Notas iniciais
Este primeiro conto leva-nos ao mundo de um pré-adolescente chamado Max, que de repente é levado para um mundo completamente "novo". Embora lhe traga memórias que são pistas para desvendar o mistério em que está envolvido.

O Sol estava prestes a desaparecer para dar lugar a uma escuridão cerrada, mas de momento o céu, ainda com um pequeno sinal da presença da Estrela Maior da nossa Galáxia, apresentava um tom avermelhado como se de um Apocalipse se tratasse.


A rua estava deserta, apenas se podiam ouvir as rajadas de vento a embater nas janelas de maneira violenta, provocando estrondos ruidosos. A sensação aparente calma que se podia sentir naquele ambiente fora quebrada pelo som de um motor que se escutava. Esse ruído aumentava progressivamente o seu volume, tornando-se completamente percetível, assim como a sua figura. Um carro, com sinais de ser já da década anterior à data em questão, aproximava-se, com relativa dificuldade em realizar trajetos.


Dentro da viatura encontrava-se, sentado no banco de trás, uma criança acompanhada por uma mulher, sentada no banco da frente, referente ao condutor, que se presumia ser a mãe da criança. Repentinamente, o motor silencia-se e o velho carro fica estático.
– Venho já, não saias daqui, Max. Eu não demoro. – A mulher vira-se para o pequeno rapaz com um sorriso terno enquanto retira as chaves da ignição e as põe no bolso do seu longo casaco cor de avelã que combinava com os seus cabelos da mesma cor que lhe davam pelos ombros.
– Sim mãe. Não te preocupes. – O olhar de Max viajava pelas redondezas do local onde o carro parara, mesmo sem sair das órbitras oculares.
– Max… — Chama-o a mãe, sem perder o mesmo sorriso que transmitia segurança.
– Sim? – A criança parecia ter terminado a sua viagem que estava a fazer apenas com os olhos e a imaginação, pois agora estava com os olhos fixados na mulher que o trouxera a este mundo, retribuindo também o sorriso que recebia.
– Não iria aguentar que algo te acontecesse. Tu és o meu maior interesse. Aquele porto de abrigo depois de tudo o que se passou e ainda está a acontecer. Eu amo-te filho.
Max, de 12 anos, não entendia bem o porquê destas palavras vindas da boca da sua mãe, e sem saber o que responder limitou-se a sorrir. Apenas sabia que o elo que os ligava seria tão forte ao ponto de um deles saber quando o outro está mal, física ou psicologicamente. Quando Max estava mal, isso ressentia-se na mãe, e a situação inversa também se sucedia.
Agora era Max que não tirava os olhos da mãe, dando a impressão que depois daquelas palavras a criança tivera a sensação que algo podia acontecer, que separasse estes dois corações na sua condição física.


A união e forte cumplicidade entre ambos foi o resultado de uma tragédia que se abateu sobre a família de Max: a morte do pai da criança, um antigo oficial do exército que morreu em serviço.

O tempo passava e o Sol já mal se notava, pois os tons vermelhos que anteriormente se viam no céu, agora tinham-se convertido a uma cor escura, entre o azul e o negro.
Max não tirava olhar da silhueta da mãe, vendo esta afastar-se na longitude dos edifícios que se encontravam lá. A criança reparara que a sua mãe acabara de entrar num edifício velho, que parecia precisar de obras, principalmente uma pintura. O seu branco sujo e pálido, dava um ar de algo doentio. Max sentira o seu coração fraquejar enquanto soltava longos suspiros, finalmente encosta a sua cabeça na cabeceira do banco onde estava sentado no carro e tudo fica negro: ficara inconsciente.


O seu cérebro ficou totalmente apagado, até que a sua primeira reação depois do sucedido foi acordar devido à queda de gotas de um líquido proveniente do teto.

Max olhou à sua volta e o pânico tomou conta de cada pensamento que surgia na sua mente. Assustado deu conta de algo que o deixara completamente assustado, fazendo o seu coração bater a mil à hora: acordara num lugar onde a escuridão e o terror reinavam, e mais assustador do que isso, estava sem a sua mãe por perto.


