Corações Problemáticos
21 Bomba
Notas iniciais
Respirar fundo. Era o que eu mais fazia no momento, eu estava com um misto de alegria e raiva minhas emoções estavam entrando em curto-circuito, e me corpo estava em sobrecarga.
Acho que isso descreveria bem o que eu senti.
–- Ei, Daivid, está tudo bem? – A voz de Anthony soava distante como estivesse falando por telefone em uma chamada viva voz. E eu respondi com um simples e distraído aceno de cabeça.
Me concentrei meu mundo então voltou a si, comecei a escutar as pessoas falando novamente, voltei a ver elas andando e a voz de Anthony ficou clara e nítida, como se ele estivesse ao meu lado, e estava.
Mas eu também agora conseguir ver a garota loira a minha frente, seus olhos castanhos estavam fitados diretamente em mim com uma expressão neutra, vestia uma short jeans milimétrico, sério, eu nunca a vi usando algo mais longo que isso durante todo o tempo que nós ficamos juntos. Usava uma camiseta azul clara de mangas longas e apoiado em suas pernas estava seu inseparável skate com as rodas roxas. Um presente meu.
Tinha uma garota ao seu lado, eu acho que não a conheço, ela é uma garota pálida, pequena e magra, tem cabelos extremamente vermelhos e olhos extremamente verdes. Usava calças de moletom cinza e um casaco também cinza que parecia ser uns dez números maiores.
A expressão de Karen mudou de neutra para irritada, ela entregou seu skate para a garota vampira ao seu lado e começou a vir a minha direção, a minha então mudou de surpresa para pânico. Eu recuei uns dois passos para trás e me segurei para não sair correndo. Sem dizer nada ela me segurou pelos ombros e me puxou para um abraço bem apertado, era estranho sentir isso novamente. Então senti uma leve sensação de desconforto e então Anthony disse:
–- Nossa, isso deve ter doido – E sua expressão era estranha.
A sensação de desconforto se tornou uma sensação de dor absoluta, eu tinha acabado de levar uma poderosa joelhada nas partes intimas, e acredite, isso dói muito.
–- Isso foi por aquele dia na lanchonete – Ela explicou quando eu já estava de joelhos no chão.
–- Eu... Eu me esqueci que você tem pernas que podem partir um quebra-queixo.
Ela também ficou de joelhos e me abraçou novamente.
–- Saudades de você Nash.
–- Chega! – Gritou a voz de Aisha – Os dois de pé imediatamente!
Soou como uma ordem, e nós involuntariamente obedecemos.
–- Agora, por favor, podem explicar o que está acontecendo? E o porque dessa agarração aqui na porta de escola?
–- É mesmo. Anthony, Isaac, Aisha, essa é Karen Ross, minha primeira namorada. E eu me lembrei de seu sobrenome. Karen, esses são Anthony, Isaac e Aisha, minha turma.
Todos ficaram em silencio, eu entendia o porque, mas era um pouco perturbador. Anthony então quebrou o silencio estendendo sua mão para a garota. Ela o cumprimentou, os outros seguiram seu exemplo. A garota ruiva pigarreou.
–- É mesmo. Nash, você se lembra de Sasha? – Ela perguntou.
Apesar de Karen agir de um modo como se nós já nos conhecêssemos eu quase tinha certeza de que nunca vi seu rosto antes, e essa foi a minha resposta.
–- Não, não me lembro – Dei um sorriso após isso somente para amenizar o fato de que talvez eu não tinha uma memorio muito boa, o que eu duvidava, mas ainda sim ela fechou o rosto que outrora estava estranhamente esperançoso.
–- Idiota – Foi a reação da garota, que logo após isso enfiou uma das mãos no bolso do moletom, cobriu o rosto com o capuz e baixou o olhar para o chão.
Todos olharam para mim a procura de respostas, eu fazia o mesmo. Parece que de algum modo ainda incompreensível eu tinha acabado de magoar uma garota que nem mesmo conhecia. Karen que também não parecia entender a reação da garota ao seu lado olhou disfarçadamente envergonhada para mim.
Respirei fundo como sempre fazia antes de tentar algo arriscado.
