceu-se na cadeira, e soltou o pesado ar...

-Vamos minha senhora, já posso ver a cabeça....- assentiu com o pedido de sua serva, olhou para a porta, temendo que alguém pudesse ouvir seus abafos pesados. – Não se preocupe, a torre esta limpa, ninguém vem aqui faz meses...- disse Holga seguindo seu olhar. – Agora, puxe!

Sem mais delongas Morgareth obedeceu Holga, suas forças estavam se esgotando, mas não ia desistir tão facilmente, juntou todas as suas energias restantes e puxou.

-Isso...- disse Holga pegando a criança logo em seguida, sorriu ao ver o sexo do bebe.- é um lindo menino...

-Desamarre-me...- disse fracamente...Holga pegou os lençóis e os envolveu no lindo bebe em seus braços, colocando-o em cima da limpa cama.

Desamarrou as cordas do lustre e as tirou das mãos de sua rainha, a ajudou a se levantar.

-Não...Deixe-me no chão, se virem os lençóis sujos de sangue, ele vai saber...

-O chão esta cheio de sangue...Você esta cheia de sangue...

-Me coloque no chão...- sem mais pretextos Holga a obedeceu. –Me de o bebe...

Holga pegou o pequeno ser em cima da cama, era tão lindo, olhos negros iguais os da mãe, cabelos pretos que nem a escuridão, sua pele clara poderia ser comparada as nuvens que continham no céu, suas maças rosadas eram claras, mas sabia que iam ficar mais escuras ao decorrer do tempo.

Entregou-o para Morgareth que rapidamente o aninhou em seus braços, cantando uma canção já conhecida por ela...

-O que será de vocês agora?- disse se referindo para ela e para o bebe.

-Fugiremos..- disse sem tirar os olhos de seu precioso filho.

-E Julian...?

-Ele ficará bem com o pai...- disse olhando de uma forma fria para sua serva, Holga abaixou o olhar, mordeu seu lábio inferior.

Quando Holga descobriu que a rainha estava grávida, nunca imaginou que o bebe fosse do pior inimigo de toda Arcadia, o rei Herick.

Morgareth precisava de ajuda para esconder a gravidez, mas sabia que era impossível, quando seu marido descobriu, jurou pela vida do filho que tiveram juntos, que ele mataria a criança quando ela nascesse.

-Qual é o nome dele?- disse agachando-se para o ver melhor.

-Marcel...O nome dele é Marcel...

Daquele dia em diante, Morgareth faria de tudo para que Philip não descobrisse o paradeiro de seu filho, e sabia onde exatamente esconde-lo.

Olhou para Holga a sua frente, elas não tinham uma relação de rainha e serva, mas sim de irmãs...

-Preciso de sua ajuda minha amiga... — disse pegando em sua mão.

-Senhora...- falou como uma forma de prosseguir.

-Quero que leve Marcel até Atlanta.

Na noite gélida, sob a luz do luar, Holga carregava uma criança em seus braços, o protegendo da tempestade, seu braço envolveu a pequena criança mais forte, enquanto sua outra mão apertava fortemente a mão de sua filha.

-Mamãe, onde estamos indo?- disse a criança para a mulher.

-Vamos ter que fazer uma viagem longa minha filha, não solte minha mão por nada. – Holga olhou para sua pequena criança que assentiu sem pretextos, sentiu uma dor enorme em seu coração por tê-la envolvido nisso, mas recebera a obrigação de levar Marcel até Atlanta e sabia que nunca mais voltaria para Arcadia, e não poderia deixar sua filha, sabia que para sua segurança tinha que a deixar em Arcadia, mas seu coração não deixou, apenas não podia deixar sua única lembrança de seu falecido marido.

Quanto mais andavam, mais as densas árvores iam a cortando, os galhos cheios de espinhos dilaceravam sua capa, chegando até sua pele.

