Cores e Promessas.

1 Natal da família Nara.


Suspirou. Finalmente chegara a vila da Folha. Sua última missão havia sido mais longa e difícil do que imaginara. Ele estava cansado e tinha alguns machucados pelo corpo. Olhou a sua volta e constatou que seus companheiros estavam igualmente cansados.

Em concordância mútua e silenciosa os três começaram a se dirigir até o escritório do hokage; precisavam relatar o resultado da missão e somente depois estariam dispensados.

Olhou a sua volta com um pouco mais de atenção, por vezes se demorando em alguns detalhes. As ruas da vila estavam demasiadamente enfeitadas para seu gosto. A neve que caia cobrindo as ruas e os telhados das casas parecia não incomodar as pessoas que por ali passeavam.

Diferente de si, que já tinha a pele arrepiada pelo frio. Pôs as mãos nos bolsos na tentativa de esquentar os dedos. Não estava nevando quando saíra de Konoha na semana passada.

Ainda era cedo, contudo a maioria dos moradores da vila já haviam se recolhido para o aconchego de suas casas, junto de suas famílias. Pelas janelas das casas ele pode ver as pessoas reunidas com suas famílias enquanto esperavam a hora de comer. Todos tinham sorrisos enormes e satisfeitos, alguns tinham consigo presentes.

O Natal havia enfim chegado e Konoha estava em festa. Várias lembranças lhe invadiram a mente. Um sentimento saudosista o preencheu e ele sorriu.

Olhou de soslaio para os amigos a seu lado, os dois sorriam minimamente também, relaxou os ombros.

Quando enfim saíram do prédio do hokage cada um de seus amigos tomou um caminho diferente; eles iriam para suas casas descansar um pouco antes de se reunirem novamente no clã Nara, como vinha acontecendo desde o fim da guerra.

Shikamaru pensou em ir direto para a casa de sua mãe, contudo, lembrou – se que o presente que havia comprado para ela estava em sua nova casa, então, mudando um pouco seus planos, dirigiu-se para sua casa.

Respirou fundo ao entrar, o lugar lhe transbordando certa tranquilidade. Franziu as sobrancelhas ao notar que a casa parecia mais organizada do que quando saíra, sua mãe deveria ter ido lá enquanto eles estavam em missão.

Imspirou fundo e franziu as sobrancelhas outra vez quando o perfume tão familiar lhe impregnou os sentidos. Piscou duas vezes confuso, o coração acelerando perante a possibilidade. Quis perguntar, entretanto, palavra alguma saiu de sua boca.

Respirou profundamente buscando se acalmar e decidiu procurar pela casa, frustrando – se ao constatar que não passara de sua imaginação lhe pregando peças.

Arrumou-se o mais rápido que pode, pegou o presente e saiu. Ainda estava um pouco longe de seu destino quando escutou a música que vinha da casa. Esse ano as pessoas estavam animadas.

Shikamaru sentia – se feliz por comemorar o Natal com todos os amigos, alguns anos antes, eram apenas ele e seus pais, no entanto, ele achava que era melhor assim.

Bateu três vezes na porta e se questionou internamente se alguém o ouviria. A porta foi aberta por uma Ino extremamente sorridente acompanhada por um Sai que sorria minimamente. Shikamaru sorriu internamente, sentia-se feliz pela amiga. Sai era uma boa pessoa e a fazia feliz.

- Você demorou. – ela disse um pouco surpresa ao que ele apenas assentiu com a cabeça.

A casa estava perfeitamente decorada. A árvore de Natal na sala, era ainda maior que a do ano anterior. Haviam muitas luzes nas janelas e vários pratos de comida sobre a mesa de jantar. Procurou por sua mãe no meio das pessoas que estavam lá.

– Ela está ali. – Ino voltou a falar apontando para o canto da sala.

Shikamaru avistou Yoshino conversando alegremente com a mãe de Chouji, elas sorriam abertamente, e aquilo o comoveu, era difícil vê-la sorrir daquele modo agora. Ele agradeceu aos dois amigos e os deixou sozinhos indo em direção a sua mãe.

- Querido. – Yoshino falou logo que o viu, levantando para abraça – lo. – Eu já estava achando que você não viria.

- Eu quis passar em outro lugar antes. – ele disse simplesmente e a mulher assentiu. Yoshino imaginava que ele o faria, ela mesma também havia ido mais cedo. Aquela data era muito importante para o marido. – Trouxe esse presente para...

- Não precisava se preocupar. — ela o interrompeu e depois abriu um sorriso ainda maior que o anterior. – Você já me deu o maior presente...