–- Ei, Sasha não é? – Disse eu com a minha voz calma e tranquilizadora – Eu...é... eu posso ver seu rosto novamente?
Ela puxou ainda mais o capuz, dei um sorriso, finalmente estávamos começando a nos entender. Toquei em seu capuz ameaçando puxa-lo.
–- Posso?
Ela relutantemente tirou as mãos do capuz o liberando para que eu pudesse tira-lo, o foi o que eu fiz, assim que eu o retirei por completo seu rosto foi mais uma vez revelado. Eu a toquei em seu queixo e levantei sua cabeça, como em uma cena de algum filme romântico, continuei fitando seus olhos verdes esmeralda.
–- Eu me lembro vagamente de seu rosto. Mas... por enquanto... prazer, sou Daivid Nashville.
–- Sasha Fergusson – Nós aperamos as mãos e agora parece que tudo estava resolvido.
–- Cara. Tudo isso era mesmo necessário? – Anthony questionou visivelmente impaciente.
Karen simplesmente suspirou.
–- Isso é normal. Nash sempre teve seu próprio modo de resolver as coisas. Isso era irritante e ao mesmo tempo perturbadoramente atraente. Porem, seja mais cuidadoso em relação a Sasha, ela se apaixona fácil. Eu não gostaria de ter que matar você...
Todos pareciam assustados, Sasha extremamente constrangida, eu, indiferente, já convivi muito com Karen, eu conhecia ela.
–- E então Karen, o que traz você aqui, nesse lugar aterrorizante?
–- Eu fui na sua casa primeiro, ai sua mãe me disse que você estava na Italia ou algo assim, mas que provavelmente já devia ter chegado, o que me trouxe até aqui. Mas resumindo, eu preciso falar com você. E dessa vez você não vai fugir como fez na lanchonete.
–- Eu não fugi na lanchonete. Você disse o que tinha para dizer. Eu não tinha nada pra falar então não tinha motivo para continuar lá, encarando o rosto da primeira pessoa que eu amei.
–- Uma atitude meio idiota não acha?
–- Sim. Talvez tão idiota quando me chutar por causa disso.
Algumas pessoas já começaram a se juntar em volta de nós com a esperança de ver uma pequena discussão. O que obviamente não aconteceria se dependesse de mim.
–- Acho melhor vocês conversarem em outro lugar – Isaac sugeriu, e todos concordamos.
No fim todos nós nos encaixamos no refeitório. Parecia ser o local publico menos visitado na escola, isso quando não era horário de alguma das refeições. Minha turma não sabia o significado de privacidade, ou particular, então todos estávamos juntos em uma conversa que deveria ser somente entre duas pessoas. Eu não me importei nada com isso, Karen também não parecia se importar então de qualquer modo...
–- Bem, vou tentar não “fugir” dessa vez, então... O que tinha para tratar com o Sr. Nashville?
–- É mesmo. O que eu queria dizer é... – Ela desviou o olhar para a garota vampira, eu não sei porque eu chamo ela assim – Sasha?
Fiz o mesmo que ela, a garota vampira parecia assustada com algo. Isso me preocupou um pouco, Isaac e Aisha também pareciam preocupados, mas então a voz atrás de mim disse:
–- Sasha Fergusson...? – Apesar de um pequeno tom de surpresa eu reconheceria esse jeito frio de falar em qualquer lugar.
–- Você... – A voz de Sasha saiu como um sussurro – Você... você...
Ei me virei para trás para encontrar Bianca completamente estática. Agora sim a situação ficou mais estranha do que já estava, primeiro, por eu nunca ver Bianca desse jeito, normalmente ela é indiferente em relação a algumas coisas e segundo, o que ela pode ter feito a garota vampira para ela ter uma reação dessas?
–- Mas o que raios está acontecendo aqui?! – Karen com seu temperamento explosivo já estava completamente sem paciência.
Ei poderia dizer que uma bomba foi plantada, uma bomba que poderia acabar com a minha vida e então Sasha acionou o timer.
–- Você...voce... você o matou... VOCÊ MATOU MEU IRMÃO!
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