-Fique em minha frente. — disse autoritária para a filha, ela a protegia dos densos galhos, mordeu seus lábios para não soltar nenhum grito.

De repente, Holga foi parada por um barulho a sua frente, segurou Marcel com mais força e trouxe sua filha para mais perto dela.

-Mamãe?

-Shhh... –elas ainda estavam em terras arcadianas, mas sabia exatamente quem era a sua frente.

-O que estão fazendo aqui?- perguntou à voz grossa, ela estremeceu recuando.

-P-precisamos de sua ajuda... — disse tremula, a voz riu.

-Da nossa ajuda? Me diga....Como?- Holga olhou para a escuridão, tentava de várias formas distinguir o vulto a sua frente, mas sem sucesso.

-Precisamos ir para Atlanta...- Holga sentiu seus pelos eriçassem quando a voz chegou perto suficiente, sentiu mãos em seu pescoço, sua filha a abraçou fortemente, enterrou sua cabeça em seu vestido. –P-por favor..- pediu ar.

-Você quer atravessar a fronteira dos três reinos?- sussurrou a voz em seu ouvido.

-S-sei que vocês podem me ajudar...- disse entre lágrimas. – p-por favor, não nos matem..

A voz riu, sentiu medo e a misericórdia nas palavras da mulher a sua frente.

-Diga-me, o que desejas?

-Quero falar com a rainha... — houve um breve silencio.

-Fechem os olhos... As duas!- ordenou.

-Filha... Feche os olhos. — disse Holga tampando seus olhinhos, seu choro era fino e baixo, naquele momento sentiu uma grande angústia dentro de si.

Holga fechou os olhos e começou a andar, estranhou, pois sentiu que estavam andando em um plano chão e não sob os galhos cortantes da floresta, segurou a mão de sua filha e a trouxe para si, o vento soprava em sua face o que a fez presumir que estavam em um lugar aberto, ouviu grandes portões se abrirem.

-Não é possível...- sussurrou para si, sua curiosidade era tamanha que abriu seus olhos, mas não enxergou absolutamente nada, seu desespero tomou conta de seu corpo, estava cega.

-Siga reto!- continuou a voz, mas agora, estava mais suave, mesmo assim, não perdera a autoridade.

Sentiu mãos as tocando e separando de sua filha.

-Não! Não! Minha filha!- gritou a procurando com o braço vago.

-Mamãe! Mamãe!

-Por favor, não!

Aos poucos sua visão foi voltando, estava dentro do castelo, mais precisamente no salão real, o salão era duas vezes maior do que do castelo de Arcadia, olhou para cima e havia bandeiras negras ao invés das vermelhas que estava acostumada em ver, olhou para o lado e viu que os soldados eram duas vezes maiores do que um ser humano normal, não vestiam armaduras, mas sim carapaças e peles de animais.

Olhou para o lado e viu sua filha correndo para seus braços, a abraçou fortemente.

-Shhh, mamãe esta aqui...Mamãe esta aqui...

-Quero ir para casa...- choramingou ela, Holga sentiu uma pontada forte em seu coração, era impossível voltar.

-Nós vamos... — mentiu passando a mão em seus cabelos dourados, reconfortando-a.

-Estou emocionada pela cena...- olhou para frente e a viu, a rainha de Engard, nunca a tinha visto, apenas tinha uma ideia de como era pelas lendas que contavam e poderia jurar que as lendas estavam enganadas.

-Majestade... — fez uma reverencia.

-Encontrei-a a poucos quilômetros da fronteira... — Holga olhou para o homem a sua frente, era alto, seus cabelos batiam abaixo de sua orelha, sua barba cobria seu maxilar, tinha grande porte , seus olhos azuis se encontraram com os dela, abaixou o olhar ao sentir a raiva a penetrando.

-Perdida?- disse a rainha.

-Não acho que estava perdida... — o homem a avaliava meticulosamente.

-E- eu...

-Só me dirija à palavra quando eu lhe der a vez!!- gritou Gracie levantando de seu trono.

