Cores

13 Confusões Amorosas e Sequestro


No dia seguinte. Yolanda beijou Bernardo, que a olhava maliciosamente. Foi então que o pintor se desesperou, havia deixado Lucas sozinho em casa.

Se vestiu, lavou o rosto e saiu correndo. Yolanda o olhou decepcionada:

– Já vai, Bê?

– Infelizmente. Mas eu te ligo depois, beijo.

– Beijo, lindo!

Assim que fechou a porta, Yolanda falou:

– Ele ainda não esqueceu aquela insossa da Dalila! Aposto! Mas depois que o Bê se acostumar com essa delícia aqui, — disse, acariciando as próprias coxas – vai ficar louquinho.

***

Inês colocou as malas na cama. Aquele flat era provisório, não estava à altura de uma socialite tão linda e refinada quanto ela. Tirou os sapatos, coçou os cabelos e pegou na bolsa uma foto de Rosângela:

– Ai, pão de mel. Nunca te esqueci. Ainda sinto o seu toque, o seu abraço.

Inês decidiu tomar um banho. Depois, escovou os cabelos, vestiu um vestido azul marinho e saltos brancos. Desceu, pegou um táxi, e foi direto para a casa de Rosângela.

***

Rogério e Diana foram para o portal de desembarque, no aeroporto. Depois decidiram ir à praça de alimentação, pois estavam com fome:

– Olhe esses preços, Rogério! – disse Diana – Que absurdo.

– Ih, Diana! Para! Em São Paulo era pior!

– Você é muito conformista, amor. – ela riu – Mas tudo bem, porque com a fome que estou, comia duas vacas e um bode.

O casal comeu pizza, e depois pegou um táxi para o apartamento que ficariam, que estava praticamente pronto. Quando chegaram, despejaram as coisas na sala e se deitaram, de tão cansados.

– Enfim, no local dos nossos sonhos!

***

Inês chegou à casa de Rosângela. As duas ficaram em estado de choque ao se olharem após tantos anos:

– Inês! – algumas lágrimas saiam do rosto de Rosângela – Você está... Está linda, magnífica! Não mudou nada! Continua aquela garotona irresistível!

– São seus olhos, Rosângela. – Inês pegou nas mãos de Rosângela e as acariciou – Você está magnífica. Deduzo que leu meu recado.

– Li, e fiquei muito feliz ao saber que voltou ao Brasil.

Aproveitando que Donato estava nos fundos, Inês disse:

– Eu menti no bilhete!

– Oi?

– Sim, eu não vim ser sua amiga. Não mesmo! Eu vim te buscar. Quero voltar para a Europa o mais breve possível, mas com você, Rosângela.

– Bom...

– Pense só. Seriam anos de glória. Não somos velhas, podemos ver o que há de melhor no mundo.

Nesse exato momento, Donato chegou:

– Eu ouvi tudo! – berrou – E pelo jeito, você não mudou nada, né Inês?! Continua a mesma manipuladora de sempre!

– Não fale assim da Inês, seu traste.

– Rosângela, me deixe sozinha com esse homem.

– O que?

– Sim, flor, vamos ver o que ele tem a dizer. Depois a gente conversa.

Rosângela obedeceu.

– Pois bem. – disse Inês – Você está diante de mim, Donato. Vamos ver até que ponto vai o seu teatrinho!

– Me respeite!

– Eu não respeito quem nem se dá o respeito. Eu tenho é pena de você, que há mais de vinte anos vive uma mentira, dorme toda noite com uma mulher que nunca te suportou, porque assim como o William e todos os meninos da nossa turma de adolescência, você era um bêbado insignificante!

– É bom você parar, Inês.

– Parar, Donato? Eu só comecei. A Rosângela sempre me amou, e ainda me ama. Vai negar? Vai negar na minha cara que é casado com uma lésbica? Vai negar que cada beijo que você deu nela, ela queria que fosse meu? NEGA! FALA NA MINHA CARA!

– CHEGA! – berrou – Chega! Sua vadia! Lésbica! Miserável!

Inês deu um tapa no rosto dele:

– Ser lésbica não é uma ofensa, mas o seu preconceito não enxerga isso. Eu sou feliz, sou feliz pra caramba, e não é um velho babão que nem você que irá mudar isso. E pode me chamar do que quiser. De aberração, de “sapatão”, porque eu não dou A MÍNIMA, imprestável.

Inês acenou para Rosângela de longe e saiu dali, chorando aos prantos. Acabou indo para um botequim.

– Capricha na cachaça, garçom. Me traz uma coisa bem forte.

***

Bernardo chegou em casa. Lucas o olhava com raiva, sentado no sofá tentando ler uma revista:

– Você me abandonou, pai.

– Não o abandonei, filho. Mas é que aconteceu um “imprevisto” e foi impossível voltar para casa. Porém, está tudo bem.

– Não, não está. Eu me senti como antes, um mendigo.

– Calma, Lucas. O papai está aqui.

Bernardo acolheu Lucas e fez carinho em seus cabelos. De repente, a campainha tocou. Quando o pintor atendeu, um homem todo de preto o levou, com uma arma apontada para sua cabeça. Lucas gritou:

– PAAAAAAAAAI!