Corinne Madeleine
1 Raphaël
Notas iniciais
Era uma tarde chuvosa no ano de 1889, na Inglaterra, eu corria floresta adentro muito aborrecida com a questão do casamento arranjado preparado para mim pelos meus pais, eu não fazia a mínima ideia de quem era o rapaz, mas, e se ele nem for um rapaz?! Se ele for um velho horroroso?! Como eles querem que eu me case com uma pessoa que eu não faço a mínima ideia de quem seja?
Minha mãe tentou me convencer milhões de vezes que essa história de casamento arranjado não é tão ruim... Mas ela não sabe que o meu coração já pertencia a alguém, e esse alguém gosta de mim, mas agora o que eu vou fazer? Ignorar as ordens de meus pais para seguir meu amor? Ou respeitá-las e ser infeliz? Eu estava tão perdida nos meus devaneios que não percebi que o inimigo estava próximo, quando percebi, talvez já fosse tarde de mais.
Ha algum tempo alguns boatos sobre bestas canibais andavam rondando ao redor de Londres... Foi quando percebi a presença de um cheiro de carne e sangue que aquele lugar tinha... Fui caminhando lentamente e um pouco mais a frente e acabei me deparando com a cena mais horrível da minha vida, eram milhares de corpos em um chão tingido com o vermelho escarlate do sangue das vítimas da besta.
Devo ter ficado alguns minutos ali, parada, vendo aquela cena horrenda. Eu queria fugir, mas minhas pernas não me obedeciam! Eu estava em um estado de pânico, não sabia o que fazer.
Meus olhos estavam a mil, não sabia direito o que via por causa do pânico. De repente vejo um vulto. Penso logo no pior... A besta... E nesse momento algo puxou meu braço. Eu não estava em plena consciência, mas percebi que era um jovem homem, aparentava ser um pouco mais velho que eu, 18, talvez 19. Depois de uns instantes de corrida nós paramos. Estávamos ofegantes, demorou um tempo para nossa respiração se normalizar. E quando finalmente conseguimos, ele olhou profundamente nos meus olhos, e ficamos assim por algum tempo...
Mas o silêncio foi quebrado pelo meu delicado tom...
–EI GAROTO! OQUE PENSA QUE FEZ? QUEM PENSA QUE É PARA ME CARREGAR DESSE JEITO?!
Ele ficou me olhando paralisado, mas pouco tempo depois abriu um sorriso de lado completamente encantador.... Meu Deus porque é que eu estou pensando isso?!?
–Sinto muito, -ele desfez o sorriso- mas a senhorita estava em apuros, aquilo era o território da besta,com certeza já ouviu falar nela...-deu uma pausa, o sorriso voltou aos seus lábios e seus orbes negros voltaram a fitar os meus verdes, logo após corou levemente — B-bem um "obrigada" seria bom... Afinal... Salvei a sua vida.. Ha ha
Senti o meu rosto ficar quente e vermelho, virei-o para o lado rapidamente antes que ele pudesse notar, depois virei-me novamente arrumando meus cabelos vermelhos que estavam caídos no meu rosto e perguntei:
–Bem, a quem devo agradecer por tal ato heroico?-falei com um leve ar de deboche
–Meu nome é Raphaël
Ao terminar a frase pegou minha mão e beijou-a delicadamente, senti o rubor novamente no meu rosto, mas o momento foi interrompido por uma voz familiar chamando o meu nome
–Corinne!!!
~Continua~
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