A rainha não era feia, pelo contrario, seus cabelos cor de trigo eram volumosos até a cintura, seu olhar esmeralda era penetrante, seus traços eram perfeitos, não contendo rugas e nenhuma imperfeição pelo rosto, exalava poder, e ela tinha, era por aquele motivo que Holga a procurou, sabia que comandava as terras de Córion.

-Por que minha ajuda seria importante para você? – olhou para frente a tirando do transe, viu que ao lado da rainha se encontrava uma outra mulher e um homem ao lado oposto, eles tinham a mesma expressão sob ela, olhou para a criança que dormia em seu colo, pensou antes de falar, respirou fundo escolhendo as palavras certas.

-Preciso ir para Atlanta.

-Seja mais específica!- gritou o homem de olhos azuis.

-Lonios!- disse a rainha. –basta...Deixe-a falar.- Holga engoliu o seco e logo pronunciou.

-Carrego a criança prometida. – os olhos de Gracie se misturavam em curiosidade e ansiedade, será que era quem estava pensando?

-Você quer dizer...- disse ela se aproximando.

-Sim, o sucessor de Atlanta.- o homem e a mulher que estavam junto a rainha levantaram de seus tronos, se entreolharam.

-Gracie...- pronunciou ele, Gracie levantou as mãos para que calasse.

-Então, você quer dizer que essa criança é filho de Herick?- Holga assentiu, olhando para o bebe enrolado em panos reais.- deixe-me vê-lo.- ordenou esticando as mãos.- deixe-me pega-lo!- gritou.

-Gracie!- disse a mulher se aproximando.

-Cale a boca Nissa!- virou-se para Holga e novamente esticou o braço para pega-lo, Holga o apertou em seus braços, mas não tinha escapatória, entregou o bebe tremula para ela.

-Tem os olhos do pai... – disse acariciando sua lisinha pele, curvou seus lábios em um sorriso diabólico, era aquilo, usaria o bebe para atingir Herick, mas não era o momento, aquele era mais do que vingança... Era justiça, sentiu algo amargo dentro de si ao lembrar-se do rosto de Herick, queria acabar com a vida da criança, ali naquela hora, conteve-se, olhou para Holga friamente lhe entregando a criança novamente, olhou para baixo e viu uma linda menina de olhos verdes a fitando com curiosidade.

-Quem é?

-A essa é minha filha majestade. – Holga a trouxe mais para si.

-Qual é o seu nome criança?- disse abaixando-se, abrindo um largo sorriso.

-Crystinne... — disse baixo.

-Crystinne...Belo nome.- algo despertou em Gracie ao ver aquela criança, Crystinne se parecia muito com ela quando ainda era uma criança inocente.- Pois bem...- disse se recompondo, direcionando-se até seu trono, lhe darei o que deseja.

-Como?!- pronunciou Nissa, Gracie olhou-a friamente para ela que abaixou a cabeça rapidamente.

-Holga, você poderá passar pela fronteira sem correr qualquer risco... – Holga arregalou os olhos, como ela sabia seu nome? Engoliu o seco aceitando o fato de que a rainha de Engard sabia de tudo e de todos.

-Obrigada majestade... — fez uma reverencia longa repetidas vezes, tentando se recompor.

-Mas a criança fica... — seu olhar era frio para com Holga, a mesma estreitou os olhos e esperou. – a criança fica... –disse com mais precisão apontando para Crystinne.

-Criança?- demorou alguns segundos para Holga entender de que ela se referia a sua filha, seus olhos se arregalaram, pegou o braço de Crystinne a trazendo mais para si como se aquilo fosse protege-la de tudo a sua volta.- Minha filha? Não...Não...

-Entregue a criança e poderá cumprir sua missão ou não sairá daqui viva, matarei os três sem dó nem piedade. – os olhos de Holga se encheram de lágrimas, ela caiu no chão fazendo uma longa reverencia.

