Notas iniciais
Susto... Surpresa que acresce a felicidade... Reencontro de emoções muitas fortes... Emocione-se e encante-se com o capítulo.

Pesadelo. Esse era realmente o termo. Depois de todos os aborrecimentos da semana, aquela mulher estava de volta para lhe causar transtornos novamente. Olhava para cena a sua frente sem acreditar no que essa mulher fora capaz de fazer. Embora desejasse arrancar os seus cabelos e bater muito nela, não conseguia se mexer. Parecia estar colada no chão. Olhava estupefata e sentiu seu rosto arder. Não percebeu que lágrimas corriam por seu rosto até que William chegou na sua frente e passou as mãos enxugando-as. Ele a abraçou forte e sussurrou em seu ouvido que tudo estava bem.

Beatriz sentiu-se fora do ar. Com os braços de William ao seu redor aos poucos as coisas pareceram voltar ao foco. Afastou-se um pouco e olhou para os olhos dele. Tentou sorrir. Saiu algo que lembrava um sorriso. Então tentou falar. Um som que não parecia sua voz saiu de sua garganta. Embargada, mas clara.

— Que bom que você voltou. Senti saudades.

— Também senti, meu amor. Desculpe pela cena lamentável. Prometo compensá-la mais tarde. — Uma voz conhecida, mas fora do campo de visão de Beatriz se fez ouvir.

— Eu não acredito que você tenha algo com essa barata descascada!? Que você prefira uma mulher sem atrativo nenhum a mim?

— Evelyn, você está sendo inconveniente. Beatriz é minha noiva. Eu a amo e exijo que você a respeite. Você cuida apenas de questões profissionais da minha empresa e não tem liberdade pra se meter na minha vida pessoal. E creio que já a tinha advertido e sido bastante categórico a esse respeito. Nos faça um grande favor, deixe-nos a sós. Quero ver minha mãe e não quero me aborrecer mais do que já estou contrariado.

— Eu vou, mas é bom que você apareça logo para resolvermos o que está pendente ainda. Ou esse maldito escritório novo não abre.

— Creio que você está invertendo as coisas. Aqui, eu sou o chefe e você, minha funcionária. Eu dou as ordens e você as obedece. Vou resolver meus assuntos pessoais primeiro e na segunda-feira conversaremos.

Evelyn deu meia volta em seus calcanhares e saiu pisando duro com cara de inimigo prestes a esmagar alguém. Quando ela saiu pela porta pareceu que eu recuperei a respiração e voltei a vida, que eu tinha certeza, estivera suspensa nesses longos minutos.

— Ainda não posso acreditar no tamanho da ousadia dessa mulher. Acho que estou com as pernas fracas.

— Vou pegar a mala e depois iremos pra casa. – William lhe deu um beijo no rosto e se afastou indo pro lado da esteira.

Depois rumaram para o estacionamento. Ele quis passar no hospital antes de ir pra casa. E os dois foram surpreendidos. Isadora estava sentada na cama conversando com a enfermeira.

— Mãe! Você acordou! Como é bom vê-la melhor. Fiquei tão preocupado.

— Olá, meu filho! Quero um abraço. – Ele a abraçou com carinho e depois se afastou – que susto que a senhora deu. Por alguns momentos achei que iria lhe perder.

— Sou muito ruim. Não morro fácil. – E só então olhou para Beatriz. Estendeu a mão num convite silencioso para que se aproximasse. – Obrigado pelo carinho, minha filha. Soube que tem estado comigo durante todo o tempo em que fiquei desacordada. Obrigado! – E puxou Beatriz para um beijo na testa.

— Estou feliz que tenha acordado. Fiquei muito preocupada com você. Bem-vinda de volta.

Conversaram durante uma hora inteira e depois Isadora quis descansar e expulsou os dois do hospital.

— Agora saiam daqui. Vão namorar e matar a saudade. Estou cansada e quero dormir. Amo vocês e estou muito feliz que tenham se entendido. Sempre soube que isso poderia acontecer se vocês dois se conhecessem.

Os dois se despediram e saíram rindo. Ela era incrível. Parecia que apenas estivera dormindo durante algumas horas e não em coma durante dias intermináveis de quase um mês. Passaram pelo consultório do médico para saberem mais detalhes e o que esperar dali para frente. O médico informou que precisariam de um tempo para saber se estava tudo bem mesmo ou se havia sobrado alguma sequela na memória e nos movimentos.

Tranquilizados pelas novidades rumaram para casa. William encantou-se com o cuidado na arrumação que Beatriz tinha feito no apartamento. Havia flores e alguns bilhetes bem grandes informando-o da saudade e da falta que sua ausência tinha provocado nela. Ele sorriu deliciado pelo carinho e o cuidado e tomou-a no colo rodopiando pela sala .

Olhou-a com carinho e admiração. Como amava essa mulher encantadora que agora fazia parte de sua vida de uma forma tão intensa. Colocou-a no chão com cuidado. Depois acariciou seu rosto olhando naqueles olhos lindos e profundos. Eram castanhos com cílios espessos e sobrancelhas grossas, bem desenhadas. Beijou suas pálpebras e foi distribuindo muitos beijinhos por todo o rosto. Descendo pelo pescoço e voltando até os lábios. Que saudade daqueles lábios carnudos e macios. Que saudade daquele gosto familiar e estimulante.

Beatriz suspirou de felicidade e abandonou-se nos braços de William. A falta dele chegara a lhe dar angústia. Era algo que se assemelhava a uma dor física, que não podia explicar. Difícil de definir. Sentir o calor daquele corpo, agora familiar, era algo incrível. Seu beijo parecia lhe derreter por dentro.

Notas finais
Aguardem a continuação.