Notas iniciais
Boa Leitura!!!!

Abri a porta e desci mesmo de pijama. Parecia que algo muito sério estava acontecendo lá. Assim que cheguei eu vi varias meninas do lado de fora. Outras estavam descendo as escadas, algumas corriam para a sala dos professores. Aisha desceu das escadas usando pijama que quase dava para ver tudo por baixo dele. Se não estivesse preocupado eu estaria envergonhado.

–- O que está acontecendo?

–- Eu não sei ao certo – Ela respondeu – É do sétimo andar, mas não sei quem.

–- Bianca – Uma das garotas disse – Bianca, ela está tendo um ataque, sei lá. Ela está gritando feito louca e tem coisas quebrando em seu quarto

–- Qual quarto? – Perguntei.

–- É o primeiro do ultimo andar, mas você não pode ir lá. Ela esta tendo um ataque, é perigoso.

–- Eu preciso.

–- Daivid – Aisha segurou meu braço.

–- Aisha, eu preciso ir lá.

Puxei meu braço e sai em direção às escadas. Ouvi a voz de Tony vindo de fora e Isaac também, junto com mais alguns garotos, mas não parei. Subi as escadas em uma velocidade surpreendente que teria ganhado a corrida da escola facilmente. Enquanto eu subia os gritos se tornavam mais intensos, porem estavam se acalmando cheguei ao sétimo andar

Primeiro quarto.

Abri a porta do quarto que por acaso não estava trancada. Parecia que algum tipo de Tornado tivesse passado pelo quarto. Roupas cadernos e varias outras coisas estavam jogadas pelo quarto todo. Vidros de perfume estavam estilhaçados no chão, as janelas ainda continuavam intactas. Mas as cortinas estavam rasgadas.

–- Bianca! – Chamei

Nenhuma resposta. Andei pelo quarto todo procurando por ela. Meu coração gelou quando pensei na possibilidade de ela ter se jogado da janela. Mas afastei a ideia da minha cabeça. Já que a vi. Ela estava na cama com a cabeça entre os joelhos e a mão no rosto, talvez chorando. Respirei aliviado e andei até lá. Me sentei a cama ao lado dela, não disse nada, somente a abracei.

Ela pareceu ter levado um susto. Estava soluçando e quando olhou para mim seus olhos estavam vermelhos e inchados de chorar.

–- Daivid... – Sua voz estava fraca – Está fazendo o que aqui?

–- “Está fazendo o que aqui?” Você estava gritando tanto que eu escutei do meu quarto. Você está bem?

–- Não. Não estou.

–- Eu sei – A abracei mais forte – Mas não se preocupe eu estou aqui agora. Estou aqui com você.

–- Eu... Você não pode... Eu não quero te machucar.

–- Eu não me importo nem um pouco – Me levantei tirei a camisa e abri os braços – Se isso fizer você se sentir melhor, pode me machucar a vontade.

–- Você é um idiota.

Trouxe um copo de agua para ela.

–- Tente relaxar. Sempre da certo comigo.

–- Eu quero me matar.

–- Eu também. Mas mesmo assim não faço. Porque Anthony está sempre lá para me ajudar.

–- Minha família – A expressão dela era de uma dor profunda – Quando tive um ataque no passado, acabei ferindo alguém da minha família. Eles, eles me largaram aqui, disseram que eu ficaria melhor. Eu aceitei, sabia que esse não era o motivo, mas aceitei. No fundo eu sabia que eles só queriam se livrar de mim. Me jogar em uma escola para pessoas especiais assim eles não precisavam mais se preocupar com a doente da família, e ninguém mais se machucaria naquela casa por minha causa.

Ela segurava um caco de vidro na mão. E o apertava com força, sangue pingava em seu lençol.

–- Meu caso foi diferente. Eu queria livrar minha família de mim, então insisti para minha mãe me mandar para cá. E aqui eu comecei a melhorar. Quando estava em casa era muito difícil, eu tinha um ataque pelo menos umas dezoito vezes por mês. Mas isso mudou muito quando vim para cá depois que conheci Anthony e ou outros. Agora eu quase não tenho mais ataques, em números eu diria que pelo menos quatro vezes por mês.