Sem sequer mexer qualquer parte do corpo, à exceção dos olhos, Max investigava o sítio e assim consegue confirmar o que já desconfiava, que não conhecia este lugar.


Um lugar escuro, aparentemente sem fim, onde as paredes estavam pegajosas e eram feitas de um material duro e rugoso, como se fosse uma espécie de pedra, fazendo parecer que estava numa gruta. Tudo o que estava à sua volta antes de “adormecer” havia desaparecido, inclusive o carro onde ele estava… Tudo diferente, menos ele, as mesmas roupas, os mesmos cabelos de um castanho claro, e uns olhos negros penetrantes e misteriosos.
Max, acordara num chão que, tal como as paredes, era composto por um material semelhante a pedra. Assim que se levanta do chão, dá nova olhadela ao local. Ainda com o coração acelerado pergunta em voz alta:
– Onde vim parar? – Mas como seria de esperar ninguém respondeu ao pobre rapaz, pois estava completamente sozinho. E o facto de não ter recebido qualquer resposta a uma pergunta que fizera a si mesmo ainda o deixou mais assustado.


A mente humana é algo que pode ser o maior traidor para os humanos, será pelo facto que não a podermos controlar que ela se aproveita de nós? Manipular até chegar ao ponto de enlouquecer uma pessoa, não importando a idade, ou género. E isso podia acontecer com Max, apesar de ser uma criança, sempre foi alguém muito sonhador e com uma imaginação sem limites. Max sempre teve um fascínio em tudo onde fantasia e o sobrenatural reinavam.


– Não passa de um sonho, de certeza… — O desespero começava aos poucos a tomar conta do coração do pequeno rapaz, e estas palavras foram apenas uma tentativa falhada de se acalmar. O resultado foi o oposto, piorando ainda mais quando durante alguns segundos lhe chegava aos ouvidos o som semelhante ao de passos. A criança começa a olhar em seu redor tentando ver de onde vinha esses mesmos passos mas isso tornou-se uma tarefa difícil, pois o lugar parecia estar completamente deserto.


Confiando nos seus sentidos auditivos Max ergue-se, parecendo ter derrotado finalmente as forças gravitacionais que o empurravam para o chão. Essas forças tinham outro nome, um mais comum, pelo qual eram conhecidas pela Humanidade: medo.

À medida que caminhava, nada parecia garantir que estava a avançar, ou até mesmo recuar, pois o local parecia ser todo igual e infinito.

Entretanto os passos que Max juraria ter ouvido terminaram, e de novo um silêncio assustador tomou conta do local.


Max não conseguia definir se o silêncio era bom ou mau sinal, o que ele queria encontrar era uma saída para o exterior para junto da sua mãe, ou pelo menos para um lugar que, ao contrário deste, lhe fosse familiar.

Durante uns curtos segundos os passos que anteriormente Max conseguia ouvir, voltaram a ser audíveis. Fez-se silêncio novamente, e no coração de Max estava a nascer uma sensação de receio de que se aquilo não fosse apenas um pesadelo, mas uma realidade em que estaria preso, quem sabe se eternamente…
E mais uma vez o silêncio irrompeu-se no ar, terminando com aquele som monótono que parecia ser uma manobra para enlouquecer Max.
Enquanto caminhava, Max é surpreendido pelo nascer de uma chama que provinha de uma vela, colocada numa parede disforme, podendo constatar que o sítio onde estava era uma casa já antiga. Ao examinar a parede reparou que havia parte da parede e telhado, que era feito de simples telhas de madeira, que faltava. Dando a entender que havia ruído. Embora houvesse essa característica na casa, o resto parecia firme, assustador, mas intacto. Perto do limite das telhas velhas que compunham o telhado, podia-se ver o luar. A tranquilidade do luar foi repentinamente interrompida pelo planar majestoso e imponente de um corvo, que com o seu grasnar ruidoso quebra o silêncio da noite.
– “Isto está a ficar estranho… Não há maneira de sair daqui… E agora?” – Max sentia que os índices de nervosismo e medo estavam mais elevados do que nunca, assim que vira que não havia maneira de trepar a parede, pois apesar de quebrada, ainda era bastante alta para a criança.