- Tia Yoshino! – Ino gritou interrompendo a mulher que pôs as duas mãos sobre a boca.

- Problemáticas. — Shikamaru sussurrou e revirou os olhos.

O vento que entrou pela varanda trouxe consigo o perfume de outrora e Shikamaru olhou para o lugar imediatamente, deduzindo que a saudade o deixara em algum tipo de abstinência ou que o enlouquecera. Talvez os dois.

Ele renegara e tentara suprimir aqueles sentimentos entretanto no fim, havia sido dominado por eles e gostara.

- Tem um presente para você na varanda. — Yoshino disse de modo gentil enquanto tocava o braço do filho levemente.

Shikamaru olhou confuso e ansioso para as duas mulheres a seu lado e ambas sorriram cúmplices. Ele respirou devagar enquanto ia até a varanda. Repetia internamente os acontecimentos tentando decifrar em que momento elas haviam combinado aquilo.

Contraditoriamente esqueceu tudo quando a viu. Temari olhava as estrelas perdida nos próprios pensamentos. Seus olhos apresentavam um brilho diferente. Um sorriso singelo brincava em seu rosto, dando- lhe um ar sereno. O vestido roxo balançava com o vento, assim como a franja de seu cabelo, agora preso em dois coques. Ela estava , não, ela era perfeita aos olhos dele. Desde o começo, para sempre.

Ele deu um passo em direção a ela, o som finalmente tirando – a de seus devaneios. Os olhos se encontraram. Os dois caminharam de encontro ao outro sem quebrar o contato visual. Mãos se tocaram. Ela acariciou o rosto dele e sorriu.

Ali, nos braços de Temari, olhando em seus olhos, com ela sorrindo daquela maneira para ele, Shikamaru sentiu que poderia morrer ou viver eternamente. Estava completo.

Sem aguentar esperar mais ele a beijou com sofreguidão, com saudade, com desejo. Com todo amor e paixão que sentia.

Quando se separaram ele encostou sua testa a dela, inspirando tudo o que podia do perfume dela, gravando em sua mente cada toque dela em seu corpo. Se permitindo ser arrastado pelas profundezas dos olhos dela.

- Alguém poderia ter atacado você, e você nem iria perceber. — ele disse irônico, mas sua voz demonstrava preocupação.

- Isso porquê você demorou a chegar. — Ela rebateu e os dois sorriram.

- Eu senti saudade. — Ele confessou. Não tinha mais espaços para orgulho na relação deles.

- Eu quase enlouqueci sem você. — Ela disse e ele coçou a nuca sorrindo.

Era a primeira vez que os dois ficavam tanto tempo separados desde que se casaram. Temari foi mandada em missão diplomática em Suna e logo depois Shikamaru foi enviado em missão com Ino e Chouji.

- Eu pensei que você passaria o Natal com seus irmãos. – ele voltou a falar.

- É nosso primeiro Natal como uma família. – ela pareceu pensar no que dizer. – E eu tinha que te dá o seu presente. — Ela falou decidida e ele a olhou confuso.

Temari se afastou um pouco dele e segurou sua mão, eles se encararam por um segundo antes que ele voltasse o olhar para as mãos dela; lentamente ela levou a mão de Shikamaru até sua barriga.

Ele arregalou os olhos para ela e por alguns segundos esqueceu de respirar. Temari sorria emocionada, aquele brilho nos olhos devorando-o.

- Vim correndo assim que soube. — Ela tinha a voz embargada, mas não parecia prestes a chorar. — Feliz Natal preguiçoso.

Um sorriso convencido e orgulhoso surgiu nos lábios de Shikamaru, ele a puxou pela cintura e lhe abraçou. Naquele abraço milhões de palavras, às quais eles não precisavam dizer. No olhar que trocaram, todos os sentimentos que nutriam um pelo o outro sendo compartilhado e correspondido. Quando beijaram-se todas as promessas feitas sendo cumpridas.

Temari enchia o mundo de Shikamaru de cores e promessas de um futuro cada vez melhor; ele sabia que não era um homem dado a sentimentalismos, mas nesses momentos com ela, era algo natural. Ele se sentia agradecido por tê -la e por compartilhar a vida com ela.

Pelo canto do olho ele pode ver a mãe e a amiga de infância sorrindo, ambas no batente da porta da varanda. Naquele momento Shikamaru entendeu, mesmo que seu pai não estivesse ali, ele estava rodeado por seus amigos mais queridos e pelas pessoas que mais amava. Ele estava com sua família.

- Feliz Natal problemática.

Notas finais
Quase peguei uma diabete escrevendo ahaha.
Espero que gostem amores :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!