–- Você é estranho.

–- Eu sei. E então, vai me cortar ou não?

–- Não. – Ela largou o caco ensanguentado em sua cama – Eu já cortei minha mão toda.

–- Porque fez isso?

–- Não sei. Isso me faz eu me sentir melhor. Talvez porque eu sinto a mesma dor que faço os outros sentirem.

Eu vasculhei o chão e peguei um caco de vidro. Respirei fundo e fiz um pequeno corte em meu braço.

–- O que você está fazendo?!

–- E então. Sentiu prazer com isso?

–- Claro que não! Pare com isso!

Me sentei ao lado dela e coloquei o caco de vidro em sua mão. Estendi o braço para ela.

–- Pode fazer um desenho nele.

–- Eu não vou fazer isso. Acabei de te dizer que não queria te machucar.

–- Não corte a si mesma, me corte. Pode ir em frente eu não ligo.

–- Pare com isso!

Eu peguei a mão dela que estava com o caco e a levei até meu braço. Prensei a mão dela contra minha pele e pude sentir o vidro entrando em meu corpo. Arrastei a mão dela enquanto um pequeno corte se fazia em meu braço o sangue logo começou a escorrer sobre a minha pele.

–- Chega! – Ela gritou

Engoli a dor e sorri. Ela tentava puxar o braço, mas eu o pressionava com mais força, fazendo o corte mais profundo. Isso durou até meu braço estar com um corte que descia do ombro até a palma da mão. E doía muito.

–- Bem, agora...

Pressionei o caco contra meu peito e então ela me abraçou. Ela me abraçou com força e me fez largar o caco sobre o chão. Ela ainda chorava.

–- Pare, por favor. Você é louco...

–- Eu sou – Retribui seu abraço – Mas foi isso que me fez ficar perto de você hoje. E sua roupa está manchada com meu sangue.

–- Isso não importa, mas pare de se machucar – Ela falava em meio aos soluços de choro.

–- Se eu tiver que me cortar sempre para ganhar um abraço posso me acostumar com isso – Sorri -- Você tem raiva da sua família, sempre que tem um ataque você está pensando nesse acidente, certo? Você tem que deixar isso no passado. Se sua família quer se livrar de você, não piore, melhore, faça eles se arrependerem da sua decisão. E se caso voce ainda quiser cortar alguém, me corte, me corte até se sentir melhor, eu vou suportar a dor se for para o seu bem.

–- Daivid...

–- Você tenta afastar as pessoas ao seu redor com medo. Medo de que se repita o que aconteceu em sua casa. Mas mesmo que você me machucar eu não vou me afastar de você. Eu vou te ajudar, sempre que você precisar Bianca.

Olhei diretamente para ela, seu rosto estava vermelho.

–- Então acabou aquela ordem judicial de ficar a cem metros de distancia de você? – Perguntei.

Ela riu. Na hora eu entrei em transe, eu nunca a tinha visto sorrir antes, mas era uma visão que eu gostaria de ver todos os dias. Bocejei de sono, só então me lembrei de que horas eram. O relógio de Bianca marcava 03:48.

–- Você pode ir dormir – Ela disse – Me desculpe por te acordar a essa hora.

–- Certo. Mas não se desculpe, eu poderia ter dormido novamente mais preferi vir aqui.

–- Quanto à ordem judicial. Vou pensar no assunto.

Eu sorri. Caminhei até a porta e a abri. Quanto estava quase saindo do quarto ela segurou meu braço. Eu me virei, então ela ficou na ponta dos pés e colou seus lábios nos meus. Foi a melhor sensação que eu senti em toda minha vida, até mesmo a dor em meu braço não me incomodava mais, eu gostaria de ficar assim por um bom tempo, mas então ela se afastou.

–- Obrigada Daivid.

Ela entrou e fechou a porta.

Notas finais
Deixem seu comentário e até a próxima