Uma nota grave proveniente, talvez de um órgão, surpreendeu Max que perdeu o controlo das pernas, ficando sem equilíbrio, acabando por cair no chão e bater com a cabeça no chão duro, ficando inconsciente.


O tempo passa e Max continua sem qualquer reação, e de um canto escuro, como se dos confins da escuridão se tratasse, aproxima-se um vulto. Vulto esse, que vestia uma capa negra, escondendo a cabeça com um capuz também ele negro. Pela fisionomia dava a entender que era homem, mas quem seria? Quem estaria ali com ele?


Esse homem estranho disfarçado carrega o corpo inerte de Max nos seus braços, desaparecendo na escuridão como se ambos tivessem sido engolidos pela mesma.


Assim que acorda, Max depara-se, assustado, com outro lugar completamente diferente daquele onde anteriormente estava. Uma espécie de quarto com ar antigo, embora estivesse mais limpo que os outros lugares onde estivera. Apenas uma semelhança: a fraca ou até mesmo a inexistência de qualquer fonte de luz. A criança começa uma análise profunda sobre o local, e num misto de medo e surpresa, descobre ao fundo do quarto onde estava, um órgão, o mesmo que anteriormente tinha ouvido. O mesmo sujeito da capa negra estava também presente. Sentado em frente ao instrumento musical, parecia indiferente à presença de Max, cujas palavras simplesmente não saíam, não sabendo ele porquê. Mas a resposta era óbvia, o medo percorria o seu corpo, bombeado pelo próprio coração, como se fosse uma partícula do seu sangue que lhe corria nas veias, por todas as vias, afetando mais as suas vias respiratórias já que além da voz inexistente a sua respiração estava fraca.
Uma linha de suor perfeita escorria pela têmpora de Max, que não tirava os olhos do estranho da capa negra que tocava uma melodia sombria no enorme órgão.
– Qu…Quem és… Quem és tu? – Pergunta Max, que finalmente conseguira falar após várias tentativas falhadas.


Não obteve resposta. A melodia continuava, tão sombria mas magistral como no início.
As mãos pálidas do mesmo desconhecido estavam parcialmente escondidas pelas mangas do manto, tocavam suavemente nas teclas do órgão. A melodia era hipnotizante, o que parecia ser um calmante para todos aqueles que estivessem presentes naquele lugar, sem exceção nem para uma ave que estava pousada no órgão, junto ao desconhecido que tocava. Max reconhecia essa ave, de plumagem negra e olhos igualmente negros, de ar imponente. Sim, era o mesmo corvo que a criança vira antes da sua mente de desvanecer na escuridão.
A melodia ia acelerando o ritmo, não perdendo o seu toque de negro e morte, que era a que aquele vulto se assemelhava, à Morte. Palidez, escuridão, mistério, algumas das muitas coisas que caracterizavam aquele sujeito. Max parecia petrificado a ouvir aquele som, perdendo a noção de lugar ou tempo.


Mas essa sensação não durou muito tempo, pois Max foi forçado a voltar a si mesmo, quando uma tecla no órgão provocou um som mais grave e forte que despertou os sentidos do corvo que agitado e com uma espécie de fúria se dirigiu à criança. Sem qualquer reação, apenas nova aceleração cardíaca, Max estava vulnerável ao ataque da ave negra, que estranhamente, à medida que se aproximava da criança, abrandava, acabando por ficar a pairar por cima da cabeça de Max durante um curto espaço de tempo, pousando depois numa mesa de pequenas proporções que estava disposta ao lado de Max. A ave aterradora estava a escaços centímetros da criança, que assim podia contemplar a figura do corvo de penugem negra como a Morte. A mente e corpo de Max congelaram por completo quando este olha nos olhos do corvo, como se de um feitiço se tratasse. A sua respiração estava ofegante, embora flash nenhum dos seus músculos parecia estar ativo, apenas o seu coração.


Parecia que o sujeito do manto negro notou o que se estava a passar, pois recomeçou a tocar no órgão, desta vez uma melodia que fazia recordar rituais satânicos. Seria isto o início de um ritual para Max? Seria ele forçado a entrar num mundo da escuridão do qual seria difícil ou até mesmo impossível sair? Esse medo pairava na sua mente, tal como antes pairava o corvo negro sobre a sua cabeça. Max não tirava os olhos da ave que ainda se encontrava na mesma mesa, ao lado dele, e não deu pelo fim da melodia. Só deu conta quando o vulto, com a cara ainda meia escondida estava a poucos centímetros de distância de si. Max tentou-se afastar, mas era tarde demais, estava a mercê daquele indivíduo estranho, sem escapatória possível…


– O que vais fazer? Não me magoes por favor...!
Mas o sujeito não parecia sequer prestar atenção às súplicas de Max.
– NÃÃÃÃOOOOOOOOOO! – Max soltou um berro com tudo o que os seus pulmões aguentavam, enquanto era envolvido pelo manto negro ao som do grasnar do corvo, que os olhava atentamente, não fazendo nada mais que os olhar fixamente com os seus olhos negros.


Um de flash de luz obrigou Max a fechar os olhos durante alguns instantes e na fração de segundos que demorou a fazê-lo, mudara de sítio novamente. Mas desta vez não era um lugar estranho, já estivera lá antes, e também já tinha vivido aqueles momentos. Duas memórias ao mesmo tempo, como se fossem dois panoramas diferentes no mesmo campo de visão.
Max estava a recordar memórias, mas porquê? Max não obtinha resposta para isso. Limitava-se simplesmente a ser um espectador “fantasma” naquele lugar, pois não ninguém que lá estava, o conseguia ver.


– Querido, traz o bebé para aqui… — Na primeira recordação, uma mulher, com cabelo da cor de uma avelã sorria vivamente para um homem que trazia um bebé ao colo. Esse bebé era Max, e o homem era o seu pai. Um homem alto, cabelos escuros, e olhos também escuros. As suas mãos enormes seguravam de forma protetora e firme o frágil corpo do bebé, que teria poucas semanas de vida. Max sempre vira o pai como alguém reservado e ausente, sendo aquela pessoa que ele conheceu, alguém novo e diferente.
A segunda memória remonta aos tempos do início do casamento dos pais de Max, não sendo ainda a criança nascida. O pai, estava sentado junto a um piano, e ao seu lado estava a sua recente esposa. Tocava uma melodia que Max reconhecia… Era a mesma melodia que esse sujeito de capa negra tocava! À exceção estava no instrumento. O órgão em vez do piano.


O acidente com o seu pai deu-se quando Max tinha seis anos, uma estratégia militar mal calculada resultou em duas mortes, sendo uma delas, o pai de Max. A vida a partir daí não foi a mesma nem para ele nem para a sua mãe, que teve de abandonar a carreira como arquiteta para cuidar do filho a tempo inteiro. Deu-se um novo flash e desta vez Max foi parar a um lugar que parecia um refúgio militar. Deparou-se com um local onde a destruição era o mais visível, e ao longe podia ver um corpo de um militar, que tinha ainda a mão cerrada. As lágrimas escorriam pela face de Max como se de chuva se tratasse quando repara de quem é o corpo caído no chão, sem vida… Era o seu pai, e na sua mão cerrada, tinha um fio, em que estava uma imagem, onde estavam os três sorridentes, como uma família feliz, que nunca tiveram a hipótese de ser. Max ficou perplexo ao ver o que se encontrava ao lado do cadáver: um corvo… Max podia tocar no corpo sem vida do pai, estava gelado como a neve.


A criança voltou a si, ao mesmo lugar sombrio e a primeira coisa que fez foi perguntar em tom alto, como quem exigia uma resposta:
– Pai?! És tu? — Não obteve resposta… — Pai…?
As lágrimas voltavam a escorrer pela face de Max, que devido ao soluçar constante, não conseguia falar.


O sujeito do manto negro volta-se para Max, e retira o capuz, revelando assim a sua identidade: era mesmo o seu pai.
– Max, meu filho… Estás tão grande, um homenzinho…
Max não conteve as lágrimas nem a vontade de correr para os braços do pai.
– Mas como é que tu estás aqui? Tu morreste… Eu vi…
– Eu sei que viste… Eu não estou aqui como tu estás, eu sou apenas uma recordação, isto é um sonho. Tenho que te alertar de algo muito grave.
– O quê? – As lágrimas começavam a abrandar o seu ritmo, não deixando de escorrer.
– A tua mãe, ela corre um perigo grave… Tens de a ajudar. – Uma expressão de nervosismo corria por cada linha da face da pele pálida do pai de Max
– Mas como? – A criança estava atenta, e nervosa também, não sabendo como agir.
– Ela está ferida. Precisa de ti.
– O que tem? – A voz começava a faltar nas cordas vocais, e os pulmões de Max pareciam não querer receber oxigénio.
– Houve um assalto, na loja onde ela estava… Tens que te despachar… Ela levou um tiro… Despacha-te antes que o corvo pouse perto dela… Assim que o fizer, ela morrerá...
– Como é que eu não sei que isto faz parte do sonho?
– Toma este fio. Reconhece-lo certo?
– Sim… O fio que tu estavas a usar quando tiveste o ataque… — A voz parecia estar presa na garganta de Max, que não tirava os olhos do pai.
– Sim. Agora vai, despacha-te. E não te esqueças que estaremos sempre juntos.
Um novo flash de luz foi sentido, e desta vez Max, não estava a sonhar. Havia finalmente acordado. Estava de novo no carro. E na sua mão direita estava o fio. Nada tinha sido um sonho. Max saiu do carro com toda a velocidade que as suas pernas lhe permitiam, e dirigiu-se a um sítio onde estava uma multidão. Sorrateiramente conseguiu entrar no local.


E lá estava ela… Com uma mancha de sangue no abdómen… Max correu na sua direção, de lágrimas nos olhos.
– Max? És tu filho? – Palavras com uma energia fraca saiam da boca da mulher que estava quase sem forças.
– Sim, sou eu… Não te podia abandonar assim…
– Oh, que bonita esta cena, o filho vem salvar a mãe… Vamos ver se gostas de a ver morrer à tua frente! – O assaltante armado, soltava risos sarcásticos, não tirando o olhar de ambos, com a arma apontada ao corpo ferido da senhora. Quando a distância para ela era de apenas alguns passos, apontou a pistola mesmo em direção ao seu coração, pronto a disparar, e a matar de uma vez.


Max corre em direção ao assaltante conseguindo empurra-lo fazendo-o deixar cair a arma, dando quase o tempo à criança para correr para junto da mãe e fazer de escudo. Mas o tempo não foi suficiente. O gatilho estava pronto a ser puxado, e a bala a atingir a mãe. Mas Max, sem saber como, consegue chegar à mãe, mesmo a tempo de tentar proteger. Mas o pior acontece: Max é atingido mesmo no peito por uma bala, que trespassa pelo seu corpo acertando na mulher, que acaba tendo morte imediata. Mas o mesmo não aconteceu com Max. A criança foi levada para o hospital em estado grave.


Durante o caminho para o hospital, a visão de Max já estava fraca, tal como o seu ritmo cardíaco. Quando deu por si, estava deitado, com um corvo ao seu lado, que com o bico desfazia umas cordas que estavam à volta dos seus pulsos e pernas. Mas como é que aquelas cordas foram ali parar?


Assim que o corvo acaba de “soltar” o rapaz, ele examina o seu corpo, tinha lembranças do ataque que ele a sua mãe sofreram, mas não tinha marcas do tiro. Estava intacto, e quando olhou para o chão para procurar as cordas desfeitas, não havia quaisquer vestígios das mesmas. Seriam cordas que prendiam a alma à vida?


Logo que Max se consegue levantar, depara-se com uma paisagem. Tinha uma vaga memória deste sítio. Era muito semelhante a um lugar que antigamente visitava com a sua família em tempo de férias. Ao longe, podia ouvir a mesma melodia que ouviu durante o “sonho”. E correu em direção aonde vinha o som. E, sentados num piano, lá estavam, o seu pai e a sua mãe.
Os três caminham em direção ao horizonte, de mãos dadas. Numa união agora fortalecida para toda a eternidade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.