-Não, por favor, ela é tudo o que eu tenho, por favor!!!- disse entre berros, Crystinne olhava para a moça a sua frente, encantou-se com tamanha beleza, olhou para sua mãe jogada no chão, não entendia o porquê daquilo.

-Mamãe? Por que esta chorando?- correu com suas pequenas perninhas até ela. — a senhora esta bem? – disse secando suas lágrimas.

-Me diga, como posso desistir dela? – Holga olhou para a rainha que não continha um pingo de misericórdia em suas veias.

-Você esta me dizendo que prefere sua filha morta? Escolha! Não tenho todo tempo do mundo.

Holga olhou para a criança em seu colo e depois para a filha que a olhava com um pequeno sorriso em seu rosto, ela tinha a obrigação, tinha o dever, mas era sua filha, e o pior de tudo, sabia que se não aceitasse a proposta, a rainha, iria mata-la, não apenas ela e a criança, mas Crystinne e isso ela não deixaria acontecer.

-P- prometes não machuca-la?- Gracie olhou-a friamente, respirou fundo e assentiu sem paciência.

Holga levantou-se do chão e abraçou sua filha, apertadamente.

-M- mamãe...- disse a pequena Crystinne procurando ar.- Não consigo respirar...

-Filha me escute...- disse Holga bem pertinho de seu ouvido.- mamãe precisa fazer uma coisa, mas para que isso aconteça...- Holga olhou com ódio nos olhos de Gracie. – preciso que fique aqui.

-Aqui? Como? Não!!- protestou ela.- quero ir com você!- suas lágrimas agora eram visíveis, Holga sentiu uma bola se formar em sua garganta, tentou engolir, mas foi em vão.

-Eu sei..- engoliu o choro.- É para sua segurança...

-Mamãe...!- Crystinne pulou em seus braços.

-Minha filha...Eu voltarei...- Holga fechou os olhos sentindo seu caloroso abraço.

-Guardas!- gritou Gracie se levantando de seu trono. –Vá e leve a criança com você.- os soldados a separaram de sua filha que clamava para ir com a mãe.

-Me solte!- gritava com Marcel em seus braços. — Crystinne!!

-Mamãe!- disse tentando de varias formas sair dos braços de Lonios.

Gracie observou Holga desaparecer de sua frente, naquele momento só se encontrava seus irmãos, Nissa e Dionel, e seu primo e braço direito, Lonios.

- O que você fez Gracie?- disse Nissa para sua irmã, Gracie a olhou com desprezo, mas daquela vez, Nissa não abaixou o olhar a fazendo queimar de ódio. – se pensas que essa criança substituirá Maya estais muito enganada. – cuspiu tais palavras para sua irmã, saiu daquele salão o mais rápido possível, Dionel olhou para Gracie que mantinha o olhar na criança no colo de Lonios chorando e clamando pela mãe.

Dionel se aproximou de Gracie, olhou para a criança e sorriu com sarcasmo.

-Alimente-a... — disse frio. — ela estará mais calma ao comer e depois... — olhou para Gracie, conteu o ódio que usufruía pela mesma e falou.- convence-a de que aqui será seu lar, a partir de agora...- Dionel saiu do salão seguindo os passos de Nissa.

-Nissa não vê que não estou fazendo isso por Maya, mas sim pelo reino.. — disse para Lonios que mantinha seu olhar sob ela.

Lonios olhou para sua prima, mesmo que suas palavras saíram frias, sabia exatamente que seu coração sentia ao contrario, estreitou os olhos, lá estava ela, a poderosa rainha de Engard, mostrando todas suas fraquezas diante dele.

-Não deixem que descubram esse seu lado...- disse colocando a criança no chão, praticamente a jogando, Gracie aproximou-se dela, mas parou instantaneamente ao perceber do que estava prestes a fazer, olhou para Lonios com raiva.

-Que descubram o que?- disse ríspida, Lonios olhou novamente para a criança a sua frente que estava encolhida no chão, seus lábios se curvaram em um largo sorriso, seus pés se moveram para fora do salão.

-Lonios!- a voz cortante de Gracie adentrou em seus ouvidos, ele olhou-a por cima dos ombros.

-Esse seu lado maternal... – Lonios seguiu porta a fora a deixando completamente sozinha com a criança.

Gracie enrijeceu-se quando as palavras de Lonios saíram como flechas em seu coração, ele estava certo, aquele desejo maternal sempre estava presente em seu coração, por mais que tentasse afasta-lo com sua falta de misericórdia, ele se encontrava lá, escondido, apenas esperando para se despertar, ela olhou para a criança e se aproximou cautelosamente.

-Se afaste de mim! Minha mãe logo vai vir me buscar... — disse choramingando, Gracie a fitou intensamente, abrindo um largo sorriso logo em seguida.

-Crystinne, quero lhe mostrar uma coisa... — Gracie estendeu sua mão para que Crystinne a pegasse, a mesma olhou para ela assentindo logo em seguida.

Gracie e Crystinne andaram pelos corredores sombrios do castelo, Crystinne estremeceu ao ouvir o agudo barulho dos ventos.

-Esta com medo?- disse para a pequena, ela assentiu silenciosamente.

-Não gosto da escuridão... -Gracie olhou a sua volta e abriu a imensa porta de metal, Crystinne olhou a sua volta, o lugar era iluminado, era enorme contendo uma imensa cama com lençóis rosa, ficou maravilhada com o quarto, seus olhinhos se encheram quando viu vários vestidos sob a cama.

-A partir de hoje, este é o seu quarto... — Crystinne praticamente pulou em seu colo, Gracie ficou sem reação, não sabendo o que fazer logo em seguida, por extinto passou a mão pelos seus cabelinhos encaracolados.

-Obrigada senhora!- disse em um abraço apertado, Crystinne estreitou os olhos perguntando logo em seguida. – minha mãe também vai ganhar um quarto assim?- Gracie olhou aqueles olhinhos verdes, agora ela era dela, e ninguém até sua mãe poderia tira-la dela.

-Vamos concentrar em você pode ser?- Crystinne abriu um largo sorriso assentindo.

-Quero lhe mostrar algo. — Crystinne ainda estava em seus braços, a guiou até a sacada e a colocou no chão.

Crystinne ficou boquiaberta ao olhar a imensidão da cidade, estava de noite, mas podia muito bem distinguir pelas luzes que se espalhavam por ela.

-Uou! Isso é...

-Isso é Engard minha pequena...

-É lindo, pena que está de noite... — Gracie a olhou por alguns instantes e agachou para ficar de sua altura.

-Feche os olhos...- disse suavemente fazendo Crystinne a obedecer.- agora abra-os. – Crystinne abriu seus olhinhos não acreditando na visão a sua frente, o sol iluminava toda Engard, era maior do que pensava, ficou deslumbrada com as colinas que cercavam a cidade, mas algo estava errado, como ela tinha feito aquilo.

-Como? — perguntou duvidosa.

-Tudo o que você desejar, tudo o que você quiser, irei realizar em um piscar de olhos, assim!- disse estalando seus dedos, Crystinne sorriu para ela, algo dizia que iriam ficar amigas, Crystinne voltou a olhar a bela imagem a sua frente, Gracie havia acabado de conhece-la, mas

ela era sua, a princesa, sua filha, olhou para Crystinne, percebeu um sentimento de ambição em seu olhar, sorriu.

-Tudo isso será seu um dia..- seguiu seu olhar, Crystinne olhou espantada para ela. – Tudo isso e mais...- correspondeu o olhar da pequena.

-M-meu?- Crystinne estava confusa com tudo aquilo.- quem sou eu para ter tudo isso?

-Você minha pequena...- Gracie abaixou pegando em seu queixinho.- é a princesa de Engard, a sucessora